Saúde mental do estudante de medicina LGBTQIA+
| Ano de defesa: | 2024 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-06082025-121010/ |
Resumo: | INTRODUÇÃO: Historicamente, a comunidade LGBTQIA+ enfrenta a condição de minoria social, resultando em um fenômeno conhecido como \"estresse de minoria\", diretamente associado a piores indicadores de saúde física e mental. Paralelamente, as faculdades de medicina são conhecidas pelo alto nível de estresse e baixa qualidade de vida, vinculados a elevados índices de transtornos mentais entre os estudantes. A interseção entre o estresse de minoria e o ambiente acadêmico pode tornar os estudantes LGBTQIA+ ainda mais vulneráveis. OBJETIVO: Este estudo visa analisar a saúde mental de estudantes de medicina LGBTQIA+, relacionando-a a indicadores de estresse de minoria, qualidade de vida e resiliência. MÉTODO: Estudo exploratório transversal realizado em São Paulo, com coleta de dados de 19 de março a 25 de julho de 2019, utilizando recrutamento por snowballing. Foram avaliados sintomas depressivos (Inventário de Depressão de Beck), sintomas de ansiedade (Inventário de Ansiedade Traço-Estado), estresse de minoria (Inventário de Homofobia Internalizada - IHNI), qualidade de vida (questionário VERAS) e resiliência (Escala RS-14). RESULTADOS: Dos 732 convocados, 404 responderam, representando 27 faculdades. Entre os homens (n=250), 84,8% eram homossexuais e 15,2% bissexuais. Entre as mulheres (n=151), 29,14% eram homossexuais e 70,86% bissexuais. A prevalência de sintomas depressivos foi de 63,1%, com 24,8% de sintomas moderados a graves. Houve significância para identidade de gênero (p=0,045) e orientação sexual (p=0,032), com mulheres e bissexuais mais afetados. Tempo de deslocamento acima de uma hora (p=0,034), etnia (preto/pardo/indígena, p=0,042), baixa escolaridade materna (p=0,035), pior autopercepção acadêmica (p=0,000) e maior IMC (p=0,000) também se associaram à gravidade dos sintomas. Participação em associações atléticas foi protetiva (p=0,026). A prevalência de ansiedade moderada a grave foi de 100%, com sintomas graves predominando. A ansiedade traço foi significativa em relação ao ano de graduação (p=0,039) e tempo de deslocamento (p=0,033), maior IMC (p=0,015) e pior autopercepção acadêmica (0,029). Participação em atléticas reduziu a gravidade dos sintomas (p=0,011). Em relação à qualidade de vida, etnia (QVG, p=0,021), maior tempo de deslocamento (QVG, p=0,008), baixa escolaridade materna (QVG, p=0,000; QVE, p=0,001), baixa escolaridade paterna (QVG, p=0,000), auxílio financeiro (QVE, p=0,04), deficiência física (QVG, p=0,025; QVE, p=0,041) e pior autopercepção acadêmica (QVG e QVE, p=0,000) estiveram associados a pior qualidade de vida. Em contraste, participação em atléticas (QVG, p=0,036; QVE, p=0,000) e morar com amigos (QVG, p=0,041; QVE, p=0,017) foram protetores. Em relação à resiliência, morar com amigos (p=0,009) e ter religião (p=0,041) foram protetivos. Piores escores de resiliência foram associados a baixa autopercepção acadêmica, uso de medicação psicotrópica, diagnóstico de transtorno mental e baixa escolaridade dos pais (todos, p=0,000). Em relação à homofobia internalizada (IHI), ter religião e baixa escolaridade dos pais aumentaram a IHI (p=0,004, p=0,027 para mães, p=0,034 para pais). Houve correlações significativas entre depressão e ansiedade (p=0,000), com correlação negativa entre depressão e qualidade de vida geral e específica (p=0,000) e resiliência (p=0,000). A homofobia internalizada correlacionou-se positivamente com depressão (p=0,000) e negativamente com qualidade de vida (p=0,001) e resiliência (p=0,004). Resiliência também apresentou correlação negativa com ansiedade (p=0,000) e positiva com qualidade de vida (p=0,000). A ansiedade correlacionou-se negativamente com qualidade de vida geral e específica (p=0,000). CONCLUSÃO: A alta prevalência de sintomas depressivos e ansiosos entre estudantes de medicina LGBTQIA+ associa-se com pior qualidade de vida, menor resiliência, altos índices de homofobia internalizada e piores autoavaliações acadêmicas. Vulnerabilidades incluem ser mulher, bissexual, preto, pardo ou indígena, baixa renda, deficiência física e IMC elevado. Fatores protetivos incluem morar com amigos, participação em atléticas e maior nível educacional dos pais. A ação das faculdades de medicina na promoção da saúde mental dos estudantes LGBTQIA+ deve ser multidisciplinar e multidimensional, a fim de promover o suporte social e a promoção da qualidade de vida, focando no sentimento de pertencimento e de autoaceitação |
