Sem lenço e sem documento: o contexto da securitização da migração e a performatividade do Estado peruano na maximização da precariedade das vidas venezuelanas, do deslocamento à permanência, entre 2018 e 2022

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Corrêa, Mariana Almeida Silveira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/101/101131/tde-25032025-192706/
Resumo: Esta tese analisa de que forma a performatividade do Estado peruano no contexto da securitização da migração maximizou a precariedade das vidas dos venezuelanos ao longo das várias fases de seu deslocamento forçado (saída, trânsito, chegada e instalação) e da sua permanência no Peru entre 2018 e 2022. A securitização da migração é um fenômeno recente na América do Sul, considerando o período de redemocratização, a partir da década 1990, quando a região se projetava como humanitária no cenário internacional. Sob os pilares dos direitos humanos, os países da região, incluindo o Peru, incorporaram em suas legislações a definição expandida de refugiado estabelecida na Declaração de Cartagena. No entanto, o grande fluxo de venezuelanos não recebeu a proteção prevista por essas normativas. Além disso, a partir de 2018, os Estados peruano, chileno e equatoriano começaram a performar a securitização da migração por meio de discursos anti-migração e medidas de não entrada, como a da exigência de passaporte e visto. Uma vez no território do Peru, o país dificultou a regularização dos venezuelanos e seu acesso ao trabalho formal. Assim, é analisado todo o percurso realizado pelos refugiados desde a Venezuela até o Peru e como os Estados de trânsito e de destino performaram na maximização da precariedade de suas vidas. Depois, examina-se como, uma vez em território peruano, o Estado performou na maximização da precariedade das vidas venezuelanas. Nesta tese, são centrais a teoria da securitização da migração incluindo a performatividade do silêncio e a teoria de Butler (2015; 2019) de vidas precárias, vidas que importam e vidas passíveis de luto. A metodologia adotada é a da história de vida com a utilização das técnicas de observação participante e entrevistas semiestruturadas. A pesquisa de campo foi realizada entre os meses de abril e junho de 2022, em Lima e Tumbes, no Peru. Além disso, os dados obtidos foram triangulados com a análise documental de instrumentos jurídicos, relatórios de organizações internacionais e organizações não governamentais e notícias dos principais jornais peruanos e internacionais. Conclui-se que o documento foi a principal forma de maximização da precariedade e discriminação dos venezuelanos durante todo o deslocamento e a permanência no Peru. A ausência de passaporte e visto deixou os indivíduos vulneráveis a inúmeras violências durante o trânsito, situação que foi exacerbada durante a pandemia, quando as fronteiras estiveram fechadas. Os Estados (Peru, Equador e Colômbia) performaram o silêncio ao deixar os refugiados para morrer durante o deslocamento e no cruzamento de fronteiras. Em território peruano, o Estado também performou o silêncio, inúmeras vezes, deixando-os indocumentados e sem apoio governamental. Ademais, a performatividade da securitização da migração ocorreu na adoção de medidas ad hoc e por atos de fala que colocavam os venezuelanos como ameaças à segurança e à ordem, reforçando a xenofobia. Por fim, a tese realça a desigualdade na maximização da precariedade entre os refugiados em função da interseccionalidade de gênero, de condições socioeconômicas, escolaridade, idade, período de deslocamento, meio de transporte e acompanhantes.
