Influência da testosterona na resposta imune frente a infecção experimental por Trypanosoma cruzi

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Silva, Jefferson Luiz da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60140/tde-28052025-094407/
Resumo: Apesar de todo o progresso científico nas últimas décadas para desvendar os processos imunológicos do hospedeiro e a forma como o parasita contorna o sistema imunológico, a doença de Chagas ainda é um grande problema de saúde pública, afetando cerca de 2,5 milhões de pessoas. É de conhecimento que os hormônios gonadais, como a testosterona (TS) podem influenciar a magnitude da resposta imune contra o parasita especialmente o Trypanosoma cruzi. A TS desempenha um papel supressor no timo, reduzindo a diferenciação e proliferação de células T. No entanto, foi relatado que em processos infecciosos, a TS pode estar associada à gravidade da doença, como observado na infecção pelo corona vírus. Nosso objetivo foi avaliar a influência da testosterona na resposta imune do hospedeiro durante a fase aguda da infecção experimental por Trypanosoma cruzi. Para isso, ratos machos Wistar hannover foram orquiectomizados (OCX) com seis semanas de idade e aguardando 30 dias para a recuperação cirúrgica e redução de testosterona. Após esse período, infectamos os animais com 1x105 formas tripomastigotas da cepa Y de Trypanosoma cruzi, em que avaliamos por 11 dias o peso e a parasitemia sanguínea, na qual foram eutanasiados e coletado o sangue, baço, timo e fígado para as análises. Não observamos alterações de peso ou parasitemia sanguínea, por outro lado, a frequência de neutrófilos foi aumentada no grupo orquiectomizado (OCX) e infectado em relação ao grupo suplementado com TS e infectado, seguido de redução significativa de monócitos circulantes neste mesmo grupo. Não observamos diferença significativa nos ninhos de amastigotas por seção cardíaca entre os grupos. Houve redução considerável nas citocinas inflamatórias circulantes como Leptina, MIP-1α, IL-10, IL-18 e IL-17A no grupo OCX infectado em comparação aos animais infectados com TS. IL-6, IL-17 e IL-4 no fígado dos animais estavam aumentadas neste mesmo grupo, seguidas da atividade aumentada da atividade neutrofílica. Houve redução do número de leucócitos totais no baço e timo nos animais OCX infectados, porém timócitos e esplenócitos entraram em apoptose mais precocemente em relação aos demais grupos. Houve também redução de células CD3+ duplamente negativas, mas aumento de células CD3+ duplamente positivas e Células CD3+CD8+ no timo de animais OCX infectados. Observou-se maior frequência de macrófagos no baço, porém notamos menor expressão dos marcadores de ativação RT1B+ e CD86+. A adesão de células CD4+ no baço foi aumentada após infecção de animais OCX em relação aos animais infectados com TS, seguida de aumento na frequência de memória central e células T efetoras CD4+ e TCD8+ neste mesmo grupo. Este trabalho ajudará a compreender melhor a relação entre o eixo imunoendócrino e como os hormônios sexuais podem influenciar a infecção parasitária. Nossos dados sugerem que a TS pode influenciar na redução do perfil inflamatório sistêmico através da indução de células T reguladoras que podem propiciar o descontrole da infecção por T cruzi.
