Taxa de decremento metabólico em PET-FDG de pacientes com queixa cognitiva e sua correlação clínica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Tuma, Raphael de Luca e
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5138/tde-14112025-124529/
Resumo: Introdução: O desenvolvimento de novas terapias para doenças neurodegenerativas depende da sua detecção precoce e a seleção adequada de pacientes que irão progredir para demência. A tomografia por emissão de pósitrons com [18F]fluorodeoxiglicose (PET-FDG) gera um mapa representativo do metabolismo cerebral, apresentando uma boa correlação a sintomas clínicos e aplicabilidade em todas as doenças neurodegenerativas. Entretanto, poucos estudos exploraram a utilidade de repetir este exame. Nossa hipótese previu que, antes de pacientes com uma doença neurodegenerativa apresentarem alterações metabólicas perceptíveis, o cérebro deve sofrer um decremento progressivo. Objetivos: Quantificar a taxa de decremento anual do metabolismo cerebral regional entre PET-FDGs repetidos em pacientes com sintomas cognitivos e analisar o seu valor diagnóstico em predizer desfechos clínicos. Também, explorar valores de corte, comparar estágios clínicos e exames individuais, e estabelecer o intervalo ideal entre exames. Métodos: Selecionamos uma coorte retrospectiva de pacientes com dois PET-FDGs, avaliados entre 2007 e 2024. Foram selecionados de uma clínica de memória populacional e um centro de referência terciário. Usando um software automatizado para gerar valores semi-quantitativos calculamos a taxa de decremento metabólico (TDM). Comparamos os standardized uptake value ratios (SUVrs), a variação total e a TDM em 26 regiões encefálicas predeterminadas entre pacientes cognitivamente estáveis (CE) e aqueles com uma doença neurodegenerativa. Para as TDMs, analisamos sua capacidade diagnóstica em diferenciar os desfechos clínicos. Resultados: Encontramos 145 pacientes com declínio cognitivo subjetivo, comprometimento cognitivo leve ou demência. Noventa e dois pacientes foram selecionados com ao mínimo um ano entre exames e mais que três anos de seguimento clínico. Após uma mediana de 8.5 (6.0 10.1) anos de seguimento, quinze pacientes tinham um diagnóstico final de doença de Alzheimer (DA), com uma idade mediana de 72.0 (66.0 77.0) anos, enquanto 46 pacientes foram classificados como CE após 10.3 (8.2 11.1) anos, com uma idade mediana de 68.0 (65.0 71.0) anos. A maior área embaixo da curva (AUC) para a TDM detectar DA foi 0.907, para o cíngulo posterior dos dois lados. O cíngulo posterior direito apresentou uma sensibilidade de 87% (95% CI, 69100%) e especificidade de 91% (95% CI, 8399%), usando um valor de corte de -0.29%/ano. Sete pacientes com DA e sete pacientes CE tinham um PET com [11C]composto B de Pittsburgh positivo. Comparando estes quatorze casos, encontramos uma AUC para a TDM do cíngulo posterior esquerdo diferenciar desfechos clínicos de 0.898. Sete pacientes foram diagnosticados com demência frontotemporal variante comportamental (DFTvc) após um seguimento mediano de 8.6 (6.2 10.0) anos, com uma idade mediana de 59.0 (48.0 64.0) anos. Este grupo apresentou uma TDM no cíngulo posterior direito de -1.36%/ano (-2.66 -0.99) versus pacientes CE com +0.51%/ano (0.19 1.00), p<0.001. Os cíngulos anteriores não tinham TDM significativamente diferentes, mas o SUVr inicial e final do lado direito foram menores no grupo DFTvc (p<0.001). Conclusão: A TDM regional é uma medição clinicamente significativa que ajuda a predizer a progressão clínica em pacientes com sintomas cognitivos, até em casos com status amiloide conhecido, e pode ser um novo biomarcador universal para o rastreamento de neurodegeneração.
