Contribuição ao estudo das superfícies geomórficas na Península Fildes, Ilha Rei George - Península Antártica
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-25082025-123052/ |
Resumo: | Ambientes periglaciais abrangem as zonas frias sendo associados às áreas periféricas às massas de gelo. Nessas áreas periglaciais, a morfogênese da superfície seria causada pelo avanço erosivo e efeito abrasivo das geleiras, que poderia aplainar bancos estruturais, pedimentos e terraços de natureza variada segundo a resistência do substrato, envolvendo processos de crioplanação e nivação. No Noroeste da Península, nas Ilhas Shetlands do Sul, há diversos trabalhos do Programa Antártico Brasileiro que buscam evidências da evolução da paisagem e suas conexões com a história do continente Sul Americano. Para a execução de tais trabalhos, as ferramentas de mapeamento são essenciais na demonstração, indicação e espacialização dos processos, formas, materiais e feições observadas. Historicamente, a Antártica possui inúmeros estudos cartográficos e como contribuição brasileira nessa área do conhecimento, o Núcleo de Pesquisa Terrantar tem desenvolvido estudos em escalas médias nas diferentes ilhas das Shetlands do Sul, com diversas relações entre solos e formas de relevo. No entanto, permanece em aberto a investigação da gênese e história das superfícies resultantes de ambientes periglaciais nesse setor da Antártica, assim como seu mapeamento geomorfológico. Não há detalhamento de processos que poderiam, através da crioplanação e nivação, esculpir superfícies que constituiriam marcadores cronogeográficos das ilhas do arquipélago em questão. Portanto, essa pesquisa partiu da hipótese que a crioplanação e nivação definiriam níveis na superfície ao longo do tempo geológico nos ambientes periglaciais, com o objetivo de verificar superfícies geomórficas da Península Fildes, Ilha Rei George - Shetlands do Sul, representando sua posição, distribuição e processos a partir de cartografia geomorfológica em escala de detalhe. Para tanto, partiu-se de investigações em gabinete, campo e análises laboratoriais. Os resultados apontaram, sob respaldo de pesquisas anteriores realizadas na área, para a existência de três níveis altimétricos de superfícies aplainadas - distinguidas em nível superior (~70-150 m), nível intermediário (~30-70 m) e nível inferior (até ~30 m) - com evidências morfológicas que sugerem processos de crioplanação e nivação associados às variações climáticas do Holoceno. As formas e feições mapeadas indicaram o caráter periglacial do ambiente atual, a exemplo de solos com padrão, campos de rocha, lóbulos de solifluxão, geleiras de rocha e áreas extensas com crioturbação e gelifluxão difusa, além da presença de bancos de neve sazonais trabalhando a superfície por processos de nivação. Ao mesmo tempo, há um legado glacial em função da presença de morainas e depósitos glaciofluviais, cuja meteorização periglacial teria retrabalhado os mantos de alteração segundo processos paraglaciais desde o Holoceno Médio. Assim, a sobreposição de níveis seria efeito de fatores glaciais e paraglaciais recentes, onde os efeitos deste último estariam atualmente ligados às recentes mudanças climáticas globais. Na espacialização destes fatores e processos, o mapeamento geomorfológico demonstrou ser eficaz para revelar padrões espaciais coerentes com as hipóteses sobre processos e origem das superfícies geomórficas, embora haja necessidade de estudos mais detalhados para verificar a gênese destas e compreender o quadro geomorfológico integrado em que o legado glacial e a dinâmica periglacial interagem continuamente |
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Contribuição ao estudo das superfícies geomórficas na Península Fildes, Ilha Rei George - Península AntárticaContribution to the study of geomorphic surfaces on the Fildes Peninsula, King George Island Antarctic PeninsulaAmbientes periglaciaisAntártica marítimaCrioplanaçãoCryoplanationDetailed geomorphological mappingMapeamento geomorfológico de detalheMaritime antarcticaNivaçãoNivationPeriglacial environmentsTerrantarTerrantarAmbientes periglaciais abrangem as zonas frias sendo associados às áreas periféricas às massas de gelo. Nessas áreas periglaciais, a morfogênese da superfície seria causada pelo avanço erosivo e efeito abrasivo das geleiras, que poderia aplainar bancos estruturais, pedimentos e terraços de natureza variada segundo a resistência do substrato, envolvendo processos de crioplanação e nivação. No Noroeste da Península, nas Ilhas Shetlands do Sul, há diversos trabalhos do Programa Antártico Brasileiro que buscam evidências da evolução da paisagem e suas conexões com a história do continente Sul Americano. Para a execução de tais trabalhos, as ferramentas de mapeamento são essenciais na demonstração, indicação e espacialização dos processos, formas, materiais e feições observadas. Historicamente, a Antártica possui inúmeros estudos cartográficos e como