Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração
| Ano de defesa: | 2025 |
|---|---|
| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
|
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
Não Informado pela instituição
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-23092025-085334/ |
Resumo: | Sob uma perspectiva autoetnográfica, o presente estudo investiga os efeitos produzidos por modos de pensamento monolíngues e não monolíngues (Canagarajah; Wurr, 2011), em uma prática multilíngue com estudantes migrantes bolivianos em uma escola municipal da cidade de São Paulo. Baseando-me em uma educação linguística que leve em consideração o corpo e o território no ensino de língua, analiso como nacionalidade, raça e língua relacionam-se. Para tal empreitada, utilizo os conceitos de colonialidade da linguagem (Veronelli, 2021) e racismo linguístico (Nascimento, 2020), propondo uma educação linguística que problematize as relações de poder no ensino de língua e nos usos linguísticos (De Souza, 2022) (Rezende, 2020). Com base nessa visão de linguagem, escolhi três acontecimentos do projeto multilíngue para investigar, nas minhas práticas em sala de aula, as maneiras como eu concebia os usos linguísticos de estudantes migrantes. Com i) a produção textual dos estudantes, ii) a respostas de formulários sobre língua, nacionalidade e autodeclaração racial, e iii) os acontecimentos em sala de aula, identificou-se uma xenofobia racializada (Faustino; Oliveira, 2022), na relação entre estudantes e nos modos como eu olhava para as práticas de linguagem. Dessa maneira, encontrei ainda muitas marcas do monolinguismo envolto ao racismo linguístico na maneira como se pressupõe deficitária a linguagem utilizada por migrantes. Não obstante, a produção escrita de um dos integrantes do projeto revelou uma prática de linguagem translíngue (Canagarajah, 2013), contradizendo a imagem de falha e configurando-se como expressão dos processos de hibridismo (Hall, 2006) e tradução cultural (Bhabha, 2013). Assim, a análise revelou o potencial do multilinguismo, uma vez que o mesmo reconhece e fortalece o uso translíngue, sendo necessário articulá-lo a uma interculturalidade crítica (Walsh, 2012), de modo que não se naturalize as desigualdade e violências envoltas entre culturas, nacionalidades, raças e línguas no contexto de migração. |
| id |
USP_cf986bb7af9161ed63d8f6460d16395b |
|---|---|
| oai_identifier_str |
oai:teses.usp.br:tde-23092025-085334 |
| network_acronym_str |
USP |
| network_name_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| repository_id_str |
|
| spelling |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migraçãoAnother Educational Perspective: an autoethnography on language, race, and migrationMonolingualism; Migration; Linguistic racismMonolinguismo; Migração; Racismo linguísticoSob uma perspectiva autoetnográfica, o presente estudo investiga os efeitos produzidos por modos de pensamento monolíngues e não monolíngues (Canagarajah; Wurr, 2011), em uma prática multilíngue com estudantes migrantes bolivianos em uma escola municipal da cidade de São Paulo. Baseando-me em uma educação linguística que leve em consideração o corpo e o território no ensino de língua, analiso como nacionalidade, raça e língua relacionam-se. Para tal empreitada, utilizo os conceitos de colonialidade da linguagem (Veronelli, 2021) e racismo linguístico (Nascimento, 2020), propondo uma educação linguística que problematize as relações de poder no ensino de língua e nos usos linguísticos (De Souza, 2022) (Rezende, 2020). Com base nessa visão de linguagem, escolhi três acontecimentos do projeto multilíngue para investigar, nas minhas práticas em sala de aula, as maneiras como eu concebia os usos linguísticos de estudantes migrantes. Com i) a produção textual dos estudantes, ii) a respostas de formulários sobre língua, nacionalidade e autodeclaração racial, e iii) os acontecimentos em sala de aula, identificou-se uma xenofobia racializada (Faustino; Oliveira, 2022), na relação entre estudantes e nos modos como eu olhava para as práticas de linguagem. Dessa maneira, encontrei ainda muitas marcas do monolinguismo envolto ao racismo linguístico na maneira como se pressupõe deficitária a linguagem utilizada por migrantes. Não obstante, a produção escrita de um dos integrantes do projeto revelou uma prática de linguagem translíngue (Canagarajah, 2013), contradizendo a imagem de falha e configurando-se como expressão dos processos de hibridismo (Hall, 2006) e tradução cultural (Bhabha, 2013). Assim, a análise revelou o potencial do multilinguismo, uma vez que o mesmo reconhece e fortalece o uso translíngue, sendo necessário articulá-lo a uma interculturalidade crítica (Walsh, 2012), de modo que não se naturalize as desigualdade e violências envoltas entre culturas, nacionalidades, raças e línguas no contexto de migração.From an autoethnographic perspective, this study investigates the effects produced by monolingual and non-monolingual modes of thinking (Canagarajah; Wurr, 2011) in a multilingual practice with Bolivian migrant students in a municipal school in the city of São Paulo. Based on a linguistic education that takes into account the body and territory in language teaching, I analyze how nationality, race, and language relate to each other. To this end, I use the concepts of coloniality of language (Veronelli, 2021) and linguistic racism (Nascimento, 2020), proposing a linguistic education that problematizes power relations in language teaching and linguistic uses (De Souza, 2022) (Rezende, 2020). Based on this view of language, I chose three events from the multilingual project to investigate, in my classroom practices, the ways in which I conceived the linguistic uses of migrant students. Through i) students\' textual production, ii) responses to forms about language, nationality, and self-declared race, and iii) classroom events, I identified racialized xenophobia (Faustino; Oliveira, 2022) in the relationship between students and in the ways I viewed language practices. In this way, I also found many traces of monolingualism wrapped up in linguistic racism in the way the language used by migrants is assumed to be deficient. Nevertheless, the written production of one of the project members revealed a practice of translingual language (Canagarajah, 2013), contradicting the image of failure and configuring itself as an expression of the processes of hybridity (Hall, 2006) and cultural translation (Bhabha, 2013). Thus, the analysis revealed the potential of multilingualism, since it recognizes and strengthens translingual use, making it necessary to articulate it with critical interculturality (Walsh, 2012), so that inequality and violence between cultures, nationalities, races, and languages in the context of migration are not naturalized.