As obras públicas de engenharia e sua função na estruturação da cidade de São Paulo.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1985
Autor(a) principal: Zmitrowicz, Witold
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-24032025-072349/
Resumo: A rede de canais de transporte e comunicações da cidade, que interliga entre si os espaços urbanos e a região circundante, forma uma estrutura que direciona o seu desenvolvimento, modificando as condições do sítio natural. Ela é criada por pressão de fatores externos, como desenvolvimento agrícola e industrial da região, ou internos, motivados por demandas intra-urbanas. O adensamento e a expansão da área urbanizada causam frequentemente sobrecargas nos canis, que são ampliados, ramificados e prolongados, sobrepondo-se redes novas a outras implantadas anteriormente. Estradas e ferrovias, interceptores e emissários de esgotos e águas fluviais, galerias e canais fluviais, constituem diretrizes utilizadas sistematicamente nos novos projetos de ligações. A localização e estruturação inicial de São Paulo teve como condicionantes a topografia e a hidrografia, que induziram o traçado dos primitivos caminhos até o local de fundação da povoação, escolhido por razões de acessibilidade e defesa. A colocação estratégica dos prédios públicos e dos mosteiros determinou a sua estruturação interna. Antes de 1860, restringida por fatores físicos e de uso do solo, a cidade se expandia lentamente na direção N-O. Traçados alternativos para os caminhos que irradiavam a partir das pontes, eram criados frequentemente por razões técnicas ou especulativas. Mas a implantação do sistema ferroviário, para atender a demanda de transporte regional, baseada em técnicas diversas das utilizadas anteriormente, iria redirecionar a estruturação da Capital. Além da modificação da hierarquia da rede de caminhos regionais devida à sobreposição de um sistema de transporte mais eficiente, as estações, pátios e desvios ferroviários provocaram o desenvolvimento de áreas ao norte e leste (Luz, Brás), reforçado pelas linhas de bonde que as conectaram com o Centro.O crescimento da população industrial e das populações operárias criou a necessidade de novos espaços e de ampliação dos serviços públicos. A utilização de novas vias surgidas com os loteamentos, e a transformação das estradas de ferro, devido ao aumento do tráfego, em barreiras à passagem de veículos, perturbou a hierarquia do sistema radial existente. Estradas de ferro suburbanas criadas para facilitar o transporte local, a seguir acrescidas de estradas carroçáveis para permitir o tráfego de veículos automotores formaram novos eixos de estruturação da cidade. E a aglutinação dos interesses de loteadores e de empresas de transporte coletivo apressou a ocupação urbana da periferia por população de baixo poder aquisitivo, enquanto as camadas mais ricas se estabeleciam em espaços dotados de todos os serviços urbanos, implantados progressivamente pelo poder público a partir do centro. A barreira seguinte à expansão da cidade era constituída pelas várzeas inundáveis do Tietê e do Pinheiros, e só começou a ser eliminada em meados do século XX, com a canalização dos rios, que ganhou impulso com o seu aproveitamento hidroelétricos. Ocorreram então novas modificações nos eixos estruturais, ao serem construídas as vias de transposição dos rios e, principalmente, ao serem implantadas pistas rápidas às margens dos canis. Às vias expressas se interligavam rodovias e avenidas de fundo de vale construídas ao longo dos seus afluentes, formando uma nova estrutura, em espinha de peixe, que se sobrepôs ao velho esquema e deslocou para as várzeas do Tietê e do Pinheiros as áreas de maior acessibilidade rodoviária da Metrópole.Internamente à área urbana, além do aproveitamento de vales abandonados (do Tamandoateí, do Anahngabaú, do Saracura), projetos de interligação de vias radiais marcaram, em diferentes épocas, a reestruturação da área central: Anel de Irradiação, Avenidas Prestes Maia-Santos Dumont, Via Leste-Oeste. Mais recentemente, as linhas e estações metroviárias modificaram os fluxos de pedestres, começando a influir no uso do solo. Observa-se, portanto, no desenvolvimento de São Paulo, uma progressiva transposição de barreiras e sucessivos reescalonamentos na hierarquia dos eixos viários, com utilização cada vez mais frequente de traçados oriundos do aproveitamento de recursos hidrológicos. Na implantação dos projetos, os planos setoriais normalmente predominaram sobre os planos urbanísticos mais abranjantes (dos quais muitas vezes divergiam), por serem executados por entidades independentes e autossustentáveis, com finalidades específicas, e por constituírem obras consideradas de urgência, com prioridade política e financeira. Muitos projetos foram implantados apenas parcialmente, devido a mudanças administrativas na direção da entidade responsável. Os grandes empreendimentos, interrompidos e complementados por outros que se lhes sobrepuseram, foram na cidade uma obra coletiva, refletindo várias finalidades, o que, se de um lado constitui uma riqueza cultural urbana, de outro reduz a sua eficiência. Mas a integração e coordenação dos diversos setores da cidade, e, principalmente, o controle de sua expansão, tornam-se cada vez mais difíceis, com a crescente complexidade e o financiamento administrativo da Metrópole.
