Avaliação do papel das fibras nervosas na adenomiose
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-20022026-164139/ |
Resumo: | Introdução: A adenomiose é uma condição uterina benigna, caracterizada pela presença de glândulas e/ou estroma endometrial no miométrio, frequentemente associada a sintomas como dor pélvica crônica, dispareunia, alterações urinárias e intestinais cíclicas, além de infertilidade. Os mecanismos relacionados à dor pélvica crônica permanecem pouco compreendidos, especialmente no que se refere ao papel da inervação uterina e à distribuição das fibras nervosas no endométrio. Objetivo: Investigar o papel das fibras nervosas endometriais na fisiopatologia da dor associada à adenomiose. Avaliar a expressão dos marcadores neuronais CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilamento (NF), S-100 e sinaptofisina em amostras endometriais obtidas por histeroscopia de mulheres com adenomiose e/ou endometriose, comparando-as com um grupo controle. Correlacionar os achados imuno-histoquímicos com sintomas clínicos (dor pélvica, sintomas urinários e intestinais, dispareunia), extensão anatômica das lesões e infertilidade. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, prospectivo, que incluiu 102 mulheres em idade reprodutiva, alocadas em quatro grupos, conforme diagnóstico obtido por ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância magnética: Grupo A (adenomiose pura, n = 10), Grupo B (endometriose pura, n = 31), Grupo C (adenomiose associada à endometriose, n = 35) e Grupo D (grupo controle, sem alterações uterinas, n = 26). Todas as participantes foram submetidas a exames de imagem padronizados, por meio de ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética pélvica. As amostras endometriais foram obtidas por histeroscopia dirigida e processadas pela técnica de Tissue Microarray (TMA). Foi realizada análise imuno-histoquímica dos marcadores CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilamento (NF), S-100 e sinaptofisina. A avaliação quantitativa considerou a presença e o número de filetes neurais. Dados clínicos e escores de sintomas foram obtidos por meio de questionários padronizados e correlacionados aos achados histológicos e radiológicos. A análise estatística foi realizada no software R, com estatísticas descritivas aplicadas à amostra total e aos subgrupos. As variáveis numéricas foram comparadas pelo teste de Kruskal-Wallis e as categóricas, pelos testes do qui-quadrado ou exato de Fisher, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: O marcador CD56 apresentou maior expressão nos grupos com adenomiose (A e C), associando-se à maior extensão das lesões miometriais e à presença de dor urinária cíclica (p = 0,046). O PGP 9.5 foi o marcador mais frequentemente detectado (80,4%), associando-se de forma estatisticamente significativa à dor pélvica acíclica (p = 0,046) e a sintomas intestinais cíclicos (p = 0,032). O neurofilamento, embora com baixa positividade (6,9%), esteve relacionado à dispareunia profunda (p = 0,036) e à coexistência de adenomiose e endometriose (p = 0,032). A sinaptofisina apresentou correlação com estágios mais avançados de endometriose. Os marcadores CD138 e S-100 não apresentaram associação estatisticamente significativa com sintomas ou com o diagnóstico de adenomiose. Não foram observadas correlações entre a presença de fibras nervosas e infertilidade em nenhum dos grupos avaliados. Conclusões: A expressão dos marcadores neuronais CD56, PGP 9.5 e neurofilamento associou-se a sintomas específicos de dor e à extensão anatômica das lesões em mulheres com adenomiose e/ou endometriose. O uso de amostras endometriais obtidas por histeroscopia dirigida e a padronização por TMA permitiram a comparação simultânea entre múltiplos marcadores. Os achados reforçam a hipótese da participação da neurogênese local como um dos mecanismos envolvidos na dor pélvica crônica. Novos estudos são necessários para validar esses resultados e explorar o potencial terapêutico de intervenções voltadas à inervação uterina em pacientes sintomáticas. |
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Avaliação do papel das fibras nervosas na adenomioseEvaluation of the role of nerve fibers in adenomyosisAdenomioseAdenomyosisBiomarcadoresBiomarkersChronic Pelvic PainDorDor Pélvica CrônicaFibras NervosasImmunohistochemistryImuno-histoquímicaNerve FibersNeurogêneseNeurogenesisPainIntrodução: A adenomiose é uma condição uterina benigna, caracterizada pela presença de glândulas e/ou estroma endometrial no miométrio, frequentemente associada a sintomas como dor pélvica crônica, dispareunia, alterações urinárias e intestinais cíclicas, além de infertilidade. Os mecanismos relacionados à dor pélvica crônica permanecem pouco compreendidos, especialmente no que se refere ao papel da inervação uterina e à distribuição das fibras nervosas no endométrio. Objetivo: Investigar o papel das fibras nervosas endometriais na fisiopatologia da dor associada à adenomiose. Avaliar a expressão dos marcadores neuronais CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilamento (NF), S-100 e sinaptofisina em amostras endometriais obtidas por histeroscopia de mulheres com adenomiose e/ou endometriose, comparando-as com um grupo controle. Correlacionar os achados imuno-histoquímicos com sintomas clínicos (dor pélvica, sintomas urinários e intestinais, dispareunia), extensão anatômica das lesões e infertilidade. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, prospectivo, que incluiu 102 mulheres em idade reprodutiva, alocadas em quatro grupos, conforme diagnóstico obtido por ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância magnética: Grupo A (adenomiose pura, n = 10), Grupo B (endometriose pura, n = 31), Grupo C (adenomiose associada à endometriose, n = 35) e Grupo D (grupo controle, sem alterações uterinas, n = 26). Todas as participantes foram submetidas a exames de imagem padronizados, por meio de ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética pélvica. As amostras endometriais foram obtidas por histeroscopia dirigida e processadas pela técnica de Tissue Microarray (TMA). Foi realizada análise imuno-histoquímica dos marcadores CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilamento (NF), S-100 e sinaptofisina. A avaliação quantitativa considerou a presença e o número de filetes neurais. Dados clínicos e escores de sintomas foram obtidos por meio de questionários padronizados e correlacionados aos achados histológicos e radiológicos. A análise estatística foi realizada no software R, com estatísticas descritivas aplicadas à amostra total e aos subgrupos. As variáveis numéricas foram comparadas pelo teste de Kruskal-Wallis e as categóricas, pelos testes do qui-quadrado ou exato de Fisher, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: O marcador CD56 apresentou maior expressão nos grupos com adenomiose (A e C), associando-se à maior extensão das lesões miometriais e à presença de dor urinária cíclica (p = 0,046). O PGP 9.5 foi o marcador mais frequentemente detectado (80,4%), associando-se de forma estatisticamente significativa à dor pélvica acíclica (p = 0,046) e a sintomas intestinais cíclicos (p = 0,032). O neurofilamento, embora com baixa positividade (6,9%), esteve relacionado à dispareunia profunda (p = 0,036) e à coexistência de adenomiose e endometriose (p = 0,032). A sinaptofisina apresentou correlação com estágios mais avançados de endometriose. Os marcadores CD138 e S-100 não apresentaram associação estatisticamente significativa com sintomas ou com o diagnóstico de adenomiose. Não foram observadas correlações entre a presença de fibras nervosas e infertilidade em nenhum dos grupos avaliados. Conclusões: A expressão dos marcadores neuronais CD56, PGP 9.5 e neurofilamento associou-se a sintomas específicos de dor e à extensão anatômica das lesões em mulheres com adenomiose e/ou endometriose. O uso de amostras endometriais obtidas por histeroscopia dirigida e a padronização por TMA permitiram a comparação simultânea entre múltiplos marcadores. Os achados reforçam a hipótese da participação da neurogênese local como um dos mecanismos envolvidos na dor pélvica crônica. Novos estudos são necessários para validar esses resultados e explorar o potencial terapêutico de intervenções voltadas à inervação uterina em pacientes sintomáticas.Introduction: Adenomyosis is a benign uterine condition characterized by the presence of endometrial glands and/or stroma within the myometrium. It is frequently associated with symptoms such as chronic pelvic pain, dyspareunia, cyclic urinary and intestinal disturbances, and infertility. The mechanisms related to chronic pelvic pain remain poorly understood, particularly the role of uterine innervation and the distribution of nerve fibers within the endometrium. Objective: To investigate the role of endometrial nerve fibers in the pathophysiology of pain associated with adenomyosis. To evaluate the expression of neuronal markers CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilament (NF), S-100, and synaptophysin in endometrial samples obtained by hysteroscopy from women with adenomyosis and/or endometriosis, compared to a control group. To correlate immunohistochemical findings with clinical symptoms (pelvic pain, urinary and intestinal symptoms, dyspareunia), anatomical extent of lesions, and infertility. Methods: This is a prospective observational study including 102 women of reproductive age, allocated into four groups according to imaging-based diagnosis (transvaginal ultrasound and/or magnetic resonance imaging): Group A (isolated adenomyosis, n= 10), Group B (isolated endometriosis, n = 31), Group C (adenomyosis associated with endometriosis, n = 35), and Group D (control group, no uterine abnormalities, n = 26). All participants underwent standardized imaging protocols, using transvaginal ultrasound or pelvic MRI. Endometrial samples were obtained through targeted hysteroscopy and processed using the Tissue Microarray (TMA) technique. Immunohistochemical analysis was performed for the following markers: CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilament (NF), S-100, and synaptophysin. Quantitative evaluation considered the presence and number of neural filaments. Clinical data and symptom scores were collected using standardized questionnaires and correlated with histological and radiological findings. Statistical analysis was performed using R software. Descriptive statistics were applied to the total sample and subgroups. Numerical variables were compared using the Kruskal-Wallis test, and categorical variables using the chi-square or Fishers exact test, with a significance level of 5%. Results: CD56 expression was higher in the adenomyosis groups (A and C), and was associated with greater lesion extent within the myometrium and with cyclic urinary pain (p = 0.046). PGP 9.5 was the most frequently detected marker (80.4%), showing significant associations with non-cyclic