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Análise das distintas vulnerabilidades de crianças e adolescentes vítimas da exclusão escolar na cidade do Rio de Janeiro (2013-2016)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Regules, Maria Paula Patrone
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-06122024-080515/
Resumo: A pesquisa busca compreender quem são as crianças e adolescentes vítimas de exclusão escolar ou seja, fora da escola ou em risco de evasão , fenômeno abarcado nas chamadas desigualdades educacionais, observando entre elas, a partir de suas características sociais predominantes, traços distintos, mais visíveis e menos visíveis. A pesquisa fundamenta-se na noção de espaço social de Bourdieu (1997, 2004, 2011, 2013) e inspira-se em estudos sobre desigualdades educacionais de Perosa e Costa (2015), Perosa, Lebaron e Leite (2015) e Perosa e Dantas (2017), que, como se propõe aqui, usaram a Análise de Correspondência Múltipla. Toma como lócus o Projeto Aluno Presente, desenvolvido de 2013-2016, pela Cidade Escola Aprendiz, na cidade do Rio de Janeiro, com coleta de dados a partir da atuação de articuladores locais em processo de busca ativa escolar e acompanhamento às famílias, contendo informações relativas às 23.753 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, distribuídas em 154 bairros. Os resultados, frutos da análise dos dados, mostraram que os aspectos relacionados com o processo de alfabetização e a distorção idade-série revelaram-se como fatores geradores da exclusão escolar, afetando crianças, no início da escolarização, e adolescentes, nos primeiros anos do Fundamental II. As análises evidenciaram situações distintas de exclusão escolar, nas quais nem todos saem da escola pelas mesmas razões, nas mesmas condições, levando-os ao mesmo desfecho em sua trajetória, o que demanda ações públicas específicas. Identificaram-se alunos que estavam infrequentes e em risco de evasão, com uma condição mais temporária, e os que estavam fora da escola e sem matrícula, com uma condição de exclusão de longa duração. As crianças e adolescentes que nunca voltaram para a escola (6,8%), por uma série de motivos falta de vagas nas escolas, frequentes mudanças de domicílio, conflitos da violência armada, entre outros , estavam submetidos às piores violações, privações e condições de vida. Constatou-se a predominância de monoparentalidade familiar feminina, mulheres responsáveis por 88,9% (21.131) das crianças/adolescentes, com famílias numerosas e baixa renda. A persistente desigualdade racial na Educação Básica também foi observada no estudo, no qual os alunos negros (pretos e pardos), de ambos os sexos, apresentaram os piores indicadores educacionais, de saúde e de condições de vida. Os territórios, predominantemente de favelas e regiões periféricas, marcados pelos conflitos da violência armada, com pouco ou nenhum acesso a serviços, políticas públicas e escassas oportunidades educacionais, exerceram forte influência sobre os destinos educacionais das crianças e adolescentes. Apesar do inegável avanço na implementação de políticas sociais e educacionais das últimas décadas, os resultados deste estudo apontam que ainda persistem dimensões da desigualdade educacional em relação a acesso, permanência e aprendizado no Ensino Fundamental. O tratamento e a análise dos dados revelaram um universo complexo e multifacetado da exclusão escolar, cujo agravamento na pandemia torna ainda mais importante o uso de indicadores que desvelem nuances dos territórios por ela afetados, balizando políticas públicas para crianças e adolescentes ainda invisíveis para o Estado.
