Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Silva, Lucas Pereira da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-02012023-123156/
Resumo: Ao longo dos anos 2000 e 2010, tornou-se saliente a discussão acerca da educação na esfera pública. Em meio a debates tais, o Movimento Escola Sem Partido passou a integrar essa rede de perspectivações por meio da defesa de uma posição que entende a educação no Brasil como defasada e que a razão para isso consistiria em uma suposta hegemonia esquerdista nos sistemas de ensino. Partindo de tais premissas, em 2016, o Movimento passou a carregar o estatuto de Projeto de Lei, objetivando intervir no ambiente da escola sob a justificativa de tornar explícitos os marcos supostamente já estabelecidos na Constituição. À medida que ganhava tração midiática, tornou-se explícito o desacordo quanto a tal proposta, de modo a fazer com que distintos atores passassem a apresentar seus pontos de vista enquanto argumentadores, alimentando uma rede argumentativa de posicionamentos em conflito. Tendo esse cenário em vista, essa dissertação ancora-se na necessidade de discutir, no âmbito de tal polêmica, como são legitimados os distintos pontos de vista sobre a realidade educacional brasileira e como, por meio da argumentação, se mobilizam posições favoráveis e contrárias à implementação do Projeto de Lei \"Escola Sem Partido\", posições essas que se encontram ancoradas em distintas discursividades e raciocínios argumentativos. Em outros termos, voltamo-nos à proposta de construção de um argumentário. Para fazer isso, partimos (i) de um corpus composto por artigos de opinião e editoriais, publicados em mídia digital entre os anos de 2014 e 2019, entendendo que o jornalismo é uma esfera capaz de aglutinar um conjunto bastante heterogêneo de posicionamentos que circulam sobre uma dada questão no espaço público; e (ii) de uma perspectiva lógico-discursiva sobre o argumento, que compreende que os raciocínios argumentativos reiteradamente instanciados por diferentes argumentadores consistem em materializações enunciativamente diversas de argumentos abstratos que compõem um argumentário (GONÇALVES-SEGUNDO, 2021b; GOODWIN, 2020; GRÁCIO, 2013; PLANTIN, 2008[2005]). A fim de empreendermos, dessa forma, uma investigação que propusesse um método para a construção de argumentários, partimos da hipótese de que a teoria dos esquemas argumentativos forneceria subsídios produtivos para tal em uma perspectiva lógico-discursiva do raciocínio argumentativo. Para discutir essa hipótese, valemo-nos das contribuições de Grácio (2010) e Plantin (2008[2005]) quanto a questões argumentativas; de Gonçalves-Segundo (2019; 2020a) e Gonçalves-Segundo; Isola-Lanzoni (2019) quanto a problemas epistêmico e prático; de Walton; Macagno (2016), Macagno (2015), Toulmin; Rieke; Janik (1984[1978]) e Fairclough; Fairclough (2012) quanto a argumentações epistêmica e prática; e de van Eemeren; Houtlosser; Snoeck Henkemans (2007) quanto a estrutura do argumento. Partindo de tais pressupostos, bem como da hipótese de que uma polêmica, como a do Escola Sem Partido, gera uma rede de argumentários que estrutura respostas a questões distintas, buscamos aplicar a proposta de construção de argumentário ao corpus selecionado, de modo a identificar as potencialidades e limitações do instrumento. A partir disso, pudemos depreender como que distintas coalizões identitárias perspectivam a questão em disputa, de modo a mapearmos quais são as questões que circulam ao longo da polêmica, quais os raciocínios mais comumente recrutados e como essas perspectivas interagem por meio de desacordos sobre formas de enquadrar a realidade, manifestadas por meio de refutações. Nesse sentido, tornou-se evidente uma concordância quanto às Circunstâncias Motivadoras entre os atores favoráveis ao Escola Sem Partido, com predominância de argumentos instrumentais de raciocínio prático, ao passo que, entre os contrários, foi possível identificarmos tanto um desacordo epistêmico em relação a essas mesmas Circunstâncias do exogrupo quanto uma argumentação refutativa externa por excelência por meio de argumentos pragmáticos. Nessa dinâmica, também foram relevantes as disputas acerca de determinados objetos de discurso, categorias por meio das quais argumentadores se veem, muitas vezes, motivados a argumentar por reconhecer na doxa a discordância quanto a tais categorias. Reconhecemos, dessa forma, uma disputa altamente ancorada nos valores que calcam a perspectivação dos argumentadores e nas presunções por meio das quais se veem legitimados a empreender determinados movimentos argumentativos, de modo a recorrer a distintas perspectivações do que se entende por \"liberdade\", \"intervenção estatal\", \"ideologia\", dentre outras. Com isso, consideramos produtivo o modelo de construção do argumentário para mapear a rede de argumentos que pode ser mobilizada para a depreensão de padrões recorrentes de raciocínio em uma disputa de interesse coletivo.
