Cultivando incentivos e colhendo cana-de-açúcar: aprimoramentos para a estrutura de remuneração do produtor brasileiro.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Rodrigues, Lucas
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11132/tde-07052025-145529/
Resumo: Em 1999 foi criado o Consecana-SP, instituição privada brasileira que promoveu o uso do pagamento por qualidade da cana-de-açúcar, consolidando a prática frente à remuneração por peso. Ao contrário desta, sua aplicação consiste no uso da métrica de Açúcar Total Recuperável (ATR), e na definição de critérios para compartilhamento da receita com a venda de açúcar e etanol entre usinas e agricultores. Décadas após o início do Consecana, o governo brasileiro promulgou a Lei 13.576 de 2017, que instituiu a Política Nacional de Biocombustíveis e deu anuência aos produtores de etanol a emitirem e comercializarem créditos de descarbonização baseados no benefício ambiental do combustível. Esse crédito permitiu às usinas auferirem uma receita adicional com a venda do produto. Contudo, em função da tradição do emprego de um mecanismo de divisão de receita, os produtores rurais de cana-de-açúcar clamaram por uma participação. Essa mobilização culminou na Lei 15.082 de 2024. Diante desse contexto, esse trabalho propõe dois estudos. Ambos utilizam uma abordagem cuja base teórica é um modelo econômico de Agente-Principal. O primeiro estudo se volta a entender a lógica econômica subjacente ao pagamento por qualidade. Esta que, desde a criação em 1999, sofreu com diversas adaptações, dentre as quais o retorno do pagamento por peso de forma complementar, o qual é denominado neste trabalho como pagamento híbrido. O modelo econômico proposto permite inferir quais condições favorecem esse ajuste na função de pagamento. Além disso, outras questões são tratadas, como o efeito da presença de risco moral e seleção adversa e o emprego de um pagamento fixo. Sob as hipóteses assumidas, conclui-se que o pagamento híbrido, em conjunção a uma remuneração fixa, possui vantagens que justificam a ampliação do seu uso. Em especial, facilitam a introdução de agricultores menos habilidosos no mercado e permitem à usina auferir ganhos sem inferir qualquer perda ao produtor rural. O segundo estudo apresenta duas possibilidades para solução do problema de compartilhamento da receita do crédito de descarbonização. A primeira, equivalente ao que foi aceito na Lei supramencionada para o caso de produtores de cana-de-açúcar, a qual define a função de pagamento do fornecedor baseada em um valor mínimo padrão, somado a um prêmio calculado a partir da diferença no desempenho individual do fornecedor frente a este mínimo. A segunda estabelece um valor inicial de pagamento baseado na própria performance do produtor, somado a um prêmio, potencialmente negativo, calculado a partir da diferença entre sua performance individual frente à média de todos os agricultores que fornecem à usina. O estudo conclui que a primeira abordagem é preferível por aqueles agricultores cuja emissão de gases causadores de efeito estufa está acima da média, enquanto os que possuem valor abaixo da média irão preferir a segunda abordagem.
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Décadas após o início do Consecana, o governo brasileiro promulgou a Lei 13.576 de 2017, que instituiu a Política Nacional de Biocombustíveis e deu anuência aos produtores de etanol a emitirem e comercializarem créditos de descarbonização baseados no benefício ambiental do combustível. Esse crédito permitiu às usinas auferirem uma receita adicional com a venda do produto. Contudo, em função da tradição do emprego de um mecanismo de divisão de receita, os produtores rurais de cana-de-açúcar clamaram por uma participação. Essa mobilização culminou na Lei 15.082 de 2024. Diante desse contexto, esse trabalho propõe dois estudos. Ambos utilizam uma abordagem cuja base teórica é um modelo econômico de Agente-Principal. O primeiro estudo se volta a entender a lógica econômica subjacente ao pagamento por qualidade. Esta que, desde a criação em 1999, sofreu com diversas adaptações, dentre as quais o retorno do pagamento por peso de forma complementar, o qual é denominado neste trabalho como pagamento híbrido. O modelo econômico proposto permite inferir quais condições favorecem esse ajuste na função de pagamento. Além disso, outras questões são tratadas, como o efeito da presença de risco moral e seleção adversa e o emprego de um pagamento fixo. Sob as hipóteses assumidas, conclui-se que o pagamento híbrido, em conjunção a uma remuneração fixa, possui vantagens que justificam a ampliação do seu uso. Em especial, facilitam a introdução de agricultores menos habilidosos no mercado e permitem à usina auferir ganhos sem inferir qualquer perda ao produtor rural. O segundo estudo apresenta duas possibilidades para solução do problema de compartilhamento da receita do crédito de descarbonização. A primeira, equivalente ao que foi aceito na Lei supramencionada para o caso de produtores de cana-de-açúcar, a qual define a função de pagamento do fornecedor baseada em um valor mínimo padrão, somado a um prêmio calculado a partir da diferença no desempenho individual do fornecedor frente a este mínimo. A segunda estabelece um valor inicial de pagamento baseado na própria performance do produtor, somado a um prêmio, potencialmente negativo, calculado a partir da diferença entre sua performance individual frente à média de todos os agricultores que fornecem à usina. O estudo conclui que a primeira abordagem é preferível por aqueles agricultores cuja emissão de gases causadores de efeito estufa está acima da média, enquanto os que possuem valor abaixo da média irão preferir a segunda abordagem.In 1999, Consecana-SP was created, a private Brazilian institution that promoted the use of payment for sugarcane quality, consolidating the practice in relation to remuneration on weight. Unlike this, its application consists on using the metric Total Recovery Sugar (TRS), and defining criteria for sharing revenue from the sale of sugar and ethanol between mills and farmers. After decades since the beginning of Consecana, the Brazilian government enacted Law 13,576 of 2017, which established the National Biofuel Policy and gave ethanol producers permission to issue and trade de arbonization credits based on the environmental benefit of the fuel. This credit allows the mills to obtain addition revenue for their ethanol sold. However, due to the tradition of using a revenue sharing system, sugarcane farmers claimed for a share. This mobilization culminated in Law 15,082 of 2024. Given that context, this work proposes two studies. Both of them have used an approach whose theoretical basis is a Principal-Agent economic model. The first one seeks to understand the economic logic underlying payment for quality. Since it began in 1999, the original scheme has undergone several changes, among which is the return of payment by weight in a complementary manner, which is referred in this work as hybrid payment. The proposed economic model allows to infer under which conditions these adjustments are suitable to be employed. Besides, other issues are addressed, such as the effects of moral hazard and adverse selection, and the use of a fixed payment. Under the assumptions made, it is concluded that hybrid payment , in conjunction with a fixed remuneration, has advantages that justify its wider use. In particular, it facilitates the introduction of less skilled farmers into the market and allows the mill to aufer gains without inferring any loss to the producer. The second study presents two possibilities for solving the problem of sharing the revenue provided by the credits. The first is equivalent to what was accepted in the aforementioned Law, which defines the farmers payment function based on a minimal standard value, plus a premium calculated from the difference between the individual performance and this minimal value. The second establishes an initial payment based on individual performance, plus a bonus, which can be negative, calculated from the difference between ther individual performance and the average performance of all producers supplying to the mill. The study finds that the first option is preferred by farmers whose greenhouse gas emissions are above average, while those whose emissions are below average will prefer the second type of payment function.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBacchi, Mirian Rumenos PiedadeRodrigues, Lucas2025-03-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11132/tde-07052025-145529/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-09T19:05:02Zoai:teses.usp.br:tde-07052025-145529Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-09T19:05:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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