Subsistência e dieta entre os produtores de cerâmica tupiguarani de Sorocaba e região: uma abordagem bioarqueológica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Teixeira, Mateus Lopes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-23012025-171826/
Resumo: As populações produtoras de cerâmica tupiguarani, ancestrais dos grupos falantes de línguas Tupi-Guarani, são tradicionalmente descritas como horticultores ou, na nomenclatura mais atual, policultores agroflorestais. Presumivelmente, esta estratégia de subsistência deu-lhes uma grande capacidade de adaptação, o que teria permitido uma expansão territorial cuja velocidade e extensão não têm paralelo na América do Sul não andina. Em grande medida, as inferências sobre os hábitos alimentares baseiam-se na correlação entre a morfologia e a função dos vasos cerâmicos, bem como em analogias etnográficas. Contudo, esse tipo de abordagem não permite determinar a real relevância ou quantificar a proporção dos diferentes tipos de alimentos na dieta dos grupos produtores de cerâmica tupiguarani. Para tanto, análises isotópicas e osteológicas de esqueletos humanos são uma ferramenta de maior resolução. Devido ao pequeno número de esqueletos associados à cerâmica tupiguarani, esses tipos de análises dificilmente foram aplicadas no Brasil. Recentemente, como parte do Projeto Gênese Sorocabana, foram catalogadas 30 urnas funerárias de tradição Tupiguarani em 14 sítios arqueológicos localizados na região homônima do Estado de São Paulo, resultando em um acervo osteológico com grande potencial. O material apresenta integridade comprometida, mas foi possível averiguar a existência de 16 indivíduos. A partir da extração de colágeno, a análise de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio (13C, 15N) para inferências acerca da alimentação demonstrou acentuado consumo de proteínas C3 e, em menor grau, de proteínas C4. A datação por radiocarbono (C14) confirmou que esses grupos já se encontravam na região antes do contato, e resistiram em suas práticas ritualísticas mesmo com a invasão europeia.
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spelling Subsistência e dieta entre os produtores de cerâmica tupiguarani de Sorocaba e região: uma abordagem bioarqueológicaSubsistence and diet among Tupiguarani ceramic procducers fromSorocaba and region: a biorchaeological approachTupiguarani. Bioarchaeology. Diet. Sorocaba Metropolitan Region.Tupiguarani. Bioarqueologia. Dieta. Região Metropolitana de Sorocaba.As populações produtoras de cerâmica tupiguarani, ancestrais dos grupos falantes de línguas Tupi-Guarani, são tradicionalmente descritas como horticultores ou, na nomenclatura mais atual, policultores agroflorestais. Presumivelmente, esta estratégia de subsistência deu-lhes uma grande capacidade de adaptação, o que teria permitido uma expansão territorial cuja velocidade e extensão não têm paralelo na América do Sul não andina. Em grande medida, as inferências sobre os hábitos alimentares baseiam-se na correlação entre a morfologia e a função dos vasos cerâmicos, bem como em analogias etnográficas. Contudo, esse tipo de abordagem não permite determinar a real relevância ou quantificar a proporção dos diferentes tipos de alimentos na dieta dos grupos produtores de cerâmica tupiguarani. Para tanto, análises isotópicas e osteológicas de esqueletos humanos são uma ferramenta de maior resolução. Devido ao pequeno número de esqueletos associados à cerâmica tupiguarani, esses tipos de análises dificilmente foram aplicadas no Brasil. Recentemente, como parte do Projeto Gênese Sorocabana, foram catalogadas 30 urnas funerárias de tradição Tupiguarani em 14 sítios arqueológicos localizados na região homônima do Estado de São Paulo, resultando em um acervo osteológico com grande potencial. O material apresenta integridade comprometida, mas foi possível averiguar a existência de 16 indivíduos. A partir da extração de colágeno, a análise de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio (13C, 15N) para inferências acerca da alimentação demonstrou acentuado consumo de proteínas C3 e, em menor grau, de proteínas C4. A datação por radiocarbono (C14) confirmou que esses grupos já se encontravam na região antes do contato, e resistiram em suas práticas ritualísticas mesmo com a invasão europeia.Tupiguarani ceramic-producing populations, ancestors of the Tupi-Guarani speaking groups, are traditionally described as horticulturists, or in the most current nomenclature, agroforestry polyculturists. Presumably, this subsistence strategy has given them a great capacity for adaptation, which would have enabled a territorial expansion whose speed and extent are unparalleled in non-Andean South America. To a large extent, inferences about dietary habits are based on the correlation between ceramic vessels\' morphology and function, as well as ethnographic analogies. However, this type of approach does not allow determining the actual relevance or quantifying the proportion of different types of food in the Tupiguarani ceramic producers groups\' diet. To this end, isotopic and osteological analyzes of human skeletons are a tool of greater resolution. Due to the small number of skeletons associated with Tupiguarani ceramics, these types of analyzes were hardly applied to in Brazil. Recently, as part of the Sorocabana Genesis Project, 30 funerary urns from the Tupiguarani tradition were excavated from 14 archaeological sites located in the homonymous region in the State of São Paulo, resulting in an osteological collection with great potential. The material presents compromised integrity, but it was possible to verify the existence of 16 individuals. From collagen extraction, the analysis of stable isotopes of carbon and nitrogen (13C, 15N) for inferences about diet demonstrated a marked consumption of C3 proteins and, to a lesser extent, of C4 proteins. Radiocarbon dating (C14) confirmed that these groups were already in the region before contact, and resisted their ritual practices even with the European invasion.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPStrauss, Andre MenezesTeixeira, Mateus Lopes2024-05-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-23012025-171826/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-26T19:39:02Zoai:teses.usp.br:tde-23012025-171826Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-26T19:39:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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