Diversidade fisiológica em recifes de coral: uma perspectiva comparativo-evolutiva dos efeitos da simbiose e profundidade
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-06102025-163811/ |
Resumo: | A diversidade de recifes que observamos atualmente é majoritariamente formada por corais simbióticos de águas rasas, embora alguns recifes profundos sustentados por corais assimbióticos também apresentem elevada biodiversidade, mesmo sob condições marcadamente distintas, como baixas temperaturas, menor saturação de aragonita e limitação trófica. As diferentes estratégias de aquisição energética associadas à presença ou ausência de simbiose e aos desafios impostos pelo gradiente de profundidade levantam questões sobre como essas espécies modulam funções vitais, como o metabolismo oxidativo e a calcificação. Embora essencial para a aquisição de energia, a fotossimbiose pode tornar os corais mais vulneráveis, uma vez que, sob estresse ambiental, a excessiva produção de espécies reativas de oxigênio pode desencadear estresse oxidativo no hospedeiro, levando à ruptura da simbiose (i.e., branqueamento) e comprometendo processos fisiológicos como a deposição de carbonato de cálcio. Ainda são escassos os estudos que integram essas dimensões fisiológicas sob uma abordagem comparativa e evolutiva. Neste trabalho, avaliamos métricas do metabolismo oxidativo (capacidade antioxidante total e peroxidação lipídica), da simbiose (densidade de simbiontes e conteúdo de clorofila a) e da calcificação (atividade da Ca²-ATPase) em 24 espécies de corais e hidrocorais, simbióticos ou assimbióticos, coletados em recifes rasos e profundos ao longo da costa brasileira. Testamos as hipóteses de que (i) simbiose e profundidade afetaram a evolução do metabolismo oxidativo e da calcificação, sem estruturação filogenética; (ii) estresse oxidativo impacta negativamente a calcificação; e (iii) a existência de evolução correlacionada entre os marcadores do metabolismo oxidativo, assim como entre os marcadores da simbiose. Nossos resultados mostram que simbiose não afeta os parâmetros avaliados, enquanto profundidade apresentou efeito, estando associada a níveis mais elevados de LPO em corais de mar profundo o que pode indicar maior estresse oxidativo nesses ambientes, embora essa interpretação exija cautela devido à não detecção dessa métrica em Tubastraea. A correlação negativa entre LPO e atividade da Ca²-ATPase sugere um possível trade-off entre estresse oxidativo e calcificação, reforçando a importância da integridade redox para processos bioenergéticos. A ausência de correlação dentre os marcadores de simbiose e dentre os do metabolismo oxidativo apontam trajetórias evolutivas independentes dessas métricas. Observamos sinal filogenético nos parâmetros oxidativos, especialmente em CAT, cuja reconstrução ancestral se correlaciona com tendências paleoclimáticas, sugerindo mecanismos de seleção natural em níveis mais inclusivos de diversidade. Esses achados indicam que o estado oxidativo reflete a história filogenética, sem efeito significativo da simbiose, e contribuem para preencher lacunas no entendimento da evolução fisiológica em corais escleractíneos. |
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Diversidade fisiológica em recifes de coral: uma perspectiva comparativo-evolutiva dos efeitos da simbiose e profundidadePhysiological diversity in coral reefs: a comparative-evolutionary perspective on the effects of symbiosis and depthCalcificaçãoCalcificationCoralCoralMetabolismo oxidativoOxidative metabolismSimbioseSymbiosisZooxantelaZooxanthellaeA diversidade de recifes que observamos atualmente é majoritariamente formada por corais simbióticos de águas rasas, embora alguns recifes profundos sustentados por corais assimbióticos também apresentem elevada biodiversidade, mesmo sob condições marcadamente distintas, como baixas temperaturas, menor saturação de aragonita e limitação trófica. As diferentes estratégias de aquisição energética associadas à presença ou ausência de simbiose e aos desafios impostos pelo gradiente de profundidade levantam questões sobre como essas espécies modulam funções vitais, como o metabolismo oxidativo e a calcificação. Embora essencial para a aquisição de energia, a