Enriquecimento sem causa e sua aplicação aos bens digitais
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-16052024-091213/ |
Resumo: | O amadurecimento teórico da doutrina especializada em temas ligados ao lucro da intervenção conduziu à ampliação do espectro de situações nas quais a ideia de locupletamento independe de qualquer visualização dos reflexos gerados para a vítima, sendo despicienda a análise do dano. Em regra, a exploração injusta de patrimônio alheio será o fato gerador de enriquecimento que se buscará restituir, transpondo o que se auferiu da esfera patrimonial do ofensor para a esfera patrimonial daquele que teve seu patrimônio explorado sem adequado lastro em fonte obrigacional. Em paralelo, nada impedirá, segundo já sinalizam precedentes jurisprudenciais emblemáticos, que se busque, também, a imposição da responsabilidade civil por dano patrimonial (caso haja dano emergente ou lucro cessante decorrente da exploração indevida) e por dano extrapatrimonial (a depender das conjunturas pelas quais se deu o lucro da intervenção). Em suma, passou-se a admitir pretensões que decorrem de uma mesma situação, embora com um claro signo distintivo para a primeira delas, qual seja, a prescindibilidade do dano, e, a partir disso, extrai-se o tema-problema investigado, que se fragmenta em três etapas no curso investigativo: (i) para eventos analógicos do contexto precedente, a identificação de situações de usurpação desse cariz era tão difícil quanto a eventual quantificação do lucro obtido indevidamente, o que tornava cinzenta a zona de estabelecimento da pretensão restitutória; (ii) para eventos contemporâneos do contexto hodierno, exatamente em virtude da evolução tecnológica, tal quantificação não é mais um desafio, pois, bem ao contrário, já se cogita da aferição de lucros em tempo real, embora outros problemas surjam a partir desse renovado contexto, tais como a plurissubjetividade da relação intermediada por provedores de aplicação, a natureza sui generis do bem alheio explorado e a inviabilidade de aferição de justa causa em razão de processos decisórios automatizados; (iii) para eventos vindouros, do contexto póstero, o tema se elastece ainda mais, pois o que se vislumbra é a irrefreável tokenização das situações da vida cotidiana e fluidificação do próprio conceito de lucro, que pode suplantar a subsidiariedade do tema e alargar o campo no qual usurpações indevidas do patrimônio alheio resultem de exemplos concretos que, hoje, apenas se pode imaginar e conjecturar. A hipótese em questão envolve saber, portanto, quais são os critérios que deverão orientar o intérprete, especificamente diante de situações nas quais ocorra a exploração de bens digitais, para a identificação da pretensão a ser vindicada. A tese será desenvolvida a partir da investigação analítica e dogmática em torno da possibilidade de compatibilização dos três grandes aspectos envolvidos na pesquisa: novas tecnologias, enriquecimento sem causa e lucro da intervenção. A forma de abordagem da pesquisa será a qualitativa, com lastro no método dedutivo. |
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Enriquecimento sem causa e sua aplicação aos bens digitaisUnjust enrichment and its application to digital assetsCivil liabilityDigital platformsDisgorgement of profitsEnriquecimento sem causaLucro da intervençãoNew technologiesNovas tecnologiasPlataformas digitaisResponsabilidade civilUnjust enrichmentO amadurecimento teórico da doutrina especializada em temas ligados ao lucro da intervenção conduziu à ampliação do espectro de situações nas quais a ideia de locupletamento independe de qualquer visualização dos reflexos gerados para a vítima, sendo despicienda a análise do dano. Em regra, a exploração injusta de patrimônio alheio será o fato gerador de enriquecimento que se buscará restituir, transpondo o que se auferiu da esfera patrimonial do ofensor para a esfera patrimonial daquele que teve seu patrimônio explorado sem adequado lastro em fonte obrigacional. Em paralelo, nada impedirá, segundo já sinalizam precedentes jurisprudenciais emblemáticos, que se busque, também, a imposição da responsabilidade civil por dano patrimonial (caso haja dano emergente ou lucro cessante decorrente da exploração indevida) e por dano extrapatrimonial (a depender das conjunturas pelas quais se deu o lucro da intervenção). Em suma, passou-se a admitir pretensões que decorrem de uma mesma situação, embora com um claro signo distintivo para a primeira delas, qual seja, a prescindibilidade do dano, e, a partir disso, extrai-se o tema-problema investigado, que se fragmenta em três etapas no curso investigativo: (i) para eventos analógicos do contexto precedente, a identificação de situações de usurpação desse cariz era tão difícil quanto a eventual quantificação do lucro obtido indevidamente, o que tornava cinzenta a zona de estabelecimento da pretensão restitutória; (ii) para eventos contemporâneos do contexto