Microfísica das nuvens de tempestades com e sem raios na América do Sul inferidas pelo GPM-DPR e GLM
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/14/14133/tde-20012026-160805/ |
Resumo: | Este estudo fez uma análise microfísica das nuvens de tempestades com e sem raios na América do Sul com o objetivo de compreender como os diferentes mecanismos de crescimento dos hidrometeoros auxiliam na eletrificação das nuvens. Para compreender os processos microfísicos que levam à eletrificação das tempestades elétricas (nuvens com raios), este estudo analisou as diferenças observadas nos perfis verticais do fator de refletividade do radar (Z), diâmetro médio ponderado (Dm) e no parâmetro de interceptação normalizado (Nw) inferidos pelo radar de dupla frequência do satélite Global Precipitation Measurement (GPM) durante o ano de 2020 na região da América do Sul (90ºW-30ºW e 50ºS-20ºN) para as nuvens precipitantes que tinham raios ou não. As nuvens foram identificadas com base nos campos de Z (2ADPR) maiores que 20 dBZ. Para identificar as tempestades elétricas foram utilizados os dados de raios detectados pelo Geostationary Lightning Mapper (GLM), que serviram para classificar os sistemas precipitantes que têm raios (SPCR) e os que não têm raios (SPSR). Com base nesta metodologia foi possível identificar 146 033 nuvens precipitantes, sendo que 3 887 (aproximadamente 4%) tinham mais de 10 raios e foram classificadas como SPCR. Os perfis verticais médios das tempestades com e sem raios mostraram que: (i) Z foi maior nos SPCR, entre 2 e 6 dBZ em todos os níveis de temperatura, o que implica a presença de água super-resfriada e o predomínio do processo de acreção na região mista (0ºC a -20ºC), enquanto nos SPSR, observou-se o predomínio do processo de agregação; (ii) o Dm dos hidrometeoros nos SPCR é maior (até 0.4 mm) e sugere a presença de partículas de graupel e granizo; (iii) os SPSR apresentaram valores maiores de Nw, indicando uma maior concentração de hidrometeoros menores. As análises estatísticas (teste t de Student) confirmaram que as diferenças entre os valores médios de Z, Dm e Nw dos SPCR e SPSR são significativas com nível de confiança de 95% em todos os níveis de temperatura. Diferenças significativamente estatísticas também foram observadas nas tempestades elétricas em função da atividade elétrica e de sua extensão. As tempestades com alta atividade elétrica (mais de 268 raios) têm maior quantidade de água super-resfriada na região fria (entre 0º e -40ºC) e hidrometeoros com Dm maior e em maior quantidade, em comparação com tempestades de baixa atividade elétrica (10 a 22 raios). Em relação à extensão horizontal, as tempestades grandes (mais de 126 pixels) apresentaram baixa taxa de raios (0.05 raios/km²) e características mais estratiformes, enquanto tempestades pequenas (4 a 12 pixels) mostraram maior taxa de raios (0.1-0.4 raios/km²), portanto mais convectivas. Essa característica está associada a valores maiores de Z (até 3 dBZ) e Dm (até 0.3 mm). Por fim, a comparação entre as tempestades elétricas fracas (menos de 10 raios) e as SPSR apresentou que as tempestades fracas têm: (i) Z maior (3 e 5 dBZ) em todos os níveis de temperatura; (ii) Dm maior em cerca de 0.15 mm na região mista e 0.25 mm na região quente; (iii) e menor concentração de hidrometeoros maiores. Esses resultados demonstraram que, mesmo para tempestades com poucos raios, é necessária a presença de hidrometeoros maiores, tais como graupel e granizo, e gotículas de água super-resfriada na região mista da nuvem. Como conclusão, este estudo mostrou que a eficiência do processo de eletrificação depende da presença de gotículas de água super-resfriada e da ativação do processo de acreção dos cristais de gelo na zona mista da nuvem. |
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Microfísica das nuvens de tempestades com e sem raios na América do Sul inferidas pelo GPM-DPR e GLMMicrophysics of storm clouds with and without lightning in South America inferred from GPM-DPR and GLMHydrometeor growth processesLightningProcessos de crescimento de hidrometeorosRadar meteorológicoRaiosTempestades elétricasThunderstormsWeather radarEste estudo fez uma análise microfísica das nuvens de tempestades com e sem raios na América do Sul com o objetivo de compreender como os diferentes mecanismos de crescimento dos hidrometeoros auxiliam na eletrificação das nuvens. Para compreender os processos microfísicos que levam à eletrificação das tempestades elétricas (nuvens com raios), este estudo analisou as diferenças observadas nos perfis verticais do fator de refletividade do radar (Z), diâmetro médio ponderado (Dm) e no parâmetro de interceptação normalizado (Nw) inferidos pelo radar de dupla frequência do satélite Global Precipitation Measurement (GPM) durante o ano de 2020 na região da América do Sul (90ºW-30ºW e 50ºS-20ºN) para as nuvens precipitantes que tinham raios ou não. As nuvens foram identificadas com base nos campos de Z (2ADPR) maiores que 20 dBZ. Para identificar as tempestades elétricas foram utilizados os dados de raios detectados