Associação entre fatores de exposição ao nascimento e doença renal crônica ao final da terceira década de vida: estudo de coorte de nascimento

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lorencini, Daniela Aparecida
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-08092025-153445/
Resumo: A presença de diabetes (DM) e hipertensão arterial são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença renal crônica (DRC). Entretanto, evidências sugerem que fatores que afetam o desenvolvimento fetal também contribuem significativamente para a perda da função renal ao longo da vida. Vários fatores e definições relacionados ao nascimento, incluindo baixo peso ao nascer (BPN), restrição do crescimento intrauterino (RCIU) e idade gestacional para a definição de prematuridade, complicam a compreensão dessa relação. Desta forma, este estudo teve como objetivo avaliar o impacto dessas condições fetais no risco de DRC até o final da terceira década de vida. Os dados foram coletados de um estudo longitudinal de coorte de nascimento realizado em Ribeirão Preto, SP estabelecido entre 1978 e 1979, que incluiu 6.827 recém-nascidos vivos não gêmeos, representando 98% dos nascimentos locais. A visita de acompanhamento final ocorreu em 2016/2017, avaliando 1.954 indivíduos com idades entre 37 e 38 anos. Deste grupo, 1.564 participantes foram incluídos no estudo atual após a exclusão daqueles com dados faltantes sobre idade gestacional, altura ou peso ao nascer, bem como aqueles que não tinham medições da função renal e da albuminúria. Os fatores de exposição foram prematuridade (idade gestacional < 37 semanas), BPN (< 2500 g) e RCIU. O conceito de RCIU foi baseado na razão de peso corporal (BWR), que é a razão entre o peso do recém-nascido e o peso mediano para a idade gestacional da curva de referência específica para o sexo baseada no Intergrowth 21st. Um BWR < que 0,85 foi definido como RCIU. O desfecho primário foi a presença de DRC, definida como a taxa de filtração glomerular estimada (e-TFG) com base na equação de creatinina-cistatina C CKD-EPI 2021 < 60 ml/min/1,73m² ou razão albumina-creatinina urinária (RAC) > 30 mg/g ou o participante com histórico clínico de diálise ou transplante renal. Os desfechos secundários foram sobre os valores de eTFG e ACR isolados. O efeito das variáveis de exposição sobre a e-TFG foi modelado usando regressão linear multivariada. Para ACR, os valores foram analisados usando um modelo de regressão quantílica. O impacto das variáveis de nascimento sobre a DRC foi analisado utilizando um modelo de regressão logística múltipla, associado ao cálculo dos Odds ratio (OR) e respectivo intervalo de confiança 95% [IC95%]. A prevalência de DRC na coorte foi de cerca de 20%, principalmente devido aos altos valores de RAC, uma vez que apenas seis participantes apresentaram uma e-TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m² ou um histórico de diálise ou transplante renal (0,32% da coorte). A análise univariada indicou que o nascimento prematuro estava associado a uma e-TFG mais baixa (105,9 ± 13,1 vs. 108,8 ± 13,0 mL/min/1,73 m², p < 0,05), enquanto a RCIU estava relacionada a uma maior prevalência de DRC (25,3% vs. 18,1%, p < 0,05). Na análise multivariada, fatores como índice de massa corporal (IMC), homocisteína, proteína C-reativa (PCR) e RAC estavam associados a uma e-TFG mais baixa, enquanto níveis mais altos de hemoglobina glicada (HbA1c) correlacionaram-se com valores mais elevados de e-TFG. A pressão arterial sistólica, HbA1c, PCR e o sexo feminino foram associados a maiores valores de RAC, enquanto o IMC teve uma correlação negativa com a albuminuria. Nenhum dos fatores de exposição ao nascimento impactou significativamente a e-TFG ou a RAC. Em relação ao desfecho primário, a RCIU (1,50 [1,10 - 2,21], p = 0,047), DM (1,60 [1,05 - 2,46], p = 0,03) e o sexo feminino (2,18 [1,62 - 2,90]) foram associados a um aumento do risco de DRC, enquanto um IMC acima de 30 estava ligado a um risco reduzido (0,59 [0,43 - 0,81], p = 0,001) deste desfecho. O baixo peso ao nascer (BPN) (1,36 [0,81 - 2,29]; p = 0,23) e a prematuridade (0,77 [0,40 - 1,46]; p = 0,43) não mostraram associações significativas com o risco de DRC. Em conclusão, a RCIU foi associada a um maior risco de DRC, particularmente em mulheres. O uso da normalização do peso ao nascer com base no 50º percentil dos valores de peso de referência para a idade gestacional foi demonstrado ser mais preciso na estimativa do risco de DRC do que apenas informações sobre prematuridade ou sobre o peso ao nascer.
