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Divisão do trabalho em turnos por formigas saúva: uma análise dos processos comportamentais, metabólicos e moleculares

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Correa, Pedro Brisola Constantino
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-18022025-172745/
Resumo: Saúvas são um modelo de estudo para vários aspectos da sociobiologia. Do ponto de vista comportamental, apresentam um sistema de divisão de trabalho baseado em castas morfofuncionais. Forrageadoras são capazes de dividir o trabalho em turnos, ou seja, em uma mesma colônia há indivíduos que forrageiam preferencialmente em fases diferentes do ciclo de claro/escuro. Essa capacidade propõe um desafio para os modelos de interação entre comportamentos rítmicos e ciclos ambientais. Isso porque os ritmos biológicos são determinados por uma série de alças autorreguladas de retroalimentação de expressão e inibição de genes que compõe o oscilador endógeno. No entanto, o comportamento coletivo se correlaciona com o ambiente de diversas formas. Enquanto forrageadoras são capazes de dividir o trabalho em turnos, com atividade preferencial em fases opostas, enfermeiras trabalham dentro do ninho, sem variações nas condições ambientes. Nesse sentido, a compreensão da relação entre comportamento coletivo, regulação fisiológica e ciclos ambientais torna-se necessária para explicar como estas se organizam. A presente tese trata de dados comportamentais, metabólicos e moleculares para o entendimento da relação entre comportamento coletivo, ritmos biológicos e a sincronização com ciclos ambientais. O comportamento de fototaxia foi estudado para forrageadoras diurnas e noturnas em um labirinto em Y e os resultados mostraram que formigas diurnas não apresentam fototaxia, enquanto formigas noturnas apresentam forte fototaxia positiva. Também foi observada uma maior atividade em formigas diurnas, cuja causa parece remeter ao aspecto metabólico, como descrito adiante. Esse padrão parece ter relação com os comportamentos para o dia (exploração) e noite (forrageamento). Já as taxas metabólicas das formigas saúvas apresentaram fortes efeitos de tamanho e temperatura, como esperado, dado o polimorfismo e ectotermia destas, mas também apresentaram um forte efeito de fase, independente da temperatura. Formigas diurnas têm o metabolismo mais alto que noturnas, indicando um possível custo metabólico associado à atividade na anti-fase do ritmo biológico natural das saúvas, que são noturnas. Do ponto de vista do oscilador endógeno e dos mecanismos de fototransdução, observou-se uma diferença fundamental entre enfermeiras e forrageadoras. Não houve oscilação da expressão dos genes do relógio (Cry, Cyc, Per e CLK) e de opsinas (LW, Blue e UV) entre enfermeiras diurnas e noturnas, enquanto houve oscilação das opsinas e genes de alguns do relógio entre elas. De forma global, parece haver uma disrupção parcial das alças regulatórias do oscilador endógeno para forrageadoras diurnas, uma vez que elas estariam ativas na anti-fase do ritmo biológico. Tomados em conjunto, os resultados apontam para a interpretação de que formigas saúvas enfermeiras e forrageadoras são fundamentalmente diferentes entre si e essas diferenças são refletidas no comportamento que elas assumem. Além disso, uma vez que o metabolismo oscila, mas os genes do relógio não, é possível interpretar que existem mecanismos sociais de sincronização que desempenham um papel essencial na organização do comportamento coletiva.
