Migração rural-rural: análise sociológica da migração dos parceleiros do Projeto Iguatemi

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1970
Autor(a) principal: Molina, Maria Ignez Guerra
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/0/tde-20240301-143309/
Resumo: Neste trabalho foram analisados alguns aspectos de natureza social, psicológica e cultural da Migração Rural-Rural. Mais objetivamente, estudou-se a Migração dos Parceleiros do Projeto de Assentamento de Iguatemi, Estado de Mato Grosso, organizado e administrado pelo Distrito de Terras do Sul de Mato Grosso, pelo Ministério da Agricultura e pelo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (hoje Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Tratando-se de uma área nova, cuja população migrou de outras Regiões e Estados do País, ela pôde oferecer as condições essenciais para a pesquisa. Nesse esquema geral, o presente estudo perseguiu os seguintes objetivos específicos; a) Elaborar uma tipologia da Migração, com base no modêlo teórico proposto por Weber, para classificar a Ação Social; b) Utilizando essa tipologia, estudar as causas da Migração de migrantes rurais voluntários; c) Elaborar um critério para aferir o grau de mobilidade da população migrante; d) Estudar algumas características de natureza social, psicológica e cultural dos migrantes, relacionando-as, em seguida, aos diferentes graus de mobilidade. A informação básica analisada na pesquisa foi obtida através de entrevistas pessoais com os Parceleiros de uma amostra extraída, aleatoriamente, do universo de 95 "Unidades Agrárias de Trabalho e Produção" que constituem, em seu todo, as quatro Glebas do Projeto Iguatemi. Cada "Unidade Agrária" reúne de 6 a 12 parcelas, variando a área da parcela de 10 a 100 hectares, de acordo com a fôrça-de-trabalho da família. Foram entrevistados 165 Parceleiros, o que permitiu que a amostra representasse cêrca de 20% do total de Parceleiros do Projeto. Os dados foram coletados durante o mês de agosto de 1970. Em sua essência, a orientação teórica para o estudo foi obtida nas contribuições de Parsons, Shills, Weber e Germani. A análise dos dados obedeceu a uma abordagem predominantemente qualitativa, usando-se, também, a quantitativa para confirmação estatística das observações feitas. As principais verificações e conclusões dêste trabalho foram as seguintes: 1) A tipologia da Migração baseada no esquema teórico da Ação Social de Weber mostrou-se eficiente e adequada para a análise das orientações da Migração Rural-Rural; 2) O estudo das causas dessa Migração evidenciou duas situações bastante diferenciadas: (a) o abandono da comunidade de origem; (b) as Migrações subsequentes. Ademais, verificou-se uma nítida diferença na orientação da Migração na primeira situação, relativamente às Migrações subsequentes. O cômputo geral dessas situações sugeriu uma predominância de motivações racionais para a Migração, em confronto com as motivações Tradicional e Afetiva; 3) Fatôres ambientais e objetivos incidem sôbre os Sistemas Sociais, provocando uma situação que propicia o surgimento de correntes migratórias das áreas de emigração para as de imigração; 4) Fatôres de ordem psico-social determinam a percepção da situação pelo ator, induzindo, a nível de indivíduo, sua satisfação ou insatisfação com o Sistema e, provocando em seguida, sua acomodação à situação ou sua Migração em busca de gratificações carentes no atual Sistema; 5) O critério proposto para aferir o grau de mobilidade da população migrante, ou seja, a relação entre o número de Migrações e a idade do Migrante, mostrou-se válido no contexto desta pesquisa; 6) Como esperado para as populações rurais migrantes, a amostra é predominantemente constituída de pessoas extremamente jovens: 67% com menos de 20 anos de idade. A predominância, também, dos homens (56%) sôbre as mulheres (44%). O tamanho médio da família é de 7 pessoas, com 4 homens e 3 mulheres. Os índices de analfabetismo são bastante altos, isto é, 43% dos chefes de família e 59% de suas esposas; 7) A população do Projeto Iguatemi é constituída, em sua maioria, por antigos agricultores não-proprietários de terras. Entre êsses, destacam-se os assalariados temporários e permanentes, cuja