contribuição brasileira nessa área do conhecimento, o Núcleo de Pesquisa Terrantar tem desenvolvido estudos em escalas médias nas diferentes ilhas das Shetlands do Sul, com diversas relações entre solos e formas de relevo. No entanto, permanece em aberto a investigação da gênese e história das superfícies resultantes de ambientes periglaciais nesse setor da Antártica, assim como seu mapeamento geomorfológico. Não há detalhamento de processos que poderiam, através da crioplanação e nivação, esculpir superfícies que constituiriam marcadores cronogeográficos das ilhas do arquipélago em questão. Portanto, essa pesquisa partiu da hipótese que a crioplanação e nivação definiriam níveis na superfície ao longo do tempo geológico nos ambientes periglaciais, com o objetivo de verificar superfícies geomórficas da Península Fildes, Ilha Rei George - Shetlands do Sul, representando sua posição, distribuição e processos a partir de cartografia geomorfológica em escala de detalhe. Para tanto, partiu-se de investigações em gabinete, campo e análises laboratoriais. Os resultados apontaram, sob respaldo de pesquisas anteriores realizadas na área, para a existência de três níveis altimétricos de superfícies aplainadas - distinguidas em nível superior (~70-150 m), nível intermediário (~30-70 m) e nível inferior (até ~30 m) - com evidências morfológicas que sugerem processos de crioplanação e nivação associados às variações climáticas do Holoceno. As formas e feições mapeadas indicaram o caráter periglacial do ambiente atual, a exemplo de solos com padrão, campos de rocha, lóbulos de solifluxão, geleiras de rocha e áreas extensas com crioturbação e gelifluxão difusa, além da presença de bancos de neve sazonais trabalhando a superfície por processos de nivação. Ao mesmo tempo, há um legado glacial em função da presença de morainas e depósitos glaciofluviais, cuja meteorização periglacial teria retrabalhado os mantos de alteração segundo processos paraglaciais desde o Holoceno Médio. Assim, a sobreposição de níveis seria efeito de fatores glaciais e paraglaciais recentes, onde os efeitos deste último estariam atualmente ligados às recentes mudanças climáticas globais. Na espacialização destes fatores e processos, o mapeamento geomorfológico demonstrou ser eficaz para revelar padrões espaciais coerentes com as hipóteses sobre processos e origem das superfícies geomórficas, embora haja necessidade de estudos mais detalhados para verificar a gênese destas e compreender o quadro geomorfológico integrado em que o legado glacial e a dinâmica periglacial interagem continuamentePeriglacial environments encompass cold regions associated with peripheral areas around ice masses. In these periglacial areas, surface morphogenesis is attributed to the erosive advance and abrasive effects of glaciers, potentially flattening structural benches, pediments, and terraces of various nature depending on substrate resistance, involving processes such as cryoplanation and nivation. In the northwest region of the South Shetland Islands, several studies conducted by the Brazilian Antarctic Program seek evidence of landscape evolution and its connections with South American continental history. For such studies, mapping tools are essential in demonstrating, indicating, and spatially representing the observed processes, forms, materials, and features. Historically, Antarctica has been subject to numerous cartographic studies, and as a Brazilian contribution to this field of knowledge, the Terrantar Research Group has been developing medium-scale studies on different islands within the South Shetlands, exploring various relationships between soils and landforms. However, investigations into the genesis and history of surfaces resulting from periglacial environments in this Antarctic sector, as well as their geomorphological mapping, remain open. There is currently a lack of detailed studies on processes such as cryoplanation and nivation, which could shape surfaces serving as chronogeographic markers for the islands of this archipelago. Therefore, this research started from the hypothesis that cryoplanation and nivation define surface levels over geological time in periglacial environments, aiming to verify geomorphic surfaces on Fildes Peninsula, King George Island - South Shetland Islands, representing their position, distribution, and processes through detailed geomorphological mapping. To this end, the study was based on investigations conducted in the office, in the field, and through laboratory analyses. The results, supported by previous research carried out in the area, indicated the existence of three altimetric levels of planated surfaces--distinguished as upper level (~70-150 m), intermediate level (~30 70 m), and lower level (up to ~30 m)--with morphological evidence suggesting cryoplanation and nivation processes associated with Holocene climatic variations. Mapped forms and features indicated the periglacial character of the current