id USP_d450b7a8ce9c1aa78f69bb05d86f65c5
oai_identifier_str oai:teses.usp.br:tde-02012023-123156
network_acronym_str USP
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository_id_str
spelling Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem PartidoExploring the argumentative script: a logical-discursive analysis of the public debate about Non-Partisan SchoolArgumentação epistêmicaArgumentação práticaArgumentárioArgumentation schemesArgumentative scriptEpistemic argumentationEscola Sem PartidoEsquema argumentativoNon-Partisan SchoolPractical argumentationAo longo dos anos 2000 e 2010, tornou-se saliente a discussão acerca da educação na esfera pública. Em meio a debates tais, o Movimento Escola Sem Partido passou a integrar essa rede de perspectivações por meio da defesa de uma posição que entende a educação no Brasil como defasada e que a razão para isso consistiria em uma suposta hegemonia esquerdista nos sistemas de ensino. Partindo de tais premissas, em 2016, o Movimento passou a carregar o estatuto de Projeto de Lei, objetivando intervir no ambiente da escola sob a justificativa de tornar explícitos os marcos supostamente já estabelecidos na Constituição. À medida que ganhava tração midiática, tornou-se explícito o desacordo quanto a tal proposta, de modo a fazer com que distintos atores passassem a apresentar seus pontos de vista enquanto argumentadores, alimentando uma rede argumentativa de posicionamentos em conflito. Tendo esse cenário em vista, essa dissertação ancora-se na necessidade de discutir, no âmbito de tal polêmica, como são legitimados os distintos pontos de vista sobre a realidade educacional brasileira e como, por meio da argumentação, se mobilizam posições favoráveis e contrárias à implementação do Projeto de Lei \"Escola Sem Partido\", posições essas que se encontram ancoradas em distintas discursividades e raciocínios argumentativos. Em outros termos, voltamo-nos à proposta de construção de um argumentário. Para fazer isso, partimos (i) de um corpus composto por artigos de opinião e editoriais, publicados em mídia digital entre os anos de 2014 e 2019, entendendo que o jornalismo é uma esfera capaz de aglutinar um conjunto bastante heterogêneo de posicionamentos que circulam sobre uma dada questão no espaço público; e (ii) de uma perspectiva lógico-discursiva sobre o argumento, que compreende que os raciocínios argumentativos reiteradamente instanciados por diferentes argumentadores consistem em materializações enunciativamente diversas de argumentos abstratos que compõem um argumentário (GONÇALVES-SEGUNDO, 2021b; GOODWIN, 2020; GRÁCIO, 2013; PLANTIN, 2008[2005]). A fim de empreendermos, dessa forma, uma investigação que propusesse um método para a construção de argumentários, partimos da hipótese de que a teoria dos esquemas argumentativos forneceria subsídios produtivos para tal em uma perspectiva lógico-discursiva do raciocínio argumentativo. Para discutir essa hipótese, valemo-nos das contribuições de Grácio (2010) e Plantin (2008[2005]) quanto a questões argumentativas; de Gonçalves-Segundo (2019; 2020a) e Gonçalves-Segundo; Isola-Lanzoni (2019) quanto a problemas epistêmico e prático; de Walton; Macagno (2016), Macagno (2015), Toulmin; Rieke; Janik (1984[1978]) e Fairclough; Fairclough (2012) quanto a argumentações epistêmica e prática; e de van Eemeren; Houtlosser; Snoeck Henkemans (2007) quanto a estrutura do argumento. Partindo de tais pressupostos, bem como da hipótese de que uma polêmica, como a do Escola Sem Partido, gera uma rede de argumentários que estrutura respostas a questões distintas, buscamos aplicar a proposta de construção de argumentário ao corpus selecionado, de modo a identificar as potencialidades e limitações do instrumento. A partir disso, pudemos depreender como que distintas coalizões identitárias perspectivam a questão em disputa, de modo a mapearmos quais são as questões que circulam ao longo da polêmica, quais os raciocínios mais comumente recrutados e como essas perspectivas interagem por meio de desacordos sobre formas de enquadrar a realidade, manifestadas por meio de refutações. Nesse sentido, tornou-se evidente uma concordância quanto às Circunstâncias Motivadoras entre os atores favoráveis ao Escola Sem Partido, com predominância de argumentos instrumentais de raciocínio prático, ao passo que, entre os contrários, foi possível identificarmos tanto um desacordo epistêmico