mobilidade também se mostrou a mais alta. Em seguida, estão os arrendatários e parceiros, tanto em quantidade como em grau de mobilidade. Outra evidência é que a população estudada tem tradição eminentemente rural: 74% viveram exclusivamente da agricultura antes de virem para o Projeto. Observou-se ainda, que os Parceleiros que tiveram outras ocupações, além da agricultura, revelaram-se com maior grau de mobilidade; 8) A grande maioria das famílias, 72% possui menos de 4 equivalentes-homem de fôrça-de-trabalho. Tal verificação é, portanto, coerente com a composição etária das famílias estudadas; 9) Contrariando uma possível expectativa, a escolaridade do Parceleiro e de sua espôsa não se mostrou significativamente associada à sua mobilidade. A predominância da religião católica entre os Parceleiros é bastante acentuada (74%). O fator religião, porém, não se mostrou significativamente associado à mobilidade do Parceleiro. É interessante destacar que todos os Parceleiros da Amostra tinham em seu poder pelo menos um documento: a certidão de nascimento ou de casamento. Isto, aliás, vem contradizer uma situação frequentemente generalizada entre os Migrantes rurais. 10) Como esperado para populações com grande mobilidade, a participação social formal revelou-se muito pequena. Cêrca de 69% dos Parceleiros não tinham participado de nenhuma associação no "seu lugar". Considerando-se que "seu lugar" é aquêle onde o migrante tem maiores laços e raízes, é de se esperar que, nas demais comunidades em que êle viveu, sua Participação Social Formal tenha sido menor ainda; 11) Poder-se-ia esperar que a inexistência ou insuficiência de "Facilidades" (serviços) no "seu lugar" fôsse um entre os mais fortes determinantes da Migração. Verificou-se, porém, que muitos Parceleiros deixaram comunidades com 9 e mais facilidades em busca de uma área de colonização e, portanto, ainda, com menor número de facilidades básicas. Por outro lado, notou-se que, mesmo aquêles que viveram em comunidades dotadas de um grande número de serviços, pouco uso fizeram dêles, evidenciando assim uma possível marginalidade; 12) Relações interpessoais e predominantemente primárias revelaram-se o principal meio de comunicação para motivar a Migração. Isto aconteceu em 78% dos casos. Em contrapartida, foi evidente a pequena influência dos meios massais de comunicação na Migração considerada; 13) Pôde-se inferir, também, que a Migração Rural-Rural contribui para o afrouxamento de laços com a família extensa e com o "seu lugar". Haja visto que mais de 40% dos Parceleiros nunca voltaram aos "seus lugare". A êsse dado se somam os 36% que não foram capazes de identificar o "seu lugar". E contrariando generalizações correntes, apenas um dos entrevistados manifestou desejo de voltar; 14) Da análise do fator de natureza predominantemente psico-social, concluiu-se que, em relação à satisfação com o trabalho no "seu lugar", objetivou-se muito mais uma atitude de acomodação do que propriamente uma atitude de satisfação. De, outra parte, as razões de insatisfação parecem refletir a existência de uma situação injusta no que se refere às relações de trabalho no "seu lugar". Acrescenta-se ainda que, unanimemente, os Parceleiros manifestaram-se satisfeitos com o trabalho atual em Iguatemi, sendo a posse da terra a razão predominante para isso. 15) Além de se constatar mobilidade muito alta (60% dos Parceleiros residindo anteriormente em 5 ou mais municípios), confirmou-se na amostra o Padrão de Migração de outros Estados para São Paulo e Paraná. Entretanto, não foi confirmada a expectativa de Migração em pequenas etapas. 16) Os Estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo contribuíram com a maior taxa de emigração: 22%, 21% e 16% em números redondos, respectivamente. Este é um resultado que confirma e que se verifica frequentemente a nível nacional; 17) Embora provenientes de 15 Estados e de 4 Regiões do País, os migrantes apresentaram grande homogeneidade em suas características, mais gerais, destacando-se entre elas por exemplo: escolaridade, religião, idade e tradição rural. Assim sendo, poder-se-ia concluir que as possíveis diferenças entre migrantes e não-migrantes, se é que elas existem, deveriam ser objeto de nova pesquisa.
