Hello, goodbye: processos de acreção e decreção em sistemas binários interativos e pós-interativos
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/14/14131/tde-12092025-095946/ |
Resumo: | A massa é a principal característica que define o destino de uma estrela. Se uma quantidade considerável de massa for perdida ou ganha durante sua vida, todo o caminho evolutivo da estrela mudará de acordo. Uma das maneiras mais eficazes de perder ou ganhar massa é em sistemas binários, onde uma estrela preenche seu lóbulo de Roche e transfere massa para sua companheira. As condições para a estabilidade e a eficácia da transferência de massa ainda são objeto de intensa discussão no campo das estrelas binárias, e com bons motivos. Esses parâmetros ditam o resultado da evolução binária, um processo de importância indiscutível para a criação de estrelas exóticas como as blue stragglers e sistemas duplos de objetos compactos, afetando as taxas de supernovae e o enriquecimento do ambiente interestelar. Entretanto, sistemas pós-interação nem sempre são facilmente identificáveis. Por exemplo, um sistema binário composto por uma anã branca e uma estrela de sequência principal pode ser formado por meio de transferência de massa estável, evolução em envelope, ou sem nenhuma transferência de massa. É provável que as estrelas Be, os objetos não degenerados com maiores taxas de rotação, necessitem de uma fase de transferência de massa para adquirir suas rotações rápidas, mas também é possível que sejam formadas isoladamente. Nessas estrelas Be, a rotação rápida funciona em conjunto com um mecanismo interno ainda indefinido para causar eventos (geralmente) explosivos e episódicos de perda de massa que levam à formação de um disco ao redor da estrela. Se a estrela Be estiver em um sistema binário, voltaremos à perda de massa e à transferência de massa, com a companheira agora acretando material do disco da Be. Nesta tese, percorro o longo e sinuoso caminho da perda e da transferência de massa em quatro projetos. Comparo modelos de síntese de populações binárias com um grande conjunto de dados de sistemas binários de anãs brancas + estrelas de sequência principal para calibrar os parâmetros de transferência de massa usados nesses códigos, desenvolvendo uma metodologia que pode ser aplicada a futuros conjuntos de dados e surveys. Também concluo que as prescrições e os critérios de estabilidade e ejeção de envelope comum devem ser revisados. Em seguida, mudo o foco para as estrelas Be, onde uso códigos de transferência radiativa e hidrodinâmica de partículas suavizadas (SPH) para explorar seus eventos de ejeção de massa. Meus resultados fornecem restrições importantes à geometria e à dinâmica necessárias para criar outbursts comparáveis aos dados, o que deve ser considerado por qualquer teoria que pretenda explicar o fenômeno Be a partir de primeiros princípios. Também apresento o BeAtlas, uma grade de observáveis sintéticos de estrelas Be, que pode ser uma ferramenta poderosa no estudo de estrelas Be, bem como B e Bn, como populações. Por fim, utilizo simulações SPH e de transferência radiativa para descrever detalhadamente o comportamento dos discos Be em sistemas binários próximos, incluindo as consequências observacionais esperadas dessa interação. Também detalho como essas características observacionais podem ser usadas para detectar companheiras que, de outra forma, não seriam vistas, e para planejar e interpretar observações. Como exemplo do comportamento complexo de estrelas Be binárias, apresento uma visão geral dos últimos 30 anos de observações espectroscópicas de pi Aqr, que podem ser usadas como base de comparação para essas simulações. Esta tese é um avanço significativo em nossa compreensão das estrelas Be como classe, estabelecendo a base para modelos aprimorados de seus outbursts e de Be binárias. A metodologia que apresento para comparar os modelos de síntese de populações binárias com dados observacionais facilita a interpretação sistemática das observações de sistemas pós-interação, que fornecerão as tão necessárias restrições aos nossos modelos de transferência de massa. |
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Hello, goodbye: processos de acreção e decreção em sistemas binários interativos e pós-interativosHello, Goodbye: Accretion and Decretion Processes in Interacting and Post-Interaction Binary SystemsBe stars; White dwarf binaries; Binaries; SPH; Binary population synthesis; Mass transfer; Mass lossBe stars; White dwarf binaries; Mass transfer; Mass loss; SPH; Binary population synthesisA massa é a principal característica que define o destino de uma estrela. Se uma quantidade considerável de massa for perdida ou ganha durante sua vida, todo o caminho evolutivo da estrela mudará de acordo. Uma das maneiras mais eficazes de perder ou ganhar massa é em sistemas binários, onde uma estrela preenche seu lóbulo de Roche e transfere massa para sua companheira. As condições para a estabilidade e a eficácia da transferência de massa ainda são objeto de intensa discussão no campo das estrelas binárias, e com bons motivos. Esses parâmetros ditam o resultado da evolução binária, um processo de importância indiscutível para a criação de estrelas exóticas como as blue stragglers e sistemas duplos de objetos compactos, afetando as taxas de supernovae e o enriquecimento do ambiente interestelar. Entretanto, sistemas pós-interação nem sempre são facilmente identificáveis. Por exemplo, um