Justiça energética nos municípios de São Paulo: uma investigação sobre a apropriação de energia elétrica e o impacto das tarifas na renda familiar

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Roberto, Samanta Souza
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100136/tde-07022025-183139/
Resumo: A justiça energética (JE) estaria presente em um sistema global de energia quando fossem distribuídos de forma justa tanto os benefícios quanto os custos dos serviços de energia. Dentre outros princípios, a JE fundamenta-se em acessibilidade e equidade nos sistemas energéticos, que não se restringe à universalização e redução dos preços de energia, mas envolve também o quanto as contas de energia sobrecarregam as famílias em maior vulnerabilidade. A presente pesquisa teve como objetivo principal avaliar, à luz dos parâmetros normativos da justiça energética, a apropriação da energia elétrica e os impactos das tarifas de eletricidade na renda familiar. As análises ocorreram a partir da comparação do consumo de energia elétrica e do comprometimento da renda familiar média em relação à tarifa de eletricidade em municípios paulistas atendidos pelas concessões sob a gestão da CPFL Paulista e da Neoenergia Elektro. As concessões aplicam tarifas distintas, e os municípios sob concessão da Neoenergia Elektro apresentam maior concentração de pessoas em situação de pobreza. A análise qualitativa sobre os marcos normativos do setor identificou a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) como um instrumento importante para mitigar a inequidade, sobretudo, em relação ao sacrifício imposto pela tarifa na renda familiar. A análise quantitativa evidenciou que o estabelecimento das tarifas é dissonante com os parâmetros da JE, uma vez que a concessão com maior renda média possuía menor tarifa de eletricidade. Também foi possível constatar que a apropriação de energia elétrica mantém relação direta com o nível de rendimento familiar, uma vez que o decil de municípios de maior renda média consumiu 57% da eletricidade total distribuída pela CPFL Paulista e 38% da eletricidade distribuída pela Neoenergia Elektro. Além disso, o nível de comprometimento da renda familiar do quintil mais pobre em cada município ficou acima do parâmetro de 5% da renda em todos os municípios sob a concessão da Neoenergia Elektro e em mais de 99% dos municípios sob a concessão da CPFL Paulista. Essas evidências sugerem que a apropriação de energia elétrica e os impactos da tarifa sobre o rendimento familiar das camadas mais pobres da população não são coerentes com os parâmetros normativos da JE.
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A presente pesquisa teve como objetivo principal avaliar, à luz dos parâmetros normativos da justiça energética, a apropriação da energia elétrica e os impactos das tarifas de eletricidade na renda familiar. As análises ocorreram a partir da comparação do consumo de energia elétrica e do comprometimento da renda familiar média em relação à tarifa de eletricidade em municípios paulistas atendidos pelas concessões sob a gestão da CPFL Paulista e da Neoenergia Elektro. As concessões aplicam tarifas distintas, e os municípios sob concessão da Neoenergia Elektro apresentam maior concentração de pessoas em situação de pobreza. A análise qualitativa sobre os marcos normativos do setor identificou a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) como um instrumento importante para mitigar a inequidade, sobretudo, em relação ao sacrifício imposto pela tarifa na renda familiar. A análise quantitativa evidenciou que o estabelecimento das tarifas é dissonante com os parâmetros da JE, uma vez que a concessão com maior renda média possuía menor tarifa de eletricidade. Também foi possível constatar que a apropriação de energia elétrica mantém relação direta com o nível de rendimento familiar, uma vez que o decil de municípios de maior renda média consumiu 57% da eletricidade total distribuída pela CPFL Paulista e 38% da eletricidade distribuída pela Neoenergia Elektro. Além disso, o nível de comprometimento da renda familiar do quintil mais pobre em cada município ficou acima do parâmetro de 5% da renda em todos os municípios sob a concessão da Neoenergia Elektro e em mais de 99% dos municípios sob a concessão da CPFL Paulista. Essas evidências sugerem que a apropriação de energia elétrica e os impactos da tarifa sobre o rendimento familiar das camadas mais pobres da população não são coerentes com os parâmetros normativos da JE.Energy Justice (EJ) would be present in a global energy system when both the benefits and costs of energy services are distributed fairly. Among other principles, EJ is based on accessibility and equity in energy systems which extends beyond the universalization and lower energy prices. It also encompasses the extent to which energy bills disproportionately burden families in greater vulnerability. The main objective of this research was to evaluate, in light of the normative parameters of energy justice, the appropriation of electricity and the impacts of electricity tariffs on family income. The analyses were based on a comparative analysis associating the electricity consumption and the avarage household income with the tariff in São Paulo municipalities served by CPFL and Neoenergia Elektro. The concessions apply different tariffs, and the municipalities under Neoenergia Elektro\'s concession have a higher concentration of people living in poverty. The qualitative analysis of the sector\'s normative frameworks identified the Social Electricity Tariff (SET) as an important instrument for mitigating inequality, especially in relation to the sacrifice imposed by the tariff on family income. The quantitative analysis demonstrated that the tariffs setting process is incongruent with the parameters of EJ, as the concession with the highest average income had a lower electricity tariff. Furthermore, it was evident that the appropriation of electricity is directly related with the level of family income, since the decile of municipalities with the highest average income consumed 57% of the total electricity distributed by CPFL Paulista and 38% of the electricity distributed by Neoenergia Elektro. In addition, the level of commitment of the household income of the poorest quintile in each municipality exceeded the parameter of 5% of income in all the municipalities under Neoenergia Elektro\'s concession and in more than 99% of the municipalities under CPFL Paulista\'s concession. This evidence suggests that the appropriation of electricity and the impacts of the tariff on the family income of the poorest sections of the population are not consistent with the normative parameters of the EJ.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPIgari, Alexandre ToshiroRoberto, Samanta Souza2024-12-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100136/tde-07022025-183139/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-16T17:20:03Zoai:teses.usp.br:tde-07022025-183139Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-16T17:20:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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