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spelling Migração rural-rural: análise sociológica da migração dos parceleiros do Projeto IguatemiMIGRAÇÃO RURALSOCIOLOGIA RURALNeste trabalho foram analisados alguns aspectos de natureza social, psicológica e cultural da Migração Rural-Rural. Mais objetivamente, estudou-se a Migração dos Parceleiros do Projeto de Assentamento de Iguatemi, Estado de Mato Grosso, organizado e administrado pelo Distrito de Terras do Sul de Mato Grosso, pelo Ministério da Agricultura e pelo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (hoje Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Tratando-se de uma área nova, cuja população migrou de outras Regiões e Estados do País, ela pôde oferecer as condições essenciais para a pesquisa. Nesse esquema geral, o presente estudo perseguiu os seguintes objetivos específicos; a) Elaborar uma tipologia da Migração, com base no modêlo teórico proposto por Weber, para classificar a Ação Social; b) Utilizando essa tipologia, estudar as causas da Migração de migrantes rurais voluntários; c) Elaborar um critério para aferir o grau de mobilidade da população migrante; d) Estudar algumas características de natureza social, psicológica e cultural dos migrantes, relacionando-as, em seguida, aos diferentes graus de mobilidade. A informação básica analisada na pesquisa foi obtida através de entrevistas pessoais com os Parceleiros de uma amostra extraída, aleatoriamente, do universo de 95 "Unidades Agrárias de Trabalho e Produção" que constituem, em seu todo, as quatro Glebas do Projeto Iguatemi. Cada "Unidade Agrária" reúne de 6 a 12 parcelas, variando a área da parcela de 10 a 100 hectares, de acordo com a fôrça-de-trabalho da família. Foram entrevistados 165 Parceleiros, o que permitiu que a amostra representasse cêrca de 20% do total de Parceleiros do Projeto. Os dados foram coletados durante o mês de agosto de 1970. Em sua essência, a orientação teórica para o estudo foi obtida nas contribuições de Parsons, Shills, Weber e Germani. A análise dos dados obedeceu a uma abordagem predominantemente qualitativa, usando-se, também, a quantitativa para confirmação estatística das observações feitas. As principais verificações e conclusões dêste trabalho foram as seguintes: 1) A tipologia da Migração baseada no esquema teórico da Ação Social de Weber mostrou-se eficiente e adequada para a análise das orientações da Migração Rural-Rural; 2) O estudo das causas dessa Migração evidenciou duas situações bastante diferenciadas: (a) o abandono da comunidade de origem; (b) as Migrações subsequentes. Ademais, verificou-se uma nítida diferença na orientação da Migração na primeira situação, relativamente às Migrações subsequentes. O cômputo geral dessas situações sugeriu uma predominância de motivações racionais para a Migração, em confronto com as motivações Tradicional e Afetiva; 3) Fatôres ambientais e objetivos incidem sôbre os Sistemas Sociais, provocando uma situação que propicia o surgimento de correntes migratórias das áreas de emigração para as de imigração; 4) Fatôres de ordem psico-social determinam a percepção da situação pelo ator, induzindo, a nível de indivíduo, sua satisfação ou insatisfação com o Sistema e, provocando em seguida, sua acomodação à situação ou sua Migração em busca de gratificações carentes no atual Sistema; 5) O critério proposto para aferir o grau de mobilidade da população migrante, ou seja, a relação entre o número de Migrações e a idade do Migrante, mostrou-se válido no contexto desta pesquisa; 6) Como esperado para as populações rurais migrantes, a amostra é predominantemente constituída de pessoas extremamente jovens: 67% com menos de 20 anos de idade. A predominância, também, dos homens (56%) sôbre as mulheres (44%). O tamanho médio da família é de 7 pessoas, com 4 homens e 3 mulheres. Os índices de analfabetismo são bastante altos, isto é, 43% dos chefes de família e 59% de suas esposas; 7) A população do Projeto Iguatemi é constituída, em sua maioria, por antigos agricultores não-proprietários de terras. Entre êsses, destacam-se os assalariados temporários e permanentes, cuja mobilidade também se mostrou a mais alta. Em seguida, estão os arrendatários e parceiros, tanto em quantidade como em grau de mobilidade. Outra evidência é que a população estudada tem tradição