environment, exemplified by patterned soils, stone fields, solifluction lobes, rock glaciers, extensive areas with cryoturbation and diffuse gelifluction, and seasonal snowbanks reshaping the surface through nivation processes. Concurrently, there is a glacial legacy evidenced by the presence of moraines and glaciofluvial deposits, whose periglacial weathering would have reworked alteration mantles via paraglacial processes since the Middle Holocene. Thus, the overlapping of levels would result from recent glacial and paraglacial factors, with effects of the latter currently linked to recent global climate changes. In the spatial representation of these factors and processes, geomorphological mapping proved effective in revealing spatial patterns consistent with hypotheses about processes and the origin of geomorphic surfaces, although more detailed studies are needed to verify their genesis and to better understand the integrated geomorphological framework in which glacial legacy and periglacial dynamics continuously interactBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSchaefer, Carlos Ernesto Gonçalves ReynaudVillela, Fernando Nadal JunqueiraCazaroto, Pamela Cristina2025-06-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-25082025-123052/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-25T15:41:02Zoai:teses.usp.br:tde-25082025-123052Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-25T15:41:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Ambientes periglaciais abrangem as zonas frias sendo associados às áreas periféricas às massas de gelo. Nessas áreas periglaciais, a morfogênese da superfície seria causada pelo avanço erosivo e efeito abrasivo das geleiras, que poderia aplainar bancos estruturais, pedimentos e terraços de natureza variada segundo a resistência do substrato, envolvendo processos de crioplanação e nivação. No Noroeste da Península, nas Ilhas Shetlands do Sul, há diversos trabalhos do Programa Antártico Brasileiro que buscam evidências da evolução da paisagem e suas conexões com a história do continente Sul Americano. Para a execução de tais trabalhos, as ferramentas de mapeamento são essenciais na demonstração, indicação e espacialização dos processos, formas, materiais e feições observadas. Historicamente, a Antártica possui inúmeros estudos cartográficos e como contribuição brasileira nessa área do conhecimento, o Núcleo de Pesquisa Terrantar tem desenvolvido estudos em escalas médias nas diferentes ilhas das Shetlands do Sul, com diversas relações entre solos e formas de relevo. No entanto, permanece em aberto a investigação da gênese e história das superfícies resultantes de ambientes periglaciais nesse setor da Antártica, assim como seu mapeamento geomorfológico. Não há detalhamento de processos que poderiam, através da crioplanação e nivação, esculpir superfícies que constituiriam marcadores cronogeográficos das ilhas do arquipélago em questão. Portanto, essa pesquisa partiu da hipótese que a crioplanação e nivação definiriam níveis na superfície ao longo do tempo geológico nos ambientes periglaciais, com o objetivo de verificar superfícies geomórficas da Península Fildes, Ilha Rei George - Shetlands do Sul, representando sua posição, distribuição e processos a partir de cartografia geomorfológica em escala de detalhe. Para tanto, partiu-se de investigações em gabinete, campo e análises laboratoriais. Os resultados apontaram, sob respaldo de pesquisas anteriores realizadas na área, para a existência de três níveis altimétricos de superfícies aplainadas - distinguidas em nível superior (~70-150 m), nível intermediário (~30-70 m) e nível inferior (até ~30 m) - com evidências morfológicas que sugerem processos de crioplanação e nivação associados às variações climáticas do Holoceno. As formas e feições mapeadas indicaram o caráter periglacial do ambiente atual, a exemplo de solos com padrão, campos de rocha, lóbulos de solifluxão, geleiras de rocha e áreas extensas com crioturbação e gelifluxão difusa, além da presença de bancos de neve sazonais trabalhando a superfície por processos de nivação. Ao mesmo tempo, há um legado glacial em função da presença de morainas e depósitos glaciofluviais, cuja meteorização periglacial teria retrabalhado os mantos de alteração segundo processos paraglaciais desde o Holoceno Médio. Assim, a sobreposição de níveis seria efeito de fatores glaciais e paraglaciais recentes, onde os efeitos deste último estariam atualmente ligados às recentes mudanças climáticas globais. Na espacialização destes fatores e processos, o mapeamento geomorfológico demonstrou ser eficaz para revelar padrões espaciais coerentes com as hipóteses sobre processos e origem das superfícies geomórficas, embora haja necessidade de estudos mais detalhados para verificar a gênese destas e compreender o quadro geomorfológico integrado em que o legado glacial e a dinâmica periglacial interagem continuamente |
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