fotossimbiose pode tornar os corais mais vulneráveis, uma vez que, sob estresse ambiental, a excessiva produção de espécies reativas de oxigênio pode desencadear estresse oxidativo no hospedeiro, levando à ruptura da simbiose (i.e., branqueamento) e comprometendo processos fisiológicos como a deposição de carbonato de cálcio. Ainda são escassos os estudos que integram essas dimensões fisiológicas sob uma abordagem comparativa e evolutiva. Neste trabalho, avaliamos métricas do metabolismo oxidativo (capacidade antioxidante total e peroxidação lipídica), da simbiose (densidade de simbiontes e conteúdo de clorofila a) e da calcificação (atividade da Ca²-ATPase) em 24 espécies de corais e hidrocorais, simbióticos ou assimbióticos, coletados em recifes rasos e profundos ao longo da costa brasileira. Testamos as hipóteses de que (i) simbiose e profundidade afetaram a evolução do metabolismo oxidativo e da calcificação, sem estruturação filogenética; (ii) estresse oxidativo impacta negativamente a calcificação; e (iii) a existência de evolução correlacionada entre os marcadores do metabolismo oxidativo, assim como entre os marcadores da simbiose. Nossos resultados mostram que simbiose não afeta os parâmetros avaliados, enquanto profundidade apresentou efeito, estando associada a níveis mais elevados de LPO em corais de mar profundo o que pode indicar maior estresse oxidativo nesses ambientes, embora essa interpretação exija cautela devido à não detecção dessa métrica em Tubastraea. A correlação negativa entre LPO e atividade da Ca²-ATPase sugere um possível trade-off entre estresse oxidativo e calcificação, reforçando a importância da integridade redox para processos bioenergéticos. A ausência de correlação dentre os marcadores de simbiose e dentre os do metabolismo oxidativo apontam trajetórias evolutivas independentes dessas métricas. Observamos sinal filogenético nos parâmetros oxidativos, especialmente em CAT, cuja reconstrução ancestral se correlaciona com tendências paleoclimáticas, sugerindo mecanismos de seleção natural em níveis mais inclusivos de diversidade. Esses achados indicam que o estado oxidativo reflete a história filogenética, sem efeito significativo da simbiose, e contribuem para preencher lacunas no entendimento da evolução fisiológica em corais escleractíneos.The reef diversity observed today is mostly composed of shallow-water symbiotic corals, although some deep reefs sustained by asymbiotic corals also exhibit high biodiversity under markedly different conditions, such as low temperatures, reduced aragonite saturation, and trophic limitation. The different energy acquisition strategies associated with the presence or absence of symbiosis, along with the challenges imposed by depth gradients, raise questions about how these species regulate vital functions such as oxidative metabolism and calcification. Although essential for energy acquisition, photosymbiosis can increase coral vulnerability, as environmental stress may trigger excessive production of reactive oxygen species, leading to oxidative stress in the host, breakdown of symbiosis (i.e., bleaching), and impairment of physiological processes like calcium carbonate deposition. Comparative and evolutionary studies that integrate these physiological dimensions remain scarce. In this study, we evaluated oxidative metabolism (total antioxidant capacity and lipid peroxidation), symbiosis (symbiont density and chlorophyll-a content), and calcification (Ca²-ATPase activity) metrics in 24 species of corals and hydrocorals, either symbiotic or asymbiotic, sampled from shallow and deep reefs along the Brazilian coast. We tested the hypotheses that (i) symbiosis and depth affect the evolution of oxidative metabolism and calcification, with no phylogenetic structuring; (ii) oxidative stress negatively impacts calcification; and that (iii) there is correlated evolution among oxidative metabolism markers and among symbiosis markers. Our results show that symbiosis does not affect the evaluated parameters, while depth did, being associated with higher LPO levels in deep-sea corals possibly indicating greater oxidative stress in these environments, although this interpretation requires caution due to the absence of LPO detection