Processos de mediação do assédio moral no cotidiano de chefes intermediários: subsídios para a prevenção
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-16062025-154852/ |
Resumo: | Chefes intermediários(as), elo entre o planejamento e a execução na cadeia dos processos de trabalho, estão no centro das práticas organizacionais. Mais próximos àqueles(as) que executam as atividades diárias, lidam cotidianamente com as injunções e resistências geradas pela adoção de modelos de organização e gestão do trabalho definidos pelas empresas. Estes modelos, cada vez mais estruturados em sistemas de gestão por metas em associação a avaliações individuais de desempenho, têm figurado em diferentes pesquisas como alavancas de ocorrência de assédio moral. Esta tese se dedicou a descrever e analisar, a partir da categoria petroleira, o processo de mediação entre os elementos estruturais do assédio moral e o fazer diário de chefes intermediários, identificando o papel exercido pelos instrumentos de gestão relacionados à individualização do trabalho. A pesquisa, de abordagem qualitativa, contou com uma etapa exploratória destinada ao aprimoramento das questões de estudo, dos objetivos específicos e do roteiro de entrevista. Nesta etapa, também se avaliou a viabilidade do trabalho de campo, dado o perfil dos participantes escolhidos e a temática sensível. Cumprida essa etapa, foram realizadas e analisadas 12 entrevistas com trabalhadores(as) da categoria, que ocupavam ou já tinham ocupado posições de supervisor( a), coordenador( a) e gerente. Por meio da análise do discurso, identificou-se que o discurso dos participantes a respeito de tais instrumentos, estava ancorado na ideologia meritocrática, na qual a noção de justiça e mérito individual são centrais. Ao mesmo tempo, adentrando no cotidiano de trabalho, os( as) entrevistados( as) descreveram como os instrumentos acima denominados geram impactos nos modos de sociabilidade. O modelo de gestão foi descrito como crescentemente verticalizado, sendo que, sobretudo os supervisores, são instados a assumir como suas, as decisões pré-formatadas pelos sistemas de gestão, sem autonomia para resolução das contradições e sobreposições geradas por estes sistemas, colocando-os, frequentemente, em rota de colisão com a equipe e, por vezes, podendo subverter os parâmetros construídos coletivamente do bom trabalho e do trabalho seguro. O modelo de avaliação de desempenho individual demonstrou produzir impactos negativos na sociabilidade no trabalho, estimulando uma competitividade exacerbada e, paradoxalmente, criando desesperança de se obter reconhecimento, gerando desmotivação e ressentimento. O estímulo à competitividade entre equipes, consequência do modelo adotado, também foi descrito como um efeito indesejado e maléfico ao trabalho e aos trabalhadores. A lógica paradoxal desses instrumentos coloca os chefes em uma condição de vulnerabilidade a críticas por parte da equipe que coordenam, levando-os a desenvolver estratégias e artificios que alteram e repercutem negativamente nos modos de sociabilidade no trabalho. Essa situação de insegurança e de tensão reforçam a necessidade de um olhar cuidadoso à saúde mental desse grupo de trabalhadores. Concluiu-se que o enfrentarnento do assédio moral e das violências relacionadas ao trabalho passa pela recusa da abordagem individual desses fenômenos e pela necessidade premente de se voltar o olhar para os instrumentos de gestão de modo geral, elegendo as práticas organizacionais como foco, de forma que a intervenção seja de fato preventiva. |
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Processos de mediação do assédio moral no cotidiano de chefes intermediários: subsídios para a prevençãoProcesses of mediating moral harassment in the daily work of middle managers: support for preventionAssédio Moral no TrabalhoAssédio OrganizacionalChefes IntermediáriosGestão e Organização do TrabalhoIntermediate ManagersOrganizational HarassmentViolências Relacionadas ao TrabalhoWork Management and OrganizationWork-Related ViolenceWorkplace BullyingChefes intermediários(as), elo entre o planejamento e a execução na cadeia dos processos de trabalho, estão no centro das práticas organizacionais. Mais próximos àqueles(as) que executam as atividades diárias, lidam cotidianamente com as injunções e resistências geradas pela adoção de modelos de organização e gestão do trabalho definidos pelas empresas. Estes modelos, cada vez mais estruturados em sistemas de gestão por metas em associação a avaliações individuais de desempenho, têm figurado em diferentes pesquisas como alavancas de ocorrência de assédio moral. Esta tese se dedicou a descrever e analisar, a partir da categoria petroleira, o processo de mediação entre os elementos estruturais do assédio moral e o fazer diário de chefes intermediários, identificando o papel exercido pelos instrumentos de gestão relacionados à individualização do trabalho. A pesquisa, de abordagem qualitativa, contou com uma etapa exploratória destinada ao aprimoramento das questões de estudo, dos objetivos específicos e do roteiro de entrevista. Nesta etapa, também se avaliou a viabilidade do trabalho de campo, dado o perfil dos participantes escolhidos e a temática sensível. Cumprida essa etapa, foram realizadas e analisadas 12 entrevistas com trabalhadores(as) da categoria, que ocupavam ou já tinham ocupado posições de supervisor( a), coordenador( a) e gerente. Por meio da análise do discurso, identificou-se que o discurso dos participantes a respeito