Investigação computacional do comportamento à flexão de vigas de UHPFRC e vigas de concreto armado reforçadas com UHPFRC.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Barbosa, Felipe Augusto da Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3144/tde-08082025-091630/
Resumo: O UHPFRC Concreto de Ultra-Alto Desempenho Reforçado com Fibras é um material compósito de notável resistência mecânica e durabilidade, podendo ser utilizado tanto como reforço em estruturas de concreto armado quanto como material único na produção de elementos estruturais esbeltos com elevada capacidade resistente. No entanto, a distribuição não uniforme e desfavorável das fibras, especialmente em sólidos com grandes dimensões, resulta em um comportamento estrutural à flexão distinto daquele observado em estruturas convencionais de concreto armado. Diante disto, esta pesquisa desenvolveu modelos numéricos de diferentes hierarquias a fim de investigar o comportamento estrutural de vigas com UHPFRC, com enfoque no efeito escala sobre a resistência à flexão, nas relações entre carga e deflexão e no comportamento da interface entre o concreto convencional e o UHPFRC. Estes modelos foram validados experimentalmente, utilizando dados da literatura. O de menor hierarquia foi desenvolvido a partir do método de equilíbrio e compatibilidade seccional, enquanto o de maior hierarquia, com base no método dos elementos finitos, utilizando o software comercial ABAQUS. Os resultados indicaram a existência de uma relação inversa entre a altura das vigas e a tensão máxima de flexão resistente, evidenciada pela utilização de teores de fibras elevados associados ao menor comprimento destas. O efeito escala e o ganho de resistência nos elementos reforçados também foi avaliado considerando diferentes arranjos do reforço na seção transversal. Vigas reforçadas apenas na zona de compressão não mostraram sensibilidade ao efeito escala, apresentando ganho de resistência constante para diferentes alturas; as reforçadas na zona de tração bem como em três lados, exceto compressão, apresentaram queda significativa na resistência para grandes alturas, inviabilizando a utilização do reforço nestes elementos. O método das seções também foi utilizado como base para o cálculo de deslocamentos a partir da integração das curvaturas ao longo das vigas. Além disso, foi adaptado em um procedimento de análise inversa, de maneira que a relação tensão-deformação do UHPFRC pudesse ser determinada a partir da curva carga-deflexão experimental. As principais diferenças entre as curvas carga-deflexão numéricas e experimentais ocorreram no trecho pós-pico e foram atribuídas à distribuição e orientação das fibras resultantes dos métodos de lançamento e moldagem, difíceis de serem representadas pelos modelos constitutivos adotados. Todavia, o procedimento inverso permitiu a determinação de modelos constitutivos na tração compatíveis com as curvas experimentais, indicando um coeficiente de correlação entre as curvas carga-deflexão numéricas e experimentais acima de 99%. Além disso, as curvas carga-deflexão obtidas a partir da modelagem em elementos finitos convergiram satisfatoriamente com aquelas determinadas pela integração de curvaturas, permitindo, inclusive, confirmar as constatações da análise seccional em relação à eficiência de diferentes disposições do reforço em UHPFRC nos elementos estruturais avaliados. Quanto ao desempenho da interface CC-UHPFRC, as vigas reforçadas em três lados mostraram o menor deslizamento relativo entre as superfícies de contato, com valores não ultrapassando 0,3 mm em 99% da área de contato. Os deslocamentos relativos mais significativos, que atingiram 0,8 mm, ocorreram no vão intermediário, na região de contato com a camada de reforço inferior, representando menos de 1% da interface.
