Ensino da matemática e a Pedagogia de Paulo Freire: olhares oblíquos por uma educação matemática emancipadora

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Teruzzi, Alessandro Emilio
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48136/tde-11052023-093917/
Resumo: Mesmo diante do reconhecimento mundial de Paulo Freire na academia e nas lutas dos movimentos populares, ainda existe uma defasagem na contribuição das suas ideias no campo da educação matemática. Assim, esta pesquisa de cunho teórico articula algumas ideias fundamentais presentes nos escritos de Freire, principalmente na obra \"Pedagogia do oprimido\", com conceitos da educação matemática: a concepção do ser humano como entidade inacabada, em busca de ser mais; a relação dialética entre teoria e prática (práxis); as dimensões dialógicas e fundamentalmente democráticas do processo educativo; a crítica à educação bancária; a dinâmica e o significado do tema gerador; as dimensões interligadas à figura do professor; a interconexão entre os processos educativo e revolucionário; e a análise dialética dos processos e relações no mundo e, em particular, nas práticas educativas. A presente reflexão busca compreender, a partir de um olhar oblíquo que ilumine lugares periféricos e não convencionais, as relações entre a epistemologia matemática e a dinâmica professor-aluno, utilizando elementos da filosofia, historiografia, sociologia (principalmente a crítica e a pragmática), psicologia e sociolinguística. Analisa-se a importância do frame e do mito na orientação do significado do discurso sobre a concepção da matemática e do papel dos alunos. Inspirado no humanismo engajado de Paulo Freire, propõe-se uma abordagem humanista e dialética da matemática como produção social, sujeita às contradições das sociedades que a produziram e difundem. Questiona-se a possibilidade de a matemática ser compreendida como uma experiência democrática, bem como o significado de analisá-la sob as categorias políticas de esquerda e direita. Neste contexto, defende-se a necessidade de promover uma dimensão democrática e dialogante no ensino da matemática, ecoando a importância da dimensão dialógica de Paulo Freire. A perspectiva da sociologia pragmática é utilizada para argumentar a relevância da fala do aluno (o ator em ação e/ou em situação crítica) na construção do ambiente da sala de aula e das próprias ideias matemáticas. Discute-se a dimensão violenta do ensino da matemática, tanto no âmbito simbólico quanto socioeconômico, e como tal violência relaciona-se à ideia de educação bancária. Estas questões são colocadas em constante disputa e em tensão dialética com as dimensões libertadoras da educação. A reflexão da sociolinguística é empregada para destacar a negação e o silenciamento da norma linguística popular falada por grupos oprimidos, em relação à norma culta da língua defendida e utilizada por opressores. Considera-se que a história da matemática é um recurso valioso, especialmente sob a perspectiva de Walter Benjamin, que convida a \"escovar a contrapelo\" a história devido às ações de silenciamento e espoliação perpetradas pelos opressores sobre os objetos matemáticos. A fim de articular os temas geradores com as atividades matemáticas, investiga-se a necessidade de encarar a matemática não somente como uma ferramenta para solucionar problemas, mas como uma dimensão do ser humano, em que o humano a (re)cria e a utiliza para discutir as grandes questões da vida. Por fim, estas ideias e perspectivas são articuladas em três situações concretas.
