Das sombras do caos à luz do cosmos: um estudo sobre o problema platônico do mal
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29082024-133554/ |
Resumo: | O objetivo mais geral do presente estudo é discernir e minuciar a(s) causa(s) primária(s) dos males apresentados na obra platônica, distinguindo-as das suas causas secundárias e daquilo que pode ser considerado como seus efeitos ou resíduos. Além disso, a pesquisa também investiga se há, a despeito da falta de sistematicidade no tratamento do tema ao longo do corpus, um possível λόγος unívoco que dê conta da multiplicidade de categorias de males e que possibilite, assim, o discernimento entre males e bens. Com esse intuito, foi necessário examinar se o mal comporta uma natureza ontológica única ou diversa para Platão, isto é, se deve ser entendido como pura negatividade ou se pode ser relacionado a uma potência ontológica positiva, radicada por exemplo na corporeidade, na Necessidade ou nos paradigmas ideais. Desse modo, a investigação buscou compreender – diante da diversidade exuberante de divergências interpretativas a respeito do tema e considerando, ainda, a interligação profunda entre cosmologia, metafísica, psicologia, epistemologia e ética no pensamento platônico –, se há indícios ou evidências de uma ou mais causas primárias dos males experienciados pela alma e, com base nisso, quais males são passíveis de prevenção ou reparo. Com esse objetivo, o primeiro passo foi filtrar os males que são efetivamente considerados como tais por Platão, distinguindo-os daqueles que podem se revelar como bens em outros contextos ou que são apenas efeitos ou condições de possibilidade dos primeiros. O segundo passo foi investigar, a partir da análise de diálogos representativos dos três períodos estabelecidos pela cronologia tradicional, onde de fato se podem localizar as causas primárias desses males e seus reflexos secundários. Esse percurso iniciou-se pela busca de raízes causais dos males que estariam supostamente localizados na cosmologia e psicogênese do Timeu, associados por intérpretes ao caos pré-cósmico, à distância ontológica entre ser e devir, à Necessidade ou à χώρα; além disso, também foi considerada a possibilidade de uma ou mais formas metafísicas do mal. Por fim, o problema dos males psíquicos, morais, antropológicos e políticos foi avaliado em diálogos representativos do tema nos três períodos da obra platônica, principalmente a partir da formulação platônica do supremo mal no Fédon, buscando-se compreender, novamente, quais dentre estes são considerados males efetivos na obra platônica, quais relações são estabelecidas entre eles e quais são as causas (ou a causa) às quais se devem. Ao final, foi apresentada uma proposta de delineamento da relação causal e subordinativa entre os diversos males contemplados na pesquisa, com a sustentação conclusiva de que não é possível encontrar provas textuais que alicercem a ideia de que as causas dos males experimentados pela alma podem ser encontradas fora dela. Desse modo, a presente tese busca sustentar que a única reversibilidade possível dos males depende da (re)composição auto demiúrgica do cosmos psíquico em oposição ao caos gerado pela ignorância e pelos vícios, que são, por sua vez, originados de um equívoco fundamental na relação da alma com o ser ( ) e com o devir, equívoco que é a um só tempo cognitivo e afetivo |
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Das sombras do caos à luz do cosmos: um estudo sobre o problema platônico do malFrom the shadows of chaos to the light of the cosmos: a study on the Platonic problem of evilCosmologiaCosmologyEpistemologia Psicologia moralEpistemologyEvilMalMetafísicaMetaphysicsMoral psychologyPlatãoPlatoO objetivo mais geral do presente estudo é discernir e minuciar a(s) causa(s) primária(s) dos males apresentados na obra platônica, distinguindo-as das suas causas secundárias e daquilo que pode ser considerado como seus efeitos ou resíduos. Além disso, a pesquisa também investiga se há, a despeito da falta de sistematicidade no tratamento do tema ao longo do corpus, um possível λόγος unívoco que dê conta da multiplicidade de categorias de males e que possibilite, assim, o discernimento entre males e bens. Com esse intuito, foi necessário examinar se o mal comporta uma natureza ontológica única ou diversa para Platão, isto é, se deve ser entendido como pura negatividade ou se pode ser relacionado a uma potência ontológica positiva, radicada por exemplo na corporeidade, na Necessidade ou nos paradigmas ideais. Desse modo, a investigação buscou compreender – diante da diversidade exuberante de divergências interpretativas a