Estratégias de manejo químico das doenças do cafeeiro: integração de fungicidas sítioespecíficos e multissítios em diferentes ambientes e safras
| Ano de defesa: | 2026 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz |
| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11136/tde-07052026-085938/ |
Resumo: | A cafeicultura brasileira ocupa posição de destaque no cenário mundial, sendo responsável por parcela significativa da produção global de café. Entretanto, a produtividade e a qualidade dos grãos podem ser severamente comprometidas pela ocorrência de doenças fúngicas, entre as quais se destacam a ferrugem do cafeeiro (<i>Hemileia vastatrix</i>), a cercosporiose (<i>Cercospora coffeicola</i>) e a mancha-de-phoma (<i>Boeremia coffea</i>). O manejo dessas doenças baseia-se predominantemente no controle químico, especialmente com fungicidas sítio-específicos, como os inibidores da desmetilação (IDM), inibidores da quinona externa (IQe) e inibidores da succinato-desidrogenase (ISDH). Entretanto, o uso contínuo desses produtos pode favorecer a seleção de populações de patógenos resistentes, tornando necessária a adoção de estratégias de manejo que integrem fungicidas multissítios. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar estratégias de manejo químico para doenças do cafeeiro arábica por meio da integração de fungicidas sítio-específicos e multissítios, considerando diferentes ambientes de cultivo e safras. Os experimentos foram conduzidos em cinco regiões produtoras de café Arábica no Brasil: Montanhas do Espírito Santo (Marechal Floriano ES), Sul de Minas (Três Pontas MG), Sudoeste de Minas (Cabo Verde MG), Campo das Vertentes (Lavras MG) e Cerrado Mineiro (Araxá e Campos Altos MG), durante as safras 2020/2021 e 2021/2022. Foram avaliados tratamentos envolvendo fungicidas dos grupos IDM, IQe e ISDH, aplicados isoladamente ou em associação com o fungicida multissítio oxicloreto de cobre, em aplicações realizadas nos períodos de pré e pós-florada. Os dados epidemiológicos obtidos foram analisados por meio do ajuste de modelos matemáticos não lineares às curvas de progresso das doenças, incluindo os modelos logarítmico, monomolecular, logístico e Gompertz. O estudo também contemplou avaliações em laboratório, casa de vegetação e campo, incluindo análises de sensibilidade de isolados dos patógenos a fungicidas, avaliações da incidência das doenças e da produtividade das lavouras. Os resultados demonstraram que fatores climáticos e regionais influenciam significativamente a dinâmica epidemiológica das doenças do cafeeiro. Embora o modelo monomolecular tenha apresentado elevados coeficientes de determinação em diversas situações, sua interpretação biológica foi limitada devido à estimativa de parâmetros inconsistentes, como valores negativos de inóculo inicial. Em contraste, o modelo de Gompertz apresentou melhor desempenho geral para descrever o progresso das epidemias de mancha-de-phoma, cercosporiose e ferrugem, especialmente em condições de maior intensidade epidêmica e variabilidade ambiental. A integração de fungicidas sítio-específicos com fungicidas multissítios demonstrou potencial para aumentar a eficiência do controle das doenças e pode contribuir para o manejo da resistência de patógenos a fungicidas. Além disso, o uso de modelos epidemiológicos adequados mostrou-se uma ferramenta importante para compreender a dinâmica das epidemias e apoiar a tomada de decisão no manejo fitossanitário. Conclui-se que a integração de diferentes grupos de fungicidas associada à análise epidemiológica das curvas de progresso das doenças constitui uma estratégia promissora para o manejo sustentável das principais doenças do cafeeiro, contribuindo para a manutenção da produtividade e para a redução dos riscos de seleção de populações resistentes de patógenos. |
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Estratégias de manejo químico das doenças do cafeeiro: integração de fungicidas sítioespecíficos e multissítios em diferentes ambientes e safrasChemical management strategies for coffee diseases: integration of site-specific and multisite fungicides across different environments and crop seasons<i>Coffea arábica</i>EpidemiologiaManejo de resistênciaModelo de Gompertz<i>Coffea arábica</i>EpidemiologyGompertz modelResistance managementA cafeicultura brasileira ocupa posição de destaque no cenário mundial, sendo responsável por parcela significativa da produção global de café. Entretanto, a produtividade e a qualidade dos grãos podem ser severamente comprometidas pela ocorrência de doenças fúngicas, entre as quais se destacam a ferrugem do cafeeiro (<i>Hemileia vastatrix</i>), a cercosporiose (<i>Cercospora coffeicola</i>) e a mancha-de-phoma (<i>Boeremia coffea</i>). O manejo dessas doenças baseia-se predominantemente no controle químico, especialmente com fungicidas sítio-específicos, como os inibidores da desmetilação (IDM), inibidores da quinona externa (IQe) e inibidores da succinato-desidrogenase (ISDH). Entretanto, o uso contínuo desses produtos pode favorecer a seleção de populações de patógenos resistentes, tornando necessária a adoção de estratégias de manejo que integrem fungicidas multissítios. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar estratégias de manejo químico para doenças do cafeeiro arábica por meio da integração de fungicidas sítio-específicos e multissítios, considerando diferentes ambientes de cultivo e safras. Os experimentos foram conduzidos em cinco regiões produtoras de café Arábica no Brasil: Montanhas do Espírito Santo (Marechal Floriano ES), Sul de Minas (Três Pontas MG), Sudoeste de Minas (Cabo Verde MG), Campo das Vertentes (Lavras MG) e Cerrado Mineiro (Araxá e Campos Altos MG), durante as safras 2020/2021 e 2021/2022. Foram avaliados tratamentos envolvendo fungicidas dos grupos IDM, IQe e ISDH, aplicados isoladamente ou em associação com o fungicida multissítio oxicloreto de cobre, em aplicações realizadas nos períodos de pré e pós-florada. Os dados epidemiológicos obtidos foram analisados por meio do ajuste de modelos matemáticos não lineares às curvas de progresso das doenças, incluindo os modelos logarítmico, monomolecular, logístico e Gompertz. O estudo também contemplou avaliações em laboratório, casa de vegetação e campo, incluindo análises de sensibilidade de isolados dos patógenos a fungicidas, avaliações da incidência das doenças e da produtividade das lavouras. Os resultados demonstraram que fatores climáticos e regionais influenciam significativamente a dinâmica epidemiológica das doenças do cafeeiro. Embora o modelo monomolecular tenha apresentado elevados coeficientes de determinação em diversas situações, sua interpretação biológica foi limitada devido à estimativa de parâmetros inconsistentes, como valores negativos de inóculo inicial. Em contraste, o modelo de Gompertz apresentou melhor desempenho geral para descrever o progresso das epidemias de mancha-de-phoma, cercosporiose e ferrugem, especialmente em condições de maior intensidade epidêmica e variabilidade ambiental. A integração de fungicidas sítio-específicos com fungicidas multissítios demonstrou potencial para aumentar a eficiência do controle das doenças e pode contribuir para o manejo da resistência de patógenos a fungicidas. Além disso, o uso de modelos epidemiológicos adequados mostrou-se uma ferramenta importante para compreender a dinâmica das epidemias e apoiar a tomada de decisão no manejo fitossanitário. Conclui-se que a integração de diferentes grupos de fungicidas associada à análise epidemiológica das curvas de progresso das doenças constitui uma estratégia promissora para o manejo sustentável das principais doenças do cafeeiro, contribuindo para a manutenção da produtividade e para a redução dos riscos de seleção de populações resistentes de patógenos.Brazilian coffee production plays a prominent role in the global agricultural scenario, accounting for a significant share of worldwide coffee production. However, grain productivity and quality can be severely affected by the occurrence of fungal diseases, among which coffee leaf rust (<i>Hemileia vastatrix</i>), brown eye spot (<i>Cercospora coffeicola</i>), and Phoma leaf spot (<i>Boeremia coffea</i>) are particularly important. The management of these diseases relies mainly on chemical control, especially through the use of site-specific fungicides such as demethylation inhibitors (DMI), quinone outside inhibitors (QoI), and succinate dehydrogenase inhibitors (SDHI). Nevertheless, the continuous use of these products may promote the selection of resistant pathogen populations, highlighting the need for management strategies that integrate multisite fungicides. In this context, this study aimed to evaluate chemical management strategies for Arabica coffee diseases through the integration of site-specific and multisite fungicides across different production environments and crop seasons. The experiments were conducted in five Arabica coffee-producing regions in Brazil: Montanhas do Espírito Santo (Marechal Floriano ES), Southern Minas Gerais (Três Pontas MG), Southwestern Minas Gerais (Cabo Verde MG), Campo das Vertentes (Lavras MG), and the Cerrado Mineiro region (Araxá and Campos Altos MG), during the 2020/2021 and 2021/2022 crop seasons. Treatments involving fungicides from the DMI, QoI, and SDHI groups were evaluated, applied either alone or in combination with the multisite fungicide Copper oxychloride, in applications performed at pre- and post-flowering stages. The study also included laboratory, greenhouse, and field evaluations, encompassing analyses of pathogen sensitivity to fungicides, disease incidence assessments, and coffee yield measurements. Epidemiological data were analyzed by fitting disease progress curves using nonlinear mathematical models, including logarithmic, monomolecular, logistic, and Gompertz models. The results demonstrated that climatic and regional factors significantly influence the epidemiological dynamics of coffee diseases. Although the monomolecular model showed high coefficients of determination in several situations, its biological interpretation was limited due to