pelvic pain (p = 0.046) and cyclic intestinal symptoms (p = 0.032). Neurofilament showed low positivity (6.9%) but was associated with deep dyspareunia (p = 0.036) and the coexistence of adenomyosis and endometriosis (p = 0.032). Synaptophysin was correlated with more advanced stages of endometriosis. CD138 and S-100 did not show statistically significant associations with symptoms or adenomyosis diagnosis. No correlations were observed between the presence of nerve fibers and infertility in any of the groups. Conclusions: The expression of neuronal markers CD56, PGP 9.5, and neurofilament was associated with specific pain symptoms and the anatomical extent of lesions in women with adenomyosis and/or endometriosis. The use of endometrial samples obtained via targeted hysteroscopy and the application of TMA allowed for simultaneous comparison across multiple markers. These findings support the hypothesis that local neurogenesis may play a role in the pathogenesis of chronic pelvic pain. Further studies are needed to validate these results and explore the therapeutic potential of targeting uterine innervation in symptomatic patients.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAbrão, Mauricio SimõesVieira, Mariana da Cunha2025-09-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-20022026-164139/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-23T15:07:01Zoai:teses.usp.br:tde-20022026-164139Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-23T15:07:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: A adenomiose é uma condição uterina benigna, caracterizada pela presença de glândulas e/ou estroma endometrial no miométrio, frequentemente associada a sintomas como dor pélvica crônica, dispareunia, alterações urinárias e intestinais cíclicas, além de infertilidade. Os mecanismos relacionados à dor pélvica crônica permanecem pouco compreendidos, especialmente no que se refere ao papel da inervação uterina e à distribuição das fibras nervosas no endométrio. Objetivo: Investigar o papel das fibras nervosas endometriais na fisiopatologia da dor associada à adenomiose. Avaliar a expressão dos marcadores neuronais CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilamento (NF), S-100 e sinaptofisina em amostras endometriais obtidas por histeroscopia de mulheres com adenomiose e/ou endometriose, comparando-as com um grupo controle. Correlacionar os achados imuno-histoquímicos com sintomas clínicos (dor pélvica, sintomas urinários e intestinais, dispareunia), extensão anatômica das lesões e infertilidade. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, prospectivo, que incluiu 102 mulheres em idade reprodutiva, alocadas em quatro grupos, conforme diagnóstico obtido por ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância magnética: Grupo A (adenomiose pura, n = 10), Grupo B (endometriose pura, n = 31), Grupo C (adenomiose associada à endometriose, n = 35) e Grupo D (grupo controle, sem alterações uterinas, n = 26). Todas as participantes foram submetidas a exames de imagem padronizados, por meio de ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética pélvica. As amostras endometriais foram obtidas por histeroscopia dirigida e processadas pela técnica de Tissue Microarray (TMA). Foi realizada análise imuno-histoquímica dos marcadores CD138, CD56, PGP 9.5, neurofilamento (NF), S-100 e sinaptofisina. A avaliação quantitativa considerou a presença e o número de filetes neurais. Dados clínicos e escores de sintomas foram obtidos por meio de questionários padronizados e correlacionados aos achados histológicos e radiológicos. A análise estatística foi realizada no software R, com estatísticas descritivas aplicadas à amostra total e aos subgrupos. As variáveis numéricas foram comparadas pelo teste de Kruskal-Wallis e as categóricas, pelos testes do qui-quadrado ou exato de Fisher, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: O marcador CD56 apresentou maior expressão nos grupos com adenomiose (A e C), associando-se à maior extensão das lesões miometriais e à presença de dor urinária cíclica (p = 0,046). O PGP 9.5 foi o marcador mais frequentemente detectado (80,4%), associando-se de forma estatisticamente significativa à dor pélvica acíclica (p = 0,046) e a sintomas intestinais cíclicos (p = 0,032). O neurofilamento, embora com baixa positividade (6,9%), esteve relacionado à dispareunia profunda (p = 0,036) e à coexistência de adenomiose e endometriose (p = 0,032). A sinaptofisina apresentou correlação com estágios mais avançados de endometriose. Os marcadores CD138 e S-100 não apresentaram associação estatisticamente significativa com sintomas ou com o diagnóstico de adenomiose. Não foram observadas correlações entre a presença de fibras nervosas e infertilidade em nenhum dos grupos avaliados. Conclusões: A expressão dos marcadores neuronais CD56, PGP 9.5 e neurofilamento associou-se a sintomas específicos de dor e à extensão anatômica das lesões em mulheres com adenomiose e/ou endometriose. O uso de amostras endometriais obtidas por histeroscopia dirigida e a padronização por TMA permitiram a comparação simultânea entre múltiplos marcadores. Os achados reforçam a hipótese da participação da neurogênese local como um dos mecanismos envolvidos na dor pélvica crônica. Novos estudos são necessários para validar esses resultados e explorar o potencial terapêutico de intervenções voltadas à inervação uterina em pacientes sintomáticas. |
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