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Diante disto, esta pesquisa desenvolveu modelos numéricos de diferentes hierarquias a fim de investigar o comportamento estrutural de vigas com UHPFRC, com enfoque no efeito escala sobre a resistência à flexão, nas relações entre carga e deflexão e no comportamento da interface entre o concreto convencional e o UHPFRC. Estes modelos foram validados experimentalmente, utilizando dados da literatura. O de menor hierarquia foi desenvolvido a partir do método de equilíbrio e compatibilidade seccional, enquanto o de maior hierarquia, com base no método dos elementos finitos, utilizando o software comercial ABAQUS. Os resultados indicaram a existência de uma relação inversa entre a altura das vigas e a tensão máxima de flexão resistente, evidenciada pela utilização de teores de fibras elevados associados ao menor comprimento destas. O efeito escala e o ganho de resistência nos elementos reforçados também foi avaliado considerando diferentes arranjos do reforço na seção transversal. Vigas reforçadas apenas na zona de compressão não mostraram sensibilidade ao efeito escala, apresentando ganho de resistência constante para diferentes alturas; as reforçadas na zona de tração bem como em três lados, exceto compressão, apresentaram queda significativa na resistência para grandes alturas, inviabilizando a utilização do reforço nestes elementos. O método das seções também foi utilizado como base para o cálculo de deslocamentos a partir da integração das curvaturas ao longo das vigas. Além disso, foi adaptado em um procedimento de análise inversa, de maneira que a relação tensão-deformação do UHPFRC pudesse ser determinada a partir da curva carga-deflexão experimental. As principais diferenças entre as curvas carga-deflexão numéricas e experimentais ocorreram no trecho pós-pico e foram atribuídas à distribuição e orientação das fibras resultantes dos métodos de lançamento e moldagem, difíceis de serem representadas pelos modelos constitutivos adotados. Todavia, o procedimento inverso permitiu a determinação de modelos constitutivos na tração compatíveis com as curvas experimentais, indicando um coeficiente de correlação entre as curvas carga-deflexão numéricas e experimentais acima de 99%. Além disso, as curvas carga-deflexão obtidas a partir da modelagem em elementos finitos convergiram satisfatoriamente com aquelas determinadas pela integração de curvaturas, permitindo, inclusive, confirmar as constatações da análise seccional em relação à eficiência de diferentes disposições do reforço em UHPFRC nos elementos estruturais avaliados. Quanto ao desempenho da interface CC-UHPFRC, as vigas reforçadas em três lados mostraram o menor deslizamento relativo entre as superfícies de contato, com valores não ultrapassando 0,3 mm em 99% da área de contato. Os deslocamentos relativos mais significativos, que atingiram 0,8 mm, ocorreram no vão intermediário, na região de contato com a camada de reforço inferior, representando menos de 1% da interface.UHPFRC Ultra-High-Performance Fiber-Reinforced Concrete is a composite material with remarkable mechanical strength and durability, suitable for use both as a strengthening layer in reinforced concrete structures and as a standalone material in the construction of slender structural elements with high load-bearing capacity. However, the non-uniform and unfavorable distribution of fibers, particularly in solid larger elements, results in a flexural structural behavior distinct from that observed in conventional reinforced concrete structures. In light of this, this research developed numerical models of varying hierarchies to investigate the structural behavior of beams with UHPFRC, focusing on the size effect on the flexural strength, the load-deflection relationship, and behavior of the interface between conventional concrete and UHPFRC. These models were experimentally validated using data from the literature. The lowest hierarchy model was developed based on the cross-sectional equilibrium and compatibility method, while the highest hierarchy model utilized the finite element method, for which the commercial software ABAQUS was employed. The results indicated an inverse relationship between beam height and maximum flexural strength, evidenced by the use of high fiber contents associated with shorter fiber lengths. The size effect and the strength gain in the reinforced elements were also evaluated, considering different arrangements for the strengthening layers in the cross-section. Beams strengthened only in the compression zone showed no sensitivity to the size effect, exhibiting approximately the same strength gain for different heights. In contrast, those strengthened in the tension zone, as well as the three-side jacket beams demonstrated a significant reduction in strength for larger heights, making the strengthening unfeasible for very tall elements. The cross-sectional method was also employed as a basis for calculating displacements through the integration of curvatures along the beams. Furthermore, it was adapted into an inverse analysis procedure to determine the stressstrain relationship of UHPFRC based on the experimental load-deflection curve. The main differences between the numerical and experimental load-deflection curves occurred in the postpeak region. These were attributed to the distribution and orientation of fibers resulting from the casting methods, which are difficult to represent accurately by the constitutive models adopted in the analyses. However, the inverse procedure allowed for the determination of tensile constitutive models compatible with the experimental curves, indicating a correlation coefficient above 99% between the numerical and experimental load-deflection curves. Additionally, the load-deflection curves obtained from the finite element modeling converged satisfactorily with those determined by the integration of curvatures. The previous findings concerning the efficiency of different arrangements for the UHPFRC strengthening layers were subsequently confirmed by the finite element analysis. Regarding the performance of the CC-UHPFRC interface, the three-side jacketed beams exhibited the least relative slip between the contact surfaces, with values not exceeding 0.3 mm across 99% of the contact area. The most significant relative displacements, reaching 0.8 mm, occurred in the intermediate span at the contact region with the lower strengthening layer, accounting for less than 1% of the interface.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFigueiredo, Antonio Domingues deJúnior, Luís Antônio Guimarães BitencourtBarbosa, Felipe Augusto da Silva2025-02-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3144/tde-08082025-091630/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-08T13:13:02Zoai:teses.usp.br:tde-08082025-091630Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-08T13:13:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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