Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Gaulês, Murilo Moraes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27162/tde-08082025-141906/
Resumo: Desde meados do século XIX, o teatro tem sido um campo de disputa ocupado por artistas e ativistas engajados na luta abolicionista no Brasil. Após os eventos de 1888, com a suposta abolição da escravatura, as prisões assumiram a continuidade do projeto colonialista, tornando-se grandes depósitos de marginalizados marcados para morrer. Mas é somente por volta das primeiras décadas do século XX que o teatro ressurge em território nacional como possibilidade de enfrentamento à ideia do cárcere, com suas primeiras manifestações localizadas no Teatro do Sentenciado de Abdias Nascimento, no antigo Complexo do Carandiru. Essas experiências deram início a um legado de manifestações nas artes da cena por todo o país em que coletivos e artistas têm elaborado estratégias que evocam reflexões e transformações acerca da justiça punitivista a que fomos historicamente submetidos. Desde 2015, a CiA dXs TeRrOrIsTaS, coletivo de artes da periferia norte da cidade de São Paulo, tem levado adiante esse legado, inspirados pela metodologia criativa de produção de ficções visionárias desenvolvida pela escritora e ativista estadunidense, Walidah Imarisha. A partir de uma perspectiva integralista e visionária, essa pesquisa busca mapear as ações realizadas pela CiA dXs TeRrOrIsTaS, aliada a outros coletivos artísticos e movimentos sociais, para investigar a produção de sonhos comunitários como metodologia de criação e contribuição para o campo da criminologia e do legado abolicionista, evocando novos e melhores mundos onde as prisões não sejam mais necessárias. Durante a realização da pesquisa , foram produzidas diversas obras artísticas em múltiplas linguagens, apoiadas no método de Imarisha, que atuaram como experimentos de pesquisa-intervenção e, consequentemente, se desdobraram em leituras etnográficas e auto-etnográficas que estão organizadas nessa tese, que também se apresenta como uma ficção visionária. As relações entre teatro, prisão e abolicionismo são tensionadas e investigadas, com maior incidência no recorte Estados Unidos e Brasil (que ocupam a primeira e a terceira posição no ranking de países que mais encarceram no mundo). Busca-se, assim, organizar repertórios ancestrais para resolução de conflitos que são retomados de práticas ancestrais a partir de movimentos artísticos e culturais, tendo as artes da cena como campo expandido para mover saberes emancipatórios.
id USP_d275bd3086d3d08c093d0e09a0af122f
oai_identifier_str oai:teses.usp.br:tde-08082025-141906
network_acronym_str USP
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository_id_str
spelling Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição-abolicionismo penalabolitionist theatercommunity theaterficções visionáriaspenal abolitionismpoetic terrorismteatro abolicionistateatro comunitárioterrorismo poéticovisionary fictionsDesde meados do século XIX, o teatro tem sido um campo de disputa ocupado por artistas e ativistas engajados na luta abolicionista no Brasil. Após os eventos de 1888, com a suposta abolição da escravatura, as prisões assumiram a continuidade do projeto colonialista, tornando-se grandes depósitos de marginalizados marcados para morrer. Mas é somente por volta das primeiras décadas do século XX que o teatro ressurge em território nacional como possibilidade de enfrentamento à ideia do cárcere, com suas primeiras manifestações localizadas no Teatro do Sentenciado de Abdias Nascimento, no antigo Complexo do Carandiru. Essas experiências deram início a um legado de manifestações nas artes da cena por todo o país em que coletivos e artistas têm elaborado estratégias que evocam reflexões e transformações acerca da justiça punitivista a que fomos historicamente submetidos. Desde 2015, a CiA dXs TeRrOrIsTaS, coletivo de artes da periferia norte da cidade de São Paulo, tem levado adiante esse legado, inspirados pela metodologia criativa de produção de ficções visionárias desenvolvida pela escritora e ativista estadunidense, Walidah Imarisha. A partir de uma perspectiva integralista e visionária, essa pesquisa busca mapear as ações realizadas pela CiA dXs TeRrOrIsTaS, aliada a outros coletivos artísticos e movimentos sociais, para investigar a produção de sonhos comunitários como metodologia de criação e contribuição para o campo da criminologia e do legado abolicionista, evocando novos e melhores mundos onde as prisões não sejam mais necessárias. Durante a realização da pesquisa , foram produzidas diversas obras artísticas em múltiplas linguagens, apoiadas no método de Imarisha, que atuaram como experimentos de pesquisa-intervenção e, consequentemente, se desdobraram em leituras etnográficas e auto-etnográficas que estão organizadas nessa tese, que também se apresenta como uma ficção visionária. As relações entre teatro, prisão e abolicionismo são tensionadas e investigadas, com maior incidência no recorte Estados Unidos e Brasil (que ocupam a primeira e a terceira posição no ranking de países que mais encarceram no mundo). Busca-se, assim, organizar repertórios ancestrais para resolução de conflitos que são retomados de práticas ancestrais a partir de movimentos artísticos e culturais, tendo as artes da cena como campo expandido para mover saberes emancipatórios.Since the mid-19th century, theater has been a field of dispute occupied by artists and activists engaged in the abolitionist struggle in Brazil. After the events of 1888, with the supposed abolition of slavery, prisons assumed the continuity of the colonialist project, becoming large deposits for marginalized people marked for death. However, it was only around the first decades of the 20th century that theater re-emerged in Brazil as a possibility of confronting the idea of prison, with its first manifestations located at the Teatro do Sentenciado de Abdias Nascimento, in the former Carandiru Complex. These experiences began a legacy of manifestations in the performing arts throughout the country in which collectives and artists have developed strategies that evoke reflections and transformations about the punitive justice to which we have historically been subjected. Since 2015, CiA dXs TeRrOrIsTaS, an arts collective from the northern outskirts of the city of São Paulo, has been carrying forward this legacy, inspired by the