Indução de morte imunogênica associando transferência gênica e quimioterapia em células de carcinoma de próstata humano

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Assis, Nadine Gimenez de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5155/tde-12122025-123731/
Resumo: O câncer de próstata está entre as neoplasias malignas mais incidentes em homens no mundo. Apesar das opções de tratamento, a taxa de sobrevida relativa em cinco anos de pacientes com a forma metastática da doença é de apenas 37%, tornando necessário o desenvolvimento de novas estratégias de terapia capazes de gerar benefícios a longo prazo. A quimioterapia com taxanos é o padrão-ouro para o tratamento do câncer de próstata metastático resistente à castração (mCRPC), contando com o cabazitaxel (CBZ) como segunda linha de tratamento. As maiores preocupações em relação aos tratamentos disponíveis atualmente são a aquisição de resistência e a toxicidade dos quimioterápicos, e a resposta limitada às opções de imunoterapia, devido à baixa imunogenicidade e alta heterogeneidade tumoral. Apesar de trazer benefícios para os pacientes que apresentam progressão da doença, o CBZ causa efeitos adversos de grau 3, como neutropenia, leucopenia e anemia, prejudicando ainda mais o sistema imune do indivíduo e a chance de benefício com estratégicas imunoterapêuticas. Esse efeito imunossupressor é especialmente preocupante no contexto de tumores com alterações em genes supressores tumorais como TP53, já que estão associadas a uma doença mais agressiva, com pior prognóstico e maior potencial metastático. Resultados prévios do grupo mostraram que a transferência gênica de p53 sensibilizou células de mCRPC ao CBZ de forma a permitir o uso de doses menores da droga, reduzindo a ocorrência de efeitos adversos enquanto ainda se observou efeito citotóxico e inibição da progressão tumoral em modelo murino. Buscando integrar nosso modelo de tratamento com trabalhos recentes que mostram a relevância do reestabelecimento de p53 na iniciação de resposta imune contra tumores, avaliamos o potencial da combinação p53+CBZ de gerar morte imunogênica e modular a expressão de alvos nas células tumorais que possam indicar uma possível ativação imunológica. Os agentes demonstraram efeito aditivo na citotoxicidade do tratamento e foram identificados in vitro os marcadores de morte imunogênica calreticulina, HMGB1 e ATP, que são responsáveis por estimular células apresentadoras de antígeno. Em um screening para avaliar a modulação de genes envolvidos no reconhecimento de células tumorais por células imunes, observou-se uma menor expressão do receptor antifagocítico CD47, corroborando com a hipótese de que o tratamento poderia modular componentes mieloides do microambiente tumoral. Tendo em vista que macrófagos associados ao tumor são fundamentais para o estabelecimento de um microambiente imunossupressor, foram realizados ensaios funcionais de fagocitose em modelo de cultura 3D com chips de microfluídica, mostrando que a transferência gênica de p53 de forma específica é capaz de estimular a atividade fagocítica de macrófagos contra pelo menos uma das linhagens avaliadas neste trabalho. Com isto, conclui-se que a nossa abordagem, principalmente com a terapia gênica de p53, tem potencial de aumentar a imunogenicidade de células de mCRPC in vitro.
