Comparação entre os níveis de leptina, adiponectina e mediadores inflamatórios em pacientes com COVID-19 com e sem obesidade
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-04092025-100553/ |
Resumo: | Introdução: A COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, surgiu no final de 2019 na cidade de Wuhan na China, e rapidamente atingiu o mundo, sendo declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020. O vírus é pertencente à família dos coronavírus e é responsável por uma ampla gama de manifestações clínicas, desde infecções assintomáticas até casos graves da doença e óbito. A COVID-19 impacta o metabolismo de adipocinas, substâncias bioativas secretadas pelo tecido adiposo que regulam diversos processos metabólicos, inflamatórios e imunológicos. A doença é capaz de estimular uma resposta inflamatória exacerbada e desregular a liberação de hormônios pelo tecido adiposo. Esse desajuste favorece um estado pró-inflamatório e alterações no sistema imunológico, contribuindo para a gravidade da doença. A leptina, é uma adipocina que promove a ativação de macrófagos e aumenta a liberação de citocinas pró-inflamatórias. Esse efeito pode intensificar a chamada \"tempestade de citocinas\", uma resposta inflamatória exacerbada associada às formas graves de COVID-19. Já a adiponectina modula a inflamação e protege contra disfunções endoteliais e metabólicas na COVID-19. Estudos indicam que níveis diminuídos desta podem estar associados à maior gravidade da COVID-19, já que a sua redução pode favorecer a disfunção pulmonar, a resposta imune desregulada e o risco aumentado de complicações trombóticas, comuns em pacientes graves com COVID-19. Entre os principais fatores de risco para complicações da doença a obesidade se destaca. O tecido adiposo expressa altos níveis da Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ECA2), receptor celular utilizado pelo SARS-CoV-2 para infectar células humanas, o que pode tornar indivíduos com obesidade mais vulneráveis à infecção e replicação viral. A obesidade é uma doença que promove um estado inflamatório crônico de baixo grau, caracterizado pelo aumento da secreção de citocinas pró-inflamatória e pela redução de mediadores anti-inflamatórios. A resistência à leptina, comum em indivíduos com obesidade, pode comprometer a regulação da resposta imune, em que os níveis elevados desta contribuem para um estado inflamatório persistente, pois estimula a liberação de citocinas inflamatórias. Já a adiponectina, que tem efeitos anti-inflamatórios e sensibilizadores à insulina, encontra-se reduzida em indivíduos com obesidade. Esse desequilíbrio entre leptina, adiponectina e outro mediadores inflamatórios favorece a hiperativação do sistema imune inato, intensificando o processo inflamatório e contribuindo para a gravidade da COVID-19. Objetivo: Comparar os níveis plasmáticos de leptina, adiponectina, quimiocinas, citocinas pró e anti-inflamatórias e fatores de crescimento em pacientes com COVID-19 com e sem obesidade, bem como em indivíduos controles com e sem obesidade. Método: Estudo transversal quantitativo que incluiu pacientes com diagnóstico de COVID-19, com e sem obesidade, que necessitaram de internação em UTI entre abril e setembro de 2020. Também foi incluído um grupo controle composto por indivíduos com e sem obesidade e sem COVID-19. Amostras sanguíneas foram coletadas e analisadas para dosagem de biomarcadores inflamatórios e adipocinas. As análises foram realizadas por ensaio imunoenzimático (ELISA) e pelo sistema Luminex. Para comparação das variáveis quantitativas clínicas e laboratoriais entre os pacientes com COVID-19 com obesidade e sem obesidade foi utilizado o teste T de Student para amostras independentes e o teste exato de Fisher para as variáveis qualitativas. Para comparação das dosagens de leptina, adiponectina e mediadores inflamatórios foi utilizado o teste de Mann-Whitney. Resultados: Pacientes com obesidade e COVID-19 apresentaram níveis significativamente mais elevados de leptina e mediadores inflamatórios, enquanto os níveis de adiponectina foram menores em comparação aos pacientes sem obesidade. Além disso, observou-se que pacientes com COVID-19 e obesidade apresentaram alterações metabólicas e inflamatórias mais pronunciadas. Conclusão: Os achados reforçam o desequilíbrio nas adipocinas e estado inflamatório crônico que ocorrem na obesidade e que podem gerar desfechos clínicos desfavoráveis e contribuir como agravante na COVID-19. |