sistema binário composto por uma anã branca e uma estrela de sequência principal pode ser formado por meio de transferência de massa estável, evolução em envelope, ou sem nenhuma transferência de massa. É provável que as estrelas Be, os objetos não degenerados com maiores taxas de rotação, necessitem de uma fase de transferência de massa para adquirir suas rotações rápidas, mas também é possível que sejam formadas isoladamente. Nessas estrelas Be, a rotação rápida funciona em conjunto com um mecanismo interno ainda indefinido para causar eventos (geralmente) explosivos e episódicos de perda de massa que levam à formação de um disco ao redor da estrela. Se a estrela Be estiver em um sistema binário, voltaremos à perda de massa e à transferência de massa, com a companheira agora acretando material do disco da Be. Nesta tese, percorro o longo e sinuoso caminho da perda e da transferência de massa em quatro projetos. Comparo modelos de síntese de populações binárias com um grande conjunto de dados de sistemas binários de anãs brancas + estrelas de sequência principal para calibrar os parâmetros de transferência de massa usados nesses códigos, desenvolvendo uma metodologia que pode ser aplicada a futuros conjuntos de dados e surveys. Também concluo que as prescrições e os critérios de estabilidade e ejeção de envelope comum devem ser revisados. Em seguida, mudo o foco para as estrelas Be, onde uso códigos de transferência radiativa e hidrodinâmica de partículas suavizadas (SPH) para explorar seus eventos de ejeção de massa. Meus resultados fornecem restrições importantes à geometria e à dinâmica necessárias para criar outbursts comparáveis aos dados, o que deve ser considerado por qualquer teoria que pretenda explicar o fenômeno Be a partir de primeiros princípios. Também apresento o BeAtlas, uma grade de observáveis sintéticos de estrelas Be, que pode ser uma ferramenta poderosa no estudo de estrelas Be, bem como B e Bn, como populações. Por fim, utilizo simulações SPH e de transferência radiativa para descrever detalhadamente o comportamento dos discos Be em sistemas binários próximos, incluindo as consequências observacionais esperadas dessa interação. Também detalho como essas características observacionais podem ser usadas para detectar companheiras que, de outra forma, não seriam vistas, e para planejar e interpretar observações. Como exemplo do comportamento complexo de estrelas Be binárias, apresento uma visão geral dos últimos 30 anos de observações espectroscópicas de pi Aqr, que podem ser usadas como base de comparação para essas simulações. Esta tese é um avanço significativo em nossa compreensão das estrelas Be como classe, estabelecendo a base para modelos aprimorados de seus outbursts e de Be binárias. A metodologia que apresento para comparar os modelos de síntese de populações binárias com dados observacionais facilita a interpretação sistemática das observações de sistemas pós-interação, que fornecerão as tão necessárias restrições aos nossos modelos de transferência de massa.Mass is the main characteristic that defines the fate of a star. If a considerable amount of mass is lost or gained during their lifetime, the entire evolution of a star will change accordingly. One of the most effective ways a star can lose or exchange mass is in binary systems, where one star fills its Roche lobe and transfers mass to its companion. The conditions for mass transfer stability and effectiveness are still subject to intense discussion in the field of binary stars, and with good reason. These parameters dictate the outcome of binary evolution, a process of indisputable importance for the creation of exotic stars and binaries, such as blue stragglers and double compact object systems, affecting supernova rates, and the enrichment of the interstellar environment. Post-interaction systems are not always easily identifiable, however. For instance, a binary system composed of a white dwarf and a main sequence star can be formed via stable mass transfer, common envelope evolution, or with no mass transfer at all. Be stars, the most rapid non-degenerate rotators, might require mass transfer to acquire their fast rotations, but might also be formed in isolation. In these Be stars, the rapid rotation works along with some undefined internal mechanism to cause (usually) explosive and episodic events of mass loss, which lead to the formation of a disk around the star. If the Be star is in a binary system, we circle right back to mass loss and mass transfer, with the companion now accreting material from the Be disk. In this thesis, I travel the long and winding road of mass loss and mass transfer along four projects. I compare binary population synthesis models to a large dataset of white dwarf + main sequence binaries to calibrate the mass transfer parameters used in these codes, developing a methodology that can be applied to future datasets and surveys. I also find that the prescriptions and criteria for stability and common envelope ejection should be revised. I then shift the focus to Be stars, where I use smoothed particle hydrodynamics and radiative transfer codes to explore their mass ejection events. My results provide important constraints to the geometry and dynamics required to create outbursts that are comparable to data, which any theory aiming to explain the Be phenomenon from first principles must account for. I also present BeAtlas, a grid of synthetic observables of Be stars, that can