pelo Geostationary Lightning Mapper (GLM), que serviram para classificar os sistemas precipitantes que têm raios (SPCR) e os que não têm raios (SPSR). Com base nesta metodologia foi possível identificar 146 033 nuvens precipitantes, sendo que 3 887 (aproximadamente 4%) tinham mais de 10 raios e foram classificadas como SPCR. Os perfis verticais médios das tempestades com e sem raios mostraram que: (i) Z foi maior nos SPCR, entre 2 e 6 dBZ em todos os níveis de temperatura, o que implica a presença de água super-resfriada e o predomínio do processo de acreção na região mista (0ºC a -20ºC), enquanto nos SPSR, observou-se o predomínio do processo de agregação; (ii) o Dm dos hidrometeoros nos SPCR é maior (até 0.4 mm) e sugere a presença de partículas de graupel e granizo; (iii) os SPSR apresentaram valores maiores de Nw, indicando uma maior concentração de hidrometeoros menores. As análises estatísticas (teste t de Student) confirmaram que as diferenças entre os valores médios de Z, Dm e Nw dos SPCR e SPSR são significativas com nível de confiança de 95% em todos os níveis de temperatura. Diferenças significativamente estatísticas também foram observadas nas tempestades elétricas em função da atividade elétrica e de sua extensão. As tempestades com alta atividade elétrica (mais de 268 raios) têm maior quantidade de água super-resfriada na região fria (entre 0º e -40ºC) e hidrometeoros com Dm maior e em maior quantidade, em comparação com tempestades de baixa atividade elétrica (10 a 22 raios). Em relação à extensão horizontal, as tempestades grandes (mais de 126 pixels) apresentaram baixa taxa de raios (0.05 raios/km²) e características mais estratiformes, enquanto tempestades pequenas (4 a 12 pixels) mostraram maior taxa de raios (0.1-0.4 raios/km²), portanto mais convectivas. Essa característica está associada a valores maiores de Z (até 3 dBZ) e Dm (até 0.3 mm). Por fim, a comparação entre as tempestades elétricas fracas (menos de 10 raios) e as SPSR apresentou que as tempestades fracas têm: (i) Z maior (3 e 5 dBZ) em todos os níveis de temperatura; (ii) Dm maior em cerca de 0.15 mm na região mista e 0.25 mm na região quente; (iii) e menor concentração de hidrometeoros maiores. Esses resultados demonstraram que, mesmo para tempestades com poucos raios, é necessária a presença de hidrometeoros maiores, tais como graupel e granizo, e gotículas de água super-resfriada na região mista da nuvem. Como conclusão, este estudo mostrou que a eficiência do processo de eletrificação depende da presença de gotículas de água super-resfriada e da ativação do processo de acreção dos cristais de gelo na zona mista da nuvem.This study conducted a microphysical analysis of storm clouds with and without lightning in South America with the objective of understanding how different hydrometeor growth mechanisms contribute to cloud electrification. To comprehend the microphysical processes that lead to the electrification of thunderstorms (clouds with lightning), this study analyzed the observed differences in the vertical profiles of the radar reflectivity factor (Z), mass-weighted mean diameter (Dm), and the normalized intercept parameter (Nw). These were inferred by the dual-frequency radar of the Global Precipitation Measurement (GPM) satellite during 2020 in the South American region (90ºW-30ºW and 50ºS-20ºN) for precipitating clouds that had lightning and those that did not. The clouds were identified based on Z fields (2ADPR) greater than 20 dBZ. To identify thunderstorms, lightning data detected by the Geostationary Lightning Mapper (GLM) were used, which served to classify precipitating systems that have lightning (LPS) and those that do not (NLPS). Based on this methodology, 146 033 precipitating clouds were identified, of which 3 887 (approximately 4%) had more than 10 flashes and were classified as LPS. The mean vertical profiles of storms with and without lightning showed that: (i) Z was higher in LPS, by 2 to 6 dBZ at all temperature levels, which implies the presence of supercooled water and the predominance of the accretion process in the mixed-phase region (0ºC to -20ºC), whereas in NLPS, the predominance of the aggregation process was observed; (ii) the Dm of hydrometeors in LPS is larger (up to 0.4 mm) and suggests the presence of graupel and hail particles; (iii) NLPS presented higher values of Nw, indicating a greater concentration of smaller hydrometeors. Statistical analyses (Student\'s t-test) confirmed that the differences between the mean values of Z, Dm, and Nw for LPS and NLPS are significant with a 95% confidence level at all temperature levels. Statistically significant differences were also observed in thunderstorms based on their electrical activity and extent. Storms with high electrical activity (more than 268 flashes) have a greater amount of supercooled water in the cold region (between 0ºC and -40ºC) and hydrometeors with a larger Dm and in greater quantity, compared to storms with low electrical activity (10 to 22 flashes). Regarding horizontal extent, large storms (more than 126 pixels) presented