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Comparação entre os níveis de leptina, adiponectina e mediadores inflamatórios em pacientes com COVID-19 com e sem obesidadeComparison between leptin, adiponectin and inflammatory mediator levels in COVID-19 patients with and without obesityAdiponectinAdiponectinaCOVID-19COVID-19Inflammatory mediators,ObesityIntensive care unitLeptinLeptinaMediadores inflamatóriosObesidadeUnidade de terapia intensivaIntrodução: A COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, surgiu no final de 2019 na cidade de Wuhan na China, e rapidamente atingiu o mundo, sendo declarada pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020. O vírus é pertencente à família dos coronavírus e é responsável por uma ampla gama de manifestações clínicas, desde infecções assintomáticas até casos graves da doença e óbito. A COVID-19 impacta o metabolismo de adipocinas, substâncias bioativas secretadas pelo tecido adiposo que regulam diversos processos metabólicos, inflamatórios e imunológicos. A doença é capaz de estimular uma resposta inflamatória exacerbada e desregular a liberação de hormônios pelo tecido adiposo. Esse desajuste favorece um estado pró-inflamatório e alterações no sistema imunológico, contribuindo para a gravidade da doença. A leptina, é uma adipocina que promove a ativação de macrófagos e aumenta a liberação de citocinas pró-inflamatórias. Esse efeito pode intensificar a chamada \"tempestade de citocinas\", uma resposta inflamatória exacerbada associada às formas graves de COVID-19. Já a adiponectina modula a inflamação e protege contra disfunções endoteliais e metabólicas na COVID-19. Estudos indicam que níveis diminuídos desta podem estar associados à maior gravidade da COVID-19, já que a sua redução pode favorecer a disfunção pulmonar, a resposta imune desregulada e o risco aumentado de complicações trombóticas, comuns em pacientes graves com COVID-19. Entre os principais fatores de risco para complicações da doença a obesidade se destaca. O tecido adiposo expressa altos níveis da Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ECA2), receptor celular utilizado pelo SARS-CoV-2 para infectar células humanas, o que pode tornar indivíduos com obesidade mais vulneráveis à infecção e replicação viral. A obesidade é uma doença que promove um estado inflamatório crônico de baixo grau, caracterizado pelo aumento da secreção de citocinas pró-inflamatória e pela redução de mediadores anti-inflamatórios. A resistência à leptina, comum em indivíduos com obesidade, pode comprometer a regulação da resposta imune, em que os níveis elevados desta contribuem para um estado inflamatório persistente, pois estimula a liberação de citocinas inflamatórias. Já a adiponectina, que tem efeitos anti-inflamatórios e sensibilizadores à insulina, encontra-se reduzida em indivíduos com obesidade. Esse desequilíbrio entre leptina, adiponectina e outro mediadores inflamatórios favorece a hiperativação do sistema imune inato, intensificando o processo inflamatório e contribuindo para a gravidade da COVID-19. Objetivo: Comparar os níveis plasmáticos de leptina, adiponectina, quimiocinas, citocinas pró e anti-inflamatórias e fatores de crescimento em pacientes com COVID-19 com e sem obesidade, bem como em indivíduos controles com e sem obesidade. Método: Estudo transversal quantitativo que incluiu pacientes com diagnóstico de COVID-19, com e sem obesidade, que necessitaram de internação em UTI entre abril e setembro de 2020. Também foi incluído um grupo controle composto por indivíduos com e sem obesidade e sem COVID-19. Amostras sanguíneas foram coletadas e analisadas para dosagem de biomarcadores inflamatórios e adipocinas. As análises foram realizadas por ensaio imunoenzimático (ELISA) e pelo sistema Luminex. Para comparação das variáveis quantitativas clínicas e laboratoriais entre os pacientes com COVID-19 com obesidade e sem obesidade foi utilizado o teste T de Student para amostras independentes e o teste exato de Fisher para as variáveis qualitativas. Para comparação das dosagens de leptina, adiponectina e mediadores inflamatórios foi utilizado o teste de Mann-Whitney. Resultados: Pacientes com obesidade e COVID-19 apresentaram níveis significativamente mais elevados de leptina e mediadores inflamatórios, enquanto os níveis de adiponectina foram menores em comparação aos pacientes sem obesidade. Além disso, observou-se que pacientes com COVID-19 e obesidade apresentaram alterações metabólicas e inflamatórias mais pronunciadas. Conclusão: Os achados reforçam o desequilíbrio nas adipocinas e estado inflamatório crônico que ocorrem na obesidade e que podem gerar desfechos