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A localização e estruturação inicial de São Paulo teve como condicionantes a topografia e a hidrografia, que induziram o traçado dos primitivos caminhos até o local de fundação da povoação, escolhido por razões de acessibilidade e defesa. A colocação estratégica dos prédios públicos e dos mosteiros determinou a sua estruturação interna. Antes de 1860, restringida por fatores físicos e de uso do solo, a cidade se expandia lentamente na direção N-O. Traçados alternativos para os caminhos que irradiavam a partir das pontes, eram criados frequentemente por razões técnicas ou especulativas. Mas a implantação do sistema ferroviário, para atender a demanda de transporte regional, baseada em técnicas diversas das utilizadas anteriormente, iria redirecionar a estruturação da Capital. Além da modificação da hierarquia da rede de caminhos regionais devida à sobreposição de um sistema de transporte mais eficiente, as estações, pátios e desvios ferroviários provocaram o desenvolvimento de áreas ao norte e leste (Luz, Brás), reforçado pelas linhas de bonde que as conectaram com o Centro.O crescimento da população industrial e das populações operárias criou a necessidade de novos espaços e de ampliação dos serviços públicos. A utilização de novas vias surgidas com os loteamentos, e a transformação das estradas de ferro, devido ao aumento do tráfego, em barreiras à passagem de veículos, perturbou a hierarquia do sistema radial existente. Estradas de ferro suburbanas criadas para facilitar o transporte local, a seguir acrescidas de estradas carroçáveis para permitir o tráfego de veículos automotores formaram novos eixos de estruturação da cidade. E a aglutinação dos interesses de loteadores e de empresas de transporte coletivo apressou a ocupação urbana da periferia por população de baixo poder aquisitivo, enquanto as camadas mais ricas se estabeleciam em espaços dotados de todos os serviços urbanos, implantados progressivamente pelo poder público a partir do centro. A barreira seguinte à expansão da cidade era constituída pelas várzeas inundáveis do Tietê e do Pinheiros, e só começou a ser eliminada em meados do século XX, com a canalização dos rios, que ganhou impulso com o seu aproveitamento hidroelétricos. Ocorreram então novas modificações nos eixos estruturais, ao serem construídas as vias de transposição dos rios e, principalmente, ao serem implantadas pistas rápidas às margens dos canis. Às vias expressas se interligavam rodovias e avenidas de fundo de vale construídas ao longo dos seus afluentes, formando uma nova estrutura, em espinha de peixe, que se sobrepôs ao velho esquema e deslocou para as várzeas do Tietê e do Pinheiros as áreas de maior acessibilidade rodoviária da Metrópole.Internamente à área urbana, além do aproveitamento de vales abandonados (do Tamandoateí, do Anahngabaú, do Saracura), projetos de interligação de vias radiais marcaram, em diferentes épocas, a reestruturação da área central: Anel de Irradiação, Avenidas Prestes Maia-Santos Dumont, Via Leste-Oeste. Mais recentemente, as linhas e estações metroviárias modificaram os fluxos de pedestres, começando a influir no uso do solo. Observa-se, portanto, no desenvolvimento de São Paulo, uma progressiva transposição de barreiras e sucessivos reescalonamentos na hierarquia dos eixos viários, com utilização cada vez mais frequente de traçados oriundos do aproveitamento de recursos hidrológicos. Na implantação dos projetos, os planos setoriais normalmente predominaram sobre os planos urbanísticos mais abranjantes (dos quais muitas vezes divergiam), por serem executados por entidades independentes e autossustentáveis, com finalidades específicas, e por constituírem obras consideradas de urgência, com prioridade política e financeira. Muitos projetos foram implantados apenas parcialmente, devido a mudanças administrativas na direção da entidade responsável. Os grandes empreendimentos, interrompidos e complementados por outros que se lhes sobrepuseram, foram na cidade uma obra coletiva, refletindo várias finalidades, o que, se de um lado constitui uma riqueza cultural urbana, de outro reduz a sua eficiência. Mas a integração e coordenação dos diversos setores da cidade, e, principalmente, o controle de sua expansão, tornam-se cada vez mais difíceis, com a crescente complexidade e o financiamento administrativo da Metrópole.The city transportation and communication networks, connecting urban spaces and the envolving region, form a structure