Sindicalismo e (des)regulação do trabalho : o potencial da prevalência do negociado sobre o legislado
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde-22102024-115414/ |
Resumo: | Na sociedade contemporânea, as imbricações recíprocas entre o Direito e a Economia ganham destaque, pregando-se que considerações basilares da ordem jurídica devem ceder ao imperativo econômico. Diante dos múltiplos desafios em torno da regulação do trabalho, é recorrente o discurso da crise do Direito do Trabalho, carecedor de um processo dialético de adaptação para uma nova fase, por meio da adoção de um novo modelo. No Brasil, em meio a um quadro de descoletivização e baixas taxas de sindicalização, a reforma trabalhista de 2017, ao tempo em que promoveu a ampliação da prevalência do negociado sobre o legislado, realizou uma reforma sindical apenas parcial. Diante desse quadro, o objetivo central da dissertação é investigar qual o potencial da ampliação da prevalência do negociado sobre o legislado no Brasil. Concluiu-se que, sendo a legislação estatal incapaz de atender prontamente a todas as exigências da contemporaneidade, é imperioso o avanço do sistema de relações de trabalho para um modelo negociado, mas se trata de uma mudança complexa que deve levar em conta o conteúdo histórico-institucional da liberdade sindical e da negociação coletiva no Brasil. A aptidão natural das fontes negociadas para derrogação de normas estatais protetivas liga um sinal de alerta, por sua possível instrumentalização para a precarização e desregulação, até porque, na linha de outros países, a reforma trabalhista brasileira teve como norte ideológico as diretrizes consolidadas no Consenso de Washington, lastreado no cenário de globalização econômica competitiva que promove a desregulação do mercado de trabalho como forma de obtenção de vantagens comparativas. Conclui-se que, além de necessariamente encontrar limitação na ordem pública, a expansão da prevalência do negociado deve ser paulatina, a se dar em paralelo à ampliação da liberdade sindical e da efetiva capacidade dos entes representativos de negociarem coletivamente. Para tanto, a redefinição do papel do Estado é fundamental, sendo indispensável seu papel na sustentação da negociação coletiva e na garantia da liberdade sindical. Nesse intento habilitante da autonomia privada coletiva, uma reforma sindical que assegure a plena liberdade sindical e a capacitação dos sindicatos é condição sine qua non para avançar o sistema de relações de trabalho no Brasil para um modelo negociado, a atender aos anseios de uma sociedade pluralista e democrática como a brasileira. Para se chegar as conclusões, adotou-se a metodologia sociológico-jurídica e o raciocínio dedutivo-indutivo, balizado pelo raciocínio dialético, com a análise de posições divergentes e convergentes às hipóteses aventadas, com uma pesquisa teórica qualitativa bibliográfica e documental, direta e indireta, articulando-se os tipos jurídicos interpretativo, prospectivo e propositivo. |
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Sindicalismo e (des)regulação do trabalho : o potencial da prevalência do negociado sobre o legisladoTrade unionism and labor (de)regulation : the potential of the prevalence of the negotiated over the legislatedAutonomia privada coletivaCollective bargainingCollective private autonomyCompetitive deregulationDesregulação competitivaFontes negociadasFreedom of associationLegal pluralismLegislated modelLiberdade sindicalmodelo legisladoModelo negociadoNegociação coletivaNegotiated modelNegotiated sourcesPluralismo jurídicoPrevalence of the negotiated over the legislatedPrevalência do negociado sobre o legisladoNa sociedade contemporânea, as imbricações recíprocas entre o Direito e a Economia ganham destaque, pregando-se que considerações basilares da ordem jurídica devem ceder ao imperativo econômico. Diante dos múltiplos desafios em torno da regulação do trabalho, é recorrente o discurso da crise do Direito do Trabalho, carecedor de um processo dialético de adaptação para uma nova fase, por meio da adoção de um novo modelo. No Brasil, em meio a um quadro de descoletivização e baixas taxas de sindicalização, a reforma trabalhista de 2017, ao tempo em que promoveu a ampliação da prevalência do negociado sobre o legislado, realizou uma reforma sindical apenas parcial. Diante desse quadro, o objetivo central da dissertação é investigar qual o potencial da ampliação da prevalência do negociado sobre o legislado no Brasil. Concluiu-se que, sendo a legislação estatal incapaz de atender prontamente a todas as exigências da contemporaneidade, é imperioso o avanço do sistema de relações de trabalho para um modelo negociado, mas se trata de uma mudança complexa que deve levar em conta o conteúdo histórico-institucional da liberdade sindical e da negociação coletiva no Brasil. A aptidão natural das fontes negociadas para derrogação de normas estatais protetivas liga um sinal de alerta, por sua possível instrumentalização para a precarização e desregulação, até porque, na linha de outros países, a reforma trabalhista brasileira teve como norte ideológico as diretrizes consolidadas no Consenso de Washington, lastreado no cenário de globalização econômica competitiva que promove a desregulação do mercado de trabalho como forma de obtenção de vantagens comparativas. Conclui-se que, além de necessariamente encontrar limitação na ordem pública, a expansão da prevalência do negociado deve ser paulatina, a se dar em paralelo à ampliação da liberdade sindical e da efetiva capacidade dos entes representativos de negociarem coletivamente. Para tanto, a redefinição do papel do Estado é fundamental, sendo indispensável seu papel na sustentação da negociação coletiva e na garantia da liberdade sindical. Nesse intento habilitante da autonomia privada coletiva, uma reforma sindical que assegure a plena liberdade sindical e a capacitação dos sindicatos é condição sine qua non para avançar o sistema de relações de trabalho no Brasil para um modelo negociado, a atender aos anseios de uma sociedade pluralista e democrática como a brasileira. Para se chegar as conclusões, adotou-se a metodologia sociológico-jurídica e o raciocínio dedutivo-indutivo, balizado pelo raciocínio dialético, com a análise de posições divergentes e convergentes às hipóteses aventadas, com uma pesquisa teórica qualitativa bibliográfica e documental, direta e indireta, articulando-se os