Identificação do mecanismo de patogenicidade induzido durante coinfecção com vírus Mayaro e <i>Plasmodium berghei</i> ANKA.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Júnior, José Wandilson Barboza Duarte
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo
Instituto de Ciências Biomédicas
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-17042026-181107/
Resumo: O surto de doenças arbovirais têm aumentado nas últimas décadas no Brasil, incluindo o vírus Mayaro (MAYV), destacando um aumento no risco de coinfecção em regiões onde a malária é endêmica. O MAYV e o <i>Plasmodium </i>induzem uma forte resposta pró-inflamatória no hospedeiro que resulta em complicações como artralgia em infecções por MAYV, e malária cerebral e síndrome da angústia respiratória aguda associada à malária (MA-ARDS). No entanto, pouco se sabe sobre o impacto que os arbovírus têm na resposta do hospedeiro em relação à doença da malária durante a coinfecção. Neste estudo, o objetivo principal foi verificar como a coinfecção por MAYV e malária influencia na modulação da resposta imune e nas complicações induzidas pelo patógeno heterólogo. Para isto, utilizou-se diferentes modelos de coinfecção de camundongos C57BL/6J com MAYV e <i>Plasmodium berghei </i>ANKA (PbA). Os camundongos foram infectados intraperitonealmente com 5x106 iRBC de PbA<i>luc </i>e subcutaneamente no lado ventral da pata direita com 5×106 PFU MAYV, nas seguintes condições: 1. Simultâneo (PbA+MAYV); 2. infecção com MAYV e 4 dias depois com PbA (pré-MAYV); 3. infecção com PbA e 4 dias depois com MAYV (pré-PbA). Somente a coinfecção simultânea foi capaz de proteger 90% dos camundongos da malária cerebral experimental (ECM) e melhorar seus parâmetros respiratórios. Em contraste, os grupos pré-MAYV e pré-PbA, desenvolveram hipotermia, com perda de peso significativa e alterações nos padrões respiratórios, e morreram de ECM. A proteção contra ECM induzida pela coinfecção simultânea envolveu a redução de hemácias infectadas sequestradas no cérebro e a diminuição do dano endotelial cerebral, redução de hemorragia cerebral e infiltração de leucócitos, caracterizado particularmente pelas células CD8+. Essa redução pode estar relacionada à diminuição dos gradientes de IFN- e RANTES no cérebro. Por outro lado, a proteção contra MA-ARDS resultou na redução do dano endotelial pulmonar e na diminuição da hemorragia e edema pulmonar sem alterar o perfil inflamatório. Embora a coinfecção não tenha alterado o número de hemácias infectadas sequestradas ou alguns subtipos de células imunes nos pulmões, níveis elevados de citocinas e quimiocinas explicam, em parte, o aumento das células CD4+ e CD8+. Notavelmente, a coinfecção alterou a expressão de marcadores em células CD8+ efetoras presentes nos pulmões, diminuindo a expressão de GITR e aumentando a expressão de KLRG1, sem comprometer a capacidade de gerar células T CD8+ funcionais (citotóxicas) e produtoras de IFN- no baço. A análise proteômica das células CD8+ pulmonares, revelou que o grupo coinfectado apresentou, exclusivamente, proteínas reguladas negativamente relacionadas com a adesão celular. Esses dados corroboraram com a análise da expressão de genes no lisado de tecido pulmonar dos camundongos coinfectados, que apresentaram um aumento na expressão de genes que codificam proteínas das <i>tight-junctions </i>e que estão envolvidos na montagem e regulação, sugerindo integridade das células endoteliais, decorrente da não aderência das células T CD8+. Enquanto a coinfecção simultânea protegeu os animais da ECM e MA-ARDS, a presença do PbA aumentou o inchaço na pata induzido pelo MAYV no 5 dpi, sem afetar a viremia. Apesar da análise histológica ter demonstrado que durante a coinfecção há necrose e infiltrado celular na pata dos camundongos, a citometria de fluxo mostrou uma redução das células CD45+, caracterizado por uma redução nas células B, células T CD4+, células dendríticas derivadas de monócitos e células NK. No linfonodo poplíteo, apenas as células NK foram reduzidas, enquanto o número de células B e T CD4+ permaneceu inalterado. Esses dados sugerem que a coinfecção simultânea pode modular a resposta imune, alterando a sintomatologia e complicações induzidas pelo MAYV e PbA, respectivamente. Enquanto a presença do vírus preveniu a mortalidade induzida pela ECM e MA-ARDS, a presença do parasita exarcebou o inchaço da pata provocado pelo MAYV.