eminentemente rural: 74% viveram exclusivamente da agricultura antes de virem para o Projeto. Observou-se ainda, que os Parceleiros que tiveram outras ocupações, além da agricultura, revelaram-se com maior grau de mobilidade; 8) A grande maioria das famílias, 72% possui menos de 4 equivalentes-homem de fôrça-de-trabalho. Tal verificação é, portanto, coerente com a composição etária das famílias estudadas; 9) Contrariando uma possível expectativa, a escolaridade do Parceleiro e de sua espôsa não se mostrou significativamente associada à sua mobilidade. A predominância da religião católica entre os Parceleiros é bastante acentuada (74%). O fator religião, porém, não se mostrou significativamente associado à mobilidade do Parceleiro. É interessante destacar que todos os Parceleiros da Amostra tinham em seu poder pelo menos um documento: a certidão de nascimento ou de casamento. Isto, aliás, vem contradizer uma situação frequentemente generalizada entre os Migrantes rurais. 10) Como esperado para populações com grande mobilidade, a participação social formal revelou-se muito pequena. Cêrca de 69% dos Parceleiros não tinham participado de nenhuma associação no "seu lugar". Considerando-se que "seu lugar" é aquêle onde o migrante tem maiores laços e raízes, é de se esperar que, nas demais comunidades em que êle viveu, sua Participação Social Formal tenha sido menor ainda; 11) Poder-se-ia esperar que a inexistência ou insuficiência de "Facilidades" (serviços) no "seu lugar" fôsse um entre os mais fortes determinantes da Migração. Verificou-se, porém, que muitos Parceleiros deixaram comunidades com 9 e mais facilidades em busca de uma área de colonização e, portanto, ainda, com menor número de facilidades básicas. Por outro lado, notou-se que, mesmo aquêles que viveram em comunidades dotadas de um grande número de serviços, pouco uso fizeram dêles, evidenciando assim uma possível marginalidade; 12) Relações interpessoais e predominantemente primárias revelaram-se o principal meio de comunicação para motivar a Migração. Isto aconteceu em 78% dos casos. Em contrapartida, foi evidente a pequena influência dos meios massais de comunicação na Migração considerada; 13) Pôde-se inferir, também, que a Migração Rural-Rural contribui para o afrouxamento de laços com a família extensa e com o "seu lugar". Haja visto que mais de 40% dos Parceleiros nunca voltaram aos "seus lugare". A êsse dado se somam os 36% que não foram capazes de identificar o "seu lugar". E contrariando generalizações correntes, apenas um dos entrevistados manifestou desejo de voltar; 14) Da análise do fator de natureza predominantemente psico-social, concluiu-se que, em relação à satisfação com o trabalho no "seu lugar", objetivou-se muito mais uma atitude de acomodação do que propriamente uma atitude de satisfação. De, outra parte, as razões de insatisfação parecem refletir a existência de uma situação injusta no que se refere às relações de trabalho no "seu lugar". Acrescenta-se ainda que, unanimemente, os Parceleiros manifestaram-se satisfeitos com o trabalho atual em Iguatemi, sendo a posse da terra a razão predominante para isso. 15) Além de se constatar mobilidade muito alta (60% dos Parceleiros residindo anteriormente em 5 ou mais municípios), confirmou-se na amostra o Padrão de Migração de outros Estados para São Paulo e Paraná. Entretanto, não foi confirmada a expectativa de Migração em pequenas etapas. 16) Os Estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo contribuíram com a maior taxa de emigração: 22%, 21% e 16% em números redondos, respectivamente. Este é um resultado que confirma e que se verifica frequentemente a nível nacional; 17) Embora provenientes de 15 Estados e de 4 Regiões do País, os migrantes apresentaram grande homogeneidade em suas características, mais gerais, destacando-se entre elas por exemplo: escolaridade, religião, idade e tradição rural. Assim sendo, poder-se-ia concluir que as possíveis diferenças entre migrantes e não-migrantes, se é que elas existem, deveriam ser objeto de nova pesquisa.The present study deals with some social, psicological and cultural aspects of rural-rural Migration. Objectively the Migration of rural people into the Settlement Project of Iguatemi, State of Mato Grosso, Brazil was studied. This Project was organized and is being carried on by the