Os psicólogos e a assistência a mulheres em situação de violência

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: Hanada, Heloisa
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-02062008-103651/
Resumo: O presente estudo buscou identificar e analisar a inserção do psicólogo na assistência a mulheres em situação de violência, na rede de serviços específicos da região metropolitana de São Paulo. A partir da perspectiva da necessidade de ações multiprofissionais e intersetoriais no enfrentamento e atenção às situações de violência de gênero, estudou-se como a assistência psicológica é organizada em serviços de diversas vocações assistenciais e como suas ações são articuladas com outros profissionais e outros serviços. Para tanto, foram levantados documentos normativos para a assistência (Ministério da Saúde e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) e foram analisadas informações obtidas em entrevistas com profissionais de 109 serviços paulistas de diversas vocações assistenciais (policial, jurídico, saúde, psicossocial, abrigos, orientações básicas). Os psicólogos estavam presentes e foram solicitados em todos os tipos de serviços, com menor participação nos serviços policiais e jurídicos. Tiveram inserção tanto na capacitação e supervisão dos profissionais em geral, como no atendimento direto à clientela dos serviços. Na assistência, notou-se grande diversidade de práticas - atividades clínicas, educativas, de orientação, mediação jurídica, sendo freqüente o ajustamento destas intervenções aos objetivos e cultura hierárquica de cada categoria de serviço. No geral, os psicólogos eram chamados para atuar no fortalecimento da auto-estima, retomada da vida sexual, reestruturação da vida, elaboração da situação de violência, elaboração e saída da condição de vitimização, promoção de autonomia e busca de transformação dos padrões de relacionamento familiar/ conjugal ou de gênero. Esses objetivos estavam postos para as equipes dos serviços em geral, especialmente o primeiro. Na formulação dos objetivos dos serviços e do formato das atividades propostas percebeu-se influência de concepções e propostas assistenciais do movimento de mulheres. Observou-se que nem sempre havia distinção clara entre o trabalho do psicólogo e de outros profissionais, principalmente com relação ao trabalho do assistente social, resultando em indefinição de funções e ações. Esta indefinição poderia representar dificuldades no diálogo entre profissionais e entre serviços e na articulação de ações multiprofissional, o que comprometeria a atenção integral às mulheres em situação de violência. Por outro lado, essa indefinição pareceu possibilitar inovações na prática assistencial. Observou-se também que a articulação multiprofissional foi buscada, em geral, no interior das equipes dos próprios serviços, mas em alguns os profissionais buscaram a complementariedade de suas ações pela articulação com serviços de outras vocações assistenciais. Levantou-se a necessidade de melhores definições sobre a assistência psicológica voltada para mulheres em situação de violência, em relação ao trabalho especifico do psicólogo na rede especializada e na rede geral de atenção de São Paulo.
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Para tanto, foram levantados documentos normativos para a assistência (Ministério da Saúde e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) e foram analisadas informações obtidas em entrevistas com profissionais de 109 serviços paulistas de diversas vocações assistenciais (policial, jurídico, saúde, psicossocial, abrigos, orientações básicas). Os psicólogos estavam presentes e foram solicitados em todos os tipos de serviços, com menor participação nos serviços policiais e jurídicos. Tiveram inserção tanto na capacitação e supervisão dos profissionais em geral, como no atendimento direto à clientela dos serviços. Na assistência, notou-se grande diversidade de práticas - atividades clínicas, educativas, de orientação, mediação jurídica, sendo freqüente o ajustamento destas intervenções aos objetivos e cultura hierárquica de cada categoria de serviço. No geral, os psicólogos eram chamados para atuar no fortalecimento da auto-estima, retomada da vida sexual, reestruturação da vida, elaboração da situação de violência, elaboração e saída da condição de vitimização, promoção de autonomia e busca de transformação dos padrões de relacionamento familiar/ conjugal ou de gênero. Esses objetivos estavam postos para as equipes dos serviços em geral, especialmente o primeiro. Na formulação dos objetivos dos serviços e do formato das atividades propostas percebeu-se influência de concepções e propostas assistenciais do movimento de mulheres. Observou-se que nem sempre havia distinção clara entre o trabalho do psicólogo e de outros profissionais, principalmente com relação ao trabalho do assistente social, resultando em indefinição de funções e ações. Esta indefinição poderia representar dificuldades no diálogo entre profissionais e entre serviços e na articulação de ações multiprofissional, o que comprometeria a atenção integral às mulheres em situação de violência. Por outro lado, essa indefinição pareceu possibilitar inovações na prática assistencial. Observou-se também que a articulação multiprofissional foi buscada, em geral, no interior das equipes dos próprios serviços, mas em alguns os profissionais buscaram a complementariedade de suas ações pela articulação com serviços de outras vocações assistenciais. Levantou-se a necessidade de melhores definições sobre a assistência psicológica voltada para mulheres em situação de violência, em relação ao trabalho especifico do psicólogo na rede especializada e na rede geral de atenção de São Paulo.The aim of the present investigation was to identify and analyse the insertion of psychologists working in the network of services for assisting women experiencing violence in the metropolitan region of Sao Paulo. The organization of psychological assistance in diverse assistance vocations and the integration of psychologists in work teams and in other services were studied from the perspective of women\'s needs, and multi-professional and intersectoral actions in facing the situations and providing care for gender-based violence. For that, normative documents on violence care were researched (Ministry of Health and Department of Special Policy for Women) and data from interviews with professionals working in 109 services with diverse assistance vocations in Sao Paulo (police, justice, health, psychosocial assistance, shelters, basic assistance) were analysed. Psychologists are present and their work is requested in all types of services, but with less participation in police and justice facilities. They work in the training and supervision of other professionals, as well as directly assisting the public. A great diversity of practices was observed in the assistance - clinical, educational, orientation and judicial mediation activities - with frequent adjustment of these interventions to the objectives and hierarchical culture within each category of service. In general, psychologists are called to work in the strengthening of self-esteem, the resuming of sexual life, restructuring life itself, understanding of the situation of violence, working-out of and escape from the victim condition, promotion of autonomy and search for transformation in family/ intimate relationships or gender patterns. These objectives are put to the general teams working in the services, especially the first one. The influence of conceptions and proposals from the women\'s movement is perceived in the formulation of the services\' objectives and in the way the activities are developed. The distinction between the psychologists\' work and the work of other professionals is not always clear, especially regarding social work. This results in imprecise functions and actions, which may represent difficulties in the dialogue between professionals and services, and in the integration of multi-professional actions, potentially compromising integral care to women experiencing violence. On the other hand, this impreciseness opens up space for innovations in assistance practices. Multi-professional integration is, in general, also sought within work teams of each service, but in some of them the professionals search for complementarity in their actions and integration with services with different assistance vocations. There is a need for better definitions on the specific role of psychologists in the assistance of women experiencing violence, considering the specific network and the broader assistance network in Sao Paulo.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOliveira, Ana Flavia Pires Lucas DHanada, Heloisa2008-03-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-02062008-103651/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-08-07T12:32:01Zoai:teses.usp.br:tde-02062008-103651Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-08-07T12:32:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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