that directs its development by changing the natural site conditions. This structure is created by pressure of extra-urban factors, as agricultural and industrial development of the region, or by intra-urban demands. Expansion and densification of urbanized areas frequently overload the network channels, which are then enlarged, ramified and extended; new channels are superposed on others planted before. Roads and railroads, sewage and drainage interceptors, galleries and canals, are systematically used for new project location. The placing and the first urban structure of the City of S. Paulo had been chosen by accessibility and defence reasons, and were conditioned by topography and hydrology, which induced the first paths to the new nucleus site. Strategic positioning of public buildings and monasteries determined its internal arrangement. Before 1860, restricted by physical and land-use factors, the city expanded slowly towards N.W. Frequently, for technical or speculative reasons, alternative outlines were fixed for the roads which were starting from the bridges. But is was the implementation of the railroad system, attending to regional transportation demands, based on new techniques, which redefined the structure of the Capital of the Province. Besides modifying regional network hierarchy by creating a more efficient transportation system, the railway stations, yards and diversions stimulated the development of areas in the north and in the east of the city (Luz, Brás), with the help of tramway lines which connected these areas to the Centre. The increase of industrial production and the growth of works population resulted in the need for new spaces and expansion of public services. New streets constructed for landsubdivision and the increasing role of the railroad as a vehicle traffic barrier disturbed the existing radial systems hierarchy. Suburban local transportation railroads and, subsequently, roads for motor vehicle traffic formed new structural axis for the city. The combination of the interest of land developers and public transport companies stimulated the peripherical urban occupation by low-income people, while the rich established themselves in spaces provided with all urban services, constructed progressively from the centre. Next barriers to the city expansion, the flooding valleys of the rivers Tietê and Pinheiros, were removed only in the middle of the xxth century, as the rivers were canalized for hydroelectric purposes. New changes in the structure axis occurred then, as new bridges and rapid traffic lanes were built along the canals of these rivers. The expressways were connected with higways and arterials along the tributary rivers, and formed a new spine structure wich was superimposed on the old radial schme. The new structure transferred to the Tietê and Pinheiros valleys the best accessibility conditions in the Metropolis. Inside the urban area, besides the utilization of abandoned valleys (Ttamaduateí, Anhangabaú, Saracura), in different periods interconnection of radial streets changed the structure of the city centre: Irradiação Ring, Prestes Maia-Santos Dumont and Leste-Oeste Avenues. More recently, underground lines and stations modified the pedestrian flows, starting to induce land-use changes.Therefore, in the development of the city of São Paulo, we can observe successive barriers transportation and changes in the hierarchy of transportation networks, with increasing employment of outlines derived from hydrologic resources utilization. Usually, sectorial plans prevailed on comprehensive urban plans. These sectorial plans were carried out by independent and self-supporting agencies, with high political and financial priorities. Many projects have been implemented only in part, due to changes in agencies management. Great enterprises were interrupted and later finished by works done with other objectives. They form a rich cultural piece of work but they are poor as an efficient collective product. But it is increasingly difficult to integrate different sectors and to control the expansion of the city, due to the growing complexity and administrative fractioning of the Metropolis.