Memórias e escrevivência: trajetórias de mulheres negras no ambiente escolar
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-22012025-144652/ |
Resumo: | A presente pesquisa, de cunho qualitativo e tendo por base a abordagem narrativa e os estudos biográficos, desenvolveu-se em uma escola municipal da Zona Oeste de São Paulo, onde a pesquisadora atuava como professora. Foram realizadas oito entrevistas semiestruturadas com mulheres negras que faziam parte daquele espaço em diferentes posições: alunas, professoras, gestoras, funcionárias da cozinha e da limpeza, auxiliar de vida escolar (AVE). Ao olharmos para as relações vividas e narradas, buscamos entender de que maneira os conceitos de raça e gênero se interseccionam em suas experiências no ambiente escolar e de que forma as hierarquizações e preconceitos surgidos aí interferiam nos seus processos de subjetivação e, no caso das alunas, também em sua formação acadêmica. Para uma abordagem mais ampla desse contexto, entrevistamos também exalunas, por entender que o olhar delas, estando então fora da escola, trazia outras reflexões para os processos ali vividos. No processo de análise das entrevistas, demos atenção especial às histórias de vida e à produção de narrativas. A partir da interpretação do material produzido, pudemos concluir que a presença das adultas negras na escola, sobretudo as funcionárias terceirizadas, pode ser considerada a partir de dois fatores importantes: a estrutura escolar reproduz as heranças escravocratas da sociedade brasileira, criando um ambiente hostil para pessoas negras; apesar disso, as mulheres negras, de maneira não organizada, criam uma teia de acolhimento das narrativas de experiências negativas, auxiliando no desenvolvimento da subjetividade das alunas na escola. Nossa abordagem teórica está apoiada principalmente no pensamento históricocultural de Vigotski e na teoria da intersecção (gênero e raça) na experiência social / pessoal do preconceito. Nesse sentido, trouxemos para discussão as reflexões teóricas de mulheres negras que, pelo processo de exclusão, têm suas pesquisas muitas vezes reduzidas na academia, tais como: Angela Davis, bell hooks, Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, Conceição Evaristo, Cida Bento, entre outras. Apoiamo-nos, sobretudo, na produção literária e acadêmica de Conceição Evaristo para a criação de uma teia, uma costura coletiva entre as histórias de vida das mulheres entrevistadas, da pesquisadora e das teóricas negras que dão suporte a esta pesquisa, entendendo que as histórias negras se contam a partir de uma perspectiva coletiva, uma escrevivência conjunta. |
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Memórias e escrevivência: trajetórias de mulheres negras no ambiente escolarMemories and writexperiencing: black women\'s trajectories in the school environmentRaça; Gênero; Educação para as relações étnicoraciais; Subjetividade; EscrevivênciaRace; Gender; Education for ethnic-racial relations; Subjectivity; WritexperiencingA presente pesquisa, de cunho qualitativo e tendo por base a abordagem narrativa e os estudos biográficos, desenvolveu-se em uma escola municipal da Zona Oeste de São Paulo, onde a pesquisadora atuava como professora. Foram realizadas oito entrevistas semiestruturadas com mulheres negras que faziam parte daquele espaço em diferentes posições: alunas, professoras, gestoras, funcionárias da cozinha e da limpeza, auxiliar de vida escolar (AVE). Ao olharmos para as relações vividas e narradas, buscamos entender de que maneira os conceitos de raça e gênero se interseccionam em suas experiências no ambiente escolar e de que forma as hierarquizações e preconceitos surgidos aí interferiam nos seus processos de subjetivação e, no caso das alunas, também em sua formação acadêmica. Para uma abordagem mais ampla desse contexto, entrevistamos também exalunas, por entender que o olhar delas, estando então fora da escola, trazia outras reflexões para os processos ali vividos. No processo de análise das entrevistas, demos atenção especial às histórias de vida e à produção de narrativas. A partir da interpretação do material produzido, pudemos concluir que a presença das adultas negras na escola, sobretudo as funcionárias terceirizadas, pode ser considerada a partir de dois fatores importantes: a estrutura escolar reproduz as heranças escravocratas da sociedade brasileira, criando um ambiente hostil para pessoas negras; apesar disso, as mulheres negras, de maneira não organizada, criam uma teia de acolhimento das narrativas de experiências negativas, auxiliando no desenvolvimento da subjetividade das alunas na escola. Nossa abordagem teórica está apoiada principalmente no pensamento históricocultural de Vigotski e na teoria da intersecção (gênero e raça) na experiência social / pessoal do preconceito. Nesse sentido, trouxemos para discussão as reflexões teóricas de mulheres negras que, pelo processo de exclusão, têm suas pesquisas muitas vezes reduzidas na academia, tais como: Angela Davis, bell hooks, Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, Conceição Evaristo, Cida Bento, entre outras. Apoiamo-nos, sobretudo, na produção literária e acadêmica de Conceição Evaristo para a criação de uma teia, uma costura coletiva entre as histórias de vida das mulheres entrevistadas, da pesquisadora e das teóricas negras que dão suporte a esta pesquisa, entendendo que as histórias negras se contam a partir de uma perspectiva coletiva, uma escrevivência conjunta.This qualitative research, based on narrative approach and biographical studies, took place in a municipal school in the West Zone of São Paulo where the researcher used to work as a teacher. Eight semi-structured interviews were conducted with Black women who were part of that space in different positions: students, teachers, headmasters, kitchen and cleaning staff, school life assistants (AVE). By looking at the relationships they experienced and narrated, we sought to understand how the concepts of race and gender intersect in their experiences in the school environment and how the hierarchies and prejudices that arise there interfered in their processes of subjectivation and, in the case of the students, also in their academic formation. In order to take a broader approach to this context, we also interviewed former students, as we believe that their perspective, now outside the school, brings other reflections to the processes experienced there. In the process of analysing the interviews, we paid special attention to life stories and the production of narratives. From the interpretation of the material produced, we concluded that the presence of Black adults women in the school, especially from outsourced staff, can be understood through two important factors: the school structure reproduces the legacy of slavery in Brazilian society, creating a hostile environment for Black people; despite this, Black women, in an unorganized manner, create a network for welcoming the narratives of negative experiences, helping in the development of the students\' subjectivity in the school. Our theoretical approach is based mainly on Vygotsky\'s cultural-historical thinking and the theory of intersection (gender and race) in the social/personal experience of prejudice. In this sense, we bring to discussion theoretical reflections of black women who, due to the process of exclusion, often have their research reduced in academia, such as: Angela Davis, bell hooks, Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, Conceição Evaristo, Cida Bento and others. Above all, we rely on the literary and academic production of Conceição Evaristo to create a web, a collective seam between the life stories of the women interviewed, the researcher and the black theorists who support this research, understanding that black stories are told from a collective perspective, a joint writexperiencing.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBraga, Elizabeth dos SantosKanouté, Terená Bueno2024-11-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-22012025-144652/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-28T13:51:02Zoai:teses.usp.br:tde-22012025-144652Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-28T13:51:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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