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Vários fatores e definições relacionados ao nascimento, incluindo baixo peso ao nascer (BPN), restrição do crescimento intrauterino (RCIU) e idade gestacional para a definição de prematuridade, complicam a compreensão dessa relação. Desta forma, este estudo teve como objetivo avaliar o impacto dessas condições fetais no risco de DRC até o final da terceira década de vida. Os dados foram coletados de um estudo longitudinal de coorte de nascimento realizado em Ribeirão Preto, SP estabelecido entre 1978 e 1979, que incluiu 6.827 recém-nascidos vivos não gêmeos, representando 98% dos nascimentos locais. A visita de acompanhamento final ocorreu em 2016/2017, avaliando 1.954 indivíduos com idades entre 37 e 38 anos. Deste grupo, 1.564 participantes foram incluídos no estudo atual após a exclusão daqueles com dados faltantes sobre idade gestacional, altura ou peso ao nascer, bem como aqueles que não tinham medições da função renal e da albuminúria. Os fatores de exposição foram prematuridade (idade gestacional < 37 semanas), BPN (< 2500 g) e RCIU. O conceito de RCIU foi baseado na razão de peso corporal (BWR), que é a razão entre o peso do recém-nascido e o peso mediano para a idade gestacional da curva de referência específica para o sexo baseada no Intergrowth 21st. Um BWR < que 0,85 foi definido como RCIU. O desfecho primário foi a presença de DRC, definida como a taxa de filtração glomerular estimada (e-TFG) com base na equação de creatinina-cistatina C CKD-EPI 2021 < 60 ml/min/1,73m² ou razão albumina-creatinina urinária (RAC) > 30 mg/g ou o participante com histórico clínico de diálise ou transplante renal. Os desfechos secundários foram sobre os valores de eTFG e ACR isolados. O efeito das variáveis de exposição sobre a e-TFG foi modelado usando regressão linear multivariada. Para ACR, os valores foram analisados usando um modelo de regressão quantílica. O impacto das variáveis de nascimento sobre a DRC foi analisado utilizando um modelo de regressão logística múltipla, associado ao cálculo dos Odds ratio (OR) e respectivo intervalo de confiança 95% [IC95%]. A prevalência de DRC na coorte foi de cerca de 20%, principalmente devido aos altos valores de RAC, uma vez que apenas seis participantes apresentaram uma e-TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m² ou um histórico de diálise ou transplante renal (0,32% da coorte). A análise univariada indicou que o nascimento prematuro estava associado a uma e-TFG mais baixa (105,9 ± 13,1 vs. 108,8 ± 13,0 mL/min/1,73 m², p < 0,05), enquanto a RCIU estava relacionada a uma maior prevalência de DRC (25,3% vs. 18,1%, p < 0,05). Na análise multivariada, fatores como índice de massa corporal (IMC), homocisteína, proteína C-reativa (PCR) e RAC estavam associados a uma e-TFG mais baixa, enquanto níveis mais altos de hemoglobina glicada (HbA1c) correlacionaram-se com valores mais elevados de e-TFG. A pressão arterial sistólica, HbA1c, PCR e o sexo feminino foram associados a maiores valores de RAC, enquanto o IMC teve uma correlação negativa com a albuminuria. Nenhum dos fatores de exposição ao nascimento impactou significativamente a e-TFG ou a RAC. Em relação ao desfecho primário, a RCIU (1,50 [1,10 - 2,21], p = 0,047), DM (1,60 [1,05 - 2,46], p = 0,03) e o sexo feminino (2,18 [1,62 - 2,90]) foram associados a um aumento do risco de DRC, enquanto um IMC acima de 30 estava ligado a um risco reduzido (0,59 [0,43 - 0,81], p = 0,001) deste desfecho. O baixo peso ao nascer (BPN) (1,36 [0,81 - 2,29]; p = 0,23) e a prematuridade (0,77 [0,40 - 1,46]; p = 0,43) não mostraram associações significativas com o risco de DRC. Em conclusão, a RCIU foi associada a um maior risco de DRC, particularmente em mulheres. O uso da normalização do peso ao nascer com base no 50º percentil dos valores de peso de referência para a idade gestacional foi demonstrado ser mais preciso na estimativa do risco de DRC do que apenas informações sobre prematuridade ou sobre o peso ao nascer.The presence of diabetes (DM) and hypertension are the primary risk factors for the development of chronic kidney disease (CKD). However, evidence suggests that