hodierno, exatamente em virtude da evolução tecnológica, tal quantificação não é mais um desafio, pois, bem ao contrário, já se cogita da aferição de lucros em tempo real, embora outros problemas surjam a partir desse renovado contexto, tais como a plurissubjetividade da relação intermediada por provedores de aplicação, a natureza sui generis do bem alheio explorado e a inviabilidade de aferição de justa causa em razão de processos decisórios automatizados; (iii) para eventos vindouros, do contexto póstero, o tema se elastece ainda mais, pois o que se vislumbra é a irrefreável tokenização das situações da vida cotidiana e fluidificação do próprio conceito de lucro, que pode suplantar a subsidiariedade do tema e alargar o campo no qual usurpações indevidas do patrimônio alheio resultem de exemplos concretos que, hoje, apenas se pode imaginar e conjecturar. A hipótese em questão envolve saber, portanto, quais são os critérios que deverão orientar o intérprete, especificamente diante de situações nas quais ocorra a exploração de bens digitais, para a identificação da pretensão a ser vindicada. A tese será desenvolvida a partir da investigação analítica e dogmática em torno da possibilidade de compatibilização dos três grandes aspectos envolvidos na pesquisa: novas tecnologias, enriquecimento sem causa e lucro da intervenção. A forma de abordagem da pesquisa será a qualitativa, com lastro no método dedutivo.The theoretical evolution of the doctrinal propositions in themes related to the disgorgement of profits led to the expansion of the spectrum of situations in which the idea of enrichment does not depend on any visualization of the impacts generated for the victim, whereas the analysis of the damage is negligible. As a rule, the unfair exploitation of third parties property will be the generating fact of enrichment that will allow victims to seek refunds, transposing what was earned from the patrimonial sphere of the offender to the patrimonial sphere of the one who had his patrimony exploited without adequate backing in an obligatory source. In parallel, nothing will prevent, as already indicated by emblematic jurisprudential precedents, the imposition of civil liability for damages (if there is emerging damage or loss of profit resulting from improper exploitation) and for moral damage (depending on the circumstances by the which the intervention profit was made). In short, claims that arise from the same fact might be simultaneously accepted, although with a clear distinctive sign for the first of them, namely, the dispensability of damage, and, from this, the theme-problem is extracted, and it may be broken down into three stages in the investigative course: (i) for analogical events of the preceding context, the identification of situations of usurpation of this nature was as difficult as the eventual quantification of the unduly obtained profit, which made the area of establishment of the claim for restitution a gray one; (ii) for contemporary events in today\'s context, precisely because of technological evolution, such quantification is no longer a challenge, since, on the contrary, real-time profit measurement is already being considered, although other problems arise from this renewed context, such as the pluri- subjectivity of the relationship mediated by application providers, the sui generis nature of the exploited property of others and the impossibility of measuring just cause due to automated decision-making processes; (iii) for future events, of the posterity context, the theme becomes even more elastic, because what can be seen is the unstoppable \'tokenization\' of everyday life situations and fluidization of the very concept of profit, which can overcome the subsidiarity of the theme and broaden the field in which undue usurpations of the property of others result from concrete examples that, today, can only be imagined and conjectured. The hypothesis involves gauging what are the criteria that should guide the interpreter, specifically in light of situations in which the exploitation of digital assets occurs, for the identification of the claim to be vindicated. The proposed thesis will be developed from the analytical and dogmatic investigation around the possibility of making the three major aspects involved in the research compatible: new technologies, unjust enrichment and disgorgement of profits. The research approach will be qualitative, based on the deductive method.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTomasevicius Filho, EduardoFaleiros Júnior, José Luiz de Moura2024-03-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde-16052024-091213/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-15T18:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-16052024-091213Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-15T18:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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