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Nossa hipótese previu que, antes de pacientes com uma doença neurodegenerativa apresentarem alterações metabólicas perceptíveis, o cérebro deve sofrer um decremento progressivo. Objetivos: Quantificar a taxa de decremento anual do metabolismo cerebral regional entre PET-FDGs repetidos em pacientes com sintomas cognitivos e analisar o seu valor diagnóstico em predizer desfechos clínicos. Também, explorar valores de corte, comparar estágios clínicos e exames individuais, e estabelecer o intervalo ideal entre exames. Métodos: Selecionamos uma coorte retrospectiva de pacientes com dois PET-FDGs, avaliados entre 2007 e 2024. Foram selecionados de uma clínica de memória populacional e um centro de referência terciário. Usando um software automatizado para gerar valores semi-quantitativos calculamos a taxa de decremento metabólico (TDM). Comparamos os standardized uptake value ratios (SUVrs), a variação total e a TDM em 26 regiões encefálicas predeterminadas entre pacientes cognitivamente estáveis (CE) e aqueles com uma doença neurodegenerativa. Para as TDMs, analisamos sua capacidade diagnóstica em diferenciar os desfechos clínicos. Resultados: Encontramos 145 pacientes com declínio cognitivo subjetivo, comprometimento cognitivo leve ou demência. Noventa e dois pacientes foram selecionados com ao mínimo um ano entre exames e mais que três anos de seguimento clínico. Após uma mediana de 8.5 (6.0 10.1) anos de seguimento, quinze pacientes tinham um diagnóstico final de doença de Alzheimer (DA), com uma idade mediana de 72.0 (66.0 77.0) anos, enquanto 46 pacientes foram classificados como CE após 10.3 (8.2 11.1) anos, com uma idade mediana de 68.0 (65.0 71.0) anos. A maior área embaixo da curva (AUC) para a TDM detectar DA foi 0.907, para o cíngulo posterior dos dois lados. O cíngulo posterior direito apresentou uma sensibilidade de 87% (95% CI, 69100%) e especificidade de 91% (95% CI, 8399%), usando um valor de corte de -0.29%/ano. Sete pacientes com DA e sete pacientes CE tinham um PET com [11C]composto B de Pittsburgh positivo. Comparando estes quatorze casos, encontramos uma AUC para a TDM do cíngulo posterior esquerdo diferenciar desfechos clínicos de 0.898. Sete pacientes foram diagnosticados com demência frontotemporal variante comportamental (DFTvc) após um seguimento mediano de 8.6 (6.2 10.0) anos, com uma idade mediana de 59.0 (48.0 64.0) anos. Este grupo apresentou uma TDM no cíngulo posterior direito de -1.36%/ano (-2.66 -0.99) versus pacientes CE com +0.51%/ano (0.19 1.00), p<0.001. Os cíngulos anteriores não tinham TDM significativamente diferentes, mas o SUVr inicial e final do lado direito foram menores no grupo DFTvc (p<0.001). Conclusão: A TDM regional é uma medição clinicamente significativa que ajuda a predizer a progressão clínica em pacientes com sintomas cognitivos, até em casos com status amiloide conhecido, e pode ser um novo biomarcador universal para o rastreamento de neurodegeneração.Introduction: The development of new therapies for neurodegenerative diseases depends on their early detection and adequately selecting patients that will progress to dementia. [18F]Fluorodeoxyglucose positron emission tomography (FDG-PET) can generate a map representing brain glucose metabolism, with the benefit of having a good correlation to clinical symptoms and applicability in all neurodegenerative diseases. However, few studies have explored the utility of a second scan. We hypothesized that before patients with a neurodegenerative disease show overt metabolic changes, the brain must suffer a progressive decrement over time. Objectives: To quantify the rate of annualized decrement in regional cerebral metabolism between repeat FDG-PET scans in patients with cognitive symptoms and analyze its diagnostic value in predicting clinical outcomes. Additionally, to explore cut-off values, compare clinical stages and individual exams, and establish the ideal interval between scans. Methods: We retrospectively selected a cohort of patients with two FDG-PET scans, evaluated between 2007 and 2024. Patients came from a population-based memory clinic and a tertiary referral center. Using automated software to generate semi-quantitative values we calculated the rate of metabolic decrement (RMD). We compared standardized uptake value ratios (SUVrs), the total variation and the RMD in 26 predetermined encephalic regions between cognitively stable (CS) patients and those with a neurodegenerative disease. For the RMDs, we analyzed their diagnostic ability to discriminate between clinical outcomes. Results: We found 145 patients with subjective cognitive decline, mild cognitive impairment or dementia. Ninety-two patients were selected with at least one year between adequate scans, and more than three years of clinical follow-up. After a median of 8.5 (6.0 10.1) years of follow-up, fifteen patients had a final diagnosis of Alzheimer\'s disease (AD), with a median age of 72.0 (66.0 77.0) years, while 46 patients were classified as CS after 10.3 (8.2 11.1) years, with a median age of 68.0 (65.0 71.0) years. The greatest area under the curve (AUC) for the RMD to detect AD was 0.907, for the posterior cingulate on both sides. The right posterior cingulate had a sensitivity of 87% (95% CI, 69100%) and specificity of 91% (95% CI, 8399%), using a cut-off of -0.29%/year. Seven AD and seven CS patients had a positive [11C]Pittsburgh compound B PET. Comparing these fourteen cases, we found an AUC for the RMD in the left posterior cingulate to discriminate clinical outcomes of 0.898. Seven patients were diagnosed with behavioral variant frontotemporal dementia (bvFTD) after a median follow-up of 8.6 (6.2 10.0) years and median age of 59.0 (48.0 64.0). This group had a RMD in the right posterior cingulate of -1.36%/year (-2.66 -0.99) versus CS patients with +0.51%/year (0.19 1.00), p<0.001. The anterior cingulate gyri did not have significantly different RMDs, but the initial and final SUVr on the right were lower in the bvFTD group (p<0.001). Conclusion: The regional RMD is a clinically significant measurement that helps predict clinical progression in patients with cognitive symptoms, even in those with known amyloid status, and could be a novel universal screening biomarker for neurodegeneration.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBrucki, Sônia Maria DozziCoutinho, Artur Martins NovaesTuma, Raphael de Luca e2025-07-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5138/tde-14112025-124529/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-14T19:26:02Zoai:teses.usp.br:tde-14112025-124529Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-14T19:26:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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