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OBJETIVO: Este estudo visa analisar a saúde mental de estudantes de medicina LGBTQIA+, relacionando-a a indicadores de estresse de minoria, qualidade de vida e resiliência. MÉTODO: Estudo exploratório transversal realizado em São Paulo, com coleta de dados de 19 de março a 25 de julho de 2019, utilizando recrutamento por snowballing. Foram avaliados sintomas depressivos (Inventário de Depressão de Beck), sintomas de ansiedade (Inventário de Ansiedade Traço-Estado), estresse de minoria (Inventário de Homofobia Internalizada - IHNI), qualidade de vida (questionário VERAS) e resiliência (Escala RS-14). RESULTADOS: Dos 732 convocados, 404 responderam, representando 27 faculdades. Entre os homens (n=250), 84,8% eram homossexuais e 15,2% bissexuais. Entre as mulheres (n=151), 29,14% eram homossexuais e 70,86% bissexuais. A prevalência de sintomas depressivos foi de 63,1%, com 24,8% de sintomas moderados a graves. Houve significância para identidade de gênero (p=0,045) e orientação sexual (p=0,032), com mulheres e bissexuais mais afetados. Tempo de deslocamento acima de uma hora (p=0,034), etnia (preto/pardo/indígena, p=0,042), baixa escolaridade materna (p=0,035), pior autopercepção acadêmica (p=0,000) e maior IMC (p=0,000) também se associaram à gravidade dos sintomas. Participação em associações atléticas foi protetiva (p=0,026). A prevalência de ansiedade moderada a grave foi de 100%, com sintomas graves predominando. A ansiedade traço foi significativa em relação ao ano de graduação (p=0,039) e tempo de deslocamento (p=0,033), maior IMC (p=0,015) e pior autopercepção acadêmica (0,029). Participação em atléticas reduziu a gravidade dos sintomas (p=0,011). Em relação à qualidade de vida, etnia (QVG, p=0,021), maior tempo de deslocamento (QVG, p=0,008), baixa escolaridade materna (QVG, p=0,000; QVE, p=0,001), baixa escolaridade paterna (QVG, p=0,000), auxílio financeiro (QVE, p=0,04), deficiência física (QVG, p=0,025; QVE, p=0,041) e pior autopercepção acadêmica (QVG e QVE, p=0,000) estiveram associados a pior qualidade de vida. Em contraste, participação em atléticas (QVG, p=0,036; QVE, p=0,000) e morar com amigos (QVG, p=0,041; QVE, p=0,017) foram protetores. Em relação à resiliência, morar com amigos (p=0,009) e ter religião (p=0,041) foram protetivos. Piores escores de resiliência foram associados a baixa autopercepção acadêmica, uso de medicação psicotrópica, diagnóstico de transtorno mental e baixa escolaridade dos pais (todos, p=0,000). Em relação à homofobia internalizada (IHI), ter religião e baixa escolaridade dos pais aumentaram a IHI (p=0,004, p=0,027 para mães, p=0,034 para pais). Houve correlações significativas entre depressão e ansiedade (p=0,000), com correlação negativa entre depressão e qualidade de vida geral e específica (p=0,000) e resiliência (p=0,000). A homofobia internalizada correlacionou-se positivamente com depressão (p=0,000) e negativamente com qualidade de vida (p=0,001) e resiliência (p=0,004). Resiliência também apresentou correlação negativa com ansiedade (p=0,000) e positiva com qualidade de vida (p=0,000). A ansiedade correlacionou-se negativamente com qualidade de vida geral e específica (p=0,000). CONCLUSÃO: A alta prevalência de sintomas depressivos e ansiosos entre estudantes de medicina LGBTQIA+ associa-se com pior qualidade de vida, menor resiliência, altos índices de homofobia internalizada e piores autoavaliações acadêmicas. Vulnerabilidades incluem ser mulher, bissexual, preto, pardo ou indígena, baixa renda, deficiência física e IMC elevado. Fatores protetivos incluem morar com amigos, participação em atléticas e maior nível educacional dos pais. A ação das faculdades de medicina na promoção da saúde mental dos estudantes LGBTQIA+ deve ser multidisciplinar e multidimensional, a fim de promover o suporte social e a promoção da qualidade de vida, focando no sentimento de pertencimento e de autoaceitaçãoINTRODUCTION: Historically, the LGBTQIA+ community faces a social minority status, resulting in a phenomenon known as \"minority stress,\" directly associated with poorer physical and mental health indicators. At the same time, medical schools are known for high levels of stress and low quality of life, linked to high rates of mental disorders among students. The