Estudo e prevalência da disfunção intestinal neurogênica em pessoas com lesão medular no Brasil
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-03022025-113717/ |
Resumo: | A disfunção intestinal neurogênica, frequentemente associada à lesão medular, é uma alteração que pode comprometer o controle voluntário, o processo e manejo da eliminação intestinal. Suas repercussões comprometem a saúde, a qualidade de vida e a participação social. No Brasil, estudos e dados estatísticos sobre essas condições são escassos. Este trabalho estudou a disfunção intestinal neurogênica e teve como objetivo estimar sua prevalência e manejo em pessoas com lesão medular atendidas em uma rede brasileira de hospitais de reabilitação. Tratou-se de um estudo quantitativo, transversal, exploratório, descritivo e analítico, com uma amostra representativa, probabilística, aleatória e estratificada das seis unidades da rede participante do estudo, com dados sociodemográficos e clínicos coletados nos prontuários eletrônicos. Participaram 1.056 pessoas com lesão medular, 729 (69,03%) homens e 327 (30,96%) mulheres, provenientes de todas as regiões do Brasil. Entre os participantes 643 (60,89%) apresentavam lesão medular traumática e 413 (39,11%) lesão medular não traumática. A mediana de idade foi de 42 anos (32-55) e a mediana de tempo de lesão foi de 11 anos (6-20). A prevalência da disfunção intestinal neurogênica encontrada na amostra foi de 88%. A análise mostrou que os participantes com lesão medular traumática (625 pessoas, 97,20%) foram mais afetados pela disfunção intestinal neurogênica do que aqueles com lesão medular não traumática (305 pessoas, 73,85%) (p ≤ 0,001, Teste Qui Quadrado). Participantes com lesão medular não traumática apresentaram 2,4 mais chances de constipação do que as com lesão medular traumática (RC = 2,441). A maioria dos participantes com disfunção intestinal neurogênica relatou o uso de manobras conservadoras para o manejo intestinal, com maior proporção no grupo com lesão medular traumática (78,5%) do que no grupo com lesão medular não traumática (57,4%) (p < 0,0001, Teste Qui Quadrado com pós teste de Bonferroni). A continência intestinal foi maior entre os participantes que realizavam manobras conservadoras para o esvaziamento intestinal (p = 0,025, Teste Qui Quadrado). O uso de manobras invasivas estava associado a mais tempo sem apresentar evacuações, ou seja, maior intervalo entre as evacuações (p = 0,008, Teste Qui Quadrado) e presença de problemas perianais (p < 0,0001, Teste Qui Quadrado). As manobras conservadoras apresentaram-se como medida eficaz, segura e com maior adesão para o gerenciamento da disfunção intestinal neurogênica. A altíssima prevalência da disfunção intestinal neurogênica encontrada alerta para a necessidade da existência de um programa de reabilitação intestinal, que priorize as medidas conservadoras em detrimento das invasivas, e considere o tipo da lesão medular (traumática ou não traumática) no seu planejamento. |
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Estudo e prevalência da disfunção intestinal neurogênica em pessoas com lesão medular no BrasilStudy and prevalence of neurogenic bowel dysfunction in people with spinal cord injury in BrazilDisfunção intestinal neurogênicaEnfermagemEpidemiologiaEpidemiologyNeurogenic bowel dysfunctionNursingPrevalencePrevalênciaReabilitaçãoRehabilitationSpinal cord traumaTraumatismos da medula espinhalA disfunção intestinal neurogênica, frequentemente associada à lesão medular, é uma alteração que pode comprometer o controle voluntário, o processo e manejo da eliminação intestinal. Suas repercussões comprometem a saúde, a qualidade de vida e a participação social. No Brasil, estudos e dados estatísticos sobre essas condições são escassos. Este trabalho estudou a disfunção intestinal neurogênica e teve como objetivo estimar sua prevalência e manejo em pessoas com lesão medular atendidas em uma rede brasileira de hospitais de reabilitação. Tratou-se de um estudo quantitativo, transversal, exploratório, descritivo e analítico, com uma amostra