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No entanto, foi relatado que em processos infecciosos, a TS pode estar associada à gravidade da doença, como observado na infecção pelo corona vírus. Nosso objetivo foi avaliar a influência da testosterona na resposta imune do hospedeiro durante a fase aguda da infecção experimental por Trypanosoma cruzi. Para isso, ratos machos Wistar hannover foram orquiectomizados (OCX) com seis semanas de idade e aguardando 30 dias para a recuperação cirúrgica e redução de testosterona. Após esse período, infectamos os animais com 1x105 formas tripomastigotas da cepa Y de Trypanosoma cruzi, em que avaliamos por 11 dias o peso e a parasitemia sanguínea, na qual foram eutanasiados e coletado o sangue, baço, timo e fígado para as análises. Não observamos alterações de peso ou parasitemia sanguínea, por outro lado, a frequência de neutrófilos foi aumentada no grupo orquiectomizado (OCX) e infectado em relação ao grupo suplementado com TS e infectado, seguido de redução significativa de monócitos circulantes neste mesmo grupo. Não observamos diferença significativa nos ninhos de amastigotas por seção cardíaca entre os grupos. Houve redução considerável nas citocinas inflamatórias circulantes como Leptina, MIP-1α, IL-10, IL-18 e IL-17A no grupo OCX infectado em comparação aos animais infectados com TS. IL-6, IL-17 e IL-4 no fígado dos animais estavam aumentadas neste mesmo grupo, seguidas da atividade aumentada da atividade neutrofílica. Houve redução do número de leucócitos totais no baço e timo nos animais OCX infectados, porém timócitos e esplenócitos entraram em apoptose mais precocemente em relação aos demais grupos. Houve também redução de células CD3+ duplamente negativas, mas aumento de células CD3+ duplamente positivas e Células CD3+CD8+ no timo de animais OCX infectados. Observou-se maior frequência de macrófagos no baço, porém notamos menor expressão dos marcadores de ativação RT1B+ e CD86+. A adesão de células CD4+ no baço foi aumentada após infecção de animais OCX em relação aos animais infectados com TS, seguida de aumento na frequência de memória central e células T efetoras CD4+ e TCD8+ neste mesmo grupo. Este trabalho ajudará a compreender melhor a relação entre o eixo imunoendócrino e como os hormônios sexuais podem influenciar a infecção parasitária. Nossos dados sugerem que a TS pode influenciar na redução do perfil inflamatório sistêmico através da indução de células T reguladoras que podem propiciar o descontrole da infecção por T cruzi.Despite all the scientific progress in recent decades to unravel the host\'s immunological processes and how the parasite bypasses the immune system, Chagas disease is still a major public health problem, affecting around 2.5 million people. It is known that gonadal hormones, such as testosterone (TS), can influence the magnitude of the immune response against the parasite, especially Trypanosoma cruzi. TS plays a suppressive role in the thymus, reducing T cell differentiation and proliferation. However, it has been reported that in infectious processes, TS may be associated with disease severity, as observed in coronavirus infection. Our objective was to evaluate the influence of testosterone on the host\'s immune response during the acute phase of experimental Trypanosoma cruzi infection. For this, male Wistar Hannover rats were orchiectomized (OCX) at six weeks of age and waited 30 days for surgical recovery and testosterone reduction. After this period, we infected the animals with 1x105 trypomastigote forms of the Y strain of Trypanosoma cruzi, in which we evaluated their weight and blood parasitemia for 11 days, in which they were euthanized and the blood, spleen, thymus and liver were collected for analysis. We did not observe changes in weight or blood parasitemia, on the other hand, the frequency of neutrophils was increased in the orchiectomized (OCX) and infected group in relation to the group supplemented with TS and infected, followed by a significant reduction in circulating monocytes in this same group. We did not observe a significant difference in amastigote nests per heart section between groups. There was a considerable reduction in circulating inflammatory cytokines such as Leptin, MIP-1α, IL-10, IL-18 and IL-17A in the infected OCX group compared to animals infected with TS. IL-6, IL-17 and IL-4 in the animals\' liver were increased in this same group, followed by increased neutrophilic activity. There was a reduction in the number of total leukocytes in the spleen and thymus in infected OCX animals, but thymocytes and splenocytes entered apoptosis earlier compared to the other groups. There was also a reduction in double-negative CD3+ cells, but an increase in double-positive CD3+ cells and CD3+CD8+ cells in the thymus of infected OCX animals. A higher frequency of macrophages was observed in the spleen, but we noted lower expression of the activation markers RT1B+ and CD86+. The adhesion of CD4+ cells in the spleen was increased after infection of OCX animals in relation to animals infected with TS, followed by an increase in the frequency of central memory and effector T cells CD4+ and TCD8+ in this same group. This work will help to better understand the relationship between the immunoendocrine axis and how sex hormones can influence parasitic infection. Our data suggest that TS can influence the reduction of the systemic inflammatory profile through the induction of regulatory T cells that can lead to uncontrolled T cruzi infection.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPrado Junior, Jose Clovis doSilva, Jefferson Luiz da2024-04-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60140/tde-28052025-094407/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-29T14:31:02Zoai:teses.usp.br:tde-28052025-094407Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-29T14:31:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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