Da América do Sul à América Latina: o Brasil e os Estados Unidos nas relações interamericanas (1933-1954)
| Ano de defesa: | 2016 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-20122016-142823/ |
Resumo: | Os conceitos geopolíticos elaborados, ou apropriados, e ressignificados pelas grandes potências moldam as relações internacionais. A partir desta tese, esta pesquisa versa sobre as relações internacionais entre os Estados americanos, que tiveram lugar no movimento panamericano de 1933 a 1954. Durante o período, no âmbito dos eventos continentais mais importantes (Conferências Pan-Americanas e Reuniões de Consulta aos Ministros das Relações Exteriores), destacaram-se dois conceitos geopolíticos levados a termos pelos Estados Unidos e que serviram de baliza para as relações interamericanas: América do Sul e América Latina. A primeira proposição, em vigência de 1933 a 1942, compreendia o conjunto das Américas como espaço formado pelos Estados Unidos, por Estados da América Central e por Estados diferentes e desenvolvidos que formavam a América do Sul. Após este período, uma nova proposição sugeriu que as relações hemisféricas eram constituídas, por um lado, pelos Estados Unidos e, por outro, pelos demais Estados americanos que passaram a compor a América Latina, sem distinção. Neste sentido, o objetivo geral deste trabalho é analisar a atuação da diplomacia dos Estados Unidos e da diplomacia do Brasil em relação aos conceitos de América do Sul e América Latina nas relações hemisféricas. Para tanto, procuramos identificar o que denominamos como demandas latino-americanas e que receberam destaque na documentação diplomática produzida e arquivada pelo Departamento de Estado e pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Buscamos, ainda, verificar o posicionamento dos Estados Unidos e do Brasil e qualificar a cooperação entre o ambos. A pesquisa levou-nos a atuar na intersecção de dois temas clássicos da história das relações interamericanas: a política da Boa Vizinhança e a Doutrina Truman de contenção ao comunismo. Concluiu-se que durante o período da Boa Vizinhança, a América do Sul emergiu tanto de uma crise de interpretação da sociedade (e da diplomacia) americana sobre o que havia ao sul do Rio Grande, quanto de uma crise do capitalismo mundial. A delimitação geopolítica e o prestígio atribuído à diplomacia brasileira foi ao encontro do interesse da política externa brasileira, cuja abrangência sul-americana há muito constava de seu horizonte de atuação regional. Neste sentido, no início da década de 1940, o Brasil vislumbrava que seria essencial para a política hemisférica dos Estados Unidos e para as relações interamericanas. No entanto, a perspectiva de um lugar reservado nas relações hemisféricas não sustentou-se no pós-guerra, especialmente nos eventos pan-americanos sob a Doutrina Truman. A proposição norteamericana de que havia igualdade entre os Estados da América Latina, composta por um grupo homogêneo de Estados, levou as diplomacias brasileira e americana a operar desde posições opostas. Paradoxalmente, o Brasil deu os primeiros passos rumo a aproximação com os demais Estados do subcontinente. As conclusões deste trabalho são relevantes e subsidiam a compreensão das relações internacionais americanas contemporâneas, sobretudo os processos de integração regional. |
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Da América do Sul à América Latina: o Brasil e os Estados Unidos nas relações interamericanas (1933-1954)From South America to Latin America: Brazil and the United States in Inter-American relations (1933-1954)América do SulAmérica LatinaBrasilBrazilDiplomatic historyEstados UnidosHistória diplomáticaInter- American relationsLatin AmericaRelações interamericanasSouth AmericaUnited StatesOs conceitos geopolíticos elaborados, ou apropriados, e ressignificados pelas grandes potências moldam as relações internacionais. A partir desta tese, esta pesquisa versa sobre as relações internacionais entre os Estados americanos, que tiveram lugar no movimento panamericano de 1933 a 1954. Durante o período, no âmbito dos eventos continentais mais importantes (Conferências Pan-Americanas e Reuniões de Consulta aos Ministros das Relações Exteriores), destacaram-se dois conceitos geopolíticos levados a termos pelos Estados Unidos e que serviram de baliza para as relações interamericanas: América do Sul e América Latina. A primeira proposição, em vigência de 1933 a 1942, compreendia o conjunto das