intersection between minority stress and the academic environment may make LGBTQIA+ students even more vulnerable. OBJECTIVE: This study aims to analyze the mental health of LGBTQIA+ medical students, relating it to minority stress indicators, quality of life, and resilience. METHOD: Cross-sectional exploratory study conducted in São Paulo, with data collected from March 19 to July 25, 2019, using snowball sampling. Evaluations included depressive symptoms (Beck Depression Inventory), anxiety symptoms (State-Trait Anxiety Inventory), minority stress (Internalized Homophobia Inventory - IHNI), quality of life (VERAS questionnaire), and resilience (RS-14 Scale). RESULTS: Of the 732 students contacted, 404 responded, representing 27 medical schools. Among men (n=250), 84.8% identified as homosexual and 15.2% as bisexual. Among women (n=151), 29.14% identified as homosexual and 70.86% as bisexual. The prevalence of depressive symptoms was 63.1%, with 24.8% experiencing moderate to severe symptoms. There was a significant difference by gender identity (p=0.045) and sexual orientation (p=0.032), with women and bisexual individuals more affected. Travel time over one hour (p=0.034), ethnicity (Black/Brown/Indigenous, p=0.042), lower maternal education (p=0.035), poorer academic self-perception (p=0.000), and higher BMI (p=0.000) were also associated with symptom severity. Participation in athletic associations was protective (p=0.026). The prevalence of moderate to severe anxiety was 100%, with severe symptoms predominating. Trait anxiety showed significance related to year of study (p=0.039), travel time (p=0.033), higher BMI (p=0.015), and poorer academic self-perception (p=0.029). Participation in athletic associations reduced symptom severity (p=0.011). In terms of quality of life, factors such as ethnicity (QVG, p=0.021), travel time over an hour (QVG, p=0.008), lower maternal education (QVG, p=0.000; QVE, p=0.001), lower paternal education (QVG, p=0.000), financial aid (QVE, p=0.04), physical disability (QVG, p=0.025; QVE, p=0.041), and poorer academic self-perception (QVG and QVE, p=0.000) were associated with poorer quality of life. In contrast, participation in athletics (QVG, p=0.036; QVE, p=0.000) and living with friends (QVG, p=0.041; QVE, p=0.017) were protective. For resilience, living with friends (p=0.009) and having a religion (p=0.041) were protective factors. Lower resilience scores were associated with poor academic self-perception, use of psychotropic medication, mental disorder diagnosis, and lower parental education (all p=0.000). For internalized homophobia (IHI), having a religion and lower parental education increased IHI (p=0.004, p=0.027 for mothers, p=0.034 for fathers). Significant correlations were found between depression and anxiety (p=0.000), with a negative correlation between depression and both general and specific quality of life (p=0.000) and resilience (p=0.000). Internalized homophobia was positively correlated with depression (p=0.000) and negatively with quality of life (p=0.001) and resilience (p=0.004). Resilience was also negatively correlated with anxiety (p=0.000) and positively with quality of life (p=0.000). Anxiety was negatively correlated with general and specific quality of life (p=0.000). CONCLUSION: The high prevalence of depressive and anxious symptoms among LGBTQIA+ medical students is associated with poorer quality of life, lower resilience, higher levels of internalized homophobia, and worse academic self-evaluation. Vulnerabilities include being female, bisexual, Black, Brown, or Indigenous, low income, physical disability, and higher BMI. Protective factors include living with friends, participation in athletics, and higher parental education levels. Medical schools should take multidisciplinary and multidimensional actions to promote the mental health of LGBTQIA+ students, focusing on social support, quality of life, belonging, and self-acceptanceBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTempski, Patricia ZenOliveira, Felipe Scalisa2024-12-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-06082025-121010/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-06T19:27:02Zoai:teses.usp.br:tde-06082025-121010Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-06T19:27:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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INTRODUÇÃO: Historicamente, a comunidade