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Isso porque os ritmos biológicos são determinados por uma série de alças autorreguladas de retroalimentação de expressão e inibição de genes que compõe o oscilador endógeno. No entanto, o comportamento coletivo se correlaciona com o ambiente de diversas formas. Enquanto forrageadoras são capazes de dividir o trabalho em turnos, com atividade preferencial em fases opostas, enfermeiras trabalham dentro do ninho, sem variações nas condições ambientes. Nesse sentido, a compreensão da relação entre comportamento coletivo, regulação fisiológica e ciclos ambientais torna-se necessária para explicar como estas se organizam. A presente tese trata de dados comportamentais, metabólicos e moleculares para o entendimento da relação entre comportamento coletivo, ritmos biológicos e a sincronização com ciclos ambientais. O comportamento de fototaxia foi estudado para forrageadoras diurnas e noturnas em um labirinto em Y e os resultados mostraram que formigas diurnas não apresentam fototaxia, enquanto formigas noturnas apresentam forte fototaxia positiva. Também foi observada uma maior atividade em formigas diurnas, cuja causa parece remeter ao aspecto metabólico, como descrito adiante. Esse padrão parece ter relação com os comportamentos para o dia (exploração) e noite (forrageamento). Já as taxas metabólicas das formigas saúvas apresentaram fortes efeitos de tamanho e temperatura, como esperado, dado o polimorfismo e ectotermia destas, mas também apresentaram um forte efeito de fase, independente da temperatura. Formigas diurnas têm o metabolismo mais alto que noturnas, indicando um possível custo metabólico associado à atividade na anti-fase do ritmo biológico natural das saúvas, que são noturnas. Do ponto de vista do oscilador endógeno e dos mecanismos de fototransdução, observou-se uma diferença fundamental entre enfermeiras e forrageadoras. Não houve oscilação da expressão dos genes do relógio (Cry, Cyc, Per e CLK) e de opsinas (LW, Blue e UV) entre enfermeiras diurnas e noturnas, enquanto houve oscilação das opsinas e genes de alguns do relógio entre elas. De forma global, parece haver uma disrupção parcial das alças regulatórias do oscilador endógeno para forrageadoras diurnas, uma vez que elas estariam ativas na anti-fase do ritmo biológico. Tomados em conjunto, os resultados apontam para a interpretação de que formigas saúvas enfermeiras e forrageadoras são fundamentalmente diferentes entre si e essas diferenças são refletidas no comportamento que elas assumem. Além disso, uma vez que o metabolismo oscila, mas os genes do relógio não, é possível interpretar que existem mecanismos sociais de sincronização que desempenham um papel essencial na organização do comportamento coletiva.Leaf-cutting ants are an excellent model for studying various aspects of sociobiology. From a behavioral perspective, they exhibit a complex system of division of labor based on morphofunctional castes. Leaf-cutting ant foragers can divide their work into shifts, meaning that in the same colony, there are individuals who forage primarily during different phases of the light/dark cycle. This ability presents a challenge for the main models of interaction between rhythmic behaviors and environmental cycles. This is because biological rhythms are determined by a series of self-regulating feedback loops of gene expression and inhibition that make up the endogenous oscillator. However, the collective behavior of leaf-cutting ants correlates with the environment in various ways. While the foragers can divide their work into shifts, with preferential activity during opposite phases, the nurses work inside the nest, where environmental conditions remain largely unchanged. Understanding the relationship between collective behavior, physiological regulation, and environmental cycles becomes necessary to explain how leaf-cutting ants manage to organize themselves so exceptionally. In this context, the present thesis presents behavioral, metabolic, and molecular data that aim to better understand the relationship between collective behavior, biological rhythms, and synchronization with environmental cycles. Phototaxis behavior was studied in diurnal and nocturnal foragers using a Y-maze, and the results showed that diurnal ants did not exhibit phototaxis, while nocturnal ants displayed strong positive phototaxis. Greater activity was also observed in diurnal ants, the cause of which appears to be the metabolic aspect, as described below. This pattern is likely related to the behaviors adopted by the ants during the day (exploration) and night (foraging). The metabolic rates of leaf-cutting ants showed strong effects of size and temperature, as expected due to their polymorphic and ectothermic nature, but they also presented a strong phase effect, independent of temperature. Diurnal ants have a higher metabolism than nocturnal ants. This result suggests a possible metabolic cost associated with activity during the antiphase of the natural biological rhythm of these ants, which are primarily nocturnal. From the perspective of the endogenous oscillator and the mechanisms of phototransduction, a fundamental difference was observed between nurses and foragers. There was no oscillation in the expression of clock genes and opsins among diurnal and nocturnal nurses, while oscillation in opsins and some clock genes was noted among diurnal and nocturnal foragers. Apparently, there is a partial disruption of the regulatory loops of the endogenous oscillator for diurnal foragers, as they would be active during the antiphase of the biological rhythm. The overall results suggest that leaf-cutting ant nurses and foragers are fundamentally different from each other, and these differences are reflected in their behavior. Furthermore, since metabolism oscillates while clock genes do not, it is possible to argue that there are social synchronization mechanisms that play an essential role in organizing collective behavior.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHelene, André FrazãoCorrea, Pedro Brisola Constantino2024-12-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-18022025-172745/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-19T20:35:03Zoai:teses.usp.br:tde-18022025-172745Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-19T20:35:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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