Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinas
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-17062025-162505/ |
Resumo: | INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: A febre reumática (FR) permanece prevalente em populações de baixa renda, principalmente em países em desenvolvimento, nos quais condições socioeconômicas desfavoráveis e o acesso limitado aos cuidados de saúde perpetuam o ciclo de diagnóstico e tratamento tardios. A cardite reumática, complicação mais temida da FR, frequentemente, evolui silenciosamente para a doença cardíaca reumática subclínica (DCRSC), uma condição que pode passar despercebida até que atinja um estágio avançado. A ausência de sinais clínicos claros para o diagnóstico precoce da DCRSC impõe desafios significativos à implementação de medidas preventivas eficazes. Neste contexto, compreender os mecanismos imunopatogênicos e fisiopatológicos subjacentes à DCRSC e explorar métodos de detecção precoce, como a ausculta digital e análise das citocinas, são passos cruciais para aprimorar o manejo dessa condição. Este estudo tem como objetivo avaliar a prevalência de DCRSC em uma população socioeconomicamente desfavorecida de São Paulo, analisar os perfis de citocinas no início do diagnóstico comparando DCRSC limítrofe e DCRSC definitiva aos indivíduos saudáveis e após dois anos, com o intuito de investigar as alterações em todas as fases da DCRSC (limítrofe + definitiva), e investigar a viabilidade da ausculta digital como alternativa à triagem ecocardiográfica. MÉTODOS: Foram incluídas 1.030 crianças que passaram por uma avaliação abrangente, incluindo ecocardiografia bidimensional, análise socioeconômica, histórico de amigdalites recorrentes e uso de antibióticos. A triagem ecocardiográfica foi realizada por cardiologistas experientes utilizando o equipamento VIVID I, seguindo os critérios da World Heart Federation (WHF) de 2012 para identificar os grupos. Os participantes foram classificados em três grupos: DCRSC limítrofe, DCRSC definitiva e controle (selecionado por propensity score). A ausculta cardíaca digital foi realizada no momento inicial utilizando o estetoscópio Thinklabs One® e as gravações foram analisadas por dois cardiologistas, sem acesso aos resultados ecocardiográficos. Para avaliar a eficácia da ausculta digital, seus resultados foram comparados com os da ecocardiografia (padrão-ouro) utilizando coeficiente de Kappa, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP) e valor preditivo negativo (VPN). Amostras de sangue foram coletadas no início do estudo (T0) e após 2 anos (T1), para quantificação de citocinas inflamatórias (IL-6, IL-17A, IFN e TNF-) e anti-inflamatórias (IL-2, IL-4 e IL-10), utilizando o kit CBA Human Th1/Th2/Th17. A análise estatística incluiu testes de Kruskal-Wallis, ANOVA e modelos lineares generalizados, com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Foram avaliados 1026 indivíduos em 14 Unidades Básicas de Saúde. A idade mediana foi de 9,0 (7-11) anos, sendo 49,4% do sexo feminino. A prevalência de DCRSC foi de 7,6% (IC 95% 6-9,2%), com 6,7% classificados como DCRSC limítrofe (IC 95% 5,2-8,2%) e 0,9% como DCRSC definitiva (IC 95% 0,3-1,5%). Não houve diferenças significativas nas características demográficas e socioeconômicas entre os grupos-controle, DCRSC limítrofe e definitiva (p>0,05). A amoxicilina foi o antibiótico mais prescrito (74,6%), com variações no uso de penicilina G benzatina e cefalexina nos casos de DCRSC (limítrofe + definitiva). A insuficiência mitral foi observada em 97,4% dos casos de DCRSC e a ausculta digital não se mostrou eficaz como método de triagem quando comparada à ecocardiografia. Os níveis da citocina IL-6 foram mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle no momento da avaliação inicial (T0). As citocinas permaneceram estáveis após dois anos de acompanhamento em todas as fases da DCRSC (limítrofe+definitiva). CONCLUSÕES: A elevada prevalência de DCRSC observada em uma população socioeconômica desfavorecida de São Paulo ressalta a necessidade urgente de implementação de estratégias mais eficazes para triagem e intervenção precoce. A análise demográfica e a avaliação do uso de antibióticos não revelaram diferenças significativas entre os grupos. A ausculta digital não foi eficaz como ferramenta de triagem, reafirmando a ecocardiografia como