Kombucha: cienciometria, caracterização e estudo da fermentação

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Deziderio, Marcela Aparecida
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/112/112131/tde-09022026-085652/
Resumo: A kombucha é uma bebida fermentada com crescente popularidade global, reconhecida por seu potencial funcional, mas com grande variabilidade de qualidade devido a fatores tecnológicos, microbiológicos e regulatórios. Este estudo integrou diferentes abordagens científicas para compreender criticamente a produção e qualidade da kombucha: (i) análise cienciométrica da produção científica mundial, (ii) avaliação da conformidade de kombuchas comerciais brasileiras e (iii) investigação experimental de fatores críticos no processo fermentativo. A análise cienciométrica de publicações indexadas em Scopus e Web of Science (2014–2024) revelou crescimento expressivo da produção científica, destacando China, Estados Unidos e Brasil entre os principais produtores. As publicações dobraram no período, mas permanecem concentradas em estudos sobre propriedades funcionais, enquanto temas como padronização de processos e regulamentação ainda são pouco explorados. No contexto nacional, dez marcas comercializadas na região Sudeste do Brasil foram avaliadas segundo os parâmetros da IN nº 41/2019/MAPA. Houve grande variabilidade entre as amostras, com 70% apresentando teor alcoólico acima de 0,5% v/v e 40% abaixo do mínimo exigido de acidez volátil. A análise microbiológica mostrou predominância de leveduras e baixa viabilidade de bactérias ácidoláticas (BAL) e ácido-acéticas (BAA) em diversas amostras, indicando deficiências nos processos industriais e falhas no armazenamento e transporte. Para investigar os fatores que afetam a qualidade da kombucha, foi realizado um experimento usando delineamento PlackettBurman, com oito ensaios testando tempo de maturação do starter (10, 20, 30 dias), temperatura (25, 27,5, 30°C), concentração de sacarose (40, 45, 50 g/L) e teor de chá (6, 8, 10 g/L). Os resultados mostraram que tempo de maturação do starter e temperatura foram os principais fatores determinantes: starters mais maduros e temperaturas moderadas permitiram alcançar teor alcoólico inferior a 0,2% v/v e maior acidificação da bebida. Sacarose e teor de chá tiveram efeitos secundários no contexto estudado. A acidez volátil ultrapassou 158 mEq/L em algumas condições no 21º dia, evidenciando a importância de controlar o tempo de fermentação. O tempo ótimo identificado foi de 14 dias, permitindo equilíbrio entre qualidade, estabilidade simbiótica e conformidade legal. De forma integrada, o estudo demonstra que, apesar da relevância crescente da kombucha na ciência e no mercado, ainda há lacunas importantes em termos de padronização tecnológica e regulatória. Os achados reforçam a necessidade de aprimoramento dos processos produtivos, boas práticas de fabricação e maior rigor regulatório, visando garantir qualidade, segurança e confiança do consumidor, impulsionando o desenvolvimento sustentável do setor.
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A análise cienciométrica de publicações indexadas em Scopus e Web of Science (2014–2024) revelou crescimento expressivo da produção científica, destacando China, Estados Unidos e Brasil entre os principais produtores. As publicações dobraram no período, mas permanecem concentradas em estudos sobre propriedades funcionais, enquanto temas como padronização de processos e regulamentação ainda são pouco explorados. No contexto nacional, dez marcas comercializadas na região Sudeste do Brasil foram avaliadas segundo os parâmetros da IN nº 41/2019/MAPA. Houve grande variabilidade entre as amostras, com 70% apresentando teor alcoólico acima de 0,5% v/v e 40% abaixo do mínimo exigido de acidez volátil. A análise microbiológica mostrou predominância de leveduras e baixa viabilidade de bactérias ácidoláticas (BAL) e ácido-acéticas (BAA) em diversas amostras, indicando deficiências nos processos industriais e falhas no armazenamento e transporte. Para investigar os fatores que afetam a qualidade da kombucha, foi realizado um experimento usando delineamento PlackettBurman, com oito ensaios testando tempo de maturação do starter (10, 20, 30 dias), temperatura (25, 27,5, 30°C), concentração de sacarose (40, 45, 50 g/L) e teor de chá (6, 8, 10 g/L). Os resultados mostraram que tempo de maturação do starter e temperatura foram os principais fatores determinantes: starters mais maduros e temperaturas moderadas permitiram alcançar teor alcoólico inferior a 0,2% v/v e maior acidificação da bebida. Sacarose e teor de chá tiveram efeitos secundários no contexto estudado. A acidez volátil ultrapassou 158 mEq/L em algumas condições no 21º dia, evidenciando a importância de controlar o tempo de fermentação. O tempo ótimo identificado foi de 14 dias, permitindo equilíbrio entre qualidade, estabilidade simbiótica e conformidade legal. De forma integrada, o estudo demonstra que, apesar da relevância crescente da kombucha na ciência e no mercado, ainda há lacunas importantes em termos de padronização tecnológica e regulatória. Os achados reforçam a necessidade de aprimoramento dos processos produtivos, boas práticas de fabricação e maior rigor regulatório, visando garantir qualidade, segurança e confiança do consumidor, impulsionando o desenvolvimento sustentável do setor.Kombucha is a fermented beverage of growing global popularity, recognized for its functional potential but subject to wide quality variability due to technological, microbiological, and regulatory factors. This study integrated different scientific approaches to critically assess kombucha production and quality: (i) a scientometric analysis of global scientific output, (ii) an evaluation of the regulatory compliance of commercial kombucha products in Brazil, and (iii) an experimental investigation of critical fermentation factors. The scientometric analysis of publications indexed in Scopus and Web of Science (2014–2024) revealed a significant growth in scientific output, with China, the United States, and Brazil among the leading contributors. The number of publications doubled during the period, but most focus on functional properties, while process standardization and regulation remain underexplored. In the national context, ten brands sold in Southeast Brazil were evaluated according to Brazilian regulation IN No. 41/2019/MAPA. Results showed substantial variability: 70% of samples exceeded the legal alcohol limit of 0.5% v/v and 40% failed to meet the minimum volatile acidity requirement. Microbiological analysis indicated a predominance of yeasts and low viability of lactic acid bacteria (LAB) and acetic acid bacteria (AAB) in several samples, suggesting deficiencies in industrial processes and failures in storage and transport. To investigate factors influencing kombucha quality, an experiment was conducted using a Plackett-Burman design, testing the effects of starter culture age (10, 20, 30 days), temperature (25, 27.5, 30°C), sucrose concentration (40, 45, 50 g/L), and tea concentration (6, 8, 10 g/L). Results showed that starter culture age and temperature were the most significant determinants: more mature starters and moderate temperatures resulted in alcohol content below 0.2% v/v and higher acidification. Sucrose and tea concentration had secondary effects in the conditions studied. Volatile acidity exceeded 158 mEq/L under some conditions at day 21, highlighting the importance of controlling fermentation time. The optimal fermentation time identified was 14 days, ensuring a balance between quality, symbiotic stability, and regulatory compliance. Overall, the study demonstrates that although kombucha is a growing topic in science and the market, significant gaps remain in technological and regulatory standardization. The findings reinforce the need to improve production processes, implement good manufacturing practices, and strengthen regulatory oversight to ensure quality, safety, and consumer confidence, while supporting the sustainable growth of the sector.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPKamimura, Eliana SetsukoDeziderio, Marcela Aparecida2025-09-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/112/112131/tde-09022026-085652/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-11T15:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-09022026-085652Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-11T15:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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