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOrlandi, Saverio Andrea FeliceZmitrowicz, Witold1985-03-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3146/tde-24032025-072349/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-24T10:33:01Zoai:teses.usp.br:tde-24032025-072349Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-24T10:33:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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A localização e estruturação inicial de São Paulo teve como condicionantes a topografia e a hidrografia, que induziram o traçado dos primitivos caminhos até o local de fundação da povoação, escolhido por razões de acessibilidade e defesa. A colocação estratégica dos prédios públicos e dos mosteiros determinou a sua estruturação interna. Antes de 1860, restringida por fatores físicos e de uso do solo, a cidade se expandia lentamente na direção N-O. Traçados alternativos para os caminhos que irradiavam a partir das pontes, eram criados frequentemente por razões técnicas ou especulativas. Mas a implantação do sistema ferroviário, para atender a demanda de transporte regional, baseada em técnicas diversas das utilizadas anteriormente, iria redirecionar a estruturação da Capital. Além da modificação da hierarquia da rede de caminhos regionais devida à sobreposição de um sistema de transporte mais eficiente, as estações, pátios e desvios ferroviários provocaram o desenvolvimento de áreas ao norte e leste (Luz, Brás), reforçado pelas linhas de bonde que as conectaram com o Centro.O crescimento da população industrial e das populações operárias criou a necessidade de novos espaços e de ampliação dos serviços públicos. A utilização de novas vias surgidas com os loteamentos, e a transformação das estradas de ferro, devido ao aumento do tráfego, em barreiras à passagem de veículos, perturbou a hierarquia do sistema radial existente. Estradas de ferro suburbanas criadas para facilitar o transporte local, a seguir acrescidas de estradas carroçáveis para permitir o tráfego de veículos automotores formaram novos eixos de estruturação da cidade. E a aglutinação dos interesses de loteadores e de empresas de transporte coletivo apressou a ocupação urbana da periferia por população de baixo poder aquisitivo, enquanto as camadas mais ricas se estabeleciam em espaços dotados de todos os serviços urbanos, implantados progressivamente pelo poder público a partir do centro. A barreira seguinte à expansão da cidade era constituída pelas várzeas inundáveis do Tietê e do Pinheiros, e só começou a ser eliminada em meados do século XX, com a canalização dos rios, que ganhou impulso com o seu aproveitamento hidroelétricos. Ocorreram então novas modificações nos eixos estruturais, ao serem construídas as vias de transposição dos rios e, principalmente, ao serem implantadas pistas rápidas às margens dos canis. Às vias expressas se interligavam rodovias e avenidas de fundo de vale construídas ao longo dos seus afluentes, formando uma nova estrutura, em espinha de peixe, que se sobrepôs ao velho esquema e deslocou para as várzeas do Tietê e do Pinheiros as áreas de maior acessibilidade rodoviária da Metrópole.Internamente à área urbana, além do aproveitamento de vales abandonados (do Tamandoateí, do Anahngabaú, do Saracura), projetos de interligação de vias radiais marcaram, em diferentes épocas, a reestruturação da área central: Anel de Irradiação, Avenidas Prestes Maia-Santos Dumont, Via Leste-Oeste. Mais recentemente, as linhas e estações metroviárias modificaram os fluxos de pedestres, começando a influir no uso do solo. Observa-se, portanto, no desenvolvimento de São Paulo, uma progressiva transposição de barreiras e sucessivos reescalonamentos na hierarquia dos eixos viários, com utilização cada vez mais frequente de traçados oriundos do aproveitamento de recursos hidrológicos. Na implantação dos projetos, os planos setoriais normalmente predominaram sobre os planos urbanísticos mais abranjantes (dos quais muitas vezes divergiam), por serem executados por entidades independentes e autossustentáveis, com finalidades específicas, e por constituírem obras consideradas de urgência, com prioridade política e financeira. Muitos projetos foram implantados apenas parcialmente, devido a mudanças administrativas na direção da entidade responsável. Os grandes empreendimentos, interrompidos e complementados por outros que se lhes sobrepuseram, foram na cidade uma obra coletiva, refletindo várias finalidades, o que, se de um lado constitui uma riqueza cultural urbana, de outro reduz a sua eficiência. Mas a integração e coordenação dos diversos setores da cidade, e, principalmente, o controle de sua expansão, tornam-se cada vez mais difíceis, com a crescente complexidade e o financiamento administrativo da Metrópole.
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