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPietri, Emerson deAlves, Talita Zanatta2025-08-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-23092025-085334/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-26T15:50:02Zoai:teses.usp.br:tde-23092025-085334Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-26T15:50:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
| dc.title.none.fl_str_mv |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração Another Educational Perspective: an autoethnography on language, race, and migration |
| title |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração |
| spellingShingle |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração Alves, Talita Zanatta Monolingualism; Migration; Linguistic racism Monolinguismo; Migração; Racismo linguístico |
| title_short |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração |
| title_full |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração |
| title_fullStr |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração |
| title_full_unstemmed |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração |
| title_sort |
Otra Mirada Educativa: uma autoetnografia sobre linguagem, raça e migração |
| author |
Alves, Talita Zanatta |
| author_facet |
Alves, Talita Zanatta |
| author_role |
author |
| dc.contributor.none.fl_str_mv |
Pietri, Emerson de |
| dc.contributor.author.fl_str_mv |
Alves, Talita Zanatta |
| dc.subject.por.fl_str_mv |
Monolingualism; Migration; Linguistic racism Monolinguismo; Migração; Racismo linguístico |
| topic |
Monolingualism; Migration; Linguistic racism Monolinguismo; Migração; Racismo linguístico |
| description |
Sob uma perspectiva autoetnográfica, o presente estudo investiga os efeitos produzidos por modos de pensamento monolíngues e não monolíngues (Canagarajah; Wurr, 2011), em uma prática multilíngue com estudantes migrantes bolivianos em uma escola municipal da cidade de São Paulo. Baseando-me em uma educação linguística que leve em consideração o corpo e o território no ensino de língua, analiso como nacionalidade, raça e língua relacionam-se. Para tal empreitada, utilizo os conceitos de colonialidade da linguagem (Veronelli, 2021) e racismo linguístico (Nascimento, 2020), propondo uma educação linguística que problematize as relações de poder no ensino de língua e nos usos linguísticos (De Souza, 2022) (Rezende, 2020). Com base nessa visão de linguagem, escolhi três acontecimentos do projeto multilíngue para investigar, nas minhas práticas em sala de aula, as maneiras como eu concebia os usos linguísticos de estudantes migrantes. Com i) a produção textual dos estudantes, ii) a respostas de formulários sobre língua, nacionalidade e autodeclaração racial, e iii) os acontecimentos em sala de aula, identificou-se uma xenofobia racializada (Faustino; Oliveira, 2022), na relação entre estudantes e nos modos como eu olhava para as práticas de linguagem. Dessa maneira, encontrei ainda muitas marcas do monolinguismo envolto ao racismo linguístico na maneira como se pressupõe deficitária a linguagem utilizada por migrantes. Não obstante, a produção escrita de um dos integrantes do projeto revelou uma prática de linguagem translíngue (Canagarajah, 2013), contradizendo a imagem de falha e configurando-se como expressão dos processos de hibridismo (Hall, 2006) e tradução cultural (Bhabha, 2013). Assim, a análise revelou o potencial do multilinguismo, uma vez que o mesmo reconhece e fortalece o uso translíngue, sendo necessário articulá-lo a uma interculturalidade crítica (Walsh, 2012), de modo que não se naturalize as desigualdade e violências envoltas entre culturas, nacionalidades, raças e línguas no contexto de migração. |
| publishDate |
2025 |
| dc.date.none.fl_str_mv |
2025-08-01 |
| dc.type.status.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/publishedVersion |
| dc.type.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/masterThesis |
| format |
masterThesis |
| status_str |
publishedVersion |
| dc.identifier.uri.fl_str_mv |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-23092025-085334/ |
| url |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-23092025-085334/ |
| dc.language.iso.fl_str_mv |
por |
| language |
por |
| dc.relation.none.fl_str_mv |
|
| dc.rights.driver.fl_str_mv |
Liberar o conteúdo para acesso público. info:eu-repo/semantics/openAccess |
| rights_invalid_str_mv |
Liberar o conteúdo para acesso público. |
| eu_rights_str_mv |
openAccess |
| dc.format.none.fl_str_mv |
application/pdf |
| dc.coverage.none.fl_str_mv |
|
| dc.publisher.none.fl_str_mv |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP |
| publisher.none.fl_str_mv |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP |
| dc.source.none.fl_str_mv |
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP instname:Universidade de São Paulo (USP) instacron:USP |
| instname_str |
Universidade de São Paulo (USP) |
| instacron_str |
USP |
| institution |
USP |
| reponame_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| collection |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| repository.name.fl_str_mv |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP) |
| repository.mail.fl_str_mv |
virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br |
| _version_ |
1865492337090625536 |