Caracterização funcional e fisiológica das novas variantes da enzima Aldeído Desidrogenase 1B1

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Albuquerque, Rudá Prestes e
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42134/tde-17042025-115433/
Resumo: Aldeídos são moléculas altamente reativas em sistemas biológicos, onde causam prejuízos funcionais ao DNA e proteínas. A primeira linha de defesa contra este ataque se dá pela oxidação destas moléculas a ácidos carboxílicos, catalisada pelas enzimas da superfamília das Aldeído Desidrogenases (ALDH). Dentre os 19 genes humanos de ALDHs, ALDH2 se destaca como a enzima mais bem caracterizada, cumprindo um papel central na defesa antioxidante mitocondrial contra compostos tóxicos como o 4-hidróxido-2-nonenal e acetaldeído. O gene humano de ALDH2 é alvo de uma mutação não sinônima (E504K) muito frequente na população leste-asiática, que implica em uma redução drástica em sua atividade, responsável pelo desenvolvimento de uma resposta adversa severa ao consumo de álcool, doenças cardiovasculares e câncer. Ao longo da evolução dos cordados, o gene de ALDH2 sofreu uma duplicação gerando ALDH1B1, mas esta segunda proteína ainda permanece pouco caracterizada. Estudos de sequenciamento genômico de larga escala identificaram muitas mutações não sinônimas com frequências populacionais muito altas no gene de ALDH1B1, mas seus efeitos na função proteica e na homeostase do organismo permanecem desconhecidos. Assim, decidimos caracterizar as consequências funcionais e fisiológicas destas novas mutações. Com animais transgênicos deficientes na atividade de ALDH2, ALDH1B1 ou de ambas, fizemos um teste comportamental após uma dose aguda de etanol e observamos que, na ausência da atividade de ALDH2, ALDH1B1 medeia a resposta de detoxificação ao álcool. Dada a importância de ALDH1B1 nestes indivíduos, realizamos a expressão e purificação de ALDH1B1 recombinante com cada uma das sete mutações não sinônimas mais comuns em populações humanas. Nossos testes in-vitro verificaram a existência de prejuízos catalíticos e de estabilidade em diferentes magnitudes, mas até então não havia nenhuma intervenção farmacológica existente capaz de reverter este quadro. Desta forma, realizamos um screening molecular com 193 compostos e identificamos três ativadores para esta enzima. Apesar de funcionar na proteína recombinante isolada, o melhor ativador não foi capaz de minimizar o dano celular causado pelo estresse de aldeídos em diferentes modelos experimentais. Mesmo assim, o conhecimento gerado poderá ser usado para o desenvolvimento de novos ativadores baseando-se na estrutura química dos compostos identificados, que poderão ser úteis na determinação do envolvimento de ALDH1B1 em outros modelos de doenças ou como alternativa terapêutica para milhões de pacientes acometidos por doenças relacionadas ao estresse de aldeídos. Em suma, conseguimos demonstrar experimentalmente que ALDH1B1 cumpre um papel fisiológico importante na compensação da mutação ALDH2 E504K, e que mutações comuns em ALDH1B1 provocam prejuízo a sua função. Estes resultados podem ajudar a explicar a diferença na penetrância e severidade de muitas doenças envolvidas com a mutação em ALDH2, e colocam ALDH1B1 como um alvo promissor para a mitigação do estresse oxidativo nestes indivíduos.
