Influência da expectativa de analgesia e hiperalgesia na modulação da dor

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Salbego, Rafaela Stocker
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25149/tde-05092025-155118/
Resumo: A modulação condicionada da dor (CPM) é um paradigma experimental amplamente utilizado para avaliar os mecanismos inibitórios descendentes da dor. Embora o CPM seja frequentemente empregado como ferramenta de predição clínica, sua resposta pode ser influenciada por múltiplos fatores contextuais, incluindo expectativas e características psicossociais. O presente estudo teve como objetivo investigar se a expectativa, espontânea ou induzida experimentalmente, influencia a modulação endógena da dor na região trigeminal, controlando o erro padrão de medição (EPM). Adicionalmente, o estudo analisou o papel de fatores psicossociais, qualidade do sono e intolerância a estímulos frios e de pressão. Foram recrutados 76 participantes saudáveis, com idades entre 18 e 35 anos, submetidos a quatro testes de CPM em desenho cruzado: com água em temperatura ambiente (CPM AA), com água fria sem expectativa (CPM AF), com água fria e com indução de expectativa de analgesia (CPM AN) e com indução de expectativa de hiperalgesia (CPM HA). Dois tipos de estímulos testes foram utilizados: o limiar de dor à pressão (PPT) e a palpação controlada (PC). O EPM foi calculado previamente por medidas repetidas e utilizado como critério para classificar os participantes como moduladores ou nao moduladores. Além disso, foram coletados dados psicossociais (ansiedade, depressão, estresse, catastrofização, otimismo, resiliência e qualidade do sono), bem como medidas de expectativa e convicção sobre o efeito do teste. A análise estatística utilizou Modelos Generalizados Mistos (GLMM) com estrutura hierárquica, considerando os efeitos fixos de variáveis clínicas, psicossociais e do tipo de teste, e intercepto aleatório por participante. Os resultados demonstraram que a expectativa foi um preditor robusto da modulação da dor. Expectativas negativas aumentaram significativamente a chance de o indivíduo não apresentar modulação, tanto para PPT (cada aumento de 1 ponto na expectativa, aumentou a chance de o participante não modular a dor - OR=1.406 [1.1581.707], p<0.001; AME=0.055) quanto para PC (quanto maior a expectativa de dor, menor a probabilidade de apresentar modulação condiciona da dor; AME = 0.023, IC 95%: [0.044 0.002], p = 0.013). A necessidade de ajustar a temperatura do estímulo também foi relevante para o PPT (OR = 2.732 [1.347 5.540], p = 0.005; AME = 0.153). O tipo de teste também influenciou os resultados: os testes com água fria (CPM AF) e com indução de expectativa de analgesia (CPM AN) foram associados a maior chance de modulação da dor, especialmente com o estímulo PPT. Por outro lado, os fatores psicossociais avaliados não se mostraram preditores significativos da resposta moduladora nos modelos ajustados. O uso do EPM como critério para definir modulação verdadeira fortaleceu a validade interna dos achados, evitando classificações equivocadas baseadas em variações esperadas pela repetição de medidas. Por fim, os achados sugerem que a expectativa é um fator determinante na modulação da dor, atuando de forma robusta e independente do contexto experimental, e seu impacto na contexto de expectativa hiperalgésica pode ser suficiente para neutralizar o efeito fisiológico de um estímulo condicionante. Os fatores psicossociais não influenciaram a chance dos indivíduos de pertencerem ao grupo que modulou a dor.