LGBTQIA+ enfrenta a condição de minoria social, resultando em um fenômeno conhecido como \"estresse de minoria\", diretamente associado a piores indicadores de saúde física e mental. Paralelamente, as faculdades de medicina são conhecidas pelo alto nível de estresse e baixa qualidade de vida, vinculados a elevados índices de transtornos mentais entre os estudantes. A interseção entre o estresse de minoria e o ambiente acadêmico pode tornar os estudantes LGBTQIA+ ainda mais vulneráveis. OBJETIVO: Este estudo visa analisar a saúde mental de estudantes de medicina LGBTQIA+, relacionando-a a indicadores de estresse de minoria, qualidade de vida e resiliência. MÉTODO: Estudo exploratório transversal realizado em São Paulo, com coleta de dados de 19 de março a 25 de julho de 2019, utilizando recrutamento por snowballing. Foram avaliados sintomas depressivos (Inventário de Depressão de Beck), sintomas de ansiedade (Inventário de Ansiedade Traço-Estado), estresse de minoria (Inventário de Homofobia Internalizada - IHNI), qualidade de vida (questionário VERAS) e resiliência (Escala RS-14). RESULTADOS: Dos 732 convocados, 404 responderam, representando 27 faculdades. Entre os homens (n=250), 84,8% eram homossexuais e 15,2% bissexuais. Entre as mulheres (n=151), 29,14% eram homossexuais e 70,86% bissexuais. A prevalência de sintomas depressivos foi de 63,1%, com 24,8% de sintomas moderados a graves. Houve significância para identidade de gênero (p=0,045) e orientação sexual (p=0,032), com mulheres e bissexuais mais afetados. Tempo de deslocamento acima de uma hora (p=0,034), etnia (preto/pardo/indígena, p=0,042), baixa escolaridade materna (p=0,035), pior autopercepção acadêmica (p=0,000) e maior IMC (p=0,000) também se associaram à gravidade dos sintomas. Participação em associações atléticas foi protetiva (p=0,026). A prevalência de ansiedade moderada a grave foi de 100%, com sintomas graves predominando. A ansiedade traço foi significativa em relação ao ano de graduação (p=0,039) e tempo de deslocamento (p=0,033), maior IMC (p=0,015) e pior autopercepção acadêmica (0,029). Participação em atléticas reduziu a gravidade dos sintomas (p=0,011). Em relação à qualidade de vida, etnia (QVG, p=0,021), maior tempo de deslocamento (QVG, p=0,008), baixa escolaridade materna (QVG, p=0,000; QVE, p=0,001), baixa escolaridade paterna (QVG, p=0,000), auxílio financeiro (QVE, p=0,04), deficiência física (QVG, p=0,025; QVE, p=0,041) e pior autopercepção acadêmica (QVG e QVE, p=0,000) estiveram associados a pior qualidade de vida. Em contraste, participação em atléticas (QVG, p=0,036; QVE, p=0,000) e morar com amigos (QVG, p=0,041; QVE, p=0,017) foram protetores. Em relação à resiliência, morar com amigos (p=0,009) e ter religião (p=0,041) foram protetivos. Piores escores de resiliência foram associados a baixa autopercepção acadêmica, uso de medicação psicotrópica, diagnóstico de transtorno mental e baixa escolaridade dos pais (todos, p=0,000). Em relação à homofobia internalizada (IHI), ter religião e baixa escolaridade dos pais aumentaram a IHI (p=0,004, p=0,027 para mães, p=0,034 para pais). Houve correlações significativas entre depressão e ansiedade (p=0,000), com correlação negativa entre depressão e qualidade de vida geral e específica (p=0,000) e resiliência (p=0,000). A homofobia internalizada correlacionou-se positivamente com depressão (p=0,000) e negativamente com qualidade de vida (p=0,001) e resiliência (p=0,004). Resiliência também apresentou correlação negativa com ansiedade (p=0,000) e positiva com qualidade de vida (p=0,000). A ansiedade correlacionou-se negativamente com qualidade de vida geral e específica (p=0,000). CONCLUSÃO: A alta prevalência de sintomas depressivos e ansiosos entre estudantes de medicina LGBTQIA+ associa-se com pior qualidade de vida, menor resiliência, altos índices de homofobia internalizada e piores autoavaliações acadêmicas. Vulnerabilidades incluem ser mulher, bissexual, preto, pardo ou indígena, baixa renda, deficiência física e IMC elevado. Fatores protetivos incluem morar com amigos, participação em atléticas e maior nível educacional dos pais. A ação das faculdades de medicina na promoção da saúde mental dos estudantes LGBTQIA+ deve ser multidisciplinar e multidimensional, a fim de promover o suporte social e a promoção da qualidade de vida, focando no sentimento de pertencimento e de autoaceitação |
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