método padrão-ouro para a detecção precoce dessa condição. Os achados ecocardiográficos reforçam a importância da ecocardiografia como ferramenta essencial para o diagnóstico precoce e o manejo da DCRSC. A análise dos perfis de citocinas revelou que os níveis de IL-6 foram significativamente mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle na avaliação inicial, sugerindo que a IL-6 pode atuar como um indicador precoce de cardite reumática subclínica. Após dois anos, os níveis de citocinas mantiveram-se estáveis, indicando persistência da resposta inflamatória. A ausência de variações significativas nas citocinas anti-inflamatórias pode refletir uma falha na resposta regulatória imunológica. Os achados reforçam a importância da ecocardiografia e da análise de citocinas, especialmente da IL-6, no diagnóstico precoce e manejo da DCRSC. Investigações futuras devem explorar o potencial da IL-6 como biomarcador e alvo terapêutico na prevenção da progressão da DCR |
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Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinasPrevalence and diagnosis of subclinical rheumatic carditis in a community in the city of São Paulo: integration of digital auscultation, echocardiography, and longitudinal cytokinr analysisAusculta digitalCardiopatia reumática subclínica/diagnóstico por imagemCardiopatia reumática subclínica/epidemiologiaCitocinasCytokinesDiagnóstico precoceDigital auscultationEarly diagnosisFebre reumáticaIL-6IL-6Rheumatic feverSubclinical rheumatic carditis/diagnostic imagingSubclinical rheumatic carditis/epidemiologyINTRODUÇÃO E OBJETIVOS: A febre reumática (FR) permanece prevalente em populações de baixa renda, principalmente em países em desenvolvimento, nos quais condições socioeconômicas desfavoráveis e o acesso limitado aos cuidados de saúde perpetuam o ciclo de diagnóstico e tratamento tardios. A cardite reumática, complicação mais temida da FR, frequentemente, evolui silenciosamente para a doença cardíaca reumática subclínica (DCRSC), uma condição que pode passar despercebida até que atinja um estágio avançado. A ausência de sinais clínicos claros para o diagnóstico precoce da DCRSC impõe desafios significativos à implementação de medidas preventivas eficazes. Neste contexto, compreender os mecanismos imunopatogênicos e fisiopatológicos subjacentes à DCRSC e explorar métodos de detecção precoce, como a ausculta digital e análise das citocinas, são passos cruciais para aprimorar o manejo dessa condição. Este estudo tem como objetivo avaliar a prevalência de DCRSC em uma população socioeconomicamente desfavorecida de São Paulo, analisar os perfis de citocinas no início do diagnóstico comparando DCRSC limítrofe e DCRSC definitiva aos indivíduos saudáveis e após dois anos, com o intuito de investigar as alterações em todas as fases da DCRSC (limítrofe + definitiva), e investigar a viabilidade da ausculta digital como alternativa à triagem ecocardiográfica. MÉTODOS: Foram incluídas 1.030 crianças que passaram por uma avaliação abrangente, incluindo ecocardiografia bidimensional, análise socioeconômica, histórico de amigdalites recorrentes e uso de antibióticos. A triagem ecocardiográfica foi realizada por cardiologistas experientes utilizando o equipamento VIVID I, seguindo os critérios da World Heart Federation (WHF) de 2012 para identificar os grupos. Os participantes foram classificados em três grupos: DCRSC limítrofe, DCRSC definitiva e controle (selecionado por propensity score). A ausculta cardíaca digital foi realizada no momento inicial utilizando o estetoscópio Thinklabs One® e as gravações foram analisadas por dois cardiologistas, sem acesso aos resultados ecocardiográficos. Para avaliar a eficácia da ausculta digital, seus resultados foram comparados com os da ecocardiografia (padrão-ouro) utilizando coeficiente de Kappa, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP) e valor preditivo negativo (VPN). Amostras de sangue foram coletadas no início do estudo (T0) e após 2 anos (T1), para quantificação de citocinas inflamatórias (IL-6, IL-17A, IFN e TNF-) e anti-inflamatórias (IL-2, IL-4 e IL-10), utilizando o kit CBA Human Th1/Th2/Th17. A análise estatística incluiu testes de Kruskal-Wallis, ANOVA e modelos lineares generalizados, com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Foram avaliados 1026 indivíduos em 14 