em relação a essas mesmas Circunstâncias do exogrupo quanto uma argumentação refutativa externa por excelência por meio de argumentos pragmáticos. Nessa dinâmica, também foram relevantes as disputas acerca de determinados objetos de discurso, categorias por meio das quais argumentadores se veem, muitas vezes, motivados a argumentar por reconhecer na doxa a discordância quanto a tais categorias. Reconhecemos, dessa forma, uma disputa altamente ancorada nos valores que calcam a perspectivação dos argumentadores e nas presunções por meio das quais se veem legitimados a empreender determinados movimentos argumentativos, de modo a recorrer a distintas perspectivações do que se entende por \"liberdade\", \"intervenção estatal\", \"ideologia\", dentre outras. Com isso, consideramos produtivo o modelo de construção do argumentário para mapear a rede de argumentos que pode ser mobilizada para a depreensão de padrões recorrentes de raciocínio em uma disputa de interesse coletivo.Throughout the 2000s and 2010s, the discussion about education in the public sphere became salient. In the midst of such debates, the Non-Partisan School (Escola Sem Partido) Movement started to integrate this network of perspectives through the defense of a standpoint that understands education in Brazil as outdated and that the reason for this is a presumed leftist hegemony in the educational system. Based on these premises, in 2016, the Movement coalesced their ideas into a Bill of Law, aiming to intervene in the school environment under the justification of making explicit the landmarks allegedly established in the Constitution. As it gained media traction, the disagreement with this proposal became explicit in such a way as to make different arguers put forward their points of view in order to feed an argumentative network of conflicting positions. With this scenario in view, this master\'s thesis is anchored in the need to discuss, within the scope of such controversy, how the different standpoints about the reality of the Brazilian educational system are legitimized and how, through argumentation, positions favorable and contrary to the implementation of the \"Non-Partisan School\" Bill are mobilized, positions that are grounded in different discourses and argumentative reasoning. In other words, we turn to the proposal of construing an argumentative script. To do this, we (i) composed a corpus of opinion articles and editorials, published in digital media between 2014 and 2019, understanding that journalism is a sphere capable of coalescing a very heterogeneous set of positions that circulate on a given issue in public space; and (ii) assumed a logical-discursive perspective on argument, which understands that the argumentative reasoning repeatedly instantiated by different arguers consist of enunciatively diverse materializations of abstract arguments that make up an argumentative script (GONÇALVES-SEGUNDO, 2021b; GOODWIN, 2020; GRÁCIO, 2013; PLANTIN, 2008[2005]). Thus, in order to undertake an investigation that proposed a method for the construction of argumentative scripts, we hypothesized that the theory of argumentative schemes would provide productive subsidies to build a logical-discursive perspective of argumentative reasoning. To discuss this hypothesis, we drew on the contributions from Grácio (2010) and Plantin (2008[2005]) regarding argumentative questions; from Gonçalves-Segundo (2019; 2020a) and Gonçalves-Segundo; Isola-Lanzoni (2019) regarding epistemic and practical issues; from Walton; Macagno (2016), Macagno (2015), Toulmin; Rieke; Janik (1984[1978]) and Fairclough; Fairclough (2012) regarding epistemic and practical arguments; and from van Eemeren; Houtlosser; Snoeck Henkemans (2007) regarding the structure of the argument. Starting from such assumptions, as well as from the hypothesis that a polemic, such as that of Non-Partisan School, generates a network of argumentative scripts that structure answers to different questions, we sought to apply the proposal of construction of an argumentative script to the selected corpus, in order to identify the potential and limitations of the analytical tool. From this, we were able to infer how different identity coalitions view the issue in dispute, so that we could map what were the questions that circulated throughout the controversy, which were the most commonly recruited reasonings, and how these perspectives