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A pesquisa fundamenta-se na noção de espaço social de Bourdieu (1997, 2004, 2011, 2013) e inspira-se em estudos sobre desigualdades educacionais de Perosa e Costa (2015), Perosa, Lebaron e Leite (2015) e Perosa e Dantas (2017), que, como se propõe aqui, usaram a Análise de Correspondência Múltipla. Toma como lócus o Projeto Aluno Presente, desenvolvido de 2013-2016, pela Cidade Escola Aprendiz, na cidade do Rio de Janeiro, com coleta de dados a partir da atuação de articuladores locais em processo de busca ativa escolar e acompanhamento às famílias, contendo informações relativas às 23.753 crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, distribuídas em 154 bairros. Os resultados, frutos da análise dos dados, mostraram que os aspectos relacionados com o processo de alfabetização e a distorção idade-série revelaram-se como fatores geradores da exclusão escolar, afetando crianças, no início da escolarização, e adolescentes, nos primeiros anos do Fundamental II. As análises evidenciaram situações distintas de exclusão escolar, nas quais nem todos saem da escola pelas mesmas razões, nas mesmas condições, levando-os ao mesmo desfecho em sua trajetória, o que demanda ações públicas específicas. Identificaram-se alunos que estavam infrequentes e em risco de evasão, com uma condição mais temporária, e os que estavam fora da escola e sem matrícula, com uma condição de exclusão de longa duração. As crianças e adolescentes que nunca voltaram para a escola (6,8%), por uma série de motivos falta de vagas nas escolas, frequentes mudanças de domicílio, conflitos da violência armada, entre outros , estavam submetidos às piores violações, privações e condições de vida. Constatou-se a predominância de monoparentalidade familiar feminina, mulheres responsáveis por 88,9% (21.131) das crianças/adolescentes, com famílias numerosas e baixa renda. A persistente desigualdade racial na Educação Básica também foi observada no estudo, no qual os alunos negros (pretos e pardos), de ambos os sexos, apresentaram os piores indicadores educacionais, de saúde e de condições de vida. Os territórios, predominantemente de favelas e regiões periféricas, marcados pelos conflitos da violência armada, com pouco ou nenhum acesso a serviços, políticas públicas e escassas oportunidades educacionais, exerceram forte influência sobre os destinos educacionais das crianças e adolescentes. Apesar do inegável avanço na implementação de políticas sociais e educacionais das últimas décadas, os resultados deste estudo apontam que ainda persistem dimensões da desigualdade educacional em relação a acesso, permanência e aprendizado no Ensino Fundamental. O tratamento e a análise dos dados revelaram um universo complexo e multifacetado da exclusão escolar, cujo agravamento na pandemia torna ainda mais importante o uso de indicadores que desvelem nuances dos territórios por ela afetados, balizando políticas públicas para crianças e adolescentes ainda invisíveis para o Estado.The study seeks to understand the profile of children and adolescents who are victims of educational exclusion - that is, out of school or at risk of dropping out -, a phenomenon encompassed within educational inequalities, observing among them, from their predominant social characteristics, distinct traits, that are more visible and less visible. The study is based on Bourdieus notion of social space (1997, 2004, 2011, 2013) and is inspired by studies on educational inequalities by Perosa and Costa (2015), Perosa, Lebaron and Leite (2015) and Perosa and Dantas (2017), which, as proposed here, used the Multiple Correspondence Analysis. It takes the Present Student Project as locus, developed from 2013 to 2016 by Cidade Escola Aprendiz, in the city of Rio de Janeiro, with data collection from the performance of local articulators in the process of active school search and family support, containing information on 23,753 children and adolescents from 6 to 14 years old, distributed across 154 neighborhoods. The outcomes from the data analysis showed that aspects related to the literacy process and the lag related to the age-grade have been revealed as factors that generate educational exclusion, affecting children in the beginning of their schooling, and adolescents in the first years of Elementary II. The analyses evidenced distinct situations of educational exclusion, in which not all leave the school by same reasons, in the same conditions, leading them to the same endpoint in their trajectory, which demand specific public actions. It was identified students who havent attended the classes frequently and students at risk of dropout, with a more temporary condition, and those who were out of school and not enrolled, with a long-term exclusion condition. Children and adolescents who have never gone back to school (6.8%), for several reasons - lack of spots for children in schools, frequent house moves, armed violence conflicts, among others -, were subjected to the worst violations, deprivation and living conditions. It was noticed the predominance of female single-parent families, women responsible for 88.9% (21,131) of children/adolescents, with numerous family members and low income. The persistent racial inequality in Basic Education was also observed in the study, in which dark-skinned students, of both genders, presented the worst indicators of education, health and living conditions. The territories, predominantly of slums and peripheral regions, marked by armed violence conflicts, with little or no access to services, public policies and scarce educational opportunities, exerted strong influence on the educational destinations of children and adolescents. Despite the undeniable progress in implementation of social and educational policies of the last decades, the results of this study point out that dimensions of educational inequality in relation to access, permanence and learning in Elementary School persist. The treatment and analysis of the data revealed a complex and multifaceted universe of educational exclusion, whose worsening in the pandemic makes even more important the use of indicators that reveal nuances of the territories affected by it, setting public policies for children and adolescents who are still invisible to the State.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPerosa, Graziela SerroniRegules, Maria Paula Patrone2024-11-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-06122024-080515/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-11T12:37:01Zoai:teses.usp.br:tde-06122024-080515Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-11T12:37:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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