Modernidade (desigual) a contrapelo: a produção e as privações cotidianas da/na franja litorânea da Via Costeira, em Natal/ RN
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16135/tde-14062024-183551/ |
Resumo: | O megaprojeto urbano e turístico \"Parque das Dunas/Via Costeira\", iniciado em 1978 e não implementado em sua integralidade até os dias atuais, constitui um marco para o desenvolvimento/incremento da atividade turística no estado do Rio Grande do Norte, além de uma importante referência para a expansão da mancha urbana da capital potiguar em direção à região Sul onde hoje se concentram os principais \"produtos turísticos\" da cidade. Ao assumir feições urbanas e ancorado em ideários e discursos de \"progresso\" e \"desenvolvimento\", este projeto turístico emerge enquanto principal mediador da produção da franja litorânea de Natal, assim como elemento estruturante da segregação socioespacial verificada naquele contexto prolongada e radicalizada ao longo dos anos. Enquanto usadora frequente dessa fração urbana da cidade, portanto, observadora empírica do universo de estudo, foram emergindo, em mim, inquietações/indagações que se prolongaram desde o final da graduação e culminaram no desenvolvimento desta pesquisa que tem por objetivo analisar/investigar os processos de produção e apropriação da franja litorânea da Via Costeira, em Natal/RN. Isto, ancorada especialmente nas contribuições teórico-metodológicas de autores marxistas (heterodoxos), Henri Lefebvre e Walter Benjamin, cujas reflexões sobre o fenômeno urbano, o cotidiano e a modernidade (o capitalismo) constituem contribuições centrais. Considerando a realização/expressão desigual - da produção capitalista do espaço e a voracidade com a qual se realiza no contexto brasileiro e, em especial da capital potiguar, a hipótese que a pesquisa percorre é de que a produção da franja litorânea da Via Costeira, centrada nas intervenções conduzidas fundamentalmente pelo Estado nos últimos 45 anos dessa Via, articuladas às demais formas de produção e regulação de seu uso urbanas e ambientais, acarretaram um sem-número de violências e apagamentos socioambientais aproximando-se do que Walter Benjamin caracterizaria enquanto fantasmagoria do capital/urbanas. Como percurso de investigação e exposição, a pesquisa se ampara no método regressivo-progressivo elaborado por Marx e melhor esclarecido pelo sociólogo e filósofo francês, Henri Lefebvre (Lefebvre,1978; Martins, 1996; Hess, 2000). Igualmente amparada nesse autor, considerando a vida cotidiana o lugar em que a sociedade adquire existência concreta, atribui-se centralidade à dimensão/nível social de análise como etapa necessária à reconstituição das relações estabelecidas entre os níveis econômico, político e social. Deriva dessa escolha, o recurso às contribuições teórico-metodológicas das Ciências Sociais, em especial, aquelas da Antropologia, como forma de acesso aos conteúdos que me possibilitam transitar entre a ordem próxima e a ordem distante, a partir da vida cotidiana, observando, ao rés-do-chão, as determinações verticais que pesam sobre a reprodução da vida e as fagulhas de subversão também manifestas nesse plano. Esta opção decorre da premissa incorporada na pesquisa de que a vida cotidiana é o ponto de partida para decifrar sociologicamente o possível (Martins, 2008), portanto, lugar e momento privilegiado de observação e análise, de onde emergem resistências e possibilidades de subversão/recondução da reprodução social-e urbana. |
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Modernidade (desigual) a contrapelo: a produção e as privações cotidianas da/na franja litorânea da Via Costeira, em Natal/ RNUnequal Modernity against the grain: production and daily deprivations on the coastal frindge on/of Via Costeira in Natal, RNCotidianoEveryday lifeProdução do espaçoProduction of spaceReprodução socialResistanceResistênciaSocial reproductionTourismTurismoVia CosteiraVia CosteiraO megaprojeto urbano e turístico \"Parque das Dunas/Via Costeira\", iniciado em 1978 e não implementado em sua integralidade até os dias atuais, constitui um marco para o desenvolvimento/incremento da atividade turística no estado do Rio Grande do Norte, além de uma importante referência para a expansão da mancha urbana da capital potiguar em direção à região Sul onde hoje se concentram os principais \"produtos turísticos\" da cidade. Ao assumir feições urbanas e ancorado em ideários e discursos de \"progresso\" e \"desenvolvimento\", este projeto turístico emerge enquanto principal mediador da produção da franja litorânea de Natal, assim como elemento estruturante da segregação socioespacial verificada naquele contexto prolongada e radicalizada ao longo dos anos. Enquanto usadora frequente dessa fração urbana da cidade, portanto, observadora empírica do universo de estudo, foram emergindo, em mim, inquietações/indagações que se prolongaram desde o final da graduação e culminaram no desenvolvimento desta pesquisa que tem por objetivo analisar/investigar os processos de produção e apropriação da franja litorânea da Via Costeira, em Natal/RN. Isto, ancorada especialmente nas contribuições teórico-metodológicas de autores marxistas (heterodoxos), Henri Lefebvre e Walter Benjamin, cujas reflexões sobre o fenômeno urbano, o cotidiano e a modernidade (o capitalismo) constituem contribuições centrais. Considerando a