de tais instrumentos, estava ancorado na ideologia meritocrática, na qual a noção de justiça e mérito individual são centrais. Ao mesmo tempo, adentrando no cotidiano de trabalho, os( as) entrevistados( as) descreveram como os instrumentos acima denominados geram impactos nos modos de sociabilidade. O modelo de gestão foi descrito como crescentemente verticalizado, sendo que, sobretudo os supervisores, são instados a assumir como suas, as decisões pré-formatadas pelos sistemas de gestão, sem autonomia para resolução das contradições e sobreposições geradas por estes sistemas, colocando-os, frequentemente, em rota de colisão com a equipe e, por vezes, podendo subverter os parâmetros construídos coletivamente do bom trabalho e do trabalho seguro. O modelo de avaliação de desempenho individual demonstrou produzir impactos negativos na sociabilidade no trabalho, estimulando uma competitividade exacerbada e, paradoxalmente, criando desesperança de se obter reconhecimento, gerando desmotivação e ressentimento. O estímulo à competitividade entre equipes, consequência do modelo adotado, também foi descrito como um efeito indesejado e maléfico ao trabalho e aos trabalhadores. A lógica paradoxal desses instrumentos coloca os chefes em uma condição de vulnerabilidade a críticas por parte da equipe que coordenam, levando-os a desenvolver estratégias e artificios que alteram e repercutem negativamente nos modos de sociabilidade no trabalho. Essa situação de insegurança e de tensão reforçam a necessidade de um olhar cuidadoso à saúde mental desse grupo de trabalhadores. Concluiu-se que o enfrentarnento do assédio moral e das violências relacionadas ao trabalho passa pela recusa da abordagem individual desses fenômenos e pela necessidade premente de se voltar o olhar para os instrumentos de gestão de modo geral, elegendo as práticas organizacionais como foco, de forma que a intervenção seja de fato preventiva.Intermediate Managers, the 1ink between planning and execution chains in work processes, are at the core of organizational practices. Closer to those who perform daily activities, they deal on a daily basis with the injunctions and resistance generated by the adoption of work organization and management models defined by companies. These models, increasingly structured around goal management systems in association with individual performance evaluations, have been identified in various studies as drivers o f workplace bullying. This thesis aimed to describe and analyze, ftom oi! workers, the mediation process between the structural elements o f workplace bullying and the daily practices of intermediate managers, identifying the role played by management tools related to the individualization ofwork. The qualitative research approach included an exploratory stage to refine the research questions, specific objectives, and interview guide. In this stage, the feasibility of fieldwork was also assessed, considering the profile of the selected participants and the sensitive nature of the topic. After completing this stage, 12 interviews were conducted and analysed with workers ftom the category who held or had previously held positions as supervisors, coordinators, or managers. Through discourse analysis, it was found that the participants\' discourse regarding these tools was anchored in the meritocratic ideology, where the notions of justice and individual merit are central. At the same time, when delving into the work routine, the interviewees described how these tools generate impacts on modes of sociability. The management model was described as increasingly verticalized, with supervisors in particular being pressured to assume preformatted decisions dictated by management systems as their own, leaving them without autonomy to resolve the contradictions and overlaps generated by these systems. This often puts them in conflict with their teams, at times subverting collectively established parameters of good and safe work practices. The individual performance evaluation model was shown to produce negative impacts on workplace sociability, fostering excessive competitiveness and, paradoxically, creating a sense of hopelessness in achieving recognition, leading to demotivation and resentment. The encouragement o f competition between teams, a consequence o f the adopted model, was also described as an unintended and harmful effect on work and workers. The paradoxicallogic of these tools places supervisors in a vulnerable position, subject to criticism from the teams they manage, prompting them to develop strategies and artifices that negatively affect workplace sociability. This situation of insecurity and tension underscores the need for a careful focus on the mental health of this group o f workers. The study concluded that addressing workplace bullying and work-related violence requires rejecting the individual approach to these phenomena and urgently focusing on management tools more broadly, targeting organizational practices as a whole so that interventions can be genuinely preventive.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFischer, Frida MarinaPraun, Lucieneida DováoTavares, Daniela Sanches2025-04-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-16062025-154852/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-16T19:11:02Zoai:teses.usp.br:tde-16062025-154852Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-16T19:11:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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