O gene da fibrose cística em diferentes grupos populacionais.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2001
Autor(a) principal: Mesquita, Emygdia Rosa do Rêgo Barros Pires Leal
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41131/tde-19102001-130054/
Resumo: Neste trabalho, realizou-se a análise molecular do gene CFTR em indivíduos com e sem características sugestivas de fibrose cística (FC), em diferentes grupos populacionais do Estado do Maranhão e do Pará, com o objetivo de determinar a freqüência das mutações DF508, G542X, G551D, N1303K, W1282X e R553X, consideradas as mais comuns do gene CFTR, e do polimorfismo 4002A/G (localizado no exon 20, o mesmo da mutação W1282X). Em dois isolados afro-brasileiros verificou-se, também, a freqüência da mutação 3120+1GÕA, cuja prevalência está aumentada em populações de origem africana. A freqüência da deleção DF508 foi de 0,8%, enquanto a das mutações G542X, G551D, N1303K, W1282X e R553X foi de 0% entre os 180 indivíduos da população miscigenada do Maranhão. Nessa amostra, a freqüência do polimorfismo 4002A/G foi de 8,3%, tendo sido encontrado tanto em heterozigose (24) quanto em homozigose (03). Entre os 37 indivíduos de origem caucasóide (ascendência portuguesa) do isolado populacional de Santa Flor (Bequimão-MA), DF508 teve uma freqüência de 5,4%. Nenhuma das outras 5 mutações foi identificada nessa amostra. Quanto ao polimorfismo 4002A/G, a freqüência foi de 4,1%, tendo ocorrido apenas em heterozigose. Nenhuma das 6 mutações mais comuns do gene CFTR foi detectada nos remanescentes de quilombos do Pontal (54 indivíduos) e do Cajual (39 indivíduos), assim como a mutação 3120+1GÕA também não foi encontrada entre esses negróides do Maranhão. Já o polimorfismo 4002A/G teve uma freqüência de 23,15% no Pontal e de 9% no Cajual. A comparação das freqüências da mutação DF508 nos 4 grupos (população miscigenada do Maranhão; Santa Flor-Bequimão, MA; Pontal-Bequimão, MA; Cajual-Alcântara, MA) mostra diferenças significativas entre a amostra tri-híbrida e os caucasóides de Santa Flor, e entre estes e os negróides do Pontal. Essa elevada freqüência de DF508 em Santa Flor pode ser explicada pelo princípio do Efeito do Fundador, considerando-se que este isolado populacional é descendente de portugueses. Uma freqüência menor nos indivíduos miscigenados seria devida à contribuição étnica do índio e do negro africano. Considerando-se a origem étnica da população do Maranhão e dos isolados populacionais aqui estudados, não é surpreendente que as mutações G542X, G551D, N1303K, W1282X e R553X não tenham sido identificadas na população normal. Uma possível explicação para a ausência da mutação 3120+1GÕA nos remanescentes de quilombos seria a região africana da qual vieram os negros para o Maranhão. Na amostra de 21 pacientes maranhenses e 19 araenses, (brancos, miscigenados e negros), a reqüência de DF508 foi de 7,1% (sendo um homozigoto e o outro heterozigoto) e 18,4% (dois homozigotos e três heterozigotos), respectivamente, enquanto a das mutações G542X, G551D, N1303K, W1282X e R553X foi de 0%. A ausência dessas mutações nos afetados é compatível com os achados populacionais. A comparação entre os indivíduos maranhenses e os paraenses não mostrou diferença significativa, portanto a freqüência total de DF508 nessa amostra de suspeitos de FC foi de 12,5%. Esta freqüência está diminuída tanto em relação às populações caucasóides (66%), quanto à encontrada até então para os brasileiros com FC (48,8%). As causas disso seriam: a origem étnica dessa amostra; os pacientes com FC estariam sendo subdiagnosticados ou diagnosticados incorretamente como FC. A comparação da freqüência de DF508 entre os grupos normais a da amostra de suspeitos de FC mostra uma semelhança entre esta última e Santa Flor (comunidade descendente de portugueses). Considerase importante, então, a triagem dessa mutação nesses dois grupos para diagnóstico e aconselhamento genético em famílias com afetados. Além disso, apesar da baixa freqüência de DF508 na população miscigenada e na de suspeitos de FC, ela tem importância na triagem de pacientes maranhenses e paraenses, pois os indivíduos que tiveram um diagnóstico mais conclusivo apresentaram a mutação. O polimorfismo 4002A/G foi detectado em todas amostras de indivíduos normais para FC, mas tem freqüência aumentada em Pontal, inclusive quando se compara a freqüência de Pontal (23,1%) com a da Europa (2,9%). Talvez esse polimorfismo seja mais comum em populações negróides. Entre os pacientes maranhenses e paraenses, o polimorfismo 4002A/G teve freqüências respectivas de 2,4% e 5,3%. Como as duas amostras são estatisticamente semelhantes, a freqüência total foi de 3,7%. A análise estatística mostrou que as freqüências do polimorfismo 4002A/G foi semelhante entre todos os grupos analisados, com exceção de Pontal, onde a freqüência dessa variante encontra-se aumentada. A origem étnica e a ausência de FC poderiam explicar esta diferença. Na amostra do Pontal, todos os indivíduos são negros e normais para FC.
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Nessa amostra, a freqüência do polimorfismo 4002A/G foi de 8,3%, tendo sido encontrado tanto em heterozigose (24) quanto em homozigose (03). Entre os 37 indivíduos de origem caucasóide (ascendência portuguesa) do isolado populacional de Santa Flor (Bequimão-MA), DF508 teve uma freqüência de 5,4%. Nenhuma das outras 5 mutações foi identificada nessa amostra. Quanto ao polimorfismo 4002A/G, a freqüência foi de 4,1%, tendo ocorrido apenas em heterozigose. Nenhuma das 6 mutações mais comuns do gene CFTR foi detectada nos remanescentes de quilombos do Pontal (54 indivíduos) e do Cajual (39 indivíduos), assim como a mutação 3120+1GÕA também não foi encontrada entre esses negróides do Maranhão. Já o polimorfismo 4002A/G teve uma freqüência de 23,15% no Pontal e de 9% no Cajual. 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Na amostra de 21 pacientes maranhenses e 19 araenses, (brancos, miscigenados e negros), a reqüência de DF508 foi de 7,1% (sendo um homozigoto e o outro heterozigoto) e 18,4% (dois homozigotos e três heterozigotos), respectivamente, enquanto a das mutações G542X, G551D, N1303K, W1282X e R553X foi de 0%. A ausência dessas mutações nos afetados é compatível com os achados populacionais. A comparação entre os indivíduos maranhenses e os paraenses não mostrou diferença significativa, portanto a freqüência total de DF508 nessa amostra de suspeitos de FC foi de 12,5%. Esta freqüência está diminuída tanto em relação às populações caucasóides (66%), quanto à encontrada até então para os brasileiros com FC (48,8%). As causas disso seriam: a origem étnica dessa amostra; os pacientes com FC estariam sendo subdiagnosticados ou diagnosticados incorretamente como FC. 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Como as duas amostras são estatisticamente semelhantes, a freqüência total foi de 3,7%. A análise estatística mostrou que as freqüências do polimorfismo 4002A/G foi semelhante entre todos os grupos analisados, com exceção de Pontal, onde a freqüência dessa variante encontra-se aumentada. A origem étnica e a ausência de FC poderiam explicar esta diferença. 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