No labirinto do autor: uma leitura de Memórias do subsolo
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-09032026-111728/ |
Resumo: | Em nosso estudo, partimos da consideração dos obstáculos e armadilhas de leitura que a novela Memórias do subsolo (1864), de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821-1881), frequentemente colocou ao público, chamando atenção para o caráter elusivo das estratégias artísticas empregadas pelo autor. Os primeiros críticos que se debruçaram sobre a narrativa viram-na como o \"grito de horror\" de um Dostoiévski desesperado que, tendo se conscientizado da trágica perversidade inerente à humanidade, punha-se agora a abjurar os antigos ideais humanistas professados em sua juventude. Esses críticos ignoraram, como muitos leitores seguem fazendo, a distância entre a perspectiva do autor e o discurso ficcional de seu herói-narrador. Se, no entanto, críticos posteriores atentaram à importância de se distinguir essas duas vozes, reconhecendo o texto na sua \"bivocalidade\" e a intenção satírica do autor na representação de sua personagem, delimitar a diferença entre um e outro permaneceu um desafio. Não é clara a atitude de Dostoiévski para com o narrador, dada a volubilidade e as ambivalências que caracterizam seu discurso. É por isso que muitas leituras (ou mesmo releituras) resultam numa indagação acerca do sentido da novela e da real posição do autor, que parece ter se perdido nalgum canto do labirinto da narrativa. Não há dúvida de que a novela resultou mais obscura do que o pretendido. Afinal, ela deveria ser a palavra do autor no palco das polêmicas ideológicas em que ele, como publicista, estava envolvido. Ironicamente, justo os recursos artísticos que deveriam tornar essa novela-argumento mais contundente contribuíram para sua confusão. Buscamos iluminar a maneira como o autor constrói sua posição ao longo da narrativa, a partir dos próprios enroscos ficcionais, avaliando se e em que medida ela pode ser objetivamente depreendida – jamais tomando-a, porém, como uma perspectiva estabelecida a priori. De forma mais patente e mais problemática do que em outras narrativas ficcionais, em Memórias do subsolo o autor não é uma perspectiva, uma posição preexistente ao texto, mas uma personagem que cada leitor é intimado a procurar e a construir. Essa construção se dá a partir da interpretação não apenas de uma existência fracassada, como o próprio narrador considera sua vida, mas também do fracasso de sua confissão, na qual ele se descobre incapaz de assenhorar-se de sua palavra – sempre mediada pelo olhar do Outro – e de oferecer uma imagem acabada de si mesmo. É nesse duplo fracasso que Dostoiévski busca demonstrar a inviabilidade de um moderno projeto civilizatório cujas contradições tomam corpo nas palavras e ações de seu herói |
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No labirinto do autor: uma leitura de Memórias do subsoloIn the labyrinth of the author: a reading on Notes From UndergroundAnti-heroAnti-heróiConfessionConfissãoDostoevskyDostoiévskiMemórias do subsoloNarrador-heróiNarrator-heroNotes from UndergroundNovelProcura do autorRomanceRussiaRússiaSearch for the authorEm nosso estudo, partimos da consideração dos obstáculos e armadilhas de leitura que a novela Memórias do subsolo (1864), de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821-1881), frequentemente colocou ao público, chamando atenção para o caráter elusivo das estratégias artísticas empregadas pelo autor. Os primeiros críticos que se debruçaram sobre a narrativa viram-na como o \"grito de horror\" de um Dostoiévski desesperado que, tendo se conscientizado da trágica perversidade inerente à humanidade, punha-se agora a abjurar os antigos ideais humanistas professados em sua juventude. Esses críticos ignoraram, como muitos leitores seguem fazendo, a distância entre a perspectiva do autor e o discurso ficcional de seu herói-narrador. Se, no entanto, críticos posteriores atentaram à importância de se distinguir essas duas vozes, reconhecendo o texto na sua \"bivocalidade\" e a intenção satírica do autor na representação de sua personagem, delimitar a diferença entre um e outro permaneceu um desafio. Não é clara a atitude de Dostoiévski para com o narrador, dada a volubilidade e as ambivalências que caracterizam seu discurso. É por isso que muitas leituras (ou mesmo releituras) resultam numa indagação acerca do sentido da novela e da real posição do autor, que parece ter se perdido nalgum canto do