a low flash rate (0.05 flashes/km²) and more stratiform characteristics, while small storms (4 to 12 pixels) showed a higher flash rate (0.1-0.4 flashes/km²), and were therefore more convective. This characteristic is associated with higher values of Z (up to 3 dBZ) and Dm (up to 0.3 mm). Finally, the comparison between weak thunderstorms (fewer than 10 flashes) and NLPS showed that weak storms have: (i) higher Z (by 3 to 5 dBZ) at all temperature levels; (ii) a larger Dm by about 0.15 mm in the mixed-phase region and 0.25 mm in the warm region; (iii) and a lower concentration of large hydrometeors. These results demonstrated that even for storms with few flashes, the presence of larger hydrometeors, such as graupel and hail, and supercooled water droplets in the cloud\'s mixed-phase region is necessary. In conclusion, this study showed that the efficiency of the electrification process depends on the presence of supercooled water droplets and the activation of the ice crystal accretion process in the mixed-phase zone of the cloud.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRodriguez, Carlos Augusto MoralesRivera, Antonio Quispe2025-11-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/14/14133/tde-20012026-160805/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-21T12:11:02Zoai:teses.usp.br:tde-20012026-160805Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-21T12:11:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Este estudo fez uma análise microfísica das nuvens de tempestades com e sem raios na América do Sul com o objetivo de compreender como os diferentes mecanismos de crescimento dos hidrometeoros auxiliam na eletrificação das nuvens. Para compreender os processos microfísicos que levam à eletrificação das tempestades elétricas (nuvens com raios), este estudo analisou as diferenças observadas nos perfis verticais do fator de refletividade do radar (Z), diâmetro médio ponderado (Dm) e no parâmetro de interceptação normalizado (Nw) inferidos pelo radar de dupla frequência do satélite Global Precipitation Measurement (GPM) durante o ano de 2020 na região da América do Sul (90ºW-30ºW e 50ºS-20ºN) para as nuvens precipitantes que tinham raios ou não. As nuvens foram identificadas com base nos campos de Z (2ADPR) maiores que 20 dBZ. Para identificar as tempestades elétricas foram utilizados os dados de raios detectados pelo Geostationary Lightning Mapper (GLM), que serviram para classificar os sistemas precipitantes que têm raios (SPCR) e os que não têm raios (SPSR). Com base nesta metodologia foi possível identificar 146 033 nuvens precipitantes, sendo que 3 887 (aproximadamente 4%) tinham mais de 10 raios e foram classificadas como SPCR. Os perfis verticais médios das tempestades com e sem raios mostraram que: (i) Z foi maior nos SPCR, entre 2 e 6 dBZ em todos os níveis de temperatura, o que implica a presença de água super-resfriada e o predomínio do processo de acreção na região mista (0ºC a -20ºC), enquanto nos SPSR, observou-se o predomínio do processo de agregação; (ii) o Dm dos hidrometeoros nos SPCR é maior (até 0.4 mm) e sugere a presença de partículas de graupel e granizo; (iii) os SPSR apresentaram valores maiores de Nw, indicando uma maior concentração de hidrometeoros menores. As análises estatísticas (teste t de Student) confirmaram que as diferenças entre os valores médios de Z, Dm e Nw dos SPCR e SPSR são significativas com nível de confiança de 95% em todos os níveis de temperatura. Diferenças significativamente estatísticas também foram observadas nas tempestades elétricas em função da atividade elétrica e de sua extensão. As tempestades com alta atividade elétrica (mais de 268 raios) têm maior quantidade de água super-resfriada na região fria (entre 0º e -40ºC) e hidrometeoros com Dm maior e em maior quantidade, em comparação com tempestades de baixa atividade elétrica (10 a 22 raios). Em relação à extensão horizontal, as tempestades grandes (mais de 126 pixels) apresentaram baixa taxa de raios (0.05 raios/km²) e características mais estratiformes, enquanto tempestades pequenas (4 a 12 pixels) mostraram maior taxa de raios (0.1-0.4 raios/km²), portanto mais convectivas. Essa característica está associada a valores maiores de Z (até 3 dBZ) e Dm (até 0.3 mm). Por fim, a comparação entre as tempestades elétricas fracas (menos de 10 raios) e as SPSR apresentou que as tempestades fracas têm: (i) Z maior (3 e 5 dBZ) em todos os níveis de temperatura; (ii) Dm maior em cerca de 0.15 mm na região mista e 0.25 mm na região quente; (iii) e menor concentração de hidrometeoros maiores. Esses resultados demonstraram que, mesmo para tempestades com poucos raios, é necessária a presença de hidrometeoros maiores, tais como graupel e granizo, e gotículas de água super-resfriada na região mista da nuvem. Como conclusão, este estudo mostrou que a eficiência do processo de eletrificação depende da presença de gotículas de água super-resfriada e da ativação do processo de acreção dos cristais de gelo na zona mista da nuvem. |
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