\"Conheço o meu lugar\": paulistanidade e estigmatização nordestina nas eleições presidenciais (1989 - 2022)
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8161/tde-25032026-110522/ |
Resumo: | Apresento a paulistanidade e a estigmatização nordestina como fenômenos centrais às disputas presidenciais ocorridas entre 1989 e 2022. Apontando imbricadas relações entre processos de racialização, demarcação de classe e tensões regionais, evidencio o contraste entre o ideal de superioridade paulista e a atribuição de inferioridade ao Nordeste. Para tal, atento ao caráter imaginado, discricionário e frequentemente conservador dos regionalismos, mobilizando símbolos e eventos que dicotomizam grupos nacionais. Percorro, portanto, as mitologias que envolvem um inventado bandeirante e um suposto cangaceiro, bem como as manifestações conservadoras que postularam o Nordeste sob o estigma da incivilidade, à sombra do progresso paulista. Da massa irracional narrada em Canudos à revolução com protagonismo bandeirante afirmada durante o Golpe de 1964, lidei com uma narrativa preconceituosa e persistente: a que afirma a inaptidão política nordestina. Esta alcançou novos patamares no século XXI, fato evidenciado pelos crimes de racismo com teor regional que tiveram seus picos nos períodos eleitorais das últimas décadas. Em um país que se acostumou com a massiva demonstração de ódio regional após eleições presidenciais, interessa desvelar o repertório de narrativas regionalistas com potencial para alcançar a materialidade política. Com essa intenção, rastreei menções ao Nordeste durante os pleitos presidenciais ocorridos entre 1989 e 2022 nas edições de dois tradicionais jornais: O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Para verificar se a região nordestina é representada de modo distinto em outros contextos ou em comparação ao estado paulista, rastreei em recortes temporais específicos menções a São Paulo no Estadão e ao Nordeste no Diário de Pernambuco. Após a coleta de milhares de notícias, a paulistanidade e a estigmatização nordestina não apenas se mostraram efervescentes na história brasileira recente, como também centrais a processos de racialização, demarcação de classe e aviltamento eleitoral. A análise estatística do banco de dados evidenciou que metade das vezes que o Nordeste foi mencionado no período, associou-se a região a algum atributo de estigma, sendo frequentes os discursos de rebaixamento e de associação ao Partido dos Trabalhadores. São Paulo, por outro lado, é representado de maneira diametralmente oposta e frequentemente elogiosa. Explicito, portanto, o potencial político dessas representações regionais e apresento-as como parte do alicerce argumentativo do Golpe Institucional de 2016 e de outros processos conservadores. Argumento que interessa à paulistanidade apresentar exercícios políticos progressistas como exógenos ao estado e essencialmente nordestinos. Estigmatizar tais posicionamentos permite delimitar a representação paulista por meio do contraste com o Nordeste e suprimir as esquerdas no território afirmado como bandeirante. A paulistanidade e a estigmatização nordestina são, desse modo, vitais para os encaminhamentos conservadores brasileiros. Encaminhamentos estes que, apesar de serem alvos de ativa resistência, contribuem para perpetuar a desigualdade que caracteriza o país |
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\"Conheço o meu lugar\": paulistanidade e estigmatização nordestina nas eleições presidenciais (1989 - 2022)\"I know my place\": paulistanity and the stigmatization of Northeastern Brazil in presidential elections (1989 - 2022)Anti-workers Party sentimentAntipetismoBrazilian NortheastDiário de PernambucoDiário de PernambucoEleições presidenciaisEstado de S. PauloEstado de S. PauloEstigmatização nordestinaFolha de S. PauloFolha de S. PauloImprensaNordesteNordestinosNortheastern stigmaPaulistanidadePaulistanityPreconceitoPresidential electionsPressRegionalismRegionalismoApresento a paulistanidade e a estigmatização nordestina como fenômenos centrais às disputas presidenciais ocorridas entre 1989 e 2022. Apontando imbricadas relações entre processos de racialização, demarcação de classe e tensões regionais, evidencio o contraste entre o ideal de superioridade paulista e a atribuição de inferioridade ao Nordeste. Para tal, atento ao caráter imaginado, discricionário e frequentemente conservador dos regionalismos, mobilizando símbolos e eventos que dicotomizam grupos nacionais. Percorro, portanto, as mitologias que envolvem um inventado bandeirante e um suposto cangaceiro, bem como as manifestações conservadoras que postularam o Nordeste sob o estigma da incivilidade, à sombra do progresso paulista. Da massa irracional narrada em Canudos à revolução com protagonismo bandeirante afirmada durante o Golpe de 1964, lidei com uma narrativa preconceituosa e persistente: a que afirma a inaptidão política nordestina. Esta alcançou novos patamares no século XXI, fato evidenciado pelos crimes de racismo com teor regional que tiveram seus picos nos períodos eleitorais das últimas décadas. Em um país que se acostumou com a massiva demonstração de ódio regional após eleições presidenciais, interessa desvelar o repertório de narrativas regionalistas com potencial para alcançar a materialidade política. Com essa intenção, rastreei menções ao Nordeste durante os pleitos presidenciais ocorridos entre 1989 e 2022 nas edições de dois tradicionais jornais: O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Para verificar se a região nordestina é representada de modo distinto em outros contextos ou em comparação ao estado paulista, rastreei em recortes temporais específicos menções a São Paulo no Estadão e ao Nordeste no Diário de Pernambuco. Após a coleta de milhares de notícias, a paulistanidade e a estigmatização nordestina não apenas se mostraram efervescentes na história brasileira recente, como também centrais a processos de racialização, demarcação de classe e aviltamento eleitoral. A análise estatística do banco de dados evidenciou que metade das vezes que o Nordeste foi mencionado no período, associou-se a região a algum atributo de estigma, sendo frequentes os discursos de rebaixamento e de associação ao Partido dos Trabalhadores. São Paulo, por outro lado, é representado de maneira diametralmente oposta e frequentemente elogiosa. Explicito, portanto, o potencial político dessas representações regionais e apresento-as como parte do alicerce argumentativo do Golpe Institucional de 2016 e de outros processos conservadores. Argumento que interessa à paulistanidade apresentar exercícios políticos progressistas como exógenos ao estado e essencialmente nordestinos. Estigmatizar tais posicionamentos permite delimitar a representação paulista por meio do contraste com o Nordeste e suprimir as esquerdas no território afirmado como bandeirante. A paulistanidade e a estigmatização nordestina são, desse modo, vitais para os encaminhamentos conservadores brasileiros. Encaminhamentos estes que, apesar de serem alvos de ativa resistência, contribuem para perpetuar a desigualdade que caracteriza o paísI introduce Paulistanity (the ideology of superiority of the people from the São Paulo i.e. Paulistas) and stigmatization of the northeastern people as central phenomena to the presidential elections between 1989 and 2022. Highlighting the intertwined relationships between processes of racialization, class demarcation, and regional tensions, I draw attention to the contrast between the ideal of Paulista superiority and the attribution of inferiority to the Northeastern people. To this end, I focus on the imagined, discretionary, and often conservative nature of regionalisms, mobilizing symbols and events that dichotomize national groups. Therefore, I explore the mythologies surrounding an invented pioneer (bandeirante) and a supposed bandit (cangaceiro), as well as the conservative demonstrations that portrayed the Northeast under the stigma of incivility, and the shadow of São Paulos progress. From the irrational mass, narrated in Canudos to the pioneer lead revolution, defended during the 1964 Coup, I dealt with a persistent and prejudiced narrative: one that affirms the political ineptitude of the Northeast. This reached new heights in the 21st century, a fact evidenced by hate crimes that peaked during electoral periods in recent decades. In a country accustomed to the massive demonstration of regional hatred after presidential elections, it is key to uncover the repertoire of regionalist narratives that bear the potential to achieve political materiality. With this goal in mind, I tracked mentions of the Northeast during the presidential elections held between 1989 and 2022 in the editions of two traditional newspapers: O Estado de S.Paulo and Folha de S. Paulo. To verify whether the Northeast region is represented differently in other contexts or in comparison to the state of São Paulo, I tracked specific mentions of São Paulo in Estadão and the Northeast in Diário de Pernambuco relating them to their time-frames. After collecting thousands of news items, Paulistanity and the Northeastern stigma were not only proved to be pervasive in recent Brazilian history, but also central to processes of racialization, class demarcation, and electoral debasement. Statistical analysis of the database showed that half the times the Northeast was mentioned in the period it was associated with some stigmatizing attribute, and was frequently inferiorized and associated with the Workers\' Party (Partidos dos trabalhadores, PT). São Paulo, on the other hand, was represented in a diametrically opposite and often complimentary manner. I, therefore, explain the political potential of these regional representations and present them as part of the argumentative foundation of the 2016 Institutional Coup and other conservative processes. I argue that it is in the interests of Paulistanity to present progressive political practices as exogenous to the state and essentially Northeastern. To stigmatize such positions allows for the demarcation of Paulistanity\'s representation through contrast with the Northeast and the suppression of the left in the supposed Bandeirante territory. Paulistanity and the stigmatization of the Northeast are, therefore, vital to Brazilian conservative movements. These movements, despite being targets of active resistance, contribute to perpetuating the inequality that characterizes the countryBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Leonardo Gomes Mello eRego, Marina Chaves de Macedo2025-12-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8161/tde-25032026-110522/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-25T14:21:03Zoai:teses.usp.br:tde-25032026-110522Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-25T14:21:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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