realização/expressão desigual - da produção capitalista do espaço e a voracidade com a qual se realiza no contexto brasileiro e, em especial da capital potiguar, a hipótese que a pesquisa percorre é de que a produção da franja litorânea da Via Costeira, centrada nas intervenções conduzidas fundamentalmente pelo Estado nos últimos 45 anos dessa Via, articuladas às demais formas de produção e regulação de seu uso urbanas e ambientais, acarretaram um sem-número de violências e apagamentos socioambientais aproximando-se do que Walter Benjamin caracterizaria enquanto fantasmagoria do capital/urbanas. Como percurso de investigação e exposição, a pesquisa se ampara no método regressivo-progressivo elaborado por Marx e melhor esclarecido pelo sociólogo e filósofo francês, Henri Lefebvre (Lefebvre,1978; Martins, 1996; Hess, 2000). Igualmente amparada nesse autor, considerando a vida cotidiana o lugar em que a sociedade adquire existência concreta, atribui-se centralidade à dimensão/nível social de análise como etapa necessária à reconstituição das relações estabelecidas entre os níveis econômico, político e social. Deriva dessa escolha, o recurso às contribuições teórico-metodológicas das Ciências Sociais, em especial, aquelas da Antropologia, como forma de acesso aos conteúdos que me possibilitam transitar entre a ordem próxima e a ordem distante, a partir da vida cotidiana, observando, ao rés-do-chão, as determinações verticais que pesam sobre a reprodução da vida e as fagulhas de subversão também manifestas nesse plano. Esta opção decorre da premissa incorporada na pesquisa de que a vida cotidiana é o ponto de partida para decifrar sociologicamente o possível (Martins, 2008), portanto, lugar e momento privilegiado de observação e análise, de onde emergem resistências e possibilidades de subversão/recondução da reprodução social-e urbana.The \"Parque das Dunas/Via Costeira\" urban and tourist megaproject, which began in 1978 and has not been fully implemented to this day, is a milestone in the development/increase of tourist activity in the state of Rio Grande do Norte, as well as an important reference for the expansion of the urban sprawl of the capital of Rio Grande do Norte towards the southern region - where the city\'s main \"tourist products\" are concentrated today. By taking on urban features and anchored in ideals and discourses of \"progress\" and \"development\", this tourism project emerged as the main mediator in the production of Natal\'s coastal fringe, as well as a structuring element in the socio-spatial segregation that took place in that context - prolonged and radicalised over the years. As a frequent user of this urban fraction of the city, and therefore an empirical observer of the universe of study, concerns/questions have emerged to me and have continued since the end of my undergraduate studies and culminated in the development of this research, which aims to analyse/investigate the processes of production and appropriation of the coastal fringe of Via Costeira, in Natal/RN. This is anchored especially in the theoretical-methodological contributions of Marxist authors (heterodox), Henri Lefebvre and Walter Benjamin, whose reflections on the urban phenomenon, everyday life and modernity (capitalism) constitute central contributions. Considering the unequal realisation/expression of the capitalist production of space and the voracity with which it is carried out in the Brazilian context, and especially in the capital of Rio Grande do Norte, the hypothesis of this research is that the production of the coastal fringe of the Via Costeira, centred on the interventions carried out fundamentally by the state over the last 45 years, articulated with the other forms of production and regulation of its use - urban and environmental - have led to a multitude of socio-environmental violences and erasures, approaching what Walter Benjamin would characterise as the phantasmagoria of capital/urbans. The research is based on the regressive-progressive method developed by Marx and further clarified by French sociologist and philosopher Henri Lefebvre (Lefebvre, 1978; Martins, 1996; Hess, 2000). Also based on this author, considering daily life the place where society acquires concrete existence, the social dimension/level of analysis is centralised as a necessary stage in reconstituting the relationships established between the economic, political and social levels. As a result of this choice, I resorted to the theoretical and methodological contributions of the social sciences, especially those of anthropology, as a way of accessing the content that enables me to move between the near order and the far order, starting from everyday life, observing, from the ground floor, the vertical determinations that weigh on the reproduction of life and the sparks of subversion that are also manifest on this level. This option stems from the premise incorporated into the research that everyday life is the starting point for sociologically deciphering what is possible (Martins, 2008), therefore a privileged place and moment for observation and analysis, from where resistance and possibilities for subversion/redirection of social - and urban - reproduction emerge.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLima, Catharina Pinheiro Cordeiro dos SantosReis, T. F. 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