Noções de favelidade: representações a partir do Museu das Favelas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silva, Érika Augusta da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/31/31131/tde-06012026-121810/
Resumo: Esta pesquisa reflete sobre representações de identidades comunicadas pelo Museu das Favelas, instituição pública do Governo do Estado de São Paulo. A metodologia é qualitativa, baseada em interpretações historiográficas e observações participantes. Recorrendo especialmente ao final do século 19 e ao decorrer do século 20, analisa o contexto sócio-histórico de urbanização da cidade de São Paulo e explicita como sucessivos projetos de desigualdade e marginalização têm resultado na formação de periferias e favelas paulistanas, territórios constituídos por profundas segregações raciais e econômicas, aspectos dos quais a cultura hip hop se apropriou e sobre os quais tem produzido novos sentidos no imaginário social. No entanto, com populações crescentes e produções culturais diversas, problematiza como as referências desses territórios foram historicamente apartadas dos espaços hegemônicos de salvaguarda de memória, sendo criados, como alternativa, os museus comunitários e iniciativas afins. Consequentemente, também observa como, especialmente nos últimos 20 anos, com a emergência da museologia social no Brasil, ações de Estado têm dedicado alguma atenção à memória, à diversidade e à representação de grupos socialmente marginalizados. Nesse sentido, o Museu das Favelas, criado em 2021 com a missão de garantir protagonismo e salvaguardar memórias das favelas brasileiras, é investigado enquanto espaço que tem investido em pesquisar, expor e comunicar noções de favelidade (expressões sociais e culturais das identidades das populações de favelas) de modo alargado e representativo. Contudo analisa, ainda, como mesmo diante da identificação que alguns grupos têm demonstrado em relação ao Museu, seu vínculo e sua identidade, estabelecidos por meio do seu primeiro endereço, foram abalados devido a uma transferência arbitrária que evocou, em parte do seu público, o trauma coletivo causado pelas remoções, ações apontadas pela pesquisa como majoritariamente desempenhadas por agentes do poder público, que têm violado sistematicamente espaços para moradia e práticas culturais de pessoas periféricas e faveladas. Analisando sua curta trajetória, os compromissos do Museu das Favelas são evidenciados sobretudo por meio das características das suas equipes de trabalho, de ações que envolvem a escuta e a participação de agentes e organizações da sociedade civil, e dos acervos e discursos que compõem as suas exposições. Especialmente a de longa duração, Sobre Vivências, e a exposição de média duração Racionais MCs O Quinto Elemento, abertas em sua nova localização. Desse modo, embora o estudo considere que as contradições institucionais do Museu das Favelas devam ser ponderadas, também conclui que a instituição tem demonstrado engajamento no processo de (re)imaginação e valorização da noção de favelidade, por meio de representações política e poeticamente demarcadas.
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Recorrendo especialmente ao final do século 19 e ao decorrer do século 20, analisa o contexto sócio-histórico de urbanização da cidade de São Paulo e explicita como sucessivos projetos de desigualdade e marginalização têm resultado na formação de periferias e favelas paulistanas, territórios constituídos por profundas segregações raciais e econômicas, aspectos dos quais a cultura hip hop se apropriou e sobre os quais tem produzido novos sentidos no imaginário social. No entanto, com populações crescentes e produções culturais diversas, problematiza como as referências desses territórios foram historicamente apartadas dos espaços hegemônicos de salvaguarda de memória, sendo criados, como alternativa, os museus comunitários e iniciativas afins. Consequentemente, também observa como, especialmente nos últimos 20 anos, com a emergência da museologia social no Brasil, ações de Estado têm dedicado alguma atenção à memória, à diversidade e à representação de grupos socialmente marginalizados. Nesse sentido, o Museu das Favelas, criado em 2021 com a missão de garantir protagonismo e salvaguardar memórias das favelas brasileiras, é investigado enquanto espaço que tem investido em pesquisar, expor e comunicar noções de favelidade (expressões sociais e culturais das identidades das populações de favelas) de modo alargado e representativo. Contudo analisa, ainda, como mesmo diante da identificação que alguns grupos têm demonstrado em relação ao Museu, seu vínculo e sua identidade, estabelecidos por meio do seu primeiro endereço, foram abalados devido a uma transferência arbitrária que evocou, em parte do seu público, o trauma coletivo causado pelas remoções, ações apontadas pela pesquisa como majoritariamente desempenhadas por agentes do poder público, que têm violado sistematicamente espaços para moradia e práticas culturais de pessoas periféricas e faveladas. Analisando sua curta trajetória, os compromissos do Museu das Favelas são evidenciados sobretudo por meio das características das suas equipes de trabalho, de ações que envolvem a escuta e a participação de agentes e organizações da sociedade civil, e dos acervos e discursos que compõem as suas exposições. Especialmente a de longa duração, Sobre Vivências, e a exposição de média duração Racionais MCs O Quinto Elemento, abertas em sua nova localização. Desse modo, embora o estudo considere que as contradições institucionais do Museu das Favelas devam ser ponderadas, também conclui que a instituição tem demonstrado engajamento no processo de (re)imaginação e valorização da noção de favelidade, por meio de representações política e poeticamente demarcadas.This research reflects on the representations of identity communicated by the Museu das Favelas, a public institution of the State Government of São Paulo. The methodology is qualitative, based on historiographical interpretations and participant observations. Drawing especially on the late 19th and throughout the 20th centuries, it analyzes the socio-historical context of São Paulo\'s urbanization and explains how successive projects of inequality and marginalization have resulted in the formation of the city\'s peripheries and favelas, territories built upon deep racial and economic segregation. These are aspects that hip-hop culture has appropriated and used to produce new meanings in the social imaginary. However, with growing populations and diverse cultural productions, the research examines how the references of these territories were historically separated from hegemonic memory preservation spaces, leading to the creation of community museums and similar initiatives as an alternative. Consequently, it also observes how, particularly in the last 20 years with the emergence of social museology in Brazil, state actions have dedicated some attention to the memory, diversity, and representation of socially marginalized groups. In this sense, the Museu das Favelas, created in 2021 with the mission of ensuring the protagonism and safeguarding the memories of Brazilian favelas, is investigated as a space that has invested in researching, exhibiting, and communicating notions of \"favelidade\" (social and cultural expressions of identities of the favelas people) in a broad and representative way. However, it also analyzes how, even with the identification some groups have shown with the Museum, its bond and identity, established through its first location, were shaken due to an arbitrary transfer. This transfer evoked in part of its audience the collective trauma caused by forced removals, actions which the research points out as being predominantly carried out by public authorities who have systematically violated the living spaces and cultural practices of people from the peripheries and favelas. Analyzing its short trajectory, the commitments of the Museu das Favelas are evidenced mainly through the characteristics of its work teams, actions that involve listening to and the participation of agents and civil society organizations, and the collections and narratives that make up its exhibitions. This is especially true of its long-term exhibition, \"Sobre Vivências\", and the medium-term exhibition, \"Racionais MCs O Quinto Elemento\", both of which opened at its new location. Thus, while the study acknowledges that the institutional contradictions of the Museu das Favelas should be considered, it also concludes that the institution has demonstrated engagement in the process of (re)imagining and valuing the notion of \"favelidade\" through politically and poetically defined representations.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGouveia, Inês CordeiroSilva, Érika Augusta da2025-10-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/31/31131/tde-06012026-121810/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-22T15:19:02Zoai:teses.usp.br:tde-06012026-121810Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-22T15:19:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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