clínicos desfavoráveis e contribuir como agravante na COVID-19.Introduction: COVID-19, caused by the SARS-CoV-2 virus, emerged in late 2019 in the city of Wuhan, China, and quickly spread worldwide, being declared a pandemic by the World Health Organization (WHO) in March 2020. The virus belongs to the coronavirus family and is responsible for a wide range of clinical manifestations, from asymptomatic infections to severe cases of the disease and death. COVID-19 impacts the metabolism of adipokines, bioactive substances secreted by adipose tissue that regulate several metabolic, inflammatory, and immunological processes. The disease is capable of stimulating an exacerbated inflammatory response and dysregulating the release of hormones by adipose tissue. This imbalance favors a pro-inflammatory state and changes in the immune system, contributing to the severity of the disease. Leptin is an adipokine that promotes the activation of macrophages and increases the release of pro-inflammatory cytokines. This effect may intensify the so-called \"cytokine storm\", an exacerbated inflammatory response associated with severe forms of COVID-19. Adiponectin modulates inflammation and protects against endothelial and metabolic dysfunctions in COVID-19. Studies indicate that decreased levels of this may be associated with greater severity of COVID-19, since its reduction may favor pulmonary dysfunction, dysregulated immune response and increased risk of thrombotic complications, common in severe patients with COVID-19. Among the main risk factors for complications of the disease, obesity stands out. Adipose tissue expresses high levels of Angiotensin Converting Enzyme 2 (ACE2), a cellular receptor used by SARS-CoV-2 to infect human cells, which may make obese individuals more vulnerable to infection and viral replication. Obesity is a disease that promotes a chronic low-grade inflammatory state, characterized by increased secretion of pro-inflammatory cytokines and reduced anti-inflammatory mediators. Leptin resistance, common in obese individuals, can compromise the regulation of the immune response, in which high levels of leptin contribute to a persistent inflammatory state, as it stimulates the release of inflammatory cytokines. Adiponectin, which has anti-inflammatory and insulin-sensitizing effects, is reduced in obese individuals. This imbalance between leptin, adiponectin, and other inflammatory mediators favors the hyperactivation of the innate immune system, intensifying the inflammatory process and contributing to the severity of COVID-19. Objective: To compare plasma levels of leptin, adiponectin, chemokines, pro- and anti-inflammatory cytokines, and growth factors in patients with COVID-19 with and without obesity, as well as in control individuals with and without obesity. Method: Quantitative cross-sectional study included patients diagnosed with COVID-19, with and without obesity, who required ICU admission between April to September 2020. A control group composed of individuals with and without obesity and without COVID-19 was also included. Blood samples were collected and analyzed for inflammatory biomarkers and adipokines. Analyses were performed by enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA) and the Luminex system. To compare quantitative clinical and laboratory variables between obese and non-obese COVID-19 patients, Student\'s t-test was used for independent samples and Fisher\'s exact test for qualitative variables. To compare leptin, adiponectin and inflammatory mediator levels, the Mann-Whitney test was used. Results: Patients with obesity and COVID-19 had significantly higher levels of leptin and inflammatory mediators, while adiponectin levels were lower compared to patients without obesity. In addition, it was observed that patients with COVID-19 and obesity had more pronounced metabolic and inflammatory alterations. Conclusion: The findings reinforce the imbalance in adipokines and chronic inflammatory state that occur in obesity and that can generate unfavorable clinical outcomes and contribute as an aggravating factor in COVID-19.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMenegueti, Mayra GonçalvesHeck, Letícia Olandin2025-06-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-04092025-100553/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-05T14:21:02Zoai:teses.usp.br:tde-04092025-100553Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-05T14:21:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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