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A securitização da migração é um fenômeno recente na América do Sul, considerando o período de redemocratização, a partir da década 1990, quando a região se projetava como humanitária no cenário internacional. Sob os pilares dos direitos humanos, os países da região, incluindo o Peru, incorporaram em suas legislações a definição expandida de refugiado estabelecida na Declaração de Cartagena. No entanto, o grande fluxo de venezuelanos não recebeu a proteção prevista por essas normativas. Além disso, a partir de 2018, os Estados peruano, chileno e equatoriano começaram a performar a securitização da migração por meio de discursos anti-migração e medidas de não entrada, como a da exigência de passaporte e visto. Uma vez no território do Peru, o país dificultou a regularização dos venezuelanos e seu acesso ao trabalho formal. Assim, é analisado todo o percurso realizado pelos refugiados desde a Venezuela até o Peru e como os Estados de trânsito e de destino performaram na maximização da precariedade de suas vidas. Depois, examina-se como, uma vez em território peruano, o Estado performou na maximização da precariedade das vidas venezuelanas. Nesta tese, são centrais a teoria da securitização da migração incluindo a performatividade do silêncio e a teoria de Butler (2015; 2019) de vidas precárias, vidas que importam e vidas passíveis de luto. A metodologia adotada é a da história de vida com a utilização das técnicas de observação participante e entrevistas semiestruturadas. A pesquisa de campo foi realizada entre os meses de abril e junho de 2022, em Lima e Tumbes, no Peru. Além disso, os dados obtidos foram triangulados com a análise documental de instrumentos jurídicos, relatórios de organizações internacionais e organizações não governamentais e notícias dos principais jornais peruanos e internacionais. Conclui-se que o documento foi a principal forma de maximização da precariedade e discriminação dos venezuelanos durante todo o deslocamento e a permanência no Peru. A ausência de passaporte e visto deixou os indivíduos vulneráveis a inúmeras violências durante o trânsito, situação que foi exacerbada durante a pandemia, quando as fronteiras estiveram fechadas. Os Estados (Peru, Equador e Colômbia) performaram o silêncio ao deixar os refugiados para morrer durante o deslocamento e no cruzamento de fronteiras. Em território peruano, o Estado também performou o silêncio, inúmeras vezes, deixando-os indocumentados e sem apoio governamental. Ademais, a performatividade da securitização da migração ocorreu na adoção de medidas ad hoc e por atos de fala que colocavam os venezuelanos como ameaças à segurança e à ordem, reforçando a xenofobia. Por fim, a tese realça a desigualdade na maximização da precariedade entre os refugiados em função da interseccionalidade de gênero, de condições socioeconômicas, escolaridade, idade, período de deslocamento, meio de transporte e acompanhantes.This dissertation analyzes how the performativity of the Peruvian State, in the context of the securitization of migration, maximized the precariousness of Venezuelans lives throughout the various phases of forced displacement (departure, transit, arrival, and settlement) and their permanence in Peru between 2018 and 2022. The securitization of migration is a recent phenomenon in South America, considering the period of redemocratization, starting in the 1990s, when the region positioned itself as a humanitarian region in the international scenario. Under the pillars of human rights, the countries of the region, including Peru, incorporated the expanded definition of refugees established in the Cartagena Declaration of 1984 into their legislation. However, the large influx of Venezuelans did not receive the protection provided for by these norms, except for Brazil. Furthermore, since 2018, the Peruvian, Chilean, and Ecuadorian States have begun to perform the securitization of migration through anti-migration speeches and non-entry measures, such as passport and visa requirements. Once in Peruvian territory, the country made it difficult for Venezuelans to regularize their status and access formal employment. Thus, the dissertation analyzes the entire journey taken by the refugees from Venezuela to Peru and how the transit and destination States performed in maximizing of the precariousness of their lives. This dissertation focuses on the theory of the securitization of migration, including the performativity of silence, and Butler\'s (2015; 2019) theory on the precariousness of life, lives that matter, and lives that are mourned. The methodology adopted is the life story, utilizing participant observation and semi-structured interview techniques. The field research was conducted between April and June 2022 in Lima and Tumbes, Peru. Additionally, the data obtained were triangulated with the documentary analysis of legal instruments, reports from international organizations and non-governmental organizations, and news from major Peruvian and international newspapers. It is concluded that documentation was the principal means of maximizing the precariousness of Venezuelans and discriminating against them during their displacement and permanence in Peru. The absence of passports and visas left individuals vulnerable to various forms of violence during transit, a situation exacerbated during the pandemic when borders were closed. The States (Peru, Ecuador, and Colombia) performed silence by allowing the refugees to die during transit and border crossings. In Peruvian territory, the State often performed silence, leaving them undocumented and without governmental support. Furthermore, the performativity of securitization of migration also manifested in the adoption of ad hoc measures and speech acts that portrayed Venezuelans as threats to security and order, reinforcing xenophobia. In conclusion, this dissertation highlights the inequality in maximizing precariousness among refugees by examining the intersectionality of gender, socioeconomic conditions, education, age, displacement period, means of transportation, and companions.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDallari, Pedro Bohomoletz de AbreuCorrêa, Mariana Almeida Silveira2024-11-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/101/101131/tde-25032025-192706/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-24T14:59:02Zoai:teses.usp.br:tde-25032025-192706Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-24T14:59:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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