interacted by means of disagreements about forms of framing reality, manifested through refutations. In this sense, an agreement regarding the Motivating Circumstances among the actors in favor of Non-Partisan School became evident, with a predominance of instrumental arguments of practical reasoning, while, among the opposing actors, it was possible to identify both an epistemic disagreement in relation to these same Circumstances envisaged by the outgroup, and an external refuting argument par excellence through pragmatic arguments. In this dynamic, disputes about certain objects of discourse were also relevant. We recognize, in this way, a dispute highly grounded in the values that back the perspective of the arguers and also the presumptions that legitimize the social actors to undertake certain argumentative movements. Among these values in dispute, we can pinpoint \"freedom\", \"state intervention\", \"ideology\", amongst others. Therefore, we consider the model of constructing argumentative scripts productive to map the network of arguments that can be mobilized to understand recurring patterns of reasoning in a controversy of collective interest.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGonçalves Segundo, Paulo RobertoSilva, Lucas Pereira da2022-08-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-02012023-123156/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2023-01-02T14:42:37Zoai:teses.usp.br:tde-02012023-123156Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212023-01-02T14:42:37Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
dc.title.none.fl_str_mv Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
Exploring the argumentative script: a logical-discursive analysis of the public debate about Non-Partisan School
title Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
spellingShingle Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
Silva, Lucas Pereira da
Argumentação epistêmica
Argumentação prática
Argumentário
Argumentation schemes
Argumentative script
Epistemic argumentation
Escola Sem Partido
Esquema argumentativo
Non-Partisan School
Practical argumentation
title_short Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
title_full Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
title_fullStr Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
title_full_unstemmed Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
title_sort Explorando o argumentário: uma análise lógico-discursiva do debate público sobre o Escola Sem Partido
author Silva, Lucas Pereira da
author_facet Silva, Lucas Pereira da
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Gonçalves Segundo, Paulo Roberto
dc.contributor.author.fl_str_mv Silva, Lucas Pereira da
dc.subject.por.fl_str_mv Argumentação epistêmica
Argumentação prática
Argumentário
Argumentation schemes
Argumentative script
Epistemic argumentation
Escola Sem Partido
Esquema argumentativo
Non-Partisan School
Practical argumentation
topic Argumentação epistêmica
Argumentação prática
Argumentário
Argumentation schemes
Argumentative script
Epistemic argumentation
Escola Sem Partido
Esquema argumentativo
Non-Partisan School
Practical argumentation
description Ao longo dos anos 2000 e 2010, tornou-se saliente a discussão acerca da educação na esfera pública. Em meio a debates tais, o Movimento Escola Sem Partido passou a integrar essa rede de perspectivações por meio da defesa de uma posição que entende a educação no Brasil como defasada e que a razão para isso consistiria em uma suposta hegemonia esquerdista nos sistemas de ensino. Partindo de tais premissas, em 2016, o Movimento passou a carregar o estatuto de Projeto de Lei, objetivando intervir no ambiente da escola sob a justificativa de tornar explícitos os marcos supostamente já estabelecidos na Constituição. À medida que ganhava tração midiática, tornou-se explícito o desacordo quanto a tal proposta, de modo a fazer com que distintos atores passassem a apresentar seus pontos de vista enquanto argumentadores, alimentando uma rede argumentativa de posicionamentos em conflito. Tendo esse cenário em vista, essa dissertação ancora-se na necessidade de discutir, no âmbito de tal polêmica, como são legitimados os distintos pontos de vista sobre a realidade educacional brasileira e como, por meio da argumentação, se mobilizam posições favoráveis e contrárias à implementação do Projeto de Lei \"Escola Sem