Polí­ticas de desaparecimento: de Acari a Ayotzinapa, as tecnologias de fazer sumir na América Latina democrática

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silva, Gislaine Amaral
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/84/84131/tde-09012026-154156/
Resumo: Esta pesquisa está centrada nos casos de desaparecimento de 11 onze jovens no ano de 1990 no Brasil, conhecido como \"chacina de Acari\", e dos 43 estudantes de Ayotzinapa em 2014, no México. O objetivo geral da pesquisa consiste em compreender a atual configuração dos desaparecimentos na contemporaneidade dos países analisados e as transformações destes dispositivos, como uma tecnologia política que atravessa contextos históricos e políticos na América Latina. Assim, analisamos de que modo se diferenciam entre passado e presente e as complexificações ao longo do tempo. Para entender estes atravessamentos, partimos do contexto das contrainsurgências na região, quando a prática foi sistematizada e massificada como método repressivo na produção do Terror de Estado. Se naquele contexto o objetivo principal era a contrainsurgência, hoje, outros fatores mobilizam esse procedimento. A militarização da segurança pública, a violência policial, a chamada \"guerra às drogas\", as redes de ilegalismos, os grupos de extermínio, milícias e paramilitares são alguns elementos observados nas desaparições contemporâneas. Deste modo, questionamos a que poder correspondem estes desaparecimentos, em que contexto podem ser analisados no presente e como é possível entender a magnitude em que são produzidos nas democracias. Entendemos que o desaparecimento é uma tecnologia de poder que segue produzindo terror em determinados territórios, envolvendo agentes de Estado, políticos e atores privados em uma lógica de acumulação neoliberal dos mercados de ilegalismos, possibilitada nos próprios arranjos securitários das democracias. Neste sentido, o conceito de \"desaparecimento\" pode ser entendido como uma categoria política capaz de produzir inteligibilidade nestes contextos. A abordagem metodológica elencada nesta pesquisa é o arranjo genealógico. Para levantamento primário em uma análise de natureza qualitativa, utilizamos o inquérito policial do caso Acari e os seis relatórios produzidos pelo Grupo de Investigación de Expertos Independientes (GIEI), no caso Ayotzinapa. Além disso, entrevistamos uma representante do Centro de Derechos Humanos Miguel Agustín Pro Juárez (Centro Prodh). Ao analisar os dois casos, argumentamos que o uso dos desaparecimentos na produção de terror em contextos de violência é consolidado tanto pelo que se exibe, quanto pelo que se oculta, no passado e no presente
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Para entender estes atravessamentos, partimos do contexto das contrainsurgências na região, quando a prática foi sistematizada e massificada como método repressivo na produção do Terror de Estado. Se naquele contexto o objetivo principal era a contrainsurgência, hoje, outros fatores mobilizam esse procedimento. A militarização da segurança pública, a violência policial, a chamada \"guerra às drogas\", as redes de ilegalismos, os grupos de extermínio, milícias e paramilitares são alguns elementos observados nas desaparições contemporâneas. Deste modo, questionamos a que poder correspondem estes desaparecimentos, em que contexto podem ser analisados no presente e como é possível entender a magnitude em que são produzidos nas democracias. Entendemos que o desaparecimento é uma tecnologia de poder que segue produzindo terror em determinados territórios, envolvendo agentes de Estado, políticos e atores privados em uma lógica de acumulação neoliberal dos mercados de ilegalismos, possibilitada nos próprios arranjos securitários das democracias. Neste sentido, o conceito de \"desaparecimento\" pode ser entendido como uma categoria política capaz de produzir inteligibilidade nestes contextos. A abordagem metodológica elencada nesta pesquisa é o arranjo genealógico. Para levantamento primário em uma análise de natureza qualitativa, utilizamos o inquérito policial do caso Acari e os seis relatórios produzidos pelo Grupo de Investigación de Expertos Independientes (GIEI), no caso Ayotzinapa. Além disso, entrevistamos uma representante do Centro de Derechos Humanos Miguel Agustín Pro Juárez (Centro Prodh). Ao analisar os dois casos, argumentamos que o uso dos desaparecimentos na produção de terror em contextos de violência é consolidado tanto pelo que se exibe, quanto pelo que se oculta, no passado e no presenteThis research focuses on the cases of the disappearance of 11 young people in 1990 in Brazil, known as the \"Acari massacre\", and the disappearance of 43 Ayotzinapa students in 2014 in Mexico. The general objective of the research is to understand the current configuration of disappearances in the countries analyzed and the transformations of these devices as a political technology that crosses historical and political contexts in Latin America. In this way, pretends analyze how they differ between past and present and their complexities over time. To understand these intersections, we start from the context of the counterinsurgencies in the region, when the practice was systematized and massified as a repressive method in the production of State Terror. While in that context the main objective was counterinsurgency, today other factors mobilize this procedure. The militarization of public security, police violence, the so-called \"war on drugs\", illegal networks, extermination groups, militias and paramilitaries are some of the elements observed in contemporary disappearances. Thus, we question what power these disappearances correspond to, in what context they can be analyzed in the present and how it is possible to understand the magnitude in which they are produced in democracies. We understand that disappearance is a technology of power that continues to produce terror in certain territories, involving state agents, politicians and private actors in a logic of neoliberal accumulation of illegal markets, made possible by the very security arrangements of democracies. In this sense, the concept of \"disappearance\" can be understood as a political category capable of producing intelligibility in these contexts. The methodology employed in this research is the genealogical approach. For primary data collection in a qualitative analysis, we used the police investigation of the Acari case and the six reports produced by the Grupo de Investigación de Expertos Independientes (GIEI) in the Ayotzinapa case. We also interviewed a representative of the Miguel Agustín Pro Juárez Human Rights Center (Centro Prodh). In analyzing both cases, we argue that the use of disappearances in the production of terror in contexts of violence is consolidated both by what is shown and by what is hidden, in the past and in the presentBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPJúnior, Acácio Augusto SebastiãoSchavelzon, Salvador AndrésSilva, Gislaine Amaral2025-05-05info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/84/84131/tde-09012026-154156/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-09T17:52:02Zoai:teses.usp.br:tde-09012026-154156Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-09T17:52:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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