Distrito de Terras do Sul de Mato Grosso together with the Ministério da Agricultura and the Instituto de Reforma Agrária (IBRA). Specifically, this research aimed at the following objectives: a) To elaborate a typology of Migration, on the basis of Max Weber theoretical paradigm to classify Social Action; b) To study the causes of voluntary Migration, through the use of the above typology; c) To elaborate a criterion to measure the degree of mobility of migrant people; d) To study some social, psycological and cultural characteristics of migrant people, as related to different degrees of mobility. Data for this research was collected among the "Parceleiros", migrant people being settled into the "Parcelas", or farmstead, of the Project. A random sample of 24 "agrarian units" was drawn from a universe of 95, which make up the 4 "glebas" of the Project. Each "agrarian unit" is composed of from 6 to 12 "parcelas" or farmsteads, which were considered as interview units. The total sample comprised 165 farmsteads. The theoretical framework was based on Parsons, Shills, Weber and Germani contributions. The analyses in this work were basically of a qualitative nature, although some quantitative treatment was used in order to obtain statistical validation for the observations. The main results can be summarized as follows: 1) The typology used to classify rural-rural Migration was found to be a valid and useful device; 2) The study of causes of Migration brought into light two different situation: (a) the first Migration, when the Migrant left his birth place; and (b) the Migrations that followed. The orientation for the first Migration is completely different from those for the Migrations that followed. As a whole, the "Rational Orientation" for Migrations prevails over the "Traditional" and the "Affective" orientations; 3) Objective environmental factors build up a situation, which establishes the necessary and sufficient conditions for the "take-off" of-the Migration process; 4) Psyco-social factors influence the Actor's perception, inducing, at the individual level, satisfaction or insatisfaction with the Social System and consequent accommodation to the situation or, instead, the Migration toward the gratifications other Social System can offer; 5) The proposed criterion to measure the degree of mobility of migrant people, i.e., the ratio between the number of Migration and the age of the Migrant, came to be a valid and a useful device for the purpose of this research; 6) The population studied is extremely young, for 67% are 20 years of age or less. The sex ratio favors men, with 56 men to 44 women. Family size is around 7, with the average of 4 men to 3 women. Illiteracy is also widespread, for no less than 43% of the heads of families and 59% of the wives are illiterate; 7) The migrant population studied is composed of rural people, who were both landless and landowners in their previous lives. Landless people prevail over former landowners. Among landless people, waged laborers prevail over sharecroppers and small renters; 8. Labor force of the migrant families is not very strong, despite the fact that most families are relatively large. This is due to the fact this population is quite young most of the families (72%) have less than 4 man-equivalent of labor force; 9) Mobility and schooling are not significantly related. Nor are the religion of the family and the number of documents the Migrant brings with himself related to mobility; 10) Formal social participation is very small among the migrant; people studied. No less than 69% had no formal participation at all, before they came into the Project area; 11) It could be expected that number of "facilities" or services in their original communities would be a factor against Migration. It was observed, however, that people living in communities with 9 or more "facilities" left their place toward a new settlement area without any facility. It was also observed that, even having so many facilities in their home place, they made very little use of them. This also indicates structural marginality; 12) It was found that interpersonal relationship is the main communication media used by Migrants, with respect to the news about the Settlement Project; 13) Rural-rural Migration has contributed to releasing the binds with the