Partido\", posições essas que se encontram ancoradas em distintas discursividades e raciocínios argumentativos. Em outros termos, voltamo-nos à proposta de construção de um argumentário. Para fazer isso, partimos (i) de um corpus composto por artigos de opinião e editoriais, publicados em mídia digital entre os anos de 2014 e 2019, entendendo que o jornalismo é uma esfera capaz de aglutinar um conjunto bastante heterogêneo de posicionamentos que circulam sobre uma dada questão no espaço público; e (ii) de uma perspectiva lógico-discursiva sobre o argumento, que compreende que os raciocínios argumentativos reiteradamente instanciados por diferentes argumentadores consistem em materializações enunciativamente diversas de argumentos abstratos que compõem um argumentário (GONÇALVES-SEGUNDO, 2021b; GOODWIN, 2020; GRÁCIO, 2013; PLANTIN, 2008[2005]). A fim de empreendermos, dessa forma, uma investigação que propusesse um método para a construção de argumentários, partimos da hipótese de que a teoria dos esquemas argumentativos forneceria subsídios produtivos para tal em uma perspectiva lógico-discursiva do raciocínio argumentativo. Para discutir essa hipótese, valemo-nos das contribuições de Grácio (2010) e Plantin (2008[2005]) quanto a questões argumentativas; de Gonçalves-Segundo (2019; 2020a) e Gonçalves-Segundo; Isola-Lanzoni (2019) quanto a problemas epistêmico e prático; de Walton; Macagno (2016), Macagno (2015), Toulmin; Rieke; Janik (1984[1978]) e Fairclough; Fairclough (2012) quanto a argumentações epistêmica e prática; e de van Eemeren; Houtlosser; Snoeck Henkemans (2007) quanto a estrutura do argumento. Partindo de tais pressupostos, bem como da hipótese de que uma polêmica, como a do Escola Sem Partido, gera uma rede de argumentários que estrutura respostas a questões distintas, buscamos aplicar a proposta de construção de argumentário ao corpus selecionado, de modo a identificar as potencialidades e limitações do instrumento. A partir disso, pudemos depreender como que distintas coalizões identitárias perspectivam a questão em disputa, de modo a mapearmos quais são as questões que circulam ao longo da polêmica, quais os raciocínios mais comumente recrutados e como essas perspectivas interagem por meio de desacordos sobre formas de enquadrar a realidade, manifestadas por meio de refutações. Nesse sentido, tornou-se evidente uma concordância quanto às Circunstâncias Motivadoras entre os atores favoráveis ao Escola Sem Partido, com predominância de argumentos instrumentais de raciocínio prático, ao passo que, entre os contrários, foi possível identificarmos tanto um desacordo epistêmico em relação a essas mesmas Circunstâncias do exogrupo quanto uma argumentação refutativa externa por excelência por meio de argumentos pragmáticos. Nessa dinâmica, também foram relevantes as disputas acerca de determinados objetos de discurso, categorias por meio das quais argumentadores se veem, muitas vezes, motivados a argumentar por reconhecer na doxa a discordância quanto a tais categorias. Reconhecemos, dessa forma, uma disputa altamente ancorada nos valores que calcam a perspectivação dos argumentadores e nas presunções por meio das quais se veem legitimados a empreender determinados movimentos argumentativos, de modo a recorrer a distintas perspectivações do que se entende por \"liberdade\", \"intervenção estatal\", \"ideologia\", dentre outras. Com isso, consideramos produtivo o modelo de construção do argumentário para mapear a rede de argumentos que pode ser mobilizada para a depreensão de padrões recorrentes de raciocínio em uma disputa de interesse coletivo.
publishDate 2022
dc.date.none.fl_str_mv 2022-08-16
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-02012023-123156/
url https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-02012023-123156/
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.none.fl_str_mv
dc.rights.driver.fl_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.coverage.none.fl_str_mv
dc.publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
dc.source.none.fl_str_mv
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
instname:Universidade de São Paulo (USP)
instacron:USP
instname_str Universidade de São Paulo (USP)
instacron_str USP
institution USP
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)
repository.mail.fl_str_mv virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br
_version_ 1865490745155125248