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As maiores preocupações em relação aos tratamentos disponíveis atualmente são a aquisição de resistência e a toxicidade dos quimioterápicos, e a resposta limitada às opções de imunoterapia, devido à baixa imunogenicidade e alta heterogeneidade tumoral. Apesar de trazer benefícios para os pacientes que apresentam progressão da doença, o CBZ causa efeitos adversos de grau 3, como neutropenia, leucopenia e anemia, prejudicando ainda mais o sistema imune do indivíduo e a chance de benefício com estratégicas imunoterapêuticas. Esse efeito imunossupressor é especialmente preocupante no contexto de tumores com alterações em genes supressores tumorais como TP53, já que estão associadas a uma doença mais agressiva, com pior prognóstico e maior potencial metastático. Resultados prévios do grupo mostraram que a transferência gênica de p53 sensibilizou células de mCRPC ao CBZ de forma a permitir o uso de doses menores da droga, reduzindo a ocorrência de efeitos adversos enquanto ainda se observou efeito citotóxico e inibição da progressão tumoral em modelo murino. Buscando integrar nosso modelo de tratamento com trabalhos recentes que mostram a relevância do reestabelecimento de p53 na iniciação de resposta imune contra tumores, avaliamos o potencial da combinação p53+CBZ de gerar morte imunogênica e modular a expressão de alvos nas células tumorais que possam indicar uma possível ativação imunológica. Os agentes demonstraram efeito aditivo na citotoxicidade do tratamento e foram identificados in vitro os marcadores de morte imunogênica calreticulina, HMGB1 e ATP, que são responsáveis por estimular células apresentadoras de antígeno. Em um screening para avaliar a modulação de genes envolvidos no reconhecimento de células tumorais por células imunes, observou-se uma menor expressão do receptor antifagocítico CD47, corroborando com a hipótese de que o tratamento poderia modular componentes mieloides do microambiente tumoral. Tendo em vista que macrófagos associados ao tumor são fundamentais para o estabelecimento de um microambiente imunossupressor, foram realizados ensaios funcionais de fagocitose em modelo de cultura 3D com chips de microfluídica, mostrando que a transferência gênica de p53 de forma específica é capaz de estimular a atividade fagocítica de macrófagos contra pelo menos uma das linhagens avaliadas neste trabalho. Com isto, conclui-se que a nossa abordagem, principalmente com a terapia gênica de p53, tem potencial de aumentar a imunogenicidade de células de mCRPC in vitro.Prostate cancer is among the most common cancers in men worldwide. Despite treatment options, patients with metastatic disease have a five-year survival rate of only 37%, so development of new therapeutic strategies is needed to achieve long-term benefits. Taxane-based chemotherapy is the gold standard for treatment of metastatic castration-resistant prostate cancer (mCRPC), with cabazitaxel (CBZ) as second-line therapy. The main concerns regarding current treatment options are resistance and toxicity commonly associated with chemotherapy, and limited responses to immunotherapy due to low immunogenicity and high tumor heterogeneity. Although CBZ provides benefits for patients after disease progression, it also causes grade 3 adverse effects such as neutropenia, leukopenia, and anemia, further compromising the individuals immune system and reducing the likelihood of benefit from immunotherapeutic strategies. This immunosuppressive effect is particularly concerning in the context of tumors harboring alterations in tumor suppressor genes such as TP53, since they are associated with more aggressive disease, poorer survival outcomes, and increased metastatic potential. Previous results from our group have shown that p53 gene transfer sensitized prostate cancer cells to CBZ, permitting the application of lower drug doses to avoid toxicity while still achieving complete inhibition of tumor progression in a mouse model. Integrating our encouraging results with recent findings on the importance of p53 restoration in initiating anti-tumor immune responses, we evaluated the potential of the p53+CBZ combination to induce immunogenic cell death and modulate the expression of possible immune response indicators in tumor cells. The agents demonstrated an additive cytotoxic effect and the markers for immunogenic cell death calreticulin, HMGB1 and ATP, which are responsible for stimulating antigen-presenting cells, were identified in vitro. After screening the gene expression modulation of targets involved in tumor cell recognition by immune cells, we observed decreased expression of the anti-phagocytic receptor CD47, supporting the hypothesis that the treatment could modulate myeloid components of the tumor microenvironment. Given the key role of tumor-associated macrophages in establishing an immunosuppressive microenvironment, we performed functional phagocytosis assays in a 3D culture model using microfluidic chips. These assays showed that p53 gene transfer specifically can stimulate macrophage phagocytic activity against at least one of the cell lines evaluated. In conclusion, our approach-particularly p53 gene therapy-has the potential to enhance the immunogenicity of mCRPC cells in vitro.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPStrauss, Bryan EricAssis, Nadine Gimenez de2025-08-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5155/tde-12122025-123731/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-12T19:03:02Zoai:teses.usp.br:tde-12122025-123731Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-12T19:03:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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