Migrant extended family and with their original community; 14) Satisfaction with the situation of the Migrant original attitude community was shown to be more an attitude of accommodation than of real satisfaction. On the other hand, insatisfaction is more an attitude toward unfair work conditions in their former places. Landownership in the present situation was shown to be the main reason for their attitude of satisfaction toward the Settlement Project; 15) Similar patterns of Migration were observed both in the national and in the Project area levels; 16) Despite the fact that the Migrants come from 15 different States and from 4 different regions of Brazil, it is interesting to note their homogeneity.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPNobre, Erico da RochaMolina, Maria Ignez Guerra1970-01-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/11/0/tde-20240301-143309/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-08-07T14:00:57Zoai:teses.usp.br:tde-20240301-143309Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-08-07T14:00:57Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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Nesse esquema geral, o presente estudo perseguiu os seguintes objetivos específicos; a) Elaborar uma tipologia da Migração, com base no modêlo teórico proposto por Weber, para classificar a Ação Social; b) Utilizando essa tipologia, estudar as causas da Migração de migrantes rurais voluntários; c) Elaborar um critério para aferir o grau de mobilidade da população migrante; d) Estudar algumas características de natureza social, psicológica e cultural dos migrantes, relacionando-as, em seguida, aos diferentes graus de mobilidade. A informação básica analisada na pesquisa foi obtida através de entrevistas pessoais com os Parceleiros de uma amostra extraída, aleatoriamente, do universo de 95 "Unidades Agrárias de Trabalho e Produção" que constituem, em seu todo, as quatro Glebas do Projeto Iguatemi. Cada "Unidade Agrária" reúne de 6 a 12 parcelas, variando a área da parcela de 10 a 100 hectares, de acordo com a fôrça-de-trabalho da família. Foram entrevistados 165 Parceleiros, o que permitiu que a amostra representasse cêrca de 20% do total de Parceleiros do Projeto. Os dados foram coletados durante o mês de agosto de 1970. Em sua essência, a orientação teórica para o estudo foi obtida nas contribuições de Parsons, Shills, Weber e Germani. A análise dos dados obedeceu a uma abordagem predominantemente qualitativa, usando-se, também, a quantitativa para confirmação estatística das observações feitas. As principais verificações e conclusões dêste trabalho foram as seguintes: 1) A tipologia da Migração baseada no esquema teórico da Ação Social de Weber mostrou-se eficiente e adequada para a análise das orientações da Migração Rural-Rural; 2) O estudo das causas dessa Migração evidenciou duas situações bastante diferenciadas: (a) o abandono da comunidade de origem; (b) as Migrações subsequentes. Ademais, verificou-se uma nítida diferença na orientação da Migração na primeira situação, relativamente às Migrações subsequentes. O cômputo geral dessas situações sugeriu uma predominância de motivações racionais para a Migração, em confronto com as motivações Tradicional e Afetiva; 3) Fatôres ambientais e objetivos incidem sôbre os Sistemas Sociais, provocando uma situação que propicia o surgimento de correntes migratórias das áreas de emigração para as de imigração; 4) Fatôres de ordem psico-social determinam a percepção da situação pelo ator, induzindo, a nível de indivíduo, sua satisfação ou insatisfação com o Sistema e, provocando em seguida, sua acomodação à situação ou sua Migração em busca de gratificações carentes no atual Sistema; 5) O critério proposto para aferir o grau de mobilidade da população migrante, ou seja, a relação entre o número de Migrações e a idade do Migrante, mostrou-se válido no contexto desta pesquisa; 6) Como esperado para as populações rurais migrantes, a amostra é predominantemente constituída de pessoas extremamente jovens: 67% com menos de 20 anos de idade. A predominância, também, dos homens (56%) sôbre as mulheres (44%). O tamanho médio da família é de 7 pessoas, com 4 homens e 3 mulheres. Os índices de analfabetismo são bastante altos, isto é, 43% dos chefes de família e 59% de suas esposas; 