representativa, probabilística, aleatória e estratificada das seis unidades da rede participante do estudo, com dados sociodemográficos e clínicos coletados nos prontuários eletrônicos. Participaram 1.056 pessoas com lesão medular, 729 (69,03%) homens e 327 (30,96%) mulheres, provenientes de todas as regiões do Brasil. Entre os participantes 643 (60,89%) apresentavam lesão medular traumática e 413 (39,11%) lesão medular não traumática. A mediana de idade foi de 42 anos (32-55) e a mediana de tempo de lesão foi de 11 anos (6-20). A prevalência da disfunção intestinal neurogênica encontrada na amostra foi de 88%. A análise mostrou que os participantes com lesão medular traumática (625 pessoas, 97,20%) foram mais afetados pela disfunção intestinal neurogênica do que aqueles com lesão medular não traumática (305 pessoas, 73,85%) (p ≤ 0,001, Teste Qui Quadrado). Participantes com lesão medular não traumática apresentaram 2,4 mais chances de constipação do que as com lesão medular traumática (RC = 2,441). A maioria dos participantes com disfunção intestinal neurogênica relatou o uso de manobras conservadoras para o manejo intestinal, com maior proporção no grupo com lesão medular traumática (78,5%) do que no grupo com lesão medular não traumática (57,4%) (p < 0,0001, Teste Qui Quadrado com pós teste de Bonferroni). A continência intestinal foi maior entre os participantes que realizavam manobras conservadoras para o esvaziamento intestinal (p = 0,025, Teste Qui Quadrado). O uso de manobras invasivas estava associado a mais tempo sem apresentar evacuações, ou seja, maior intervalo entre as evacuações (p = 0,008, Teste Qui Quadrado) e presença de problemas perianais (p < 0,0001, Teste Qui Quadrado). As manobras conservadoras apresentaram-se como medida eficaz, segura e com maior adesão para o gerenciamento da disfunção intestinal neurogênica. A altíssima prevalência da disfunção intestinal neurogênica encontrada alerta para a necessidade da existência de um programa de reabilitação intestinal, que priorize as medidas conservadoras em detrimento das invasivas, e considere o tipo da lesão medular (traumática ou não traumática) no seu planejamento.Neurogenic bowel dysfunction, a common impairment in spinal cord injury, is a condition that interferes with the voluntary control of the bowel-emptying process and management. This condition has devastating repercussions on health, quality of life, and participation in social activities. In Brazil, studies and statistical data on the condition are scarce. This paper investigates neurogenic bowel dysfunction, its prevalence, and management in people diagnosed with traumatic spinal cord injury and non-traumatic spinal cord injury who attended a Brazilian network of rehabilitation hospitals. This is a quantitative, cross-sectional, exploratory, descriptive, and analytical study, with a representative, probabilistic, random, and stratified sample of the six units of the rehabilitation hospital network and sociodemographic and clinical data obtained from electronic medical records. The sample consisted of 1056 people with spinal cord injury, 729 (69.03%) men and 327 (30.96%) women, from all regions of Brazil. Among the participants, 643 (60.89%) had traumatic spinal cord injury and 413 (39.11%) had non-traumatic spinal cord injury. The median age was 42 years (32-55), and the median injury time was 11 years (6-20). The prevalence of neurogenic bowel dysfunction found in the sample was 88%. The analysis showed that the participants with traumatic spinal cord injury (625 people, 97.20%) were more affected by neurogenic bowel dysfunction than those with non-traumatic spinal cord injury (305 people, 73.85%) (p ≤ 0.001, Chi-Square test). Participants with non-traumatic spinal cord injury were 2.4 times more likely to have constipation than those with traumatic spinal cord injury (CR=2.441). Most participants with neurogenic bowel dysfunction reported the use of conservative measures for bowel emptying, with a higher proportion in the traumatic spinal cord injury group (78.5%) than in the nontraumatic spinal cord injury group 