Américas como espaço formado pelos Estados Unidos, por Estados da América Central e por Estados diferentes e desenvolvidos que formavam a América do Sul. Após este período, uma nova proposição sugeriu que as relações hemisféricas eram constituídas, por um lado, pelos Estados Unidos e, por outro, pelos demais Estados americanos que passaram a compor a América Latina, sem distinção. Neste sentido, o objetivo geral deste trabalho é analisar a atuação da diplomacia dos Estados Unidos e da diplomacia do Brasil em relação aos conceitos de América do Sul e América Latina nas relações hemisféricas. Para tanto, procuramos identificar o que denominamos como demandas latino-americanas e que receberam destaque na documentação diplomática produzida e arquivada pelo Departamento de Estado e pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Buscamos, ainda, verificar o posicionamento dos Estados Unidos e do Brasil e qualificar a cooperação entre o ambos. A pesquisa levou-nos a atuar na intersecção de dois temas clássicos da história das relações interamericanas: a política da Boa Vizinhança e a Doutrina Truman de contenção ao comunismo. Concluiu-se que durante o período da Boa Vizinhança, a América do Sul emergiu tanto de uma crise de interpretação da sociedade (e da diplomacia) americana sobre o que havia ao sul do Rio Grande, quanto de uma crise do capitalismo mundial. A delimitação geopolítica e o prestígio atribuído à diplomacia brasileira foi ao encontro do interesse da política externa brasileira, cuja abrangência sul-americana há muito constava de seu horizonte de atuação regional. Neste sentido, no início da década de 1940, o Brasil vislumbrava que seria essencial para a política hemisférica dos Estados Unidos e para as relações interamericanas. No entanto, a perspectiva de um lugar reservado nas relações hemisféricas não sustentou-se no pós-guerra, especialmente nos eventos pan-americanos sob a Doutrina Truman. A proposição norteamericana de que havia igualdade entre os Estados da América Latina, composta por um grupo homogêneo de Estados, levou as diplomacias brasileira e americana a operar desde posições opostas. Paradoxalmente, o Brasil deu os primeiros passos rumo a aproximação com os demais Estados do subcontinente. As conclusões deste trabalho são relevantes e subsidiam a compreensão das relações internacionais americanas contemporâneas, sobretudo os processos de integração regional.Geopolitical concepts elaborated, appropriated or reinterpreted by the great powers play a key role in shaping international relations. This thesis deals with international relations among the American states from 1933 to 1954, specifically in the Pan-American movement. In the major continental events (Pan-American Conferences and Consultation Meetings of the Ministers of Foreign Affairs) under consideration, two geopolitical concepts brought to terms by the United States served as a beacon for inter-American relations: South America and Latin America. The first proposition, in effect from 1933 to 1942, comprised the whole of the Americas as a space formed by the United States, by the Central American states and the different and developed states that formed South America. After this period, a new proposition suggested that hemispheric relations were established, on the one hand, by the United States and, secondly, by other American states that were included in Latin America without distinctions. In this sense, the aim of this study is to analyze the performance of the diplomacy of the United States and Brazil in relation to the concepts of South America and Latin America in hemispheric relations. Therefore, I try to identify what I call Latin American demands, which were highlighted in the diplomatic documentation produced and filed by the State Department and the Ministry of Foreign Affairs of Brazil. I also seek to trace the positions of the United States and Brazil and qualify cooperation between both countries. The research led me to explore the intersection of two classic themes of the history of inter-American relations: the Good Neighbor Policy and the Truman Doctrine to contain communism. It was concluded that during the period of the Good Neighbor Policy, South America emerged both as a crisis of the American interpretation of society (and diplomacy) about what was occurring south of the Rio Grande and a crisis of world capitalism. The geopolitical boundaries and prestige attributed to Brazilian diplomacy during this period was clearly