Um projeto civilizatório e regenerador: análise sobre raça no projeto da Universidade de São Paulo (1900 -1940)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Silva, Priscila Elisabete da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-01072016-104831/
Resumo: Com 8 décadas de existência, a Universidade de São Paulo tem se firmado como o grande modelo de universidade para o país. Seja pelos dados que apresenta, seja pela afirmação de sua história, tem marcado seu espaço na sociedade brasileira como referencial na formação científica, na produção cultural e na produção de elites que não raramente assumem postos de comando no país. Apesar dessas conquistas, a USP apresenta um quadro anacrônico em relação à diversidade étnico-racial, sobretudo, no seu corpo docente, que tem sido formado com um perfil étnico-racial extremamente homogêneo. A pesquisa ora apresentada objetivou entender a existência e a configuração de um possível nexo entre o debate racial das primeiras décadas do século XX no Brasil, com o processo histórico da fundação da Universidade de São Paulo. Na presente análise, três figuras ocupam papel de destaque: o eugenista Renato Ferraz Kehl e dois dos personagens centrais na configuração do Projeto USP, nomeadamente, Júlio de Mesquita Filho e Fernando de Azevedo. A partir da análise do corpus documental, formado por correspondências e textos dos intelectuais citados, foi possível identificar que muitos dos personagens ligados à história da criação da USP participaram ativamente do debate sobre raça e eugenia apresentado nas primeiras décadas do século XX. A despeito do relativo silêncio do envolvimento do tema raça com a história da USP, a presente pesquisa tem por objetivo trazer o tema à tona, por entender ser um dado relevante para a compreensão do papel da universidade e sua relação com a questão racial brasileira. Tendo estado presente na visão dos fundadores da instituição, bem como moldado o modo como estes compreendiam sua percepção da sociedade, a concepção racial vigente na elite pensante brasileira do início do século XX, manifestou-se na constituição da identidade (e identificação) entre a USP e São Paulo e está presente em seus símbolos. Tal dado fornece fortes evidências de que há, nesta instituição, uma cultura racial, isto é, uma tradição em lidar com a raça de modo implícito, por metáforas. Este fato também corrobora com a ideia de que a questão racial perpassa a USP da mesma forma como perpassa a sociedade brasileira como um todo.
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Apesar dessas conquistas, a USP apresenta um quadro anacrônico em relação à diversidade étnico-racial, sobretudo, no seu corpo docente, que tem sido formado com um perfil étnico-racial extremamente homogêneo. A pesquisa ora apresentada objetivou entender a existência e a configuração de um possível nexo entre o debate racial das primeiras décadas do século XX no Brasil, com o processo histórico da fundação da Universidade de São Paulo. Na presente análise, três figuras ocupam papel de destaque: o eugenista Renato Ferraz Kehl e dois dos personagens centrais na configuração do Projeto USP, nomeadamente, Júlio de Mesquita Filho e Fernando de Azevedo. A partir da análise do corpus documental, formado por correspondências e textos dos intelectuais citados, foi possível identificar que muitos dos personagens ligados à história da criação da USP participaram ativamente do debate sobre raça e eugenia apresentado nas primeiras décadas do século XX. A despeito do relativo silêncio do envolvimento do tema raça com a história da USP, a presente pesquisa tem por objetivo trazer o tema à tona, por entender ser um dado relevante para a compreensão do papel da universidade e sua relação com a questão racial brasileira. Tendo estado presente na visão dos fundadores da instituição, bem como moldado o modo como estes compreendiam sua percepção da sociedade, a concepção racial vigente na elite pensante brasileira do início do século XX, manifestou-se na constituição da identidade (e identificação) entre a USP e São Paulo e está presente em seus símbolos. Tal dado fornece fortes evidências de que há, nesta instituição, uma cultura racial, isto é, uma tradição em lidar com a raça de modo implícito, por metáforas. Este fato também corrobora com a ideia de que a questão racial perpassa a USP da mesma forma como perpassa a sociedade brasileira como um todo.The University of São Paulo (USP) with 8 decades of existence has made a model of University for yourself and for the roll country. This is shown in its numbers and the affirmation of its own historical contribution to the nation. In this process, the University marks an space inside the Brazilian society as a reference point in terms of scientific education, cultural production and in terms of elite formation, which, not rarely, it is the political elite of the country. Besides those achievements, the University of Sao Paulo has a quite anachronic context in term of ethical-racial diversity, especially within the university structure. We found out that the University its professors and researchers - is quite homogeneous in terms of ethnical racial matters. The main objective of this research was to understand the existence and how is configured the nexus between the racial debate of the early XX in Brasil and the historical founding process of the University of Sao Paulo. In this work, we discuss three major figures: Renato Ferraz Kehl, a eugenicist and other two majors figures of the Projeto USP, Júlio de Mesquita Filho and Fernando de Azevedo. From the analysis of the documental corpus, with is in part the mailing and the texts from those intellectuals, it was possible to identify that many of those that was part of the process of foundation of the USP was also part of the debate about race and eugenics from the early XX. There is a relative silence when the subject is the discussion of race inside and in the context of the foundation of USP; this research will bring up this discussion, understanding that this will be relevant to a comprehensive discussion of the roll of this University facing the racial debate in Brasil. Already present in the vision of the founders of the institution and shaping its social perception, the racial conception of the Brazilian elite from the early XX was heard and became part of the identity (and the identification) between USP and Sao Paulo and it is present in its symbols. With that in mind, we found strong evidence of a racial culture, which is a tradition to handle race in an implicit mode, working with metaphors. This fact also corroborate to the idea that the racial issue pervades the University as a corpus just like it pervades the society as a unity body.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSouza, Maria Cecilia Cortez Christiano deSilva, Priscila Elisabete da2016-02-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-01072016-104831/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2017-09-04T21:05:29Zoai:teses.usp.br:tde-01072016-104831Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212017-09-04T21:05:29Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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