7) A população do Projeto Iguatemi é constituída, em sua maioria, por antigos agricultores não-proprietários de terras. Entre êsses, destacam-se os assalariados temporários e permanentes, cuja mobilidade também se mostrou a mais alta. Em seguida, estão os arrendatários e parceiros, tanto em quantidade como em grau de mobilidade. Outra evidência é que a população estudada tem tradição eminentemente rural: 74% viveram exclusivamente da agricultura antes de virem para o Projeto. Observou-se ainda, que os Parceleiros que tiveram outras ocupações, além da agricultura, revelaram-se com maior grau de mobilidade; 8) A grande maioria das famílias, 72% possui menos de 4 equivalentes-homem de fôrça-de-trabalho. Tal verificação é, portanto, coerente com a composição etária das famílias estudadas; 9) Contrariando uma possível expectativa, a escolaridade do Parceleiro e de sua espôsa não se mostrou significativamente associada à sua mobilidade. A predominância da religião católica entre os Parceleiros é bastante acentuada (74%). O fator religião, porém, não se mostrou significativamente associado à mobilidade do Parceleiro. É interessante destacar que todos os Parceleiros da Amostra tinham em seu poder pelo menos um documento: a certidão de nascimento ou de casamento. Isto, aliás, vem contradizer uma situação frequentemente generalizada entre os Migrantes rurais. 10) Como esperado para populações com grande mobilidade, a participação social formal revelou-se muito pequena. Cêrca de 69% dos Parceleiros não tinham participado de nenhuma associação no "seu lugar". Considerando-se que "seu lugar" é aquêle onde o migrante tem maiores laços e raízes, é de se esperar que, nas demais comunidades em que êle viveu, sua Participação Social Formal tenha sido menor ainda; 11) Poder-se-ia esperar que a inexistência ou insuficiência de "Facilidades" (serviços) no "seu lugar" fôsse um entre os mais fortes determinantes da Migração. Verificou-se, porém, que muitos Parceleiros deixaram comunidades com 9 e mais facilidades em busca de uma área de colonização e, portanto, ainda, com menor número de facilidades básicas. Por outro lado, notou-se que, mesmo aquêles que viveram em comunidades dotadas de um grande número de serviços, pouco uso fizeram dêles, evidenciando assim uma possível marginalidade; 12) Relações interpessoais e predominantemente primárias revelaram-se o principal meio de comunicação para motivar a Migração. Isto aconteceu em 78% dos casos. Em contrapartida, foi evidente a pequena influência dos meios massais de comunicação na Migração considerada; 13) Pôde-se inferir, também, que a Migração Rural-Rural contribui para o afrouxamento de laços com a família extensa e com o "seu lugar". Haja visto que mais de 40% dos Parceleiros nunca voltaram aos "seus lugare". A êsse dado se somam os 36% que não foram capazes de identificar o "seu lugar". E contrariando generalizações correntes, apenas um dos entrevistados manifestou desejo de voltar; 14) Da análise do fator de natureza predominantemente psico-social, concluiu-se que, em relação à satisfação com o trabalho no "seu lugar", objetivou-se muito mais uma atitude de acomodação do que propriamente uma atitude de satisfação. De, outra parte, as razões de insatisfação parecem refletir a existência de uma situação injusta no que se refere às relações de trabalho no "seu lugar". Acrescenta-se ainda que, unanimemente, os Parceleiros manifestaram-se satisfeitos com o trabalho atual em Iguatemi, sendo a posse da terra a razão predominante para isso. 15) Além de se constatar mobilidade muito alta (60% dos Parceleiros residindo anteriormente em 5 ou mais municípios), confirmou-se na amostra o Padrão de Migração de outros Estados para São Paulo e Paraná. Entretanto, não foi confirmada a expectativa de Migração em pequenas etapas. 16) Os Estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo contribuíram com a maior taxa de emigração: 22%, 21% e 16% em números redondos, respectivamente. Este é um resultado que confirma e que se verifica frequentemente a nível nacional; 17) Embora provenientes de 15 Estados e de 4 Regiões do País, os migrantes apresentaram grande homogeneidade em suas características, mais gerais, destacando-se entre elas por exemplo: escolaridade, religião, idade e tradição rural. 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