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Assim, esta pesquisa de cunho teórico articula algumas ideias fundamentais presentes nos escritos de Freire, principalmente na obra \"Pedagogia do oprimido\", com conceitos da educação matemática: a concepção do ser humano como entidade inacabada, em busca de ser mais; a relação dialética entre teoria e prática (práxis); as dimensões dialógicas e fundamentalmente democráticas do processo educativo; a crítica à educação bancária; a dinâmica e o significado do tema gerador; as dimensões interligadas à figura do professor; a interconexão entre os processos educativo e revolucionário; e a análise dialética dos processos e relações no mundo e, em particular, nas práticas educativas. A presente reflexão busca compreender, a partir de um olhar oblíquo que ilumine lugares periféricos e não convencionais, as relações entre a epistemologia matemática e a dinâmica professor-aluno, utilizando elementos da filosofia, historiografia, sociologia (principalmente a crítica e a pragmática), psicologia e sociolinguística. Analisa-se a importância do frame e do mito na orientação do significado do discurso sobre a concepção da matemática e do papel dos alunos. Inspirado no humanismo engajado de Paulo Freire, propõe-se uma abordagem humanista e dialética da matemática como produção social, sujeita às contradições das sociedades que a produziram e difundem. Questiona-se a possibilidade de a matemática ser compreendida como uma experiência democrática, bem como o significado de analisá-la sob as categorias políticas de esquerda e direita. Neste contexto, defende-se a necessidade de promover uma dimensão democrática e dialogante no ensino da matemática, ecoando a importância da dimensão dialógica de Paulo Freire. A perspectiva da sociologia pragmática é utilizada para argumentar a relevância da fala do aluno (o ator em ação e/ou em situação crítica) na construção do ambiente da sala de aula e das próprias ideias matemáticas. Discute-se a dimensão violenta do ensino da matemática, tanto no âmbito simbólico quanto socioeconômico, e como tal violência relaciona-se à ideia de educação bancária. Estas questões são colocadas em constante disputa e em tensão dialética com as dimensões libertadoras da educação. A reflexão da sociolinguística é empregada para destacar a negação e o silenciamento da norma linguística popular falada por grupos oprimidos, em relação à norma culta da língua defendida e utilizada por opressores. Considera-se que a história da matemática é um recurso valioso, especialmente sob a perspectiva de Walter Benjamin, que convida a \"escovar a contrapelo\" a história devido às ações de silenciamento e espoliação perpetradas pelos opressores sobre os objetos matemáticos. A fim de articular os temas geradores com as atividades matemáticas, investiga-se a necessidade de encarar a matemática não somente como uma ferramenta para solucionar problemas, mas como uma dimensão do ser humano, em que o humano a (re)cria e a utiliza para discutir as grandes questões da vida. Por fim, estas ideias e perspectivas são articuladas em três situações concretas.Given the worldwide recognition of Paulo Freire in academia and in the struggles of popular movements, theres a gap in his contribution in the field of mathematics education. So, this theoretic research articulates some of fundamental ideas present in Freire\'s writings, mainly in the work \"Pedagogy of the oppressed\", with concepts of mathematics education: the conception of the human being as an unfinished entity, in search of being more; the dialectical relationship between theory and practice (praxis); the dialogic and fundamentally democratic dimensions of the educational process; criticism of banking education; the dynamics and meaning of the generating theme; the dimensions interconnected to the figure of the teacher; the interconnection between the educational and revolutionary processes; and the dialectical analysis of the processes and relations in the world and, especially, in education. This reflection seeks to understand, from an oblique perspective enlightening peripheral and non-conventional places, the relationship between mathematical epistemology and teacher-student dynamics, using elements from philosophy, historiography, sociology (mainly critical and pragmatic), psychology and sociolinguistics. The importance of the frame and the myth in guiding the meaning of the discourse on the conception of mathematics and the role of students is analyzed. Inspired by Paulo Freire\'s engaged humanism, a humanist and dialectical approach to mathematics, understood as a social production, subject to the contradictions of the society that originated it. It is sustained the possibility of mathematics being understood also as a democratic experience, as well as the meaning of analyzing it using leftwing and right-wing political perspectives. In this context, the need to promote a democratic and dialoguing dimension in mathematics teaching is defended, echoing the importance of Paulo Freire\'s dialogic dimension. The perspective of pragmatic sociology is used to argue the relevance of the voice of the student (actor in action and/or in critic situation) in the construction of the classroom environment and of mathematics ideas. The violent dimension of mathematics teaching is discussed, both in the symbolic and socioeconomic scope, and how such violence is related to the idea of banking education. These questions are placed in constant dispute and dialectic tension with the liberating dimensions of education. The reflection of sociolinguistics is used to highlight the denial and silencing of the popular language spoken by oppressed groups, in relation to the formal language defended and used by oppressors. It is considered that the history of mathematics is a valuable resource, especially from the perspective of Walter Benjamin, who invites a history that is \"brushed against the grain\" due to the actions of silencing and spoliation perpetrated by the oppressors on mathematical objects. In order to articulate the generating themes with the mathematical activities, the need to face mathematics not only as a tool to solve problems, but as a dimension of the human being, where the human being (re)creates and uses it to discuss the big questions of life. Finally, these ideas and perspectives are elaborated within three concrete situations.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos, Vinicio de MacedoTeruzzi, Alessandro Emilio2023-03-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48136/tde-11052023-093917/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2023-05-11T19:26:57Zoai:teses.usp.br:tde-11052023-093917Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212023-05-11T19:26:57Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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