tipos jurídicos interpretativo, prospectivo e propositivo.In contemporary society, the reciprocal imbrications between law and the economy are gaining prominence, and it is preached that basic considerations of the legal order must yield to the economic imperative. Faced with the multiple challenges surrounding the regulation of work, the discourse on the crisis of labor law is recurrent, requiring a dialectical process of adaptation to a new phase, through the adoption of a new model. In Brazil, amid a situation of de- collectivization and low unionization rates, the 2017 labour reform, while promoting the expansion of the prevalence of the negotiated over the legislated, conducted only a partial union reform. Given this situation, the main aim of this dissertation is to investigate the potential of extending the prevalence of the negotiated over the legislated in Brazil. The natural aptitude of negotiated sources to derogate protective state rules sends out a warning signal, due to their possible instrumentalization for precariousness and deregulation, not least because, in line with other countries, the Brazilian labor reform was ideologically guided by the guidelines consolidated in the Washington Consensus, based on the scenario of competitive economic globalization that promotes deregulation of the labor market as a way of obtaining comparative advantages. The conclusion is that, besides the necessary limitation by public order, the expansion of the prevalence of negotiated agreements must be gradual, taking place in parallel with the expansion of trade union freedom and the effective capacity of representative bodies to negotiate collectively. To this end, redefining the role of the state is fundamental, and its role in promoting collective bargaining and guaranteeing trade union freedom is indispensable. In this attempt to enable collective private autonomy, a union reform that ensures full union freedom and the empowerment of unions is a sine qua non condition for advancing the labor relations system in Brazil towards a negotiated model that meets the aspirations of a pluralistic and democratic society such as Brazil. In order to reach the conclusions, the sociological-legal methodology and deductive-inductive reasoning were adopted, based on dialectical reasoning, with the analysis of divergent and convergent positions to the hypotheses put forward, with a qualitative theoretical bibliographical and documentary research, direct and indirect, articulating the interpretative, prospective, and propositional legal types.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos, Enoque Ribeiro dosFerraz, Douglas Contreras2024-08-05info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde-22102024-115414/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-25T14:41:02Zoai:teses.usp.br:tde-22102024-115414Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-25T14:41:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Sindicalismo e (des)regulação do trabalho : o potencial da prevalência do negociado sobre o legislado Ferraz, Douglas Contreras Autonomia privada coletiva Collective bargaining Collective private autonomy Competitive deregulation Desregulação competitiva Fontes negociadas Freedom of association Legal pluralism Legislated model Liberdade sindical modelo legislado Modelo negociado Negociação coletiva Negotiated model Negotiated sources Pluralismo jurídico Prevalence of the negotiated over the legislated Prevalência do negociado sobre o legislado |
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Na sociedade contemporânea, as imbricações recíprocas entre o Direito e a Economia ganham destaque, pregando-se que considerações basilares da ordem jurídica devem ceder ao imperativo econômico. Diante dos múltiplos desafios em torno da regulação do trabalho, é recorrente o discurso da crise do Direito do Trabalho, carecedor de um processo dialético de adaptação para uma nova fase, por meio da adoção de um novo modelo. No Brasil, em meio a um quadro de descoletivização e baixas taxas de sindicalização, a reforma trabalhista de 2017, ao tempo em que promoveu a ampliação da prevalência do negociado sobre o legislado, realizou uma reforma sindical apenas parcial. Diante desse quadro, o objetivo central da dissertação é investigar qual o potencial da ampliação da prevalência do negociado sobre o legislado no Brasil. Concluiu-se que, sendo a legislação estatal incapaz de atender prontamente a todas as exigências da contemporaneidade, é imperioso o avanço do sistema de relações de trabalho para um modelo negociado, mas se trata de uma mudança complexa que deve levar em conta o conteúdo histórico-institucional da liberdade sindical e da negociação coletiva no Brasil. A aptidão natural das fontes negociadas para derrogação de normas estatais protetivas liga um sinal de alerta, por sua possível instrumentalização para a precarização e desregulação, até porque, na linha de outros países, a reforma trabalhista brasileira teve como norte ideológico as diretrizes consolidadas no Consenso de Washington, lastreado no cenário de globalização econômica competitiva que promove a desregulação do mercado de trabalho como forma de obtenção de vantagens comparativas. Conclui-se que, além de necessariamente encontrar limitação na ordem pública, a expansão da prevalência do negociado deve ser paulatina, a se dar em paralelo à ampliação da liberdade sindical e da efetiva capacidade dos entes representativos de negociarem coletivamente. Para tanto, a redefinição do papel do Estado é fundamental, sendo indispensável seu papel na sustentação da negociação coletiva e na garantia da liberdade sindical. Nesse intento habilitante da autonomia privada coletiva, uma reforma sindical que assegure a plena liberdade sindical e a capacitação dos sindicatos é condição sine qua non para avançar o sistema de relações de trabalho no Brasil para um modelo negociado, a atender aos anseios de uma sociedade pluralista e democrática como a brasileira. Para se chegar as conclusões, adotou-se a metodologia sociológico-jurídica e o raciocínio dedutivo-indutivo, balizado pelo raciocínio dialético, com a análise de posições divergentes e convergentes às hipóteses aventadas, com uma pesquisa teórica qualitativa bibliográfica e documental, direta e indireta, articulando-se os tipos jurídicos interpretativo, prospectivo e propositivo. |
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