inconsistent parameter estimates, such as negative initial inoculum values. In contrast, the Gompertz model provided the best overall performance in describing the epidemic progress of Phoma leaf spot, brown eye spot, and coffee leaf rust, particularly under conditions of high epidemic intensity and environmental variability. The integration of site-specific fungicides with multisite fungicides showed potential to enhance disease control efficiency and can contribute to fungicide resistance management. Furthermore, the use of appropriate epidemiological models proved to be an important tool for understanding epidemic dynamics and supporting decision-making in phytosanitary management. Overall, the integration of different fungicide groups combined with epidemiological analysis of disease progress curves represents a promising strategy for the sustainable management of major coffee diseases, contributing to the maintenance of crop productivity and to reducing the risk of selecting resistant pathogen populations.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloEscola Superior de Agricultura Luiz de QueirozDourado Neto, DurvalPaulo Junior, João2026-03-202026-05-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11136/tde-07052026-085938/doi:10.11606/T.11.2026.tde-07052026-085938Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-05-08T18:36:02Zoai:teses.usp.br:tde-07052026-085938Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-05-08T18:36:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A cafeicultura brasileira ocupa posição de destaque no cenário mundial, sendo responsável por parcela significativa da produção global de café. Entretanto, a produtividade e a qualidade dos grãos podem ser severamente comprometidas pela ocorrência de doenças fúngicas, entre as quais se destacam a ferrugem do cafeeiro (<i>Hemileia vastatrix</i>), a cercosporiose (<i>Cercospora coffeicola</i>) e a mancha-de-phoma (<i>Boeremia coffea</i>). O manejo dessas doenças baseia-se predominantemente no controle químico, especialmente com fungicidas sítio-específicos, como os inibidores da desmetilação (IDM), inibidores da quinona externa (IQe) e inibidores da succinato-desidrogenase (ISDH). Entretanto, o uso contínuo desses produtos pode favorecer a seleção de populações de patógenos resistentes, tornando necessária a adoção de estratégias de manejo que integrem fungicidas multissítios. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar estratégias de manejo químico para doenças do cafeeiro arábica por meio da integração de fungicidas sítio-específicos e multissítios, considerando diferentes ambientes de cultivo e safras. Os experimentos foram conduzidos em cinco regiões produtoras de café Arábica no Brasil: Montanhas do Espírito Santo (Marechal Floriano ES), Sul de Minas (Três Pontas MG), Sudoeste de Minas (Cabo Verde MG), Campo das Vertentes (Lavras MG) e Cerrado Mineiro (Araxá e Campos Altos MG), durante as safras 2020/2021 e 2021/2022. Foram avaliados tratamentos envolvendo fungicidas dos grupos IDM, IQe e ISDH, aplicados isoladamente ou em associação com o fungicida multissítio oxicloreto de cobre, em aplicações realizadas nos períodos de pré e pós-florada. Os dados epidemiológicos obtidos foram analisados por meio do ajuste de modelos matemáticos não lineares às curvas de progresso das doenças, incluindo os modelos logarítmico, monomolecular, logístico e Gompertz. O estudo também contemplou avaliações em laboratório, casa de vegetação e campo, incluindo análises de sensibilidade de isolados dos patógenos a fungicidas, avaliações da incidência das doenças e da produtividade das lavouras. Os resultados demonstraram que fatores climáticos e regionais influenciam significativamente a dinâmica epidemiológica das doenças do cafeeiro. Embora o modelo monomolecular tenha apresentado elevados coeficientes de determinação em diversas situações, sua interpretação biológica foi limitada devido à estimativa de parâmetros inconsistentes, como valores negativos de inóculo inicial. Em contraste, o modelo de Gompertz apresentou melhor desempenho geral para descrever o progresso das epidemias de mancha-de-phoma, cercosporiose e ferrugem, especialmente em condições de maior intensidade epidêmica e variabilidade ambiental. A integração de fungicidas sítio-específicos com fungicidas multissítios demonstrou potencial para aumentar a eficiência do controle das doenças e pode contribuir para o manejo da resistência de patógenos a fungicidas. Além disso, o uso de modelos epidemiológicos adequados mostrou-se uma ferramenta importante para compreender a dinâmica das epidemias e apoiar a tomada de decisão no manejo fitossanitário. Conclui-se que a integração de diferentes grupos de fungicidas associada à análise epidemiológica das curvas de progresso das doenças constitui uma estratégia promissora para o manejo sustentável das principais doenças do cafeeiro, contribuindo para a manutenção da produtividade e para a redução dos riscos de seleção de populações resistentes de patógenos. |
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