respeito do tema e considerando, ainda, a interligação profunda entre cosmologia, metafísica, psicologia, epistemologia e ética no pensamento platônico –, se há indícios ou evidências de uma ou mais causas primárias dos males experienciados pela alma e, com base nisso, quais males são passíveis de prevenção ou reparo. Com esse objetivo, o primeiro passo foi filtrar os males que são efetivamente considerados como tais por Platão, distinguindo-os daqueles que podem se revelar como bens em outros contextos ou que são apenas efeitos ou condições de possibilidade dos primeiros. O segundo passo foi investigar, a partir da análise de diálogos representativos dos três períodos estabelecidos pela cronologia tradicional, onde de fato se podem localizar as causas primárias desses males e seus reflexos secundários. Esse percurso iniciou-se pela busca de raízes causais dos males que estariam supostamente localizados na cosmologia e psicogênese do Timeu, associados por intérpretes ao caos pré-cósmico, à distância ontológica entre ser e devir, à Necessidade ou à χώρα; além disso, também foi considerada a possibilidade de uma ou mais formas metafísicas do mal. Por fim, o problema dos males psíquicos, morais, antropológicos e políticos foi avaliado em diálogos representativos do tema nos três períodos da obra platônica, principalmente a partir da formulação platônica do supremo mal no Fédon, buscando-se compreender, novamente, quais dentre estes são considerados males efetivos na obra platônica, quais relações são estabelecidas entre eles e quais são as causas (ou a causa) às quais se devem. Ao final, foi apresentada uma proposta de delineamento da relação causal e subordinativa entre os diversos males contemplados na pesquisa, com a sustentação conclusiva de que não é possível encontrar provas textuais que alicercem a ideia de que as causas dos males experimentados pela alma podem ser encontradas fora dela. Desse modo, a presente tese busca sustentar que a única reversibilidade possível dos males depende da (re)composição auto demiúrgica do cosmos psíquico em oposição ao caos gerado pela ignorância e pelos vícios, que são, por sua vez, originados de um equívoco fundamental na relação da alma com o ser ( ) e com o devir, equívoco que é a um só tempo cognitivo e afetivoThe overall aim of the present study is to discern and detail the primary cause(s) of the evils presented in the Platonic work, distinguishing them from their secondary causes and from what may be considered as their effects or residues. Furthermore, this study also investigates whether there is, despite the absence of systematic treatment of the topic throughout the corpus, a possible λόγος univocal that accounts for the multiplicity of categories of evils and, thus, enables the discernment between evils and goodness. To this effect, it was necessary to examine whether evil has a unique or diverse ontological nature for Plato, that is, whether it should be understood as pure negativity or whether it may be related to a positive ontological power that is rooted, for example, in corporeality, in Necessity, or in ideal paradigms. Thus, this research aimed to understand – given the exuberant diversity of interpretative divergences regarding the topic and considering the profound interconnection between cosmology, metaphysics, psychology, epistemology, and ethics in the Platonic thought –, whether there are signs or evidence of one or more primary causes of the evils experienced by the soul and, based on this, which evils may be prevented or repaired. To this end, the first step was to filter the evils that are effectively considered as such by Plato, distinguishing them from those that may be seen as goodness in other contexts or that are merely effects or conditions of possibility of the first ones. The second step was to investigate, based on the analysis of dialogues representing the three periods established by traditional chronology, where the primary causes of these evils and their secondary reflections may in fact be located. This journey began with the search for the causal roots of the evils that were supposedly located in the cosmology and psychogenesis of the Timaeus, associated by interpreters with pre-cosmic chaos, with the ontological distance between being and becoming, with Necessity, or with χώρα; besides, the possibility of the existence of one or more metaphysical forms of evil was also considered. Finally, the problem of psychic, moral, political and anthropological evils was assessed in dialogues representing the topic within the three periods of the Platonic work, mainly based on the Platonic formulation of the supreme evil