labirinto da narrativa. Não há dúvida de que a novela resultou mais obscura do que o pretendido. Afinal, ela deveria ser a palavra do autor no palco das polêmicas ideológicas em que ele, como publicista, estava envolvido. Ironicamente, justo os recursos artísticos que deveriam tornar essa novela-argumento mais contundente contribuíram para sua confusão. Buscamos iluminar a maneira como o autor constrói sua posição ao longo da narrativa, a partir dos próprios enroscos ficcionais, avaliando se e em que medida ela pode ser objetivamente depreendida – jamais tomando-a, porém, como uma perspectiva estabelecida a priori. De forma mais patente e mais problemática do que em outras narrativas ficcionais, em Memórias do subsolo o autor não é uma perspectiva, uma posição preexistente ao texto, mas uma personagem que cada leitor é intimado a procurar e a construir. Essa construção se dá a partir da interpretação não apenas de uma existência fracassada, como o próprio narrador considera sua vida, mas também do fracasso de sua confissão, na qual ele se descobre incapaz de assenhorar-se de sua palavra – sempre mediada pelo olhar do Outro – e de oferecer uma imagem acabada de si mesmo. É nesse duplo fracasso que Dostoiévski busca demonstrar a inviabilidade de um moderno projeto civilizatório cujas contradições tomam corpo nas palavras e ações de seu heróiIn our study, we begin by considering the obstacles and traps that the novel Notes from Underground (1864), by Fyodor Mikhailovich Dostoevsky (1821-1881), frequently presented to the public, drawing attention to the elusive nature of the artistic strategies employed by the author. The first critics who studied the narrative saw it as the \"cry of horror\" of a desperate Dostoevsky who, having become aware of the tragic perversity inherent in humanity, now set out to abjure the old humanist ideals professed in his youth. These critics ignored, as many readers continue to do, the distance between the author\'s perspective and the fictional discourse of his hero-narrator. If, however, later critics paid attention to the importance of distinguishing these two voices, recognizing the text in its \"divocality\" and the author\'s satirical intention in the representation of his character, delimiting the difference between one and the other remained a challenge. Dostoevsky\'s attitude toward the narrator is not clear, given the fickleness and ambivalence that characterize his discourse. This is why many readings (or even rereadings) result in a question about the meaning of the novel and the author\'s real position, which seems to have gotten lost somewhere in the labyrinth of the narrative. There is no doubt that the novel turned out to be more obscure than intended. After all, it was supposed to be the author\'s words on the stage of the ideological controversies in which he, as a publicist, was involved. Ironically, precisely the artistic resources that were supposed to make this novel-argument more forceful contributed to its confusion. We seek to illuminate the way in which the author constructs his position throughout the narrative, based on the fictional entanglements themselves, evaluating whether and to what extent it can be objectively understood – never taking it, however, as an established perspective a priori. More clearly and problematically than in other fictional narratives, in Notes from Underground the author is not a perspective, a position that pre-exists the text, but a character that each reader is called upon to seek out and construct. This construction is based on the interpretation not only of a failed existence, as the narrator himself considers his life, but also of the failure of his confession, in which he discovers himself incapable of taking control of his word – always mediated by the gaze of the Other – and of offering a complete image of himself. It is in this double failure that Dostoevsky seeks to demonstrate the unfeasibility of a modern civilizing project whose contradictions take shape in the words and actions of his heroBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAndrade, Fabio Rigatto de SouzaVillaça, Davi Lopes2025-10-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-09032026-111728/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-09T14:28:02Zoai:teses.usp.br:tde-09032026-111728Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-09T14:28:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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