factors affecting fetal development also significantly contribute to the loss of kidney function throughout life. Various birth-related factors and definitions, including low birth weight (LBW), intrauterine growth restriction (IUGR), and gestational age for the definition of prematurity, complicate the understanding of this relationship. Therefore, this study aimed to evaluate the impact of these fetal conditions on the risk of CKD by the end of the third decade of life. Data were collected from a longitudinal birth cohort study conducted in Ribeirão Preto, SP, established between 1978 and 1979, which included 6,827 live non-twin newborns, representing 98% of local births. The final follow-up visit occurred in 2016/2017, assessing 1,954 individuals aged 37 to 38 years. From this group, 1,564 participants were included in the current study after excluding those with missing data on gestational age, height, or birth weight, as well as those lacking measurements of kidney function and albuminuria. The exposure factors were prematurity (gestational age < 37 weeks), LBW (< 2500 g), and IUGR. The concept of IUGR was based on the body weight ratio (BWR), which is the ratio of the newborn\'s weight to the median weight for gestational age from the sex-specific reference curve based on Intergrowth 21st. A BWR < 0.85 was defined as IUGR. The primary outcome was the presence of CKD, defined as the estimated glomerular filtration rate (e-GFR) based on the CKD-EPI 2021 creatinine-cystatin C equation < 60 ml/min/1.73m², or the albumin-to-creatinine ratio (ACR) > 30 mg/g, or the participant having a clinical history of dialysis or kidney transplantation. The secondary outcomes were the values of e-GFR and ACR separately. The effect of exposure variables on e-GFR was modeled using multivariable linear regression. For ACR, the values were analyzed using a quantile regression model. The impact of birth variables on CKD was analyzed using a multiple logistic regression model, with odds ratios (OR) and respective 95% confidence intervals (CI) calculated. The prevalence of CKD in the cohort was nearly 20%, mainly due to high ACR values, since only six participants had an e-GFR below 60 mL/min/1.73 m² or a history of dialysis or kidney transplantation (0.32% of the cohort). Univariate analysis indicated that preterm birth was associated with a lower e-GFR (105.9 ± 13.1 vs. 108.8 ± 13.0 mL/min/1.73 m², p < 0.05), while IUGR was linked to a higher prevalence of CKD (25.3% vs. 18.1%, p < 0.05). In the multivariate analysis, factors such as body mass index (BMI), homocysteine, C-reactive protein (CRP), and ACR were associated with lower e-GFR, while higher levels of glycated hemoglobin (HbA1c) correlated with higher e-GFR values. Systolic blood pressure, HbA1c, CRP, and female sex were associated with increased ACR values, whereas BMI had a negative correlation with albuminuria. None of the birth exposure factors significantly impacted e-GFR or ACR. Regarding the primary outcome, IUGR (1.50 [1.10 - 2.21], p=0.047), DM (1.60 [1.05 - 2.46], p=0.03), and female sex (2.18 [1.62 - 2.90]) were associated with an increased risk of CKD, while a BMI over 30 was linked to a reduced risk (0.59 [0.43 - 0.81], p=0.001). LBW (1.36 [0.81 - 2.29]; p = 0.23) and prematurity (0.77 [0.40 - 1.46]; p = 0.43) did not show significant associations with CKD risk. In conclusion, IUGR was associated with a higher risk of CKD, particularly in women. The use of birth weight normalization based on the 50th percentile of the reference weight values for gestational age has been shown to be more accurate in estimating the risk of chronic kidney disease (CKD) than relying solely on information about prematurity or birth weight.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCoelho, Eduardo BarbosaLorencini, Daniela Aparecida2025-06-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-08092025-153445/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-19T17:44:02Zoai:teses.usp.br:tde-08092025-153445Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-19T17:44:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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