Astronomia cultural e decolonialidade: caminhos para o sulear no ensino de ciências
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/81/81131/tde-13032025-161845/ |
Resumo: | A presente pesquisa, de natureza qualitativa, investigou a inserção de perspectivas decoloniais no ensino de ciências da natureza. O objetivo da tese é construir um conjunto de possibilidades que inclua temáticas e discussões estruturantes, bem como conceitos fundadores, que contribuam para a prática docente na abordagem de tópicos sobre decolonialidade, conhecimentos tradicionais, diversidade cultural e epistemológica nas aulas de ciências. Embora a interface entre as pedagogias decoloniais e o ensino de ciências da natureza tenha apresentado crescimento nos últimos anos, são necessários esforços para ampliar seus diálogos e se constituir como uma área de pesquisa mais abrangente. Esta pesquisa busca contribuir nesse sentido. A astronomia cultural foi tomada como ponto de partida em termos de recorte temático, sendo compreendida como uma área do conhecimento que estuda as relações céu-terra produzidas por populações autóctones, o que envolve evidenciar as conexões entre os saberes associados ao cosmo e as dinâmicas socioculturais dos grupos. Em termos da fundamentação teórica, a pesquisa recorreu ao debate sobre a colonialidade, a partir da formulação do Grupo Modernidade/Colonialidade, assim como às propostas de atuação decolonial. As epistemologias do Sul e conceitos associados, como a ecologia dos saberes e a tradução intercultural, também compuseram a fundamentação teórica. A referência ao sulear representa o movimento de reconfiguração em que o Sul global ocupa uma nova posição, não mais de subalternidade, anunciando possibilidades de mudanças na ordem social. Para estruturar a discussão sobre a diversidade epistemológica, foram promovidos debates sobre as características dos conhecimentos tradicionais, assim como as noções de Bem Viver, inspiradas nas populações indígenas da região dos Andes, e a proposta do multinaturalismo, que sistematiza a forma como povos indígenas da região amazônica compreendem a relação entre realidade, natureza e cultura. Nossa contribuição com a pesquisa consiste em articular esses diferentes domínios: as teorias da colonialidade e decolonialidade e os conhecimentos sobre a natureza, céu e o cosmos produzidos pelos povos indígenas, inserindo-os no contexto do ensino de ciências. Para isso, o referencial da análise documental foi utilizado para analisar documentos que abordaram aspectos da astronomia cultural e as habilidades da Base Nacional Comum Curricular para a área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Como principais resultados obtidos com a pesquisa, destacamos, entre outros pontos, a importância de abordar no ensino de ciências: o contexto e condições históricas de construção da ciência moderna e sua não universalidade (ou incompletude); o eurocentrismo e seus reflexos na produção do conhecimento; e a crítica às noções de desenvolvimento e progresso associadas à exploração irrestrita da natureza; propostas alternativas no âmbito do desenvolvimento, como é o caso da noção do Bem Viver. |
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Astronomia cultural e decolonialidade: caminhos para o sulear no ensino de ciênciasCultural Astronomy and Decoloniality: Pathways for Southernizing Science Education.Astronomia culturalBasic educationCultural astronomyDecolonialidadeDecolonialityEducação básicaEnsino de ciências.Indigenous peoplesPovos indígenasScience teaching.A presente pesquisa, de natureza qualitativa, investigou a inserção de perspectivas decoloniais no ensino de ciências da natureza. O objetivo da tese é construir um conjunto de possibilidades que inclua temáticas e discussões estruturantes, bem como conceitos fundadores, que contribuam para a prática docente na abordagem de tópicos sobre decolonialidade, conhecimentos tradicionais, diversidade cultural e epistemológica nas aulas de ciências. Embora a interface entre as pedagogias decoloniais e o ensino de ciências da natureza tenha apresentado crescimento nos últimos anos, são necessários esforços para ampliar seus diálogos e se constituir como uma área de pesquisa mais abrangente. Esta pesquisa busca contribuir nesse sentido. A astronomia cultural foi tomada como ponto de partida em termos de recorte temático, sendo compreendida como uma área do conhecimento que estuda as relações céu-terra produzidas por populações autóctones, o que envolve evidenciar as conexões entre os saberes associados ao cosmo e as dinâmicas socioculturais dos grupos. Em termos da fundamentação teórica, a pesquisa recorreu ao debate sobre a colonialidade, a partir da formulação do Grupo Modernidade/Colonialidade, assim como às propostas de atuação decolonial. As epistemologias do Sul e conceitos associados, como a ecologia dos saberes e a tradução intercultural, também compuseram a fundamentação teórica. A referência ao sulear representa o movimento de reconfiguração em que o Sul global ocupa uma nova posição, não mais de subalternidade, anunciando possibilidades de mudanças na ordem social. Para estruturar a discussão sobre a diversidade epistemológica, foram promovidos debates sobre as características dos conhecimentos tradicionais, assim como as noções de Bem Viver, inspiradas nas populações indígenas da região dos Andes, e a proposta do multinaturalismo, que sistematiza a forma como povos indígenas da região amazônica compreendem a relação entre realidade, natureza e cultura. Nossa contribuição com a pesquisa consiste em articular esses diferentes domínios: as teorias da colonialidade e decolonialidade e os conhecimentos sobre a natureza, céu e o cosmos produzidos pelos povos indígenas, inserindo-os no contexto do ensino de ciências. Para isso, o referencial da análise documental foi utilizado para analisar documentos que abordaram aspectos da astronomia cultural e as habilidades da Base Nacional Comum Curricular para a área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Como principais resultados obtidos com a pesquisa, destacamos, entre outros pontos, a importância de abordar no ensino de ciências: o contexto e condições históricas de construção da ciência moderna e sua não universalidade (ou incompletude); o eurocentrismo e seus reflexos na produção do conhecimento; e a crítica às noções de desenvolvimento e progresso associadas à exploração irrestrita da natureza; propostas alternativas no âmbito do desenvolvimento, como é