Unidades Básicas de Saúde. A idade mediana foi de 9,0 (7-11) anos, sendo 49,4% do sexo feminino. A prevalência de DCRSC foi de 7,6% (IC 95% 6-9,2%), com 6,7% classificados como DCRSC limítrofe (IC 95% 5,2-8,2%) e 0,9% como DCRSC definitiva (IC 95% 0,3-1,5%). Não houve diferenças significativas nas características demográficas e socioeconômicas entre os grupos-controle, DCRSC limítrofe e definitiva (p>0,05). A amoxicilina foi o antibiótico mais prescrito (74,6%), com variações no uso de penicilina G benzatina e cefalexina nos casos de DCRSC (limítrofe + definitiva). A insuficiência mitral foi observada em 97,4% dos casos de DCRSC e a ausculta digital não se mostrou eficaz como método de triagem quando comparada à ecocardiografia. Os níveis da citocina IL-6 foram mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle no momento da avaliação inicial (T0). As citocinas permaneceram estáveis após dois anos de acompanhamento em todas as fases da DCRSC (limítrofe+definitiva). CONCLUSÕES: A elevada prevalência de DCRSC observada em uma população socioeconômica desfavorecida de São Paulo ressalta a necessidade urgente de implementação de estratégias mais eficazes para triagem e intervenção precoce. A análise demográfica e a avaliação do uso de antibióticos não revelaram diferenças significativas entre os grupos. A ausculta digital não foi eficaz como ferramenta de triagem, reafirmando a ecocardiografia como método padrão-ouro para a detecção precoce dessa condição. Os achados ecocardiográficos reforçam a importância da ecocardiografia como ferramenta essencial para o diagnóstico precoce e o manejo da DCRSC. A análise dos perfis de citocinas revelou que os níveis de IL-6 foram significativamente mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle na avaliação inicial, sugerindo que a IL-6 pode atuar como um indicador precoce de cardite reumática subclínica. Após dois anos, os níveis de citocinas mantiveram-se estáveis, indicando persistência da resposta inflamatória. A ausência de variações significativas nas citocinas anti-inflamatórias pode refletir uma falha na resposta regulatória imunológica. Os achados reforçam a importância da ecocardiografia e da análise de citocinas, especialmente da IL-6, no diagnóstico precoce e manejo da DCRSC. Investigações futuras devem explorar o potencial da IL-6 como biomarcador e alvo terapêutico na prevenção da progressão da DCRINTRODUCTION AND OBJECTIVES: Rheumatic fever (RF) remains prevalent in low-income populations, especially in developing countries, where unfavorable socioeconomic conditions and limited access to healthcare perpetuate the cycle of late diagnosis and treatment. Rheumatic carditis, the most feared complication of RF, often evolves silently into subclinical rheumatic heart disease (SCRHD), a condition that may go unnoticed until it reaches an advanced stage. The absence of clear clinical signs for early diagnosis of SCRHD poses significant challenges to the implementation of effective preventive measures. In this context, understanding the underlying immunopathogenic and pathophysiological mechanisms of SCRHD and exploring early detection methods, such as digital auscultation and cytokine analysis, are crucial steps to enhance the management of this condition. This study aims to evaluate the prevalence of SCRHD in a socioeconomically disadvantaged population in São Paulo, analyze cytokine profiles at the onset of diagnosis by comparing borderline and definite SCRHD to healthy individuals and after two years, with the aim of investigating changes in all phases of SCRHD (borderline + definite), and investigate the feasibility of digital auscultation as an alternative to echocardiographic screening. METHODS: 1,030 children underwent a comprehensive assessment, including two-dimensional echocardiography, socioeconomic analysis, history of recurrent tonsillitis, and antibiotic use. The echocardiographic screening was performed by experienced cardiologists using the VIVID I equipment, following the 2012 World Heart Federation (WHF) criteria to identify the groups. Participants were classified into three groups: borderline SCRHD, definite SCRHD, and control (selected by propensity score). Digital cardiac auscultation was performed at the initial time point using the Thinklabs One® stethoscope, and two cardiologists analyzed recordings without access to