in the interest of Brazilian foreign policy, whose South American horizon had long consisted only of regional operations. In this sense, in the early 1940s, Brazilian politicians envisioned that the country would be essential for the hemispheric policy of the United States and for inter-American relations. However, the prospect of a reserved place in hemispheric relations did not hold up after the war, especially in the Pan American events during the period of the Truman Doctrine. The United States proposition that there was equality among the homogeneous group of states led Brazilian and American diplomacies to stake out opposite positions. Paradoxically, Brazil took the first steps towards rapprochement with the other states of the subcontinent. The findings of this study subsidize the understanding of contemporary inter-American relations, particularly processes of regional integration.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPurdy, Robert SeanSilva, Micael Alvino da2016-09-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-20122016-142823/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2017-09-04T21:05:29Zoai:teses.usp.br:tde-20122016-142823Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212017-09-04T21:05:29Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Os conceitos geopolíticos elaborados, ou apropriados, e ressignificados pelas grandes potências moldam as relações internacionais. A partir desta tese, esta pesquisa versa sobre as relações internacionais entre os Estados americanos, que tiveram lugar no movimento panamericano de 1933 a 1954. Durante o período, no âmbito dos eventos continentais mais importantes (Conferências Pan-Americanas e Reuniões de Consulta aos Ministros das Relações Exteriores), destacaram-se dois conceitos geopolíticos levados a termos pelos Estados Unidos e que serviram de baliza para as relações interamericanas: América do Sul e América Latina. A primeira proposição, em vigência de 1933 a 1942, compreendia o conjunto das Américas como espaço formado pelos Estados Unidos, por Estados da América Central e por Estados diferentes e desenvolvidos que formavam a América do Sul. Após este período, uma nova proposição sugeriu que as relações hemisféricas eram constituídas, por um lado, pelos Estados Unidos e, por outro, pelos demais Estados americanos que passaram a compor a América Latina, sem distinção. Neste sentido, o objetivo geral deste trabalho é analisar a atuação da diplomacia dos Estados Unidos e da diplomacia do Brasil em relação aos conceitos de América do Sul e América Latina nas relações hemisféricas. Para tanto, procuramos identificar o que denominamos como demandas latino-americanas e que receberam destaque na documentação diplomática produzida e arquivada pelo Departamento de Estado e pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Buscamos, ainda, verificar o posicionamento dos Estados Unidos e do Brasil e qualificar a cooperação entre o ambos. A pesquisa levou-nos a atuar na intersecção de dois temas clássicos da história das relações interamericanas: a política da Boa Vizinhança e a Doutrina Truman de contenção ao comunismo. Concluiu-se que durante o período da Boa Vizinhança, a América do Sul emergiu tanto de uma crise de interpretação da sociedade (e da diplomacia) americana sobre o que havia ao sul do Rio Grande, quanto de uma crise do capitalismo mundial. A delimitação geopolítica e o prestígio atribuído à diplomacia brasileira foi ao encontro do interesse da política externa brasileira, cuja abrangência sul-americana há muito constava de seu horizonte de atuação regional. Neste sentido, no início da década de 1940, o Brasil vislumbrava que seria essencial para a política hemisférica dos Estados Unidos e para as relações interamericanas. No entanto, a perspectiva de um lugar reservado nas relações hemisféricas não sustentou-se no pós-guerra, especialmente nos eventos pan-americanos sob a Doutrina Truman. A proposição norteamericana de que havia igualdade entre os Estados da América Latina, composta por um grupo homogêneo de Estados, levou as diplomacias brasileira e americana a operar desde posições opostas. Paradoxalmente, o Brasil deu os primeiros passos rumo a aproximação com os demais Estados do subcontinente. As conclusões deste trabalho são relevantes e subsidiam a compreensão das relações internacionais americanas contemporâneas, sobretudo os processos de integração regional. |
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