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spelling Identificação do mecanismo de patogenicidade induzido durante coinfecção com vírus Mayaro e <i>Plasmodium berghei</i> ANKA.Identification of the pathogenicity mechanism induced during co-infection with Mayaro virus and <i>Plasmodium berghei</i> ANKA.Vírus Mayaro<i>Plasmodium</i>Resposta imuneCoinfecçãoMaláriaMayaro vírusMalariaImmune responseCo-infection<i>Plasmodium</i>O surto de doenças arbovirais têm aumentado nas últimas décadas no Brasil, incluindo o vírus Mayaro (MAYV), destacando um aumento no risco de coinfecção em regiões onde a malária é endêmica. O MAYV e o <i>Plasmodium </i>induzem uma forte resposta pró-inflamatória no hospedeiro que resulta em complicações como artralgia em infecções por MAYV, e malária cerebral e síndrome da angústia respiratória aguda associada à malária (MA-ARDS). No entanto, pouco se sabe sobre o impacto que os arbovírus têm na resposta do hospedeiro em relação à doença da malária durante a coinfecção. Neste estudo, o objetivo principal foi verificar como a coinfecção por MAYV e malária influencia na modulação da resposta imune e nas complicações induzidas pelo patógeno heterólogo. Para isto, utilizou-se diferentes modelos de coinfecção de camundongos C57BL/6J com MAYV e <i>Plasmodium berghei </i>ANKA (PbA). Os camundongos foram infectados intraperitonealmente com 5x106 iRBC de PbA<i>luc </i>e subcutaneamente no lado ventral da pata direita com 5×106 PFU MAYV, nas seguintes condições: 1. Simultâneo (PbA+MAYV); 2. infecção com MAYV e 4 dias depois com PbA (pré-MAYV); 3. infecção com PbA e 4 dias depois com MAYV (pré-PbA). Somente a coinfecção simultânea foi capaz de proteger 90% dos camundongos da malária cerebral experimental (ECM) e melhorar seus parâmetros respiratórios. Em contraste, os grupos pré-MAYV e pré-PbA, desenvolveram hipotermia, com perda de peso significativa e alterações nos padrões respiratórios, e morreram de ECM. A proteção contra ECM induzida pela coinfecção simultânea envolveu a redução de hemácias infectadas sequestradas no cérebro e a diminuição do dano endotelial cerebral, redução de hemorragia cerebral e infiltração de leucócitos, caracterizado particularmente pelas células CD8+. Essa redução pode estar relacionada à diminuição dos gradientes de IFN- e RANTES no cérebro. Por outro lado, a proteção contra MA-ARDS resultou na redução do dano endotelial pulmonar e na diminuição da hemorragia e edema pulmonar sem alterar o perfil inflamatório. Embora a coinfecção não tenha alterado o número de hemácias infectadas sequestradas ou alguns subtipos de células imunes nos pulmões, níveis elevados de citocinas e quimiocinas explicam, em parte, o aumento das células CD4+ e CD8+. Notavelmente, a coinfecção alterou a expressão de marcadores em células CD8+ efetoras presentes nos pulmões, diminuindo a expressão de GITR e aumentando a expressão de KLRG1, sem comprometer a capacidade de gerar células T CD8+ funcionais (citotóxicas) e produtoras de IFN- no baço. A análise proteômica das células CD8+ pulmonares, revelou que o grupo coinfectado apresentou, exclusivamente, proteínas reguladas negativamente relacionadas com a adesão celular. Esses dados corroboraram com a análise da expressão de genes no lisado de tecido pulmonar dos camundongos coinfectados, que apresentaram um aumento na expressão de genes que codificam proteínas das <i>tight-junctions </i>e que estão envolvidos na montagem e regulação, sugerindo integridade das células endoteliais, decorrente da não aderência das células T CD8+. Enquanto a coinfecção simultânea protegeu os animais da ECM e MA-ARDS, a presença do PbA aumentou o inchaço na pata induzido pelo MAYV no 5 dpi, sem afetar a viremia. Apesar da análise histológica ter demonstrado que durante a coinfecção há necrose e infiltrado celular na pata dos camundongos, a citometria de fluxo mostrou uma redução das células CD45+, caracterizado por uma redução nas células B, células T CD4+, células dendríticas derivadas de monócitos e células NK. No linfonodo poplíteo, apenas as células NK foram reduzidas, enquanto o número de células B e T CD4+ permaneceu inalterado. Esses dados sugerem que a coinfecção simultânea pode modular a resposta imune, alterando a sintomatologia e complicações induzidas pelo MAYV e PbA, respectivamente. Enquanto a presença do vírus preveniu a mortalidade induzida pela ECM e MA-ARDS, a presença do