Camilo Castelo Branco: a moral a serviço das conveniências

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2009
Autor(a) principal: Moyses, Tatiana de Fatima Alves
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8150/tde-04022010-102115/
Resumo: A imagem de Camilo Castelo Branco é, em geral, vinculada a romances de cariz sentimental e moralizante. Acredita-se, por vezes, que essas narrativas, supostamente ocupadas pela temática amorosa, não comportam discussões de ordem histórica, política ou filosófica. Contudo, se se observar como o romancista dialoga com as muitas teorias filosóficas e literárias formuladas no século XVIII e XIX, bem como com os eventos políticos do mesmo período, percebe-se que se trata de um escritor consciente do universo sócio-cultural do qual fazia parte. De fato, no vasto legado literário do autor de São Miguel de Ceide encontramos um retrato da sociedade oitocentista, que é analisada sobretudo no que concerne ao aspecto moral. A partir da principal instituição burguesa, a família, Camilo discorre acerca da moral, mostrando que mães, pais e filhos que segundo a ideologia dos teóricos oriundos da Revolução Francesa deveriam cumprir diferentes papéis dentro do lar, a fim de contribuir para a moralização social - aderem ou refutam os conceitos pré-estabelecidos de acordo com suas necessidades. Vê-se a mesma adaptação quando se trata dos membros da Igreja. Com efeito, os padres e freiras dos romances camilianos, normalmente, não respeitam as leis do cristianismo, nem tampouco a moral difundida pela burguesia; quando o fazem, em raras ocasiões, é somente para conseguirem benefícios individuais. Nesse sentido, Camilo Castelo Branco denuncia que, na sociedade que representa, a moral está a serviço das conveniências.
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