in the Phaedo, seeking to understand, again, which among these are considered effective evils in the Platonic work, what relations are established between them, and what are the causes (or the cause) to which they are due. Ultimately, a proposal to outline the causal and subordinate relation between the various evils contemplated in the research was presented, introducing the conclusive assertion that it is not possible to find textual evidence to validate the idea that the causes of the evils experienced by the soul may be found regardless of it. Therefore, this study aimed at asserting that the only possible reversibility of evils is centered on the self-demiurgical (re)composition of the psychic cosmos in opposition to the chaos generated by ignorance and vices, which are, in turn, originated from a fundamental mistake in the relationship between the soul and being ( ) and becoming, a mistake that is both cognitive and affectiveBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBolzani Filho, RobertoJucksch, Yasmin Tamara2024-03-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29082024-133554/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-25T17:52:02Zoai:teses.usp.br:tde-29082024-133554Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-25T17:52:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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O objetivo mais geral do presente estudo é discernir e minuciar a(s) causa(s) primária(s) dos males apresentados na obra platônica, distinguindo-as das suas causas secundárias e daquilo que pode ser considerado como seus efeitos ou resíduos. Além disso, a pesquisa também investiga se há, a despeito da falta de sistematicidade no tratamento do tema ao longo do corpus, um possível λόγος unívoco que dê conta da multiplicidade de categorias de males e que possibilite, assim, o discernimento entre males e bens. Com esse intuito, foi necessário examinar se o mal comporta uma natureza ontológica única ou diversa para Platão, isto é, se deve ser entendido como pura negatividade ou se pode ser relacionado a uma potência ontológica positiva, radicada por exemplo na corporeidade, na Necessidade ou nos paradigmas ideais. Desse modo, a investigação buscou compreender – diante da diversidade exuberante de divergências interpretativas a respeito do tema e considerando, ainda, a interligação profunda entre cosmologia, metafísica, psicologia, epistemologia e ética no pensamento platônico –, se há indícios ou evidências de uma ou mais causas primárias dos males experienciados pela alma e, com base nisso, quais males são passíveis de prevenção ou reparo. Com esse objetivo, o primeiro passo foi filtrar os males que são efetivamente considerados como tais por Platão, distinguindo-os daqueles que podem se revelar como bens em outros contextos ou que são apenas efeitos ou condições de possibilidade dos primeiros. O segundo passo foi investigar, a partir da análise de diálogos representativos dos três períodos estabelecidos pela cronologia tradicional, onde de fato se podem localizar as causas primárias desses males e seus reflexos secundários. Esse percurso iniciou-se pela busca de raízes causais dos males que estariam supostamente localizados na cosmologia e psicogênese do Timeu, associados por intérpretes ao caos pré-cósmico, à distância ontológica entre ser e devir, à Necessidade ou à χώρα; além disso, também foi considerada a possibilidade de uma ou mais formas metafísicas do mal. Por fim, o problema dos males psíquicos, morais, antropológicos e políticos foi avaliado em diálogos representativos do tema nos três períodos da obra platônica, principalmente a partir da formulação platônica do supremo mal no Fédon, buscando-se compreender, novamente, quais dentre estes são considerados males efetivos na obra platônica, quais relações são estabelecidas entre eles e quais são as causas (ou a causa) às quais se devem. Ao final, foi apresentada uma proposta de delineamento da relação causal e subordinativa entre os diversos males contemplados na pesquisa, com a sustentação conclusiva de que não é possível encontrar provas textuais que alicercem a ideia de que as causas dos males experimentados pela alma podem ser encontradas fora dela. Desse modo, a presente tese busca sustentar que a única reversibilidade possível dos males depende da (re)composição auto demiúrgica do cosmos psíquico em oposição ao caos gerado pela ignorância e pelos vícios, que são, por sua vez, originados de um equívoco fundamental na relação da alma com o ser ( ) e com o devir, equívoco que é a um só tempo cognitivo e afetivo |
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