parasita exarcebou o inchaço da pata provocado pelo MAYV.Outbreaks of arboviral diseases have increased in Brazil over recent decades, including the Mayaro virus (MAYV), which highlights an elevated risk of co-infection in regions where malaria is endemic. Both MAYV and <i>Plasmodium </i>induce a strong pro-inflammatory response in the host, leading to complications such as arthritis in MAYV infections, cerebral malaria and malariaassociated acute respiratory distress syndrome (MA-ARDS). However, little is known about the impact of arboviruses on the host response to malaria during co-infection. This study aimed to investigate how co-infection with MAYV and malaria influences immune response modulation and complications induced by heterologous pathogens. Various co-infection models using C57BL/6J mice with MAYV and <i>Plasmodium berghei </i>ANKA (PbA) were employed. Mice were infected intraperitoneally with 5x106 iRBC of PbA and subcutaneously in the ventral side of the right hind paw with 5x106 PFU of MAYV under the following conditions: 1) simultaneous (PbA+MAYV); 2) MAYV infection followed by PbA 4 days later (pre-MAYV); 3) PbA infection followed by MAYV 4 days later (pre-PbA). Only simultaneous co-infection protected 90% of the mice from experimental cerebral malaria (ECM) and improved respiratory parameters. In contrast, pre-MAYV and pre-PbA groups developed hypothermia, significant weight loss, and respiratory changes, resulting in death due to ECM. The protection against ECM conferred by simultaneous co-infection involved a reduction in infected red blood cells sequestered in the brain and a decrease in cerebral endothelial damage, hemorrhage, and leukocyte infiltration, particularly characterized by CD8+ cells. This reduction may be related to decreased gradients of IFN- and RANTES in the brain. On the other hand, protection against MA-ARDS resulted in reduced pulmonary endothelial damage and decreased hemorrhage and pulmonary edema without altering the inflammatory profile. Although co-infection did not alter the number of sequestered infected red blood cells or some immune cell subtypes in the lungs, elevated levels of cytokines and chemokines partly explain the increase in CD4+ and CD8+ cells. Notably, coinfection altered the expression of markers in CD8+ effector cells in the lungs, decreasing GITR expression and increasing KLRG1 expression, without compromising the ability to generate functional (cytotoxic) and IFN- g producing CD8+ T cells in the spleen. Proteomic analysis of lung CD8+ cells revealed that the co-infected group uniquely presented negatively regulated proteins related to cell adhesion. These data were supported by gene expression analysis in lung tissue lysates from co-infected mice, which showed increased expression of genes encoding tightjunction proteins and genes involved in tight-junction assembly and regulation, suggesting endothelial cell integrity due to decreased adhesion of CD8+ T cells. While simultaneous coinfection protected animals from ECM and MA-ARDS, the presence of PbA exacerbated the paw swelling induced by MAYV on day 5 post-infection, without affecting viremia. Despite histological analysis showing necrosis and cellular infiltration in the paw of co-infected mice, flow cytometry revealed a reduction in CD45+ cells, characterized by decreased B cells, CD4+ T cells, monocytederived dendritic cells, and NK cells. In the popliteal lymph node, only NK cells were reduced, while the number of B cells and CD4+ T cells remained unchanged. These data suggest that simultaneous co-infection can modulate the immune response, altering the symptomatology and complications induced by MAYV and PbA. While the presence of the virus prevented mortality induced by ECM and MA-ARDS, the presence of the parasite exacerbated MAYV-induced paw swelling.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloInstituto de Ciências BiomédicasClaser, CarlaMarinho, Claudio Romero FariasJúnior, José Wandilson Barboza Duarte2024-09-062026-04-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-17042026-181107/doi:10.11606/T.42.2024.tde-17042026-181107Reter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-28T18:20:02Zoai:teses.usp.br:tde-17042026-181107Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-28T18:20:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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