Sandice Erasma do desencontro fundador da nação brasileira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Barrocas, Filipe Miguel dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27159/tde-18082025-143030/
Resumo: O Brasil, mais do que uma terra, é uma narrativa. E toda narrativa, antes de ser verdade, é invenção. Esta tese desmonta o mito fundador da nação, peça por peça, imagem por imagem, palavra por palavra. Tal como num roteiro de cinema ou numa espécie de colagem, percorremos do século XVI ao século XXI, de forma cronológica ou não linear, observando como a história foi contada, recontada e aprisionada em quadros, páginas e películas. O mito diz que fomos descobertos. Mas toda descoberta pressupõe um olhar que vê sem ser visto, uma chegada que se impõe sobre aquilo que já existia. A carta de Pero Vaz de Caminha, escrita em 1500, abre a cena deste teatro colonial, e os seus ecos moldam pinturas, discursos e celebrações. Mas e se, ao invés de um encontro, tivéssemos um desencontro? E se a história fosse um jogo de espelhos, onde a imagem se repete, mas nunca nos mostra o avesso? Entre 1840 e 1937, os romances de José de Alencar, as pinturas de Oscar Pereira da Silva e os discursos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro esculpem uma nação idealizada, onde indígenas e negros são reduzidos a símbolos e apagados da construção do país. Um mito que se renova e se ajusta, mas mantém sempre as mesmas mãos no comando da narrativa. Mas a história não se fecha. Em 2000, com o V Centenário do Descobrimento e a exposição Brasil +500: Mostra do Redescobrimento, os gestos de outrora ainda se repetem. A memória oficial veste-se de modernidade, mas os seus alicerces são antigos. Ainda há a cruz, ainda há as armas, ainda há a pena que escreve sobre corpos silenciados. E é aí que entra a sandice. Como em Erasmo de Roterdão, a loucura é também lucidez. Aqui, não é a perda da razão, mas o reconhecimento de que a história que nos contaram é uma farsa, um teatro onde as personagens mudam, mas o roteiro persiste. Para explorar essa fabulação, a pesquisa desdobrase também em imagens: a série fotográfica Sandice Erasma (2008-2024), o filme Labirinto (2022) e as videoinstalações Duas diferentes distâncias (2023) e Pedestre razão lusitana (2024). Obras que tensionam a iconografia histórica e propõem novas leituras do passado. Porque talvez, para compreender o Brasil, seja preciso desaprendê-lo.
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Mas e se, ao invés de um encontro, tivéssemos um desencontro? E se a história fosse um jogo de espelhos, onde a imagem se repete, mas nunca nos mostra o avesso? Entre 1840 e 1937, os romances de José de Alencar, as pinturas de Oscar Pereira da Silva e os discursos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro esculpem uma nação idealizada, onde indígenas e negros são reduzidos a símbolos e apagados da construção do país. Um mito que se renova e se ajusta, mas mantém sempre as mesmas mãos no comando da narrativa. Mas a história não se fecha. Em 2000, com o V Centenário do Descobrimento e a exposição Brasil +500: Mostra do Redescobrimento, os gestos de outrora ainda se repetem. A memória oficial veste-se de modernidade, mas os seus alicerces são antigos. Ainda há a cruz, ainda há as armas, ainda há a pena que escreve sobre corpos silenciados. E é aí que entra a sandice. Como em Erasmo de Roterdão, a loucura é também lucidez. Aqui, não é a perda da razão, mas o reconhecimento de que a história que nos contaram é uma farsa, um teatro onde as personagens mudam, mas o roteiro persiste. Para explorar essa fabulação, a pesquisa desdobrase também em imagens: a série fotográfica Sandice Erasma (2008-2024), o filme Labirinto (2022) e as videoinstalações Duas diferentes distâncias (2023) e Pedestre razão lusitana (2024). Obras que tensionam a iconografia histórica e propõem novas leituras do passado. Porque talvez, para compreender o Brasil, seja preciso desaprendê-lo.Brazil, more than a land, is a narrative. And every narrative, before being truth, is invention. This thesis dismantles the founding myth of the nation, piece by piece, image by image, word by word. Just like a film script or a kind of collage, we move from the 16th century to the 21st, either chronologically or non-linearly, observing how history has been told, retold, and imprisoned in frames, pages, and films. The myth says that we were discovered. But every discovery presupposes a gaze that sees without being seen, an arrival that imposes itself on what already existed. The letter by Pero Vaz de Caminha, written in 1500, opens the scene of this colonial theater, and its echoes shape paintings, speeches, and celebrations. But what if, instead of an encounter, it was a misencounter? What if history were a hall of mirrors, where the image repeats itself but never reveals its reverse? Between 1840 and 1937, the novels of José de Alencar, the paintings of Oscar Pereira da Silva, and the speeches of the Brazilian Historical and Geographical Institute sculpt an idealized nation, where Indigenous and Black people are reduced to symbols and erased from the countrys construction. A myth that renews and adapts itself but always keeps the same hands in control of the narrative. Yet history does not close in on itself. In 2000, with the 500th Anniversary of the Discovery and the exhibition Brasil +500: Mostra do Redescobrimento, the gestures of the past still repeat themselves. Official memory dresses itself in modernity, but its foundations are ancient. The cross remains, the weapons remain, the pen that writes over silenced bodies remains. And this is where madness comes in. As in Erasmus of Rotterdam, madness is also lucidity. Here, it is not the loss of reason, but the recognition that the history we have been told is a farce, a theater where the characters change, but the script persists. To explore this fabrication, the research also unfolds in images: the photographic series Sandice Erasma (2008-2024), the film Labyrinth (2022), and the video installations Two Different Distances (2023) and Pedestrian Lusitanian Reason (2024). These works challenge historical iconography and propose new readings of the past. Because perhaps, to understand Brazil, one must first unlearn it..Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAndrade, Mario Celso Ramiro deBarrocas, Filipe Miguel dos Santos2025-03-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27159/tde-18082025-143030/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-19T17:41:02Zoai:teses.usp.br:tde-18082025-143030Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-19T17:41:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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