57.4%) (p<0.0001, Chi-Square test with Bonferroni post hoc test). Fecal continence was higher among participants who performed conservative measures for bowel emptying (p=0.025, Chi-Square test). The use of invasive maneuvers was associated with more time without bowel movements, that is, a longer interval between bowel movements (p=0.008, Chi-Square test) and the presence of perianal problems (p<0.0001, Chi-Square test). Conservative measures were presented as effective, safe, and high-compliance methods for neurogenic bowel dysfunction management. The very high prevalence of neurogenic bowel dysfunction reveals the need for intestinal rehabilitation programs that prioritize conservative measures over invasive measures and consider the type of spinal cord injury (traumatic spinal cord injury and non-traumatic spinal cord injury) during planning.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCastro, Fabiana FaleirosFerreira, Eliz2024-10-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-03022025-113717/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-19T19:21:02Zoai:teses.usp.br:tde-03022025-113717Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-19T19:21:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A disfunção intestinal neurogênica, frequentemente associada à lesão medular, é uma alteração que pode comprometer o controle voluntário, o processo e manejo da eliminação intestinal. Suas repercussões comprometem a saúde, a qualidade de vida e a participação social. No Brasil, estudos e dados estatísticos sobre essas condições são escassos. Este trabalho estudou a disfunção intestinal neurogênica e teve como objetivo estimar sua prevalência e manejo em pessoas com lesão medular atendidas em uma rede brasileira de hospitais de reabilitação. Tratou-se de um estudo quantitativo, transversal, exploratório, descritivo e analítico, com uma amostra representativa, probabilística, aleatória e estratificada das seis unidades da rede participante do estudo, com dados sociodemográficos e clínicos coletados nos prontuários eletrônicos. Participaram 1.056 pessoas com lesão medular, 729 (69,03%) homens e 327 (30,96%) mulheres, provenientes de todas as regiões do Brasil. Entre os participantes 643 (60,89%) apresentavam lesão medular traumática e 413 (39,11%) lesão medular não traumática. A mediana de idade foi de 42 anos (32-55) e a mediana de tempo de lesão foi de 11 anos (6-20). A prevalência da disfunção intestinal neurogênica encontrada na amostra foi de 88%. A análise mostrou que os participantes com lesão medular traumática (625 pessoas, 97,20%) foram mais afetados pela disfunção intestinal neurogênica do que aqueles com lesão medular não traumática (305 pessoas, 73,85%) (p ≤ 0,001, Teste Qui Quadrado). Participantes com lesão medular não traumática apresentaram 2,4 mais chances de constipação do que as com lesão medular traumática (RC = 2,441). A maioria dos participantes com disfunção intestinal neurogênica relatou o uso de manobras conservadoras para o manejo intestinal, com maior proporção no grupo com lesão medular traumática (78,5%) do que no grupo com lesão medular não traumática (57,4%) (p < 0,0001, Teste Qui Quadrado com pós teste de Bonferroni). A continência intestinal foi maior entre os participantes que realizavam manobras conservadoras para o esvaziamento intestinal (p = 0,025, Teste Qui Quadrado). O uso de manobras invasivas estava associado a mais tempo sem apresentar evacuações, ou seja, maior intervalo entre as evacuações (p = 0,008, Teste Qui Quadrado) e presença de problemas perianais (p < 0,0001, Teste Qui Quadrado). As manobras conservadoras apresentaram-se como medida eficaz, segura e com maior adesão para o gerenciamento da disfunção intestinal neurogênica. A altíssima prevalência da disfunção intestinal neurogênica encontrada alerta para a necessidade da existência de um programa de reabilitação intestinal, que priorize as medidas conservadoras em detrimento das invasivas, e considere o tipo da lesão medular (traumática ou não traumática) no seu planejamento. |
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