in Tubastraea. The negative correlation between LPO and Ca²-ATPase activity suggests a potential trade-off between oxidative stress and calcification, reinforcing the importance of redox integrity for bioenergetic processes. The lack of correlation among symbiosis and among oxidative markers points to independent evolutionary trajectories for these traits. We observed phylogenetic signal in oxidative parameters, particularly in CAT, whose ancestral reconstruction correlates with paleoclimatic trends, suggesting natural selection as a mechanism at higher levels of diversity. These findings indicate that oxidative status reflects phylogenetic history, with no significant effect of symbiosis, and contribute to filling gaps in the understanding of physiological evolution in scleractinian corals.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFaria, Samuel Coelho deTurrini, Lorena Rodrigues2025-07-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-06102025-163811/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-07T09:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-06102025-163811Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-07T09:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A diversidade de recifes que observamos atualmente é majoritariamente formada por corais simbióticos de águas rasas, embora alguns recifes profundos sustentados por corais assimbióticos também apresentem elevada biodiversidade, mesmo sob condições marcadamente distintas, como baixas temperaturas, menor saturação de aragonita e limitação trófica. As diferentes estratégias de aquisição energética associadas à presença ou ausência de simbiose e aos desafios impostos pelo gradiente de profundidade levantam questões sobre como essas espécies modulam funções vitais, como o metabolismo oxidativo e a calcificação. Embora essencial para a aquisição de energia, a fotossimbiose pode tornar os corais mais vulneráveis, uma vez que, sob estresse ambiental, a excessiva produção de espécies reativas de oxigênio pode desencadear estresse oxidativo no hospedeiro, levando à ruptura da simbiose (i.e., branqueamento) e comprometendo processos fisiológicos como a deposição de carbonato de cálcio. Ainda são escassos os estudos que integram essas dimensões fisiológicas sob uma abordagem comparativa e evolutiva. Neste trabalho, avaliamos métricas do metabolismo oxidativo (capacidade antioxidante total e peroxidação lipídica), da simbiose (densidade de simbiontes e conteúdo de clorofila a) e da calcificação (atividade da Ca²-ATPase) em 24 espécies de corais e hidrocorais, simbióticos ou assimbióticos, coletados em recifes rasos e profundos ao longo da costa brasileira. Testamos as hipóteses de que (i) simbiose e profundidade afetaram a evolução do metabolismo oxidativo e da calcificação, sem estruturação filogenética; (ii) estresse oxidativo impacta negativamente a calcificação; e (iii) a existência de evolução correlacionada entre os marcadores do metabolismo oxidativo, assim como entre os marcadores da simbiose. Nossos resultados mostram que simbiose não afeta os parâmetros avaliados, enquanto profundidade apresentou efeito, estando associada a níveis mais elevados de LPO em corais de mar profundo o que pode indicar maior estresse oxidativo nesses ambientes, embora essa interpretação exija cautela devido à não detecção dessa métrica em Tubastraea. A correlação negativa entre LPO e atividade da Ca²-ATPase sugere um possível trade-off entre estresse oxidativo e calcificação, reforçando a importância da integridade redox para processos bioenergéticos. A ausência de correlação dentre os marcadores de simbiose e dentre os do metabolismo oxidativo apontam trajetórias evolutivas independentes dessas métricas. Observamos sinal filogenético nos parâmetros oxidativos, especialmente em CAT, cuja reconstrução ancestral se correlaciona com tendências paleoclimáticas, sugerindo mecanismos de seleção natural em níveis mais inclusivos de diversidade. Esses achados indicam que o estado oxidativo reflete a história filogenética, sem efeito significativo da simbiose, e contribuem para preencher lacunas no entendimento da evolução fisiológica em corais escleractíneos. |
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