Desenvolvimento de uma cell factory a partir do fungo termofílico Thermothielavioides terrestris
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/97/97140/tde-12122024-114520/ |
Resumo: | O desenvolvimento e o fortalecimento de uma bioeconomia dependem da geração de novas tecnologias capazes de utilizar fontes renováveis, como resíduos provenientes da biomassa vegetal, para a obtenção de produtos e compostos de valor agregado. Neste cenário, o desenvolvimento de microrganismos como cell factories para a produção de enzimas lignocelulolíticas tem ganhado destaque devido à necessidade de obter linhagens mais eficientes, visando diminuir os custos dos processos de sacarificação destes materiais. Dentre os microrganismos, o fungo termofílico Thermothielavioides terrestris apresenta potencial para se tornar uma cell factory para a produção de coquetel enzimático, pois possui em seu genoma, uma vasta gama de genes que codificam enzimas ativas em carboidratos, conferindo uma alta capacidade degradadora de compostos lignocelulósicos. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo explorar e desenvolver ferramentas para manipular geneticamente o fungo termofílico T. terrestris visando a construção de uma cell factory. Inicialmente, foi realizado o cultivo do fungo em diferentes meios alternativos para obter melhores taxas de esporulação. Dentre os meios avaliados, o cultivo em extrato de tomate e trigo para quibe apresentou as melhores taxas de esporulação, alcançando valores superiores a 1 x 109 esporos/ml. A estratégia escolhida para a manipulação genética do fungo envolveu a substituição do locus do gene cre1 pelo gene de resistência a higromicina B, hph. Para isso, foi feita a determinação da concentração inibitória mínima (MIC) de T. terrestris em higromicina B, que foi de 500 μg/ml. O protocolo de manipulação genética em T. terrestris baseou-se na transformação dos protoplastos mediada por PEG, via split marker. Os fragmentos doadores do split marker foram obtidos por PCR usando como template o cassete de deleção pEX- Δ cre1, que foi desenvolvido neste trabalho. Das 6 colônias fúngicas obtidas na placa de seleção, uma delas apresentou uma banda com peso molecular correspondente ao gene hph. Esta cepa foi selecionada para análise. Diversas tentativas foram feitas para confirmar a deleção por meio de PCR de diagnóstico, no entanto essas análises não foram conclusivas. Com isso os fragmentos foram sequenciados e foi identificado a sequência do gene hph no genoma da cepa mutante. Análises de cultivo em bagaço de cana-de-açúcar (SCB) foram realizadas para observar se houve mudanças no fenótipo do microrganismo mutante. A cepa mutante apresentou um aumento de 8 vezes na quantidade de proteínas totais após 96 h de cultivo. Análises de atividade enzimática de celulases em Avicel indicaram um aumento de 65% comparado com a cepa selvagem. Houve um decréscimo na atividade de celulases em 72 e 96 h, apesar de ainda ser superior à cepa selvagem. Essa queda na atividade pode ser decorrente da ação de proteases no meio. A atividade de protease dos secretomas demonstrou um aumento de 1.62, 3.35 e 26.5 vezes nos cultivos de 48, 72 e 96 h, respectivamente, comparado com o selvagem. Diante dos resultados obtidos, foi possível observar que houve uma mudança significativa no fenótipo da cepa obtida por engenharia genética, indicando que houve alguma alteração no locus do gene cre1. |
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Desenvolvimento de uma cell factory a partir do fungo termofílico Thermothielavioides terrestrisDevelopment of a cell factory from the thermophilic fungus Thermothielavioides terrestrisCell factoryCell factoryT. terrestrisT. terrestrisEngenharia genéticaFungos termofílicosGenetic engineeringThermophilic fungiO desenvolvimento e o fortalecimento de uma bioeconomia dependem da geração de novas tecnologias capazes de utilizar fontes renováveis, como resíduos provenientes da biomassa vegetal, para a obtenção de produtos e compostos de valor agregado. Neste cenário, o desenvolvimento de microrganismos como cell factories para a produção de enzimas lignocelulolíticas tem ganhado destaque devido à necessidade de obter linhagens mais eficientes, visando diminuir os custos dos processos de sacarificação destes materiais. Dentre os microrganismos, o fungo termofílico Thermothielavioides terrestris apresenta potencial para se tornar uma cell factory para a produção de coquetel enzimático, pois possui em seu genoma, uma vasta gama de genes que codificam enzimas ativas em carboidratos, conferindo uma alta capacidade degradadora de compostos lignocelulósicos. Portanto, o presente trabalho teve como objetivo explorar e desenvolver ferramentas para manipular geneticamente o fungo termofílico T. terrestris visando a construção de uma cell factory. Inicialmente, foi realizado o cultivo do fungo em diferentes meios alternativos para obter melhores taxas de esporulação. Dentre os meios avaliados, o cultivo em extrato de tomate e trigo para quibe apresentou as melhores taxas de esporulação, alcançando valores superiores a 1 x 109 esporos/ml. A estratégia escolhida para a manipulação genética do fungo envolveu a substituição do locus do