Tratamento da retração palpebral inferior adquirida: estudo comparativo entre enxertos espaçadores de cartilagem auricular e derme autógena

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Gumiero, Mariana Pereira Leite Dias
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5149/tde-26082025-153452/
Resumo: A retração palpebral inferior (RPI) é um desafio para o cirurgião oculoplástico. Traz prejuízos funcionais e estéticos que geram transtornos à qualidade de vida do paciente. No presente trabalho, serão estudados dois espaçadores utilizados na correção cirúrgica da RPI: cartilagem auricular e derme autógena. OBJETIVOS: Comparar os resultados obtidos com a correção cirúrgica da RPI nos dois grupos, nos seguintes pontos: previsibilidade do resultado cirúrgico (através das medidas da distância-margem-reflexo 2 - DMR2 - nos momentos pré-operatório e pós-operatório), índices de complicações, efeitos da correção cirúrgica sobre a superfície ocular e na qualidade de vida do paciente. MÉTODOS: Estudo prospectivo, randomizado e intervencionista, incluindo 20 pacientes do ambulatório de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Eles foram alocados aleatoriamente em um dos dois grupos. Para cada milímetro de esclera exposta abaixo do limbo corneano (scleral show) foi feito um cálculo de duas vezes o tamanho do defeito para o enxerto. A abordagem foi via transconjuntival, sendo o enxerto posicionado entre os retratores inferiores e a placa tarsal, associado à cantopexia. Os pacientes foram avaliados na 1ª semana, 1º mês, 3º mês e 6º mês em que foram submetidos à documentação fotográfica. As imagens foram processadas pelo software ImageJ para cálculo da DMR2. Complicações pós-cirúrgicas foram estudadas. Os dados foram comparados entre os grupos e dentro do mesmo grupo. Os testes foram realizados com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Vinte pacientes foram inclusos, 35 pálpebras operadas, nas quais em 17 delas realizamos enxerto de cartilagem auricular (G1) e em 18, enxerto dérmico autógeno (G2). Em cada grupo, a correção da RPI foi significativa em todos momentos e foram observados aumento gradual da DMR2 no decorrer do pós operatório. Não foi encontrada diferença significativa entre as medidas de DMR2 pré-operatórias e pós-operatórias na comparação entre os dois grupos. O G1 apresentou um aumento de 10% na média de DMR2 ao longo dos seis meses e o G2 aproximadamente 18%. Apenas o G1 apresentou granulomas e entrópio. Não houve diferença no pré e pós-operatório quanto aos resultados do questionário OSDI. No teste Schirmer 1, o G1 apresentou melhor média ao sexto mês. CONCLUSÃO: Ambos os enxertos mostraram ser efetivos para a correção da RPI ao final do 6º mês. As complicações, apesar de maiores no G1, podem ser resolvidas com sucesso, em grande parte, ambulatorialmente. Em comparações de grupos, apesar do maior grau de taxa de absorção (10% vs. 18%), o enxerto dérmico mostrou eficácia comparável à cartilagem auricular, com menos complicações, sugerindo potencial promissor para seu uso. Considerando um aumento médio de 14% na DMR2 entre 7 dias e 6 meses de pós-operatório, podemos inferir que o tamanho do enxerto possivelmente deva ser maior que a relação 2:1
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OBJETIVOS: Comparar os resultados obtidos com a correção cirúrgica da RPI nos dois grupos, nos seguintes pontos: previsibilidade do resultado cirúrgico (através das medidas da distância-margem-reflexo 2 - DMR2 - nos momentos pré-operatório e pós-operatório), índices de complicações, efeitos da correção cirúrgica sobre a superfície ocular e na qualidade de vida do paciente. MÉTODOS: Estudo prospectivo, randomizado e intervencionista, incluindo 20 pacientes do ambulatório de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Eles foram alocados aleatoriamente em um dos dois grupos. Para cada milímetro de esclera exposta abaixo do limbo corneano (scleral show) foi feito um cálculo de duas vezes o tamanho do defeito para o enxerto. A abordagem foi via transconjuntival, sendo o enxerto posicionado entre os retratores inferiores e a placa tarsal, associado à cantopexia. Os pacientes foram avaliados na 1ª semana, 1º mês, 3º mês e 6º mês em que foram submetidos à documentação fotográfica. As imagens foram processadas pelo software ImageJ para cálculo da DMR2. Complicações pós-cirúrgicas foram estudadas. Os dados foram comparados entre os grupos e dentro do mesmo grupo. Os testes foram realizados com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Vinte pacientes foram inclusos, 35 pálpebras operadas, nas quais em 17 delas realizamos enxerto de cartilagem auricular (G1) e em 18, enxerto dérmico autógeno (G2). Em cada grupo, a correção da RPI foi significativa em todos momentos e foram observados aumento gradual da DMR2 no decorrer do pós operatório. Não foi encontrada diferença significativa entre as medidas de DMR2 pré-operatórias e pós-operatórias na comparação entre os dois grupos. O G1 apresentou um aumento de 10% na média de DMR2 ao longo dos seis meses e o G2 aproximadamente 18%. Apenas o G1 apresentou granulomas e entrópio. Não houve diferença no pré e pós-operatório quanto aos resultados do questionário OSDI. No teste Schirmer 1, o G1 apresentou melhor média ao sexto mês. CONCLUSÃO: Ambos os enxertos mostraram ser efetivos para a correção da RPI ao final do 6º mês. As complicações, apesar de maiores no G1, podem ser resolvidas com sucesso, em grande parte, ambulatorialmente. Em comparações de grupos, apesar do maior grau de taxa de absorção (10% vs. 18%), o enxerto dérmico mostrou eficácia comparável à cartilagem auricular, com menos complicações, sugerindo potencial promissor para seu uso. Considerando um aumento médio de 14% na DMR2 entre 7 dias e 6 meses de pós-operatório, podemos inferir que o tamanho do enxerto possivelmente deva ser maior que a relação 2:1Lower eyelid retraction (LER) is a challenging problem for oculoplastic surgeons. It causes significant functional and aesthetic impairments that greatly affect the patient\'s quality of life. This thesis will study the use of two spacers used in the surgical correction of LER: auricular cartilage and autogenous dermis. OBJECTIVES: To compare the results obtained with the surgical correction of LER in the two groups of spacers, in the following points: predictability of the surgical result (through measurements of the margin reflex distance 2 (MRD2) in the preoperative and postoperative periods), complication rates, effects of surgical correction on the ocular surface and patient\'s quality of life. METHODS: Prospective, randomized and interventional study, including 20 patients from the Ophthalmology outpatient clinic of the Hospital das Clínicas of University of São Paulo Medical School. They were randomly allocated to one of two groups. For each millimeter of sclera exposed below the corneal limbus (scleral show), a calculation of twice the size of the defect for the graft was made. The approach was transconjunctival, with the graft positioned between the inferior retractors and the tarsal plate, associated with canthopexy. Patients were evaluated in person at the 1st week, 1st month, 3rd month and 6th month, when they underwent photographic documentation. The images obtained were processed by the ImageJ software to calculate MRD2. Post-surgical complications were studied. The data obtained were compared between the groups and within the same group. The tests were performed with a significance level of 5%. RESULTS: Twenty patients were included, 35 operated eyelids, in which 17 of them were treated with auricular cartilage grafts (G1) and 18, with autogenous dermal grafts (G2). In each group, the LER correction was always significant and a gradual increase in MRD2 was observed during the postoperative period. No significant difference was found between the preoperative and postoperative MRD2 measurements when comparing the 2 groups. G1 showed a 10% increase in the mean MRD2 over the six months, while G2 showed approximately 18%. Only G1 presented granulomas and entropion. There was no difference between the preoperative and postoperative results of the OSDI questionnaire. In the Schirmer 1 test, the G1 presented a better mean at the sixth month. CONCLUSION: Both grafts were effective in correcting LER at the end of the 6th month. Complications, although greater in the G1, can be successfully resolved largely on an outpatient basis. In group comparisons, despite the higher degree of absorption rate (10% vs. 18%), the dermal graft showed comparable efficacy to auricular cartilage, with fewer complications, suggesting promising potential for its use. Considering a mean increase of 14% in MRD2 between 7 days and 6 months postoperatively, we can infer that the graft size should possibly be greater than the 2:1 ratioBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGonçalves, Allan Christian PieroniGumiero, Mariana Pereira Leite Dias2024-12-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5149/tde-26082025-153452/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-27T17:44:02Zoai:teses.usp.br:tde-26082025-153452Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-27T17:44:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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