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O gene humano de ALDH2 é alvo de uma mutação não sinônima (E504K) muito frequente na população leste-asiática, que implica em uma redução drástica em sua atividade, responsável pelo desenvolvimento de uma resposta adversa severa ao consumo de álcool, doenças cardiovasculares e câncer. Ao longo da evolução dos cordados, o gene de ALDH2 sofreu uma duplicação gerando ALDH1B1, mas esta segunda proteína ainda permanece pouco caracterizada. Estudos de sequenciamento genômico de larga escala identificaram muitas mutações não sinônimas com frequências populacionais muito altas no gene de ALDH1B1, mas seus efeitos na função proteica e na homeostase do organismo permanecem desconhecidos. Assim, decidimos caracterizar as consequências funcionais e fisiológicas destas novas mutações. Com animais transgênicos deficientes na atividade de ALDH2, ALDH1B1 ou de ambas, fizemos um teste comportamental após uma dose aguda de etanol e observamos que, na ausência da atividade de ALDH2, ALDH1B1 medeia a resposta de detoxificação ao álcool. Dada a importância de ALDH1B1 nestes indivíduos, realizamos a expressão e purificação de ALDH1B1 recombinante com cada uma das sete mutações não sinônimas mais comuns em populações humanas. Nossos testes in-vitro verificaram a existência de prejuízos catalíticos e de estabilidade em diferentes magnitudes, mas até então não havia nenhuma intervenção farmacológica existente capaz de reverter este quadro. Desta forma, realizamos um screening molecular com 193 compostos e identificamos três ativadores para esta enzima. Apesar de funcionar na proteína recombinante isolada, o melhor ativador não foi capaz de minimizar o dano celular causado pelo estresse de aldeídos em diferentes modelos experimentais. Mesmo assim, o conhecimento gerado poderá ser usado para o desenvolvimento de novos ativadores baseando-se na estrutura química dos compostos identificados, que poderão ser úteis na determinação do envolvimento de ALDH1B1 em outros modelos de doenças ou como alternativa terapêutica para milhões de pacientes acometidos por doenças relacionadas ao estresse de aldeídos. Em suma, conseguimos demonstrar experimentalmente que ALDH1B1 cumpre um papel fisiológico importante na compensação da mutação ALDH2 E504K, e que mutações comuns em ALDH1B1 provocam prejuízo a sua função. Estes resultados podem ajudar a explicar a diferença na penetrância e severidade de muitas doenças envolvidas com a mutação em ALDH2, e colocam ALDH1B1 como um alvo promissor para a mitigação do estresse oxidativo nestes indivíduos.Aldehydes are highly reactive molecules inside biological systems, where they cause functional impairment to DNA and proteins. The first line of defense against such strike relies on the oxidation of aldehydes to carboxylic acids, catalyzed by enzymes from the aldehyde dehydrogenase superfamily (ALDH). Among the 19 human ALDHs, ALDH2 stands out as the most extensively characterized enzyme, playing a central role in mitochondrial antioxidant defense against toxic compounds such as 4-Hydroxy-2-nonenal and acetaldehyde. The human gene for ALDH2 harbors an inactivating mutation E504K (named ALDH2*2) common in East-Asians, responsible for adverse reactions after alcohol consumption, cardiovascular disease and cancer. During Chordates evolution, ALDH2 gene was duplicated giving rise to ALDH1B1, which is still mainly uncharacterized. Large-scale sequencing studies have identified several non-synonymous mutations with high frequencies and so far unknown consequences for protein function and organism homeostasis. Herein, we decided to characterize ALDH1B1s physiological role and the biological consequences of such mutations. With transgenic mice lacking the activity of ALDH2, ALDH1B1 or both, we performed a behavioral test after acute ethanol consumption and observed that in the absence of ALDH2 activity, ALDH1B1 mediates alcohol detoxification response. Given the importance of ALDH1B1 in these individuals, we have expressed and purified the recombinant enzyme with the seven most frequent ALDH1B1 non-synonymous mutations (R107L, A86V, V253M, V176I, G193Fs, G388Fs, V470A) to better characterize the functional consequences of those amino acid changes. Our in-vitro results have shown different levels of catalytic and stability jeopardy caused by these mutations, but so far, no pharmacological intervention existed capable of reverting such impacts. Thus, we performed a molecular screening using a collection of 193 molecules and identified three activators for this enzyme. Despite working very well in the isolated recombinant protein, our best activator was unable to minimize cell death under different models of aldehydic stress. Still, the knowledge produced here can be used to develop novel activators through Structure Activity Relationship assays (SAR), which will be a useful tool for identifying the role of ALDH1B1 in other disease models and can also be a therapeutic option for millions of patients under aldehydic-stress-related diseases worldwide. In brief we were able to show experimentally that ALDH1B1 plays a physiological role of compensation for the east-Asian ALDH2*2 mutation, and that common ALDH1B1 human mutations cause jeopardy to its activity. These results might explain the variability in the outcome of many diseases in ALDH2*2 allele carriers and put ALDH1B1 as an interesting target for oxidative stress mitigation in these individuals.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFerreira, Julio Cesar BatistaAlbuquerque, Rudá Prestes e2024-12-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42134/tde-17042025-115433/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-23T19:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-17042025-115433Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-23T19:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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