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Foram recrutados 76 participantes saudáveis, com idades entre 18 e 35 anos, submetidos a quatro testes de CPM em desenho cruzado: com água em temperatura ambiente (CPM AA), com água fria sem expectativa (CPM AF), com água fria e com indução de expectativa de analgesia (CPM AN) e com indução de expectativa de hiperalgesia (CPM HA). Dois tipos de estímulos testes foram utilizados: o limiar de dor à pressão (PPT) e a palpação controlada (PC). O EPM foi calculado previamente por medidas repetidas e utilizado como critério para classificar os participantes como moduladores ou nao moduladores. Além disso, foram coletados dados psicossociais (ansiedade, depressão, estresse, catastrofização, otimismo, resiliência e qualidade do sono), bem como medidas de expectativa e convicção sobre o efeito do teste. A análise estatística utilizou Modelos Generalizados Mistos (GLMM) com estrutura hierárquica, considerando os efeitos fixos de variáveis clínicas, psicossociais e do tipo de teste, e intercepto aleatório por participante. Os resultados demonstraram que a expectativa foi um preditor robusto da modulação da dor. Expectativas negativas aumentaram significativamente a chance de o indivíduo não apresentar modulação, tanto para PPT (cada aumento de 1 ponto na expectativa, aumentou a chance de o participante não modular a dor - OR=1.406 [1.1581.707], p<0.001; AME=0.055) quanto para PC (quanto maior a expectativa de dor, menor a probabilidade de apresentar modulação condiciona da dor; AME = 0.023, IC 95%: [0.044 0.002], p = 0.013). A necessidade de ajustar a temperatura do estímulo também foi relevante para o PPT (OR = 2.732 [1.347 5.540], p = 0.005; AME = 0.153). O tipo de teste também influenciou os resultados: os testes com água fria (CPM AF) e com indução de expectativa de analgesia (CPM AN) foram associados a maior chance de modulação da dor, especialmente com o estímulo PPT. Por outro lado, os fatores psicossociais avaliados não se mostraram preditores significativos da resposta moduladora nos modelos ajustados. O uso do EPM como critério para definir modulação verdadeira fortaleceu a validade interna dos achados, evitando classificações equivocadas baseadas em variações esperadas pela repetição de medidas. Por fim, os achados sugerem que a expectativa é um fator determinante na modulação da dor, atuando de forma robusta e independente do contexto experimental, e seu impacto na contexto de expectativa hiperalgésica pode ser suficiente para neutralizar o efeito fisiológico de um estímulo condicionante. Os fatores psicossociais não influenciaram a chance dos indivíduos de pertencerem ao grupo que modulou a dor.Conditioned pain modulation (CPM) is a widely used experimental paradigm for assessing the function of descending inhibitory pain mechanisms. Although CPM is often employed as a tool for clinical prognosis, its outcomes can be influenced by multiple contextual factors, including expectations and psychosocial characteristics. The present study aimed to investigate whether participants expectationseither intrinsic or experimentally induced (analgesic or hyperalgesic)influence endogenous pain modulation in the trigeminal region, using the standard error of measurement (SEM) as a criterion to control for measurement variability. Additionally, the study examined the role of psychosocial factors, sleep quality, and intolerance to cold and pressure stimuli in the modulation process. Seventy-six healthy participants, aged 18 to 35 years, were recruited and underwent four CPM tests in a crossover design: with water at room temperature (CPM AA), cold water without expectation induction (CPM AF), cold water with analgesia expectation induction (CPM AN), and cold water with hyperalgesia expectation induction (CPM HA). Two types of test stimuli were used: pressure pain threshold (PPT) and controlled palpation (PC). The SEM was calculated in advance using repeated measures and used as a threshold to classify participants as modulators or non-modulators. Psychosocial variables (including anxiety, depression, stress, pain catastrophizing, optimism, resilience, and sleep quality) were assessed, along with measures of expectation and conviction about the anticipated effect of each test. Statistical analysis was conducted using Generalized Linear Mixed Models (GLMM) with a hierarchical structure, including fixed effects for clinical, psychosocial, and test-related variables, and a random intercept for each participant. The results showed that expectation was a robust predictor of pain modulation. More negative expectations significantly increased the likelihood of non-modulation, for both PPT and PC. The type of CPM test also influenced outcomes: tests using cold water (CPM AF) and those with analgesic expectation (CPM AN) were associated with a higher likelihood of pain modulation, particularly when PPT was used as the test stimulus. Moreover, the need to adjust water temperature to ensure test tolerability was negatively associated with modulation, suggesting an influence of sensory intolerance on inhibitory capacity. In contrast, psychosocial factors did not significantly predict modulation outcomes in the adjusted models. The use of the SEM as a classification criterion for true modulation improved the internal validity of the results by avoiding misclassification due to expected variability across repeated measures. Overall, the findings indicate that expectation is a key determinant of pain modulation, exerting a consistent effect regardless of the experimental condition. In particular, hyperalgesic expectations may be strong enough to neutralize the physiological effect of a conditioning stimulus. Psychosocial factors, however, did not influence the likelihood of participants being classified as modulators in this healthy population.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBonjardim, Leonardo RigoldiSalbego, Rafaela Stocker2025-05-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25149/tde-05092025-155118/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-08T18:19:07Zoai:teses.usp.br:tde-05092025-155118Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-08T18:19:07Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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