the echocardiographic results. To assess the efficacy of digital auscultation, its results were compared with those of echocardiography (gold standard) using the Kappa coefficient, sensitivity, specificity, positive predictive value (PPV), and negative predictive value (NPV). Blood samples were collected at the start of the study (T0) and after two years (T1) to quantify inflammatory (IL-6, IL-17A, IFN, and TNF-) and anti-inflammatory (IL-2, IL-4, and IL-10) cytokines using the Human Th1/Th2/Th17 CBA kit. Statistical analysis included Kruskal-Wallis tests, ANOVA, and generalized linear models, with a significance level of 5%. RESULTS: 1,026 individuals were assessed across 14 primary healthcare units. The median age was 9.0 (7-11) years, with 49.4% female. The prevalence of SCRHD was 7.6% (95% CI 6-9.2%), with 6.7% classified as borderline SCRHD (95% CI 5.2-8.2%) and 0.9% as definite SCRHD (95% CI 0.3-1.5%). There were no significant differences in demographic and socioeconomic characteristics between the control, borderline SCRHD, and definite SCRHD groups (p>0.05). Amoxicillin was the most prescribed antibiotic (74.6%), with benzathine penicillin G and cephalexin variations in cases of SCRHD (borderline + definite). Mitral regurgitation was observed in 97.4% of SCRHD cases, and digital auscultation was ineffective as a screening method compared to echocardiography. IL-6 levels were higher in the borderline SCRHD group compared to the control group at the initial evaluation (T0). Cytokine levels remained stable after two years of follow-up across all SCRHD phases (borderline+definite). CONCLUSIONS: The high prevalence of SCRHD observed in a socioeconomically disadvantaged population in São Paulo underscores the urgent need for more effective strategies for screening and early intervention. The demographic analysis and evaluation of antibiotic use did not reveal significant differences between the groups. Digital auscultation was ineffective as a screening tool, reaffirming echocardiography as the gold standard method for early detection of this condition. Echocardiographic findings reinforce the importance of echocardiography as an essential tool for the early diagnosis and management of SCRHD. Cytokine profile analysis revealed that IL-6 levels were significantly higher in the borderline SCRHD group compared to the control group at the initial evaluation, suggesting that IL-6 may be an early indicator of subclinical rheumatic carditis. After two years, cytokine levels remained stable, indicating the persistence of the inflammatory response. The absence of significant variations in anti-inflammatory cytokines may reflect a failure in the immunoregulatory response. The findings reinforce the importance of echocardiography and cytokine analysis, particularly IL-6, in the early diagnosis and management of SCRHD. Future investigations should explore the potential of IL-6 as a biomarker and therapeutic target in preventing the progression of RHDBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSampaio, Roney OrismarBranco, Carlos Eduardo de Barros2024-12-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-17062025-162505/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-24T18:31:02Zoai:teses.usp.br:tde-17062025-162505Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-24T18:31:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Prevalência e diagnóstico de cardite reumática subclínica em comunidade da cidade de São Paulo: integração da ausculta digital, ecocardiografia e análise longitudinal de citocinas Branco, Carlos Eduardo de Barros Ausculta digital Cardiopatia reumática subclínica/diagnóstico por imagem Cardiopatia reumática subclínica/epidemiologia Citocinas Cytokines Diagnóstico precoce Digital auscultation Early diagnosis Febre reumática IL-6 IL-6 Rheumatic fever Subclinical rheumatic carditis/diagnostic imaging Subclinical rheumatic carditis/epidemiology |