be a powerful tool in the study of Be, as well as B and Bn, stars as a population. Finally, I use smoothed particle hydrodynamics and radiative transfer simulations to describe in detail the behaviour of Be disks in close binary systems, including the expected observational consequences of this interaction. I also detail how such observational characteristics can be used to detect otherwise unseen companions, and to plan and interpret observations. As an example of the complex behaviour of binary Be stars, I present an overview of the last 30 years of spectroscopic observations of $\\pi$\\,Aqr, which can be used as a basis of comparison for these simulations. This thesis is a significant step forward in our understanding of Be stars as a class, laying down the foundation for improved models of Be outbursts and binary Be stars. The methodology I present for comparing binary population synthesis models to data facilitates systematic interpretation of observations of post-interaction systems, which will provide the much needed constraints to our mass transfer models.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarciofi, Alex CavalieriRubio, Amanda Caveagna2025-07-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/14/14131/tde-12092025-095946/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-16T12:53:02Zoai:teses.usp.br:tde-12092025-095946Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-16T12:53:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A massa é a principal característica que define o destino de uma estrela. Se uma quantidade considerável de massa for perdida ou ganha durante sua vida, todo o caminho evolutivo da estrela mudará de acordo. Uma das maneiras mais eficazes de perder ou ganhar massa é em sistemas binários, onde uma estrela preenche seu lóbulo de Roche e transfere massa para sua companheira. As condições para a estabilidade e a eficácia da transferência de massa ainda são objeto de intensa discussão no campo das estrelas binárias, e com bons motivos. Esses parâmetros ditam o resultado da evolução binária, um processo de importância indiscutível para a criação de estrelas exóticas como as blue stragglers e sistemas duplos de objetos compactos, afetando as taxas de supernovae e o enriquecimento do ambiente interestelar. Entretanto, sistemas pós-interação nem sempre são facilmente identificáveis. Por exemplo, um sistema binário composto por uma anã branca e uma estrela de sequência principal pode ser formado por meio de transferência de massa estável, evolução em envelope, ou sem nenhuma transferência de massa. É provável que as estrelas Be, os objetos não degenerados com maiores taxas de rotação, necessitem de uma fase de transferência de massa para adquirir suas rotações rápidas, mas também é possível que sejam formadas isoladamente. Nessas estrelas Be, a rotação rápida funciona em conjunto com um mecanismo interno ainda indefinido para causar eventos (geralmente) explosivos e episódicos de perda de massa que levam à formação de um disco ao redor da estrela. Se a estrela Be estiver em um sistema binário, voltaremos à perda de massa e à transferência de massa, com a companheira agora acretando material do disco da Be. Nesta tese, percorro o longo e sinuoso caminho da perda e da transferência de massa em quatro projetos. Comparo modelos de síntese de populações binárias com um grande conjunto de dados de sistemas binários de anãs brancas + estrelas de sequência principal para calibrar os parâmetros de transferência de massa usados nesses códigos, desenvolvendo uma metodologia que pode ser aplicada a futuros conjuntos de dados e surveys. Também concluo que as prescrições e os critérios de estabilidade e ejeção de envelope comum devem ser revisados. Em seguida, mudo o foco para as estrelas Be, onde uso códigos de transferência radiativa e hidrodinâmica de partículas suavizadas (SPH) para explorar seus eventos de ejeção de massa. Meus resultados fornecem restrições importantes à geometria e à dinâmica necessárias para criar outbursts comparáveis aos dados, o que deve ser considerado por qualquer teoria que pretenda explicar o fenômeno Be a partir de primeiros princípios. Também apresento o BeAtlas, uma grade de observáveis sintéticos de estrelas Be, que pode ser uma ferramenta poderosa no estudo de estrelas Be, bem como B e Bn, como populações. Por fim, utilizo simulações SPH e de transferência radiativa para descrever detalhadamente o comportamento dos discos Be em sistemas binários próximos, incluindo as consequências observacionais esperadas dessa interação. Também detalho como essas características observacionais podem ser usadas para detectar companheiras que, de outra forma, não seriam vistas, e para planejar e interpretar observações. Como exemplo do comportamento complexo de estrelas Be binárias, apresento uma visão geral dos últimos 30 anos de observações espectroscópicas de pi Aqr, que podem ser usadas como base de comparação para essas simulações. Esta tese é um avanço significativo em nossa compreensão das estrelas Be como classe, estabelecendo a base para modelos aprimorados de seus outbursts e de Be binárias. A metodologia que apresento para comparar os modelos de síntese de populações binárias com dados observacionais facilita a interpretação sistemática das observações de sistemas pós-interação, que fornecerão as tão necessárias restrições aos nossos modelos de transferência de massa. |
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