gene cre1 pelo gene de resistência a higromicina B, hph. Para isso, foi feita a determinação da concentração inibitória mínima (MIC) de T. terrestris em higromicina B, que foi de 500 μg/ml. O protocolo de manipulação genética em T. terrestris baseou-se na transformação dos protoplastos mediada por PEG, via split marker. Os fragmentos doadores do split marker foram obtidos por PCR usando como template o cassete de deleção pEX- Δ cre1, que foi desenvolvido neste trabalho. Das 6 colônias fúngicas obtidas na placa de seleção, uma delas apresentou uma banda com peso molecular correspondente ao gene hph. Esta cepa foi selecionada para análise. Diversas tentativas foram feitas para confirmar a deleção por meio de PCR de diagnóstico, no entanto essas análises não foram conclusivas. Com isso os fragmentos foram sequenciados e foi identificado a sequência do gene hph no genoma da cepa mutante. Análises de cultivo em bagaço de cana-de-açúcar (SCB) foram realizadas para observar se houve mudanças no fenótipo do microrganismo mutante. A cepa mutante apresentou um aumento de 8 vezes na quantidade de proteínas totais após 96 h de cultivo. Análises de atividade enzimática de celulases em Avicel indicaram um aumento de 65% comparado com a cepa selvagem. Houve um decréscimo na atividade de celulases em 72 e 96 h, apesar de ainda ser superior à cepa selvagem. Essa queda na atividade pode ser decorrente da ação de proteases no meio. A atividade de protease dos secretomas demonstrou um aumento de 1.62, 3.35 e 26.5 vezes nos cultivos de 48, 72 e 96 h, respectivamente, comparado com o selvagem. Diante dos resultados obtidos, foi possível observar que houve uma mudança significativa no fenótipo da cepa obtida por engenharia genética, indicando que houve alguma alteração no locus do gene cre1.The development and strengthening of a bioeconomy depend on the generation of new technologies capable of utilizing renewable sources, such as plant biomass residues, to obtain value-added products and compounds. In this context, the development of microorganisms as cell factories for the production of lignocellulolytic enzymes has gained prominence due to the need for more efficient strains to reduce the costs of saccharification processes. Among these microorganisms, the thermophilic fungus Thermothielavioides terrestris shows potential to become a cell factory for producing an enzymatic cocktail, as its genome contains a wide range of genes encoding carbohydrate-active enzymes, providing a high degradation capacity of lignocellulosic compounds. Therefore, the present study aimed to explore and develop tools to genetically manipulate the thermophilic fungus T. terrestris to construct a cell factory. Initially, the fungus was cultured in various alternative media to achieve better sporulation rates. Among the media evaluated, cultivation in tomato extract and bulgur wheat showed the best sporulation rates, reaching values above 1 x 109 spores/ml. The chosen strategy for the genetic manipulation of the fungus involved replacing the cre1 gene locus with the hygromycin B resistance gene, hph. Thus, the minimal inhibitory concentration (MIC) of T. terrestris for hygromycin B was determined, resulting in a MIC of 500 μg/ml. The genetic manipulation protocol in T. terrestris was based on PEG-mediated protoplast transformation using the split marker method. The donor fragments for the split marker were obtained by PCR using the pEX-Δcre1 deletion cassette, developed in this study, as the template. Of the six fungal colonies obtained on the selection plate, one showed a band with a molecular weight corresponding to the hph gene. This strain was selected for further analysis. Several attempts were made to confirm the deletion via diagnostic PCR; however, these analyses were inconclusive. With this, the fragments were sequenced, and the hph gene sequence was identified in the genome of the mutant strain. Cultivation analyses in sugarcane bagasse (SCB) were conducted to observe any phenotypic changes in the mutant microorganism. The mutant strain showed an 8-fold increase in total proteins after 96 h of cultivation. Enzymatic activity analyses of cellulases on Avicel indicated a 65% increase compared to the wild type. There was a decrease in cellulase activity at 72 and 96 h, although it remained higher than that of wild-type strain. This decline in activity may be due to the action of proteases in the medium. The protease activity of the secretome demonstrated increases of 1.62, 3.35, and 26.5 times at 48, 72, and 96-h, respectively, compared to the wild type. Given these results, significant phenotypic changes in the strain obtained through genetic engineering can be observed, indicating a possible alteration in the cre1 gene locus.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSegato, FernandoLima, Awana da Silva2024-09-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/97/97140/tde-12122024-114520/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-12-12T13:49:02Zoai:teses.usp.br:tde-12122024-114520Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-12-12T13:49:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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