creative methodology of producing visionary fictions developed by the American writer and activist, Walidah Imarisha. From an integralist and visionary perspective, this research seeks to map the actions carried out by CiA dXs TeRrOrIsTaS, in alliance with other artistic collectives and social movements, to investigate the production of community dreams as a methodology of creation and contribution to the field of criminology and the abolitionist legacy, evoking new and better worlds where prisons are no longer necessary. During the research, several artistic works were produced in multiple languages, supported by Imarisha\'s method, which acted as intervention research experiments and, consequently, unfolded into ethnographic and auto-ethnographic readings that are organized in this thesis, which also presents itself as a visionary fiction. The relationships between theater, prison, and abolitionism are under scrutiny and investigated, with a greater focus on the United States and Brazil (which occupy the first and third positions in the ranking of countries with the highest number of incarcerations in the world). The aim is to organize ancestral repertoires for resolving conflicts that are taken up from ancestral practices based on artistic and cultural movements, with the performing arts as an expanded field for moving emancipatory knowledge.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBastos, Maria Helena Franco de AraujoGaulês, Murilo Moraes2025-03-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27162/tde-08082025-141906/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-21T17:02:48Zoai:teses.usp.br:tde-08082025-141906Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-21T17:02:48Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
dc.title.none.fl_str_mv Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
-
title Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
spellingShingle Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
Gaulês, Murilo Moraes
abolicionismo penal
abolitionist theater
community theater
ficções visionárias
penal abolitionism
poetic terrorism
teatro abolicionista
teatro comunitário
terrorismo poético
visionary fictions
title_short Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
title_full Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
title_fullStr Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
title_full_unstemmed Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
title_sort Borboletas no asfalto: uma perspectiva fractal sobre artes da cena, prisão e abolição
author Gaulês, Murilo Moraes
author_facet Gaulês, Murilo Moraes
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Bastos, Maria Helena Franco de Araujo
dc.contributor.author.fl_str_mv Gaulês, Murilo Moraes
dc.subject.por.fl_str_mv abolicionismo penal
abolitionist theater
community theater
ficções visionárias
penal abolitionism
poetic terrorism
teatro abolicionista
teatro comunitário
terrorismo poético
visionary fictions
topic abolicionismo penal
abolitionist theater
community theater
ficções visionárias
penal abolitionism
poetic terrorism
teatro abolicionista
teatro comunitário
terrorismo poético
visionary fictions
description Desde meados do século XIX, o teatro tem sido um campo de disputa ocupado por artistas e ativistas engajados na luta abolicionista no Brasil. Após os eventos de 1888, com a suposta abolição da escravatura, as prisões assumiram a continuidade do projeto colonialista, tornando-se grandes depósitos de marginalizados marcados para morrer. Mas é somente por volta das primeiras décadas do século XX que o teatro ressurge em território nacional como possibilidade de enfrentamento à ideia do cárcere, com suas primeiras manifestações localizadas no Teatro do Sentenciado de Abdias Nascimento, no antigo Complexo do Carandiru. Essas experiências deram início a um legado de manifestações nas artes da cena por todo o país em que coletivos e artistas têm elaborado estratégias que evocam reflexões e transformações acerca da justiça punitivista a que fomos historicamente submetidos. Desde 2015, a CiA dXs TeRrOrIsTaS, coletivo de artes da periferia norte da cidade de São Paulo, tem levado adiante esse legado, inspirados pela metodologia criativa de produção de ficções visionárias desenvolvida pela escritora e ativista estadunidense, Walidah Imarisha. A partir de uma perspectiva integralista e visionária, essa pesquisa busca mapear as ações realizadas pela CiA dXs TeRrOrIsTaS, aliada a outros coletivos artísticos e movimentos sociais, para investigar a produção de sonhos comunitários como metodologia de criação e contribuição para o campo da criminologia e do legado abolicionista, evocando novos e melhores mundos onde as prisões não sejam mais necessárias. Durante a realização da pesquisa , foram produzidas diversas obras artísticas em múltiplas linguagens, apoiadas no método de Imarisha, que atuaram como experimentos de pesquisa-intervenção e, consequentemente, se desdobraram em leituras etnográficas e auto-etnográficas que estão organizadas nessa tese, que também se apresenta como uma ficção visionária. As relações entre teatro, prisão e abolicionismo são tensionadas e investigadas, com maior incidência no recorte Estados Unidos e Brasil (que ocupam a primeira e a terceira posição no ranking de países que mais encarceram no mundo). Busca-se, assim, organizar repertórios ancestrais para resolução de conflitos que são retomados de práticas ancestrais a partir de movimentos artísticos e culturais, tendo as artes da cena como campo expandido para mover saberes emancipatórios.
publishDate 2025
dc.date.none.fl_str_mv 2025-03-28
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27162/tde-08082025-141906/
url https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27162/tde-08082025-141906/
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.none.fl_str_mv
dc.rights.driver.fl_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.coverage.none.fl_str_mv
dc.publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
dc.source.none.fl_str_mv
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
instname:Universidade de São Paulo (USP)
instacron:USP
instname_str Universidade de São Paulo (USP)
instacron_str USP
institution USP
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)
repository.mail.fl_str_mv virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br
_version_ 1848370481674059776