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INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: A febre reumática (FR) permanece prevalente em populações de baixa renda, principalmente em países em desenvolvimento, nos quais condições socioeconômicas desfavoráveis e o acesso limitado aos cuidados de saúde perpetuam o ciclo de diagnóstico e tratamento tardios. A cardite reumática, complicação mais temida da FR, frequentemente, evolui silenciosamente para a doença cardíaca reumática subclínica (DCRSC), uma condição que pode passar despercebida até que atinja um estágio avançado. A ausência de sinais clínicos claros para o diagnóstico precoce da DCRSC impõe desafios significativos à implementação de medidas preventivas eficazes. Neste contexto, compreender os mecanismos imunopatogênicos e fisiopatológicos subjacentes à DCRSC e explorar métodos de detecção precoce, como a ausculta digital e análise das citocinas, são passos cruciais para aprimorar o manejo dessa condição. Este estudo tem como objetivo avaliar a prevalência de DCRSC em uma população socioeconomicamente desfavorecida de São Paulo, analisar os perfis de citocinas no início do diagnóstico comparando DCRSC limítrofe e DCRSC definitiva aos indivíduos saudáveis e após dois anos, com o intuito de investigar as alterações em todas as fases da DCRSC (limítrofe + definitiva), e investigar a viabilidade da ausculta digital como alternativa à triagem ecocardiográfica. MÉTODOS: Foram incluídas 1.030 crianças que passaram por uma avaliação abrangente, incluindo ecocardiografia bidimensional, análise socioeconômica, histórico de amigdalites recorrentes e uso de antibióticos. A triagem ecocardiográfica foi realizada por cardiologistas experientes utilizando o equipamento VIVID I, seguindo os critérios da World Heart Federation (WHF) de 2012 para identificar os grupos. Os participantes foram classificados em três grupos: DCRSC limítrofe, DCRSC definitiva e controle (selecionado por propensity score). A ausculta cardíaca digital foi realizada no momento inicial utilizando o estetoscópio Thinklabs One® e as gravações foram analisadas por dois cardiologistas, sem acesso aos resultados ecocardiográficos. Para avaliar a eficácia da ausculta digital, seus resultados foram comparados com os da ecocardiografia (padrão-ouro) utilizando coeficiente de Kappa, sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP) e valor preditivo negativo (VPN). Amostras de sangue foram coletadas no início do estudo (T0) e após 2 anos (T1), para quantificação de citocinas inflamatórias (IL-6, IL-17A, IFN e TNF-) e anti-inflamatórias (IL-2, IL-4 e IL-10), utilizando o kit CBA Human Th1/Th2/Th17. A análise estatística incluiu testes de Kruskal-Wallis, ANOVA e modelos lineares generalizados, com nível de significância de 5%. RESULTADOS: Foram avaliados 1026 indivíduos em 14 Unidades Básicas de Saúde. A idade mediana foi de 9,0 (7-11) anos, sendo 49,4% do sexo feminino. A prevalência de DCRSC foi de 7,6% (IC 95% 6-9,2%), com 6,7% classificados como DCRSC limítrofe (IC 95% 5,2-8,2%) e 0,9% como DCRSC definitiva (IC 95% 0,3-1,5%). Não houve diferenças significativas nas características demográficas e socioeconômicas entre os grupos-controle, DCRSC limítrofe e definitiva (p>0,05). A amoxicilina foi o antibiótico mais prescrito (74,6%), com variações no uso de penicilina G benzatina e cefalexina nos casos de DCRSC (limítrofe + definitiva). A insuficiência mitral foi observada em 97,4% dos casos de DCRSC e a ausculta digital não se mostrou eficaz como método de triagem quando comparada à ecocardiografia. Os níveis da citocina IL-6 foram mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle no momento da avaliação inicial (T0). As citocinas permaneceram estáveis após dois anos de acompanhamento em todas as fases da DCRSC (limítrofe+definitiva). CONCLUSÕES: A elevada prevalência de DCRSC observada em uma população socioeconômica desfavorecida de São Paulo ressalta a necessidade urgente de implementação de estratégias mais eficazes para triagem e intervenção precoce. A análise demográfica e a avaliação do uso de antibióticos não revelaram diferenças significativas entre os grupos. A ausculta digital não foi eficaz como ferramenta de triagem, reafirmando a ecocardiografia como método padrão-ouro para a detecção precoce dessa condição. Os achados ecocardiográficos reforçam a importância da ecocardiografia como ferramenta essencial para o diagnóstico precoce e o manejo da DCRSC. A análise dos perfis de citocinas revelou que os níveis de IL-6 foram significativamente mais elevados no grupo DCRSC limítrofe em comparação ao grupo-controle na avaliação inicial, sugerindo que a IL-6 pode atuar como um indicador precoce de cardite reumática subclínica. 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