o caso da noção do Bem Viver.The present research, of a qualitative nature, investigated the insertion of decolonial perspectives in the teaching of natural sciences. The objective of the thesis is to build a set of possibilities that includes structuring themes and discussions, as well as founding concepts, that contribute to teaching practice in addressing topics about decoloniality, traditional knowledge, cultural and epistemological diversity in science classes. Although the interface between decolonial pedagogies and the teaching of natural sciences has grown in recent years, efforts are needed to broaden their dialogues and constitute a more comprehensive area of research. This research seeks to contribute in this regard. Cultural astronomy was taken as a starting point in terms of thematic cut, being understood as an area of knowledge that studies the heaven-earth relations produced by autochthonous populations, which involves highlighting the connections between the knowledge associated with the cosmos and the sociocultural dynamics of the groups. In terms of the theoretical foundation, the research resorted to the debate on coloniality, based on the formulation of the Modernity/Coloniality Group, as well as the proposals for decolonial action. The epistemologies of the South and associated concepts, such as the ecology of knowledges and intercultural translation, also made up the theoretical foundation. The reference to the south represents the movement of reconfiguration in which the global South occupies a new position, no longer of subordination, announcing possibilities of changes in the social order. To structure the discussion on epistemological diversity, debates were promoted on the characteristics of traditional knowledge, as well as the notions of Good Living, inspired by the indigenous populations of the Andes region, and the proposal of multinaturalism, which systematizes the way in which indigenous peoples of the Amazon region understand the relationship between reality, nature and culture. Our contribution to the research consists of articulating these different domains: the theories of coloniality and decoloniality and the knowledge about nature, sky and the cosmos produced by indigenous peoples, inserting them in the context of science teaching. For this, the documentary analysis framework was used to analyze documents that addressed aspects of cultural astronomy and the skills of the National Common Curricular Base for the area of Natural Sciences and its Technologies. As the main results obtained with the research, we highlight, among other points, the importance of addressing in science teaching: the context and historical conditions of construction of modern science and its non-universality (or incompleteness); Eurocentrism and its effects on the production of knowledge; and the critique of the notions of \"development\" and \"progress\" associated with the unrestricted exploitation of nature; alternative proposals in the field of development, such as the notion of Good Living.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLeite, CristinaRodrigues, Marta de Souza Possert2024-10-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/81/81131/tde-13032025-161845/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-18T14:47:45Zoai:teses.usp.br:tde-13032025-161845Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-18T14:47:45Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A presente pesquisa, de natureza qualitativa, investigou a inserção de perspectivas decoloniais no ensino de ciências da natureza. O objetivo da tese é construir um conjunto de possibilidades que inclua temáticas e discussões estruturantes, bem como conceitos fundadores, que contribuam para a prática docente na abordagem de tópicos sobre decolonialidade, conhecimentos tradicionais, diversidade cultural e epistemológica nas aulas de ciências. Embora a interface entre as pedagogias decoloniais e o ensino de ciências da natureza tenha apresentado crescimento nos últimos anos, são necessários esforços para ampliar seus diálogos e se constituir como uma área de pesquisa mais abrangente. Esta pesquisa busca contribuir nesse sentido. A astronomia cultural foi tomada como ponto de partida em termos de recorte temático, sendo compreendida como uma área do conhecimento que estuda as relações céu-terra produzidas por populações autóctones, o que envolve evidenciar as conexões entre os saberes associados ao cosmo e as dinâmicas socioculturais dos grupos. Em termos da fundamentação teórica, a pesquisa recorreu ao debate sobre a colonialidade, a partir da formulação do Grupo Modernidade/Colonialidade, assim como às propostas de atuação decolonial. As epistemologias do Sul e conceitos associados, como a ecologia dos saberes e a tradução intercultural, também compuseram a fundamentação teórica. A referência ao sulear representa o movimento de reconfiguração em que o Sul global ocupa uma nova posição, não mais de subalternidade, anunciando possibilidades de mudanças na ordem social. Para estruturar a discussão sobre a diversidade epistemológica, foram promovidos debates sobre as características dos conhecimentos tradicionais, assim como as noções de Bem Viver, inspiradas nas populações indígenas da região dos Andes, e a proposta do multinaturalismo, que sistematiza a forma como povos indígenas da região amazônica compreendem a relação entre realidade, natureza e cultura. Nossa contribuição com a pesquisa consiste em articular esses diferentes domínios: as teorias da colonialidade e decolonialidade e os conhecimentos sobre a natureza, céu e o cosmos produzidos pelos povos indígenas, inserindo-os no contexto do ensino de ciências. Para isso, o referencial da análise documental foi utilizado para analisar documentos que abordaram aspectos da astronomia cultural e as habilidades da Base Nacional Comum Curricular para a área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Como principais resultados obtidos com a pesquisa, destacamos, entre outros pontos, a importância de abordar no ensino de ciências: o contexto e condições históricas de construção da ciência moderna e sua não universalidade (ou incompletude); o eurocentrismo e seus reflexos na produção do conhecimento; e a crítica às noções de desenvolvimento e progresso